Tag: logística agro

  • Ponte Bioceânica: obra histórica une Brasil e Paraguai e promete revolução na logística do agro

    Ponte Bioceânica: obra histórica une Brasil e Paraguai e promete revolução na logística do agro

    A ponte que redefine fronteiras e mercados

    A construção da Ponte da Rota Bioceânica atingiu um marco histórico na última quarta-feira (16/07/2026), quando as duas extremidades da estrutura foram unidas no rio Paraguai, marcando o “beijo das aduelas”. A conexão entre Porto Murtinho (Mato Grosso do Sul) e Carmelo Peralta (Paraguai) encerra a fase estrutural da obra, composta por 1.294 metros de extensão, e inaugura uma nova era para a logística agrícola brasileira.

    Do papel à realidade: obra movida a US$ 100 milhões

    Financiada pela Itaipu Binacional e executada pelo Consórcio PyBra sob responsabilidade do Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, a ponte representa um investimento de aproximadamente US$ 100 milhões. Segundo René Gomes, diretor da obra, a conclusão da etapa estrutural é apenas o começo: “Agora, os esforços se concentram nos acabamentos — pavimentação, iluminação, sinalização e sistemas de segurança — com previsão de entrega para outubro de 2026”.

    Impacto econômico: o agro brasileiro ganha uma rota estratégica

    A ponte integra a Rota Bioceânica, corredor multimodal que ligará o Atlântico ao Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Para o setor agropecuário brasileiro, a estrutura é um divisor de águas: ao encurtar em até 40% a distância entre os campos de Mato Grosso do Sul e os portos chilenos de Antofagasta e Iquique, reduzirá significativamente os custos de transporte — atualmente onerados por rotas via Santos ou Paranaguá, que dependem de longas travessias fluviais e marítimas.

    O que muda para produtores e consumidores?

    Especialistas projetam que a ponte pode aumentar em até 25% a competitividade do milho, soja e carne brasileira no mercado asiático. Além disso, a redução de tempo de viagem — de até 15 dias para 7 dias — deve aliviar a pressão sobre a infraestrutura portuária brasileira e abrir novas oportunidades para a integração produtiva entre os dois países. “Esta ponte não é apenas uma obra de engenharia; é um atalho para o desenvolvimento”, avalia Gomes.

  • Aprosoja MT cobra soluções urgentes para logística e armazenamento no 4º Congresso da Abramilho

    Aprosoja MT cobra soluções urgentes para logística e armazenamento no 4º Congresso da Abramilho

    O 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), realizado em Brasília nesta terça-feira (13.05), reuniu as principais lideranças do agronegócio brasileiro para discutir os desafios que colocam em xeque a competitividade da agricultura nacional. Entre os temas centrais, destacaram-se a logística deficiente, a falta de armazenamento adequado e os impactos da geopolítica mundial, que vêm pressionando os custos de produção e a rentabilidade dos produtores.

    O agro em xeque: como a logística e o armazenamento sabotam a liderança de Mato Grosso

    Mato Grosso, estado que responde por mais de 30% da produção nacional de milho, enfrenta um paradoxo: apesar da escala produtiva, os gargalos logísticos e a carência de estruturas de armazenamento transformam a commodity em um desafio econômico para os agricultores. Durante o painel “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, não poupou críticas aos entraves que freiam o potencial do estado.

    “O Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, mas enfrenta dificuldades crônicas de logística e armazenamento. Esses gargalos precisam ser resolvidos urgentemente para que o milho se torne economicamente viável safra após safra”, afirmou Bier, que participou do debate ao lado de figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin, a senadora Tereza Cristina e o ministro da Agricultura, André de Paula.

    Do subproduto à peça-chave: o milho como sustentáculo da agricultura mato-grossense

    O cenário atual contrasta com o passado, quando o milho era visto apenas como uma alternativa de renda complementar. Hoje, a cultura se tornou fundamental para a viabilidade econômica das fazendas, especialmente em um estado onde a soja, embora dominante, depende cada vez mais de sistemas integrados para manter a produtividade. “Com o avanço da segunda safra, o milho deixou de ser um subproduto para se tornar um elo indispensável na cadeia produtiva”, explicou Bier.

    No entanto, a falta de ferrovias eficientes, terminais portuários adequados e silos suficientes eleva os custos e reduz a margem de lucro dos produtores. Segundo dados da Aprosoja MT, cerca de 30% da produção estadual de milho é perdida ou vendida a preços aviltados devido à ausência de estruturas para escoamento e armazenagem.

    Geopolítica e segurança alimentar: o agro brasileiro na mira das incertezas globais

    Além dos problemas estruturais, os participantes do congresso destacaram como tensões internacionais, como a guerra na Ucrânia e as políticas de protecionismo de nações concorrentes, impactam diretamente o mercado de milho. A presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella, alertou para a necessidade de políticas públicas que garantam segurança jurídica e econômica aos produtores, em um cenário onde a concorrência com países como Argentina e Estados Unidos se intensifica.

    O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, reforçou que o Brasil, mesmo com todo o seu potencial, ainda depende de investimentos em inovação e infraestrutura para não perder espaço no mercado global. “Precisamos de um agro mais competitivo, com menos burocracia e mais agilidade para responder às demandas internacionais”, afirmou.

    Estande da Aprosoja MT: transparência e diálogo com o setor

    Durante o evento, a Aprosoja MT manteve um estande institucional onde apresentou cartilhas com projetos da entidade e esclareceu dúvidas de produtores e autoridades sobre iniciativas como o Programa de Qualidade de Grãos e ações de defesa sanitária vegetal. A iniciativa, segundo a entidade, busca aproximar o setor produtivo das políticas públicas e das inovações tecnológicas que podem mitigar os gargalos discutidos nos painéis.

    Para Bier, o congresso foi uma oportunidade para mobilizar o setor em torno de pautas comuns, como a criação de um plano nacional de armazenagem e a retomada de investimentos em modais ferroviários. “Não adianta produzirmos tanto se não conseguirmos escoar essa produção com eficiência. Precisamos de soluções estruturais, não de paliativos”, concluiu.