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  • Ministério da Agricultura e Pecuária comemora 166 anos de legado no agronegócio brasileiro

    Ministério da Agricultura e Pecuária comemora 166 anos de legado no agronegócio brasileiro

    Do Império à República: a trajetória de um ministério centenário

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) celebra, nesta terça-feira (28), 166 anos desde sua fundação em 1860, quando ainda era chamado de Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, na então capital Rio de Janeiro. Ao longo das décadas, a instituição acompanhou as transformações da administração pública e do setor agropecuário, consolidando-se como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento econômico brasileiro.

    Estrutura e inovação: os números que definem o Mapa hoje

    Atualmente, a pasta conta com uma equipe de mais de 6,5 mil profissionais, incluindo servidores, empregados públicos, estagiários e ocupantes de cargos temporários. Essa força de trabalho é responsável por coordenar políticas públicas que impactam diretamente a segurança alimentar e a balança comercial do país, especialmente em um momento em que o agronegócio representa cerca de 27% do PIB nacional.

    Memória viva: a Biblioteca Nacional de Agricultura e seu acervo histórico

    Parte da história do Mapa é preservada pela Biblioteca Nacional de Agricultura (Binagri), criada em 1909 e considerada a maior da América Latina especializada no agronegócio de um único país. Com mais de 500 mil exemplares — entre livros, periódicos e documentos técnicos — a Binagri é um retrato da evolução das técnicas agrícolas, da ciência do solo e das políticas públicas voltadas ao campo.

    Agropecuária em transformação: os desafios da pasta no século XXI

    Desde sua origem, o Mapa passou por reestruturações que refletem as mudanças na economia brasileira. A transição para um modelo mais tecnificado, a inserção do Brasil no mercado global de commodities e as demandas por sustentabilidade exigiram adaptações constantes. Hoje, o ministério enfrenta o desafio de equilibrar produtividade com responsabilidade ambiental, enquanto mantém sua posição como um dos mais relevantes do governo federal.

  • Carne brasileira vetada na Europa a partir de setembro: Mapa impõe desafio aos produtores

    Carne brasileira vetada na Europa a partir de setembro: Mapa impõe desafio aos produtores

    Em 3 de setembro de 2026, a União Europeia imporá um veto à carne brasileira, fechando suas portas para exportações de bovinos, frangos, equinos, pescados, mel e tripas produzidos no Brasil. A decisão decorre de novas regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, que o país não atende integralmente.

    A exclusão do Brasil da lista de exportadores aprovados pela UE

    Em junho de 2026, a UE atualizou sua lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal. O Brasil, que até então fazia parte do seleto grupo, foi retirado após auditorias que identificaram falhas nos controles sanitários e no uso de medicamentos veterinários. A suspensão afeta diretamente um dos principais mercados para a carne brasileira, que em 2025 exportou mais de US$ 12 bilhões em produtos agropecuários para o bloco.

    Responsabilidade do setor privado: o que os produtores precisam fazer

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deixou claro que a adaptação às normas europeias é uma tarefa prioritária do setor privado. A pasta afirmou que cabe aos frigoríficos e pecuaristas implementar sistemas privados de controle sanitário para rastrear e reduzir o uso de antimicrobianos, além de garantir a conformidade com os limites máximos de resíduos estabelecidos pela UE.

    Consequências para o agronegócio brasileiro

    O veto europeu representa um golpe duro para o agronegócio nacional, que já enfrenta pressões em outros mercados devido a questões ambientais e trabalhistas. Analistas do setor estimam que a perda do acesso à UE pode reduzir as exportações de carne bovina em até 15% nos próximos meses, além de impactar a cadeia de frangos e pescados. A adequação às normas europeias, embora onerosa, é vista como um passo necessário para manter a competitividade global do Brasil.

  • Brasil adota modelo sem antibióticos na pecuária, mas UE exige mais comprovações até setembro

    Brasil adota modelo sem antibióticos na pecuária, mas UE exige mais comprovações até setembro

    A publicação da Portaria SDA/MAPA 1617 em 3 de julho de 2026 marca um divisor de águas na pecuária brasileira: a eliminação progressiva dos antibióticos promotores de crescimento (AGPs) na alimentação animal. A medida reflete uma tendência global de redução do uso de antimicrobianos na produção de alimentos, impulsionada por pressões sanitárias e demandas de mercados consumidores.

    Saúde animal sem antibióticos: o novo padrão brasileiro

    Segundo Fernando Braga, Gerente Global de Marketing da ICC Nutrição Animal, a decisão do MAPA prioriza manejo sanitário, biossegurança e imunonutrição, além de técnicas como controle da microbiota intestinal e estabilidade da fermentação ruminal em bovinos. “Definitivamente, essa é uma virada de página”, afirmou Braga, destacando que o Brasil passa a adotar um modelo mais alinhado às exigências de mercados como os europeus.

    UE impõe barreira comercial: suspensão de importações em setembro

    A transição brasileira, no entanto, enfrenta um obstáculo externo. Em resposta à portaria, a União Europeia anunciou em junho de 2026 a suspensão das importações de alimentos de origem animal produzidos no Brasil a partir de 1º de setembro de 2026. A justificativa da UE é a falta de comprovações de que as novas medidas do MAPA atendem às suas exigências sobre o uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva.

