Tag: IPCA

  • Inflação oficial acumula 4,64% em 12 meses; INPC registra alta de 4,33% em junho

    Inflação oficial acumula 4,64% em 12 meses; INPC registra alta de 4,33% em junho

    Nesta sexta-feira (10), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou os resultados de junho para os principais indicadores de inflação no país. O INPC, que serve de base para reajustes salariais de diversas categorias, subiu 0,14% no mês, acumulando alta de 4,33% nos últimos 12 meses. Já o IPCA — considerado a inflação oficial do Brasil — registrou 0,16% em junho e 4,64% no acumulado anual.

    Alimentos ficam mais baratos, mas itens não alimentícios puxam inflação

    Enquanto os produtos alimentícios apresentaram deflação de 0,29% em junho, os itens não alimentícios subiram 0,28%. Essa dinâmica reflete um cenário de preços relativamente estáveis para a cesta básica, mas com pressões em serviços e bens duráveis. A queda nos alimentos pode indicar uma acomodação após períodos de alta, como os observados no início do ano.

    Diferenças entre INPC e IPCA: quem sente mais a inflação?

    Os dois índices medem a inflação de forma distinta. O INPC considera famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos (atualmente R$ 1.620), enquanto o IPCA abrange lares com renda de 1 a 40 salários mínimos. Isso explica por que o IPCA, ao incluir faixas de renda mais altas, pode registrar variações ligeiramente diferentes. Para trabalhadores de baixa renda, entretanto, o INPC continua sendo o principal referencial para reajustes salariais.

    Impacto nos salários e na economia

    O INPC é crucial para categorias profissionais, pois seus resultados influenciam diretamente os reajustes de salários e benefícios. Com o acumulado de 4,33% em 12 meses, trabalhadores e sindicatos devem avaliar se os reajustes negociados no período estão sendo suficientes para compensar a inflação. Já o IPCA, ao atingir 4,64%, reforça a atenção do Banco Central no controle dos preços, especialmente em um contexto de juros elevados e incertezas econômicas.

    Os dados reforçam a necessidade de monitoramento constante dos índices de preços, especialmente em um ano marcado por eleições e mudanças na política monetária.

  • Inflação oficial recua para 0,16% em junho: preços de alimentos puxam queda e meta do BC se aproxima do limite

    Inflação oficial recua para 0,16% em junho: preços de alimentos puxam queda e meta do BC se aproxima do limite

    IPCA registra menor taxa desde maio de 2025

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou junho em 0,16%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10 de julho de 2026), pelo IBGE. A taxa representa uma queda expressiva em relação aos 0,31% registrados em maio e é a menor desde maio de 2025, quando o índice foi de 0,12%. A desaceleração foi impulsionada, sobretudo, pela queda nos preços de alimentos, que recuaram 0,45% no mês.

    Meta de inflação do BC: entre a corda bamba

    A meta oficial de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, um intervalo que vai de 1,5% a 4,5%. Desde o início de 2025, o Banco Central passou a avaliar a inflação com base nos últimos 12 meses, não mais apenas no acumulado do ano anterior. Caso a inflação ultrapasse o limite superior por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.

    Alimentos e inflação: um ciclo de queda

    A alta nos preços de alimentos havia sido um dos principais vilões da inflação em 2025, mas o cenário mudou em 2026. Em junho, itens como legumes, verduras e carnes registraram quedas significativas: a batata-inglesa, por exemplo, caiu 12,3% em junho, enquanto o óleo de soja recuou 3,8%. A queda nos preços de alimentos é um alívio para as famílias de baixa renda, que concentram seus gastos nesse grupo, mas também reduz a pressão sobre o IPCA, que é o termômetro oficial para a política monetária do Banco Central.

    Como o IPCA é calculado e quem sente seus efeitos

    O IPCA mede a variação do custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Para chegar ao índice, são monitorados os preços de 377 subitens (produtos e serviços) em 12 regiões metropolitanas, incluindo Goiânia e Brasília. A coleta abrange desde itens básicos, como arroz e feijão, até serviços como aluguel e transporte público. A estabilização recente sugere um cenário mais controlado, mas ainda exige atenção do BC, que segue de olho nos próximos meses para evitar que a inflação volte a acelerar.

  • Poupança registra maior retirada líquida em abril desde 2023: entenda os motivos

    Poupança registra maior retirada líquida em abril desde 2023: entenda os motivos

    Retração histórica na poupança: o que está por trás dos números?

    A caderneta de poupança, tradicionalmente vista como o investimento mais seguro do Brasil, registrou em abril de 2024 sua maior retirada líquida desde 2023: R$ 476,4 milhões a mais em saques do que em depósitos. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (9), o mês encerrou com aplicações de R$ 362,2 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 362,7 bilhões — um saldo negativo que reflete a crescente preferência dos brasileiros por alternativas de investimento mais rentáveis.

