Tag: investimento estrangeiro

  • Espanhol Costa Food Group investe R$ 1,65 bilhão no Paraguai para produzir 1 milhão de suínos por ano

    Espanhol Costa Food Group investe R$ 1,65 bilhão no Paraguai para produzir 1 milhão de suínos por ano

    Um marco para a proteína animal sul-americana

    Na última terça-feira (9/6/2026), o Paraguai deu um passo decisivo para se consolidar como polo global de carne suína. O anúncio do investimento de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,65 bilhão) pelo grupo espanhol Costa Food Group — uma das maiores empresas europeias do setor — não apenas valida a estratégia paraguaia de atração de capital estrangeiro, mas também acelera a transformação do país em um dos principais exportadores mundiais do produto.

    Aposta em um modelo competitivo

    O aporte será direcionado à aquisição de participação majoritária na Granja San Bernardo, localizada no departamento de Alto Paraná, visando expandir a capacidade produtiva para 1 milhão de suínos por ano. A escolha do Paraguai como destino do investimento não é casual: o país combina custos operacionais 30% inferiores aos de seus concorrentes diretos, como Brasil e Estados Unidos, com acesso a energia elétrica 50% mais barata e um regime fiscal atrativo para empresas exportadoras.

    Paraguai na rota da segurança alimentar global

    O movimento ocorre em um contexto de crescente demanda por proteína animal, impulsionada pelo afrouxamento das restrições chinesas à importação — que até 2025 concentravam 60% do mercado global — e pela busca de fornecedores alternativos após crises sanitárias em outros países. Analistas do setor projetam que, até 2028, o Paraguai poderá triplicar suas exportações de carne suína, rivalizando com gigantes como a Dinamarca e o Canadá. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o investimento europeu é um selo de qualidade para a suinocultura paraguaia, historicamente vista como secundária frente ao setor de grãos.

    Consequências para o Brasil e o mercado global

    A iniciativa pode reconfigurar a geografia da suinocultura mundial. Enquanto o Brasil, maior produtor da América Latina, enfrenta pressões ambientais e barreiras sanitárias, o Paraguai surge como uma opção de baixo risco regulatório e alta rentabilidade. Economistas do setor avaliam que, em cinco anos, a disputa por mercados como o Oriente Médio e a África — atualmente dominados por europeus — poderá se intensificar, com o Paraguai como novo player. “É um movimento que coloca o país no mapa das commodities estratégicas”, afirma o economista paraguaio Miguel Ángel Morínigo, da Universidade Nacional de Assunção.

  • GWM acelera expansão no Brasil: 10 mil carros produzidos em SP e segunda fábrica de R$ 10 bilhões prevista para 2032

    GWM acelera expansão no Brasil: 10 mil carros produzidos em SP e segunda fábrica de R$ 10 bilhões prevista para 2032

    A GWM, fabricante chinesa que opera no Brasil desde agosto de 2025, atingiu um marco simbólico ao produzir 10 mil veículos em sua planta de Iracemápolis (SP). A fábrica, adquirida da Mercedes-Benz em 2021, foi adaptada para produção local com kits CKD, contando hoje com 1.400 colaboradores e operação robótica em etapas críticas como soldagem e pintura. O principal modelo fabricado é o SUV Haval H6, posicionado entre R$ 200 mil e R$ 300 mil.

    Da aquisição à produção local: como a GWM se reinventou no mercado brasileiro

    A planta de Iracemápolis, originalmente voltada para a Mercedes, passou por uma completa readequação para operar com kits desmontados (CKD), uma estratégia para atender às exigências de nacionalização progressiva. Hoje, a fábrica já dispõe de 18 robôs na linha de montagem e quatro estações automáticas de pintura, além de 18 fornecedores nacionais estratégicos como Basf, Bosch e Goodyear. A mudança permitiu à GWM enquadrar-se como fabricante local, superando barreiras tarifárias e ampliando sua competitividade no segmento premium.

    A segunda fábrica no Espírito Santo: um salto de escala e diversificação

    Em fevereiro de 2025, a GWM anunciou a construção de sua segunda unidade no Brasil, em Aracruz (ES), com capacidade estimada de 200 mil veículos por ano — quatro vezes superior à planta paulista. O investimento de R$ 10 bilhões até 2032 já tem R$ 4 bilhões comprometidos na primeira fase, com previsão de geração de 3 mil empregos diretos e até 10 mil indiretos quando operar em plena capacidade. A nova fábrica será estruturada como unidade completa, com estamparia, soldagem, pintura e montagem final, além de áreas dedicadas à produção de componentes estratégicos.

    Ora 5: a aposta multienergia da GWM para conquistar o mercado brasileiro

    Diferentemente da estratégia puramente elétrica de concorrentes, a GWM planeja lançar no Brasil o SUV Ora 5, versão superior do modelo 03, com versões a combustão (turbo flex) e híbrida, além da versão elétrica existente. A decisão reflete uma adaptação ao perfil heterogêneo do consumidor brasileiro, marcado por desigualdades regionais de infraestrutura e renda. Segundo apuração da Motor1 Brasil, executivos da marca confirmam que o Ora 5 será produzido no país, com maior variedade de motorizações que o modelo original chinês, buscando equilibrar custo e performance.

    Impacto econômico e desafios da nacionalização progressiva

    A expansão da GWM não se limita à produção: o novo complexo no Espírito Santo prioriza a nacionalização progressiva, com ampliação da cadeia de suprimentos regional. Isso deve impactar diretamente fornecedores, logística e serviços associados, gerando um efeito multiplicador na economia local. No entanto, a estratégia enfrenta desafios como a necessidade de qualificação da mão de obra e a adaptação às normas brasileiras de segurança e emissões, especialmente para os modelos a combustão. A empresa ainda busca consolidar sua imagem no mercado, tradicionalmente dominado por marcas europeias e japonesas no segmento premium.