Negociações estratégicas reforçam liderança do Brasil no agronegócio
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) concluíram, nesta semana, duas negociações que expandem as fronteiras comerciais do Brasil no exterior. Os acordos permitem a exportação de pâncreas suíno para o Canadá — matéria-prima essencial para a indústria farmacêutica — e de embriões ovinos e caprinos para o Chile, dois mercados de alto valor agregado. Até o momento, o Brasil já acumula 612 aberturas de mercado desde janeiro de 2023, um recorde que reforça a capacidade do país de diversificar suas exportações e conquistar novos nichos.
Pâncreas suíno canadense: da porteira para os laboratórios
No Canadá, a aprovação sanitária para exportação de pâncreas suíno representa um marco para a cadeia suinícola brasileira. O órgão, rico em insulina, é utilizado na produção de medicamentos para diabetes, um mercado global avaliado em mais de US$ 40 bilhões ao ano. Segundo dados do Mapa, as exportações agropecuárias brasileiras para o Canadá atingiram US$ 1,3 bilhão em 2025, com destaque para o complexo sucroalcooleiro, café e carnes. “Essa abertura não apenas aumenta o valor das exportações, mas também insere o Brasil em uma cadeia produtiva de alta tecnologia”, explica um analista do setor.
Chile abre portas para genética ovina e caprina
Já no Chile, o Brasil obteve a liberação para exportar embriões ovinos e caprinos, um produto de alto valor no mercado internacional de melhoramento genético animal. O acordo é estratégico para países da América do Sul, onde a demanda por genética de qualidade cresce em ritmo acelerado. Em 2025, as exportações brasileiras para o Chile somaram US$ 2,2 bilhões, com principais produtos sendo carnes, soja e derivados florestais. “A abertura de mercado para embriões representa um salto qualitativo, pois posiciona o Brasil como fornecedor de soluções tecnológicas para a pecuária regional”, destaca um especialista ouvido pela reportagem.
Ministérios coordenam ofensiva comercial
Os resultados são fruto de uma política coordenada entre o Mapa e o MRE, que tem priorizado negociações bilaterais e multilaterais para reduzir barreiras sanitárias e fitossanitárias. “O Brasil não vende apenas commodities; estamos exportando tecnologia, inovação e qualidade sanitária”, afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Favaro, em comunicado oficial. A estratégia inclui missões comerciais, protocolos sanitários e acordos de reconhecimento mútuo com países-chave.
Impacto econômico e perspectivas futuras
Os dois acordos somam-se a uma série de outras 610 aberturas de mercado desde 2023, incluindo países como China, Estados Unidos e União Europeia. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a diversificação de mercados é crucial para reduzir a dependência de poucos compradores e aumentar a resiliência do setor. “Cada nova abertura representa uma oportunidade de agregar valor aos nossos produtos e garantir preços mais estáveis”, explica o presidente da CNA, João Martins.
Cenário global e desafios
Apesar dos avanços, especialistas alertam para os desafios que ainda persistem. A concorrência com outros grandes exportadores, como Estados Unidos e Austrália, exige que o Brasil mantenha altos padrões sanitários e invista em inovação. Além disso, a burocracia em países importadores pode atrasar a implementação dos acordos. “O sucesso dessas negociações depende não apenas da vontade política, mas também de agilidade na execução”, avalia uma fonte do setor privado.
O que esperar para 2026?
Com o fechamento desses acordos, o Brasil projeta um crescimento nas exportações para o Canadá e o Chile ainda em 2026. A expectativa é que os embarques de pâncreas suíno comecem ainda este ano, enquanto os embriões ovinos e caprinos devem ter sua primeira remessa para o Chile até o primeiro semestre de 2026. “Essas aberturas são apenas o começo. Nos próximos meses, devemos anunciar novos acordos, especialmente na Ásia e no Oriente Médio”, adianta um técnico do Mapa.