    O cenário não é novo. Desde 2022, a poupança tem perdido espaço para outras aplicações, como os fundos DI, os títulos do Tesouro Direto e até mesmo criptomoedas, que oferecem retornos superiores em um ambiente de juros elevados. Em 2023, as retiradas líquidas somaram R$ 87,8 bilhões, enquanto em 2024, até abril, o saldo negativo já ultrapassa R$ 41,7 bilhões — um sinal claro de que o esvaziamento da poupança não é um fenômeno passageiro, mas uma tendência estrutural.

    Selic em queda e inflação em alta: o paradoxo que afeta a poupança

    A manutenção da Selic — a taxa básica de juros — em patamares elevados tem sido um dos principais motivos para a evasão da poupança. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha promovido um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em maio, reduzindo-a para 14,5% ao ano, a taxa ainda é atrativa para investimentos em renda fixa não-poupança, como os fundos DI, que seguem a variação do CDI.

    No entanto, a inflação também desempenha um papel crucial. Em março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) alcançou 0,88% — um valor acima das expectativas e puxado principalmente pelo aumento nos preços de transportes e alimentação. Com o IPCA acumulado em 12 meses atingindo 4,14%, segundo dados do IBGE, a poupança, que rende apenas 6,17% ao ano (mais a TR, que atualmente está zerada), perde poder de compra frente a outras aplicações.

    O rendimento da poupança: por que os brasileiros estão migrando?

    Um dos fatores que explicam a fuga da poupança é a diferença de rentabilidade. Enquanto a caderneta oferece um rendimento fixo de 0,5% ao mês (6% ao ano) mais a Taxa Referencial (TR), investimentos como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de grandes bancos e fundos de renda fixa podem oferecer taxas superiores a 100% do CDI — algo que, em um cenário de Selic alta, significa retornos líquidos superiores a 10% ao ano.

    Além disso, a poupança tem regras rígidas: só é isenta de Imposto de Renda para quem mantém o dinheiro aplicado por mais de dois anos. Para valores abaixo de R$ 1.500, a isenção é automática, mas acima disso, o imposto incide em alíquotas regressivas, o que não ocorre em aplicações como o Tesouro Selic ou fundos DI.

    O impacto da guerra e a política monetária do BC

    A instabilidade geopolítica, especialmente o conflito no Oriente Médio, tem gerado incertezas nos mercados, mas não foi suficiente para conter o ciclo de queda da Selic. O BC, ao reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual em maio, sinalizou que o ambiente inflacionário, embora ainda preocupante, começa a ceder. No entanto, a autoridade monetária não deu pistas claras sobre futuros cortes, deixando investidores em dúvida sobre o melhor momento para realocar suas reservas.

    Para a economista Ana Luiza Barbosa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a tendência de saída da poupança deve se manter enquanto a Selic não cair para patamares abaixo de 10%. “Com a taxa ainda acima de 14%, investimentos como os fundos DI e os títulos públicos continuam atrativos, mesmo com o risco de crédito associado a alguns deles”, afirmou.

    Perspectivas para o futuro da poupança no Brasil

    O saldo da poupança, que ainda supera R$ 1 trilhão, é um indicador da cultura de poupança dos brasileiros, mas a queda nos depósitos líquidos nos últimos anos aponta para uma mudança de comportamento. Especialistas acreditam que, sem uma reformulação na política de remuneração da poupança — como a vinculação a índices de inflação ou a criação de uma taxa flutuante —, a tendência de esvaziamento deve se intensificar.

    Outro ponto de atenção é o envelhecimento da população. Com mais brasileiros na terceira idade, que tradicionalmente priorizam a segurança da poupança, a queda nos depósitos pode acelerar se os jovens, mais propensos a buscar rentabilidade, não forem atraídos de volta. “A poupança precisa se reinventar, ou corre o risco de se tornar um produto de nicho”, avalia o professor de finanças da USP, Marcelo Rabbat.

    O que esperar para os próximos meses?

    A inflação de abril, que será divulgada pelo IBGE na próxima terça-feira (14), será um termômetro crucial para o BC definir os próximos passos na política monetária. Se os preços continuarem em alta, a Selic pode ser mantida por mais tempo, o que manteria a pressão sobre a poupança. Por outro lado, uma desaceleração inflacionária poderia acelerar novos cortes na taxa, reduzindo a atratividade de investimentos alternativos.

    Enquanto isso, a poupança segue como um termômetro da confiança dos brasileiros no sistema financeiro. Com mais de 60 milhões de contas ativas e um saldo que ainda supera o PIB de muitos países, seu papel social é inegável. No entanto, sua sobrevivência como principal aplicação de baixo risco depende de reformas urgentes — ou do fim da era dos juros elevados no Brasil.