Tag: investimentos rurais

  • Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada e impulsionar agro com US$ 120 bi em investimentos

    Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada e impulsionar agro com US$ 120 bi em investimentos

    A fronteira agrícola brasileira, uma das maiores do mundo, ainda opera com apenas uma fração do seu potencial em irrigação. Segundo o levantamento “Brasil Irrigado 2035: O Futuro que a Água Pode Regar”, divulgado nesta quarta-feira (17/06/2026) pela ABIMAQ em parceria com a USP/ESALQ, o país detém capacidade técnica e territorial para multiplicar por cinco a área atualmente irrigada — um salto de 8,2 milhões para 55,8 milhões de hectares.

    De pastagens a celeiros: onde está o ouro verde do Brasil

    O estudo mapeou que 48% do potencial identificado — cerca de 27 milhões de hectares — está em áreas hoje ocupadas por pastagens degradadas ou de baixa produtividade. Regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Centro-Oeste e partes do Nordeste aparecem como prioridades para essa transição, que poderia gerar um acréscimo de até R$ 120 bilhões anuais ao PIB agropecuário brasileiro até 2035.

    Irrigação além da safra: os efeitos multiplicadores

    A ampliação do uso da água não se limita a aumentar a produtividade das culturas já existentes. O estudo aponta três impactos estruturais: 1) Redução das desigualdades regionais, ao permitir que pequenos e médios produtores ingressem em cadeias de valor antes dominadas por grandes empresas; 2) Estabilização da produção em períodos de seca, diminuindo perdas anuais de R$ 15 bilhões causadas por estiagens; 3) Criação de 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos na cadeia de insumos, máquinas agrícolas e logística.

    Os nós que precisam ser desatados

    Para concretizar o cenário, o levantamento elenca três gargalos principais: a) Financiamento: Apenas 15% dos recursos necessários (estimados em R$ 450 bilhões até 2035) estão assegurados via programas públicos como o Moderfrota e o ABC+. b) Infraestrutura: 60% das áreas com potencial irrigável não possuem acesso a fontes hídricas confiáveis ou redes de distribuição adequadas. c) Capacitação: Falta de mão de obra qualificada para operação e manutenção dos sistemas, especialmente em regiões como o Semiárido Nordestino.

    O que dizem os especialistas

    Para o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Lazarini, da USP/ESALQ, a irrigação é “a única forma de tornar a agricultura brasileira verdadeiramente competitiva frente a países como Austrália e Estados Unidos”. Já o presidente da ABIMAQ, José Velloso, alerta: “Sem políticas públicas coordenadas e investimentos privados, o Brasil corre o risco de perder uma década de oportunidades enquanto a Índia e a China aceleram seus programas de irrigação”.

    Enquanto o país discute reforma tributária e controle de gastos, o estudo sugere que a irrigação poderia ser incluída como prioridade nacional em acordos de clima, já que cada hectare irrigado evita a emissão de até 3 toneladas de CO₂ equivalente por ano — um ativo ambiental para o Brasil perante o mercado de carbono.

  • Governo federal e Conab unem forças para blindar estoques públicos e garantir segurança alimentar até 2026

    Governo federal e Conab unem forças para blindar estoques públicos e garantir segurança alimentar até 2026

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) traçaram nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, um plano de ação para reforçar os pilares da segurança alimentar no Brasil. Durante encontro com o ministro André de Paula, foram discutidos mecanismos de controle de estoques públicos, preços mínimos, seguro rural e estratégias de abastecimento, com foco em evitar crises como as registradas em safras anteriores.

    Conab: o braço operacional do Mapa na guerra contra a fome e a inflação

    O ministro André de Paula não poupou elogios à atuação da Conab, classificando-a como “peça-chave” na formulação de políticas públicas para o agro. “Os levantamentos de safra, os custos de produção e os estoques reguladores são insumos básicos para que possamos desenhar políticas assertivas”, declarou. A Companhia, segundo ele, será ainda mais decisiva nos próximos meses, quando a safra de grãos deve atingir patamares recordes — mas com desafios logísticos agravados pela crise climática em regiões como o Sul do país.

    Paraguai no radar: o novo Eldorado do agro brasileiro

    Enquanto o Brasil se prepara para colheitas históricas, o Paraguai emergiu como o novo destino de investimentos do setor. Regiões antes consideradas marginais, como o Chaco paraguaio, agora atraem gigantes brasileiros do agro, graças a terras baratas, mão de obra competitiva e acordos bilaterais facilitados. Especialistas ouvidos pela imprensa local estimam que os investimentos brasileiros na região já superam US$ 2 bilhões desde 2024, com foco em soja, milho e pecuária de corte.

    O fenômeno, segundo analistas, é uma resposta direta à pressão por áreas agricultáveis no Brasil, onde a reforma agrária e as restrições ambientais limitam a expansão. “O Paraguai é hoje a fronteira mais promissora para o agro nacional, mas também traz riscos geopolíticos e dependência de infraestrutura ainda precária”, avalia o economista agrícola Marcos Rabello, da FGV Agro.

    O que vem por aí: estoques, preços e a conta que vai pesar no bolso do consumidor

    As medidas anunciadas pelo Mapa incluem:

    • Ampliação de 30% na capacidade de armazenagem pública até 2027, com foco em regiões críticas como o Centro-Oeste e o Nordeste;
    • Ativação de estoques reguladores para conter oscilações de preços em commodities como arroz e feijão;
    • Criação de um fundo de emergência para safras afetadas por eventos climáticos, com recursos do seguro rural;
    • Monitoramento em tempo real da safra de grãos, com dados compartilhados entre Conab, IBGE e Embrapa.

    Para o consumidor final, a expectativa é de estabilidade nos preços dos alimentos básicos até o final do ano, mas com margem de risco caso a safra paraguaia — que já abastece 15% do mercado brasileiro de soja — enfrente problemas climáticos. “A interdependência entre os dois países é inevitável, mas o Brasil precisa garantir que suas políticas internas não deixem brechas para especulação”, alerta Rabello.