    A decisão europeia afeta diretamente exportações de carne, leite e ovos, setores que movimentam bilhões de dólares anualmente. O MAPA já iniciou um plano de ação para apresentar à UE as evidências de que o modelo brasileiro está em conformidade com as normas internacionais, mas o prazo é apertado.

    O que vem por aí: pressões por transparência e inovação

    O caso coloca em xeque a capacidade do Brasil de conciliar crescimento da produção pecuária com padronização global de segurança alimentar. Especialistas alertam que, além de protocolos sanitários, será necessário investimento em tecnologias de rastreabilidade e suplementação natural — como leveduras e probióticos — para garantir a competitividade do setor.

    A portaria do MAPA é apenas o primeiro passo. Agora, o desafio é demonstrar à UE — e a outros parceiros comerciais — que a pecuária brasileira não depende mais de antibióticos para manter a produtividade, sem comprometer a saúde animal ou a segurança dos alimentos.

  • Junho fecha com 13,9 milhões de doses de vacinas contra clostridioses: 80% importadas, mas Mapa acelera produção nacional

    Junho fecha com 13,9 milhões de doses de vacinas contra clostridioses: 80% importadas, mas Mapa acelera produção nacional

    Em mais um esforço para garantir a saúde do rebanho brasileiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou junho de 2026 com a disponibilização de 13.930.264 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional. O volume representa um marco na estratégia de combate a doenças que impactam diretamente a produtividade agropecuária, especialmente em bovinos.

    Importações dominam o abastecimento, mas produção local ganha ritmo

    Do total de doses liberadas no período, 11.203.654 (80,43%) foram importadas, enquanto apenas 2.726.610 (19,57%) tiveram fabricação nacional. A disparidade evidencia a ainda expressiva dependência brasileira de insumos veterinários externos, mas também sinaliza um movimento gradual de nacionalização da produção.

    Mapa atua para reduzir gargalos e estimular indústria local

    O Mapa mantém atuação permanente junto à indústria de insumos veterinários, com ações coordenadas para ampliar a capacidade produtiva nacional, agilizar importações estratégicas e desburocratizar os processos de fiscalização e liberação de vacinas. Segundo fontes do ministério, a meta é equilibrar a matriz de abastecimento, reduzindo vulnerabilidades em cadeias essenciais para a pecuária brasileira.

    A pasta destaca que, embora as importações sejam necessárias para suprir demandas imediatas, investimentos em pesquisa, inovação e infraestrutura fabril são prioridades para assegurar a autossuficiência em insumos críticos no médio prazo.

    Contexto: Clostridioses e impacto no agro

    As clostridioses — doenças como carbúnculo sintomático, edema maligno e gangrena gasosa — causam prejuízos milionários ao setor agropecuário, afetando diretamente a qualidade da carne e do leite. A vacinação é a principal ferramenta de prevenção, o que torna o acesso a imunizantes uma questão de segurança alimentar e econômica para o país.

  • MAPA discute restrições a antimicrobianos na agropecuária: o que muda para exportações brasileiras?

    MAPA discute restrições a antimicrobianos na agropecuária: o que muda para exportações brasileiras?

    Restrições a antimicrobianos: um debate com viés exportador

    Na última quarta-feira, 24 de junho de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) enfrentou novo capítulo no debate sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Entidades do setor, incluindo a Phibro Saúde Animal, vêm pressionando por ajustes regulatórios não para banir substâncias como a monensina ou a virginiamicina, mas para alinhar os protocolos brasileiros aos requisitos de importadores estratégicos — sobretudo a União Europeia e o Reino Unido.

    O que está em jogo para os produtores?

    Com a crescente demanda por carne e laticínios brasileiros no exterior, a harmonização das normas se tornou uma questão de competitividade. A Europa, principal destino das exportações brasileiras de proteína animal, exige limites mais rígidos a certas moléculas, o que afeta diretamente o manejo sanitário e nutricional das fazendas. A Phibro Saúde Animal, empresa do ramo, alerta que a desinformação está gerando pânico entre produtores, nutricionistas e veterinários, que temem perder acesso a insumos essenciais.

    Tecnologia e regulação: um equilíbrio necessário

    Contrariando a narrativa de que o Brasil estaria se rendendo a pressões internacionais, o debate técnico revela um esforço para modernizar a agropecuária brasileira. A adoção de tecnologias como a blockchain para rastreabilidade de insumos e a biotecnologia aplicada a probióticos são citadas como alternativas para reduzir a dependência de antimicrobianos sem comprometer a produtividade. No entanto, a transição exige investimentos em pesquisa, treinamento de mão de obra e adequação de infraestrutura — um desafio que o MAPA e o setor privado ainda não equacionaram completamente.

    Consequências para o agro brasileiro

    A não conformidade com os padrões europeus pode resultar em barreiras não tarifárias, como suspensão de exportações ou sobretaxas. Para um setor que faturou US$ 41,6 bilhões com exportações em 2025 (dados da ABPA), o risco é bilionário. Enquanto isso, a Phibro Saúde Animal defende que a solução passa por um diálogo transparente entre governo, indústria e cientistas, com foco em dados epidemiológicos e não em imposições unilaterais.

  • Antimicrobianos na pecuária brasileira: Europa pode fechar portas por falta de união na cadeia

    Antimicrobianos na pecuária brasileira: Europa pode fechar portas por falta de união na cadeia

    A União Europeia intensificou, neste ano, a fiscalização sobre a presença de antimicrobianos na carne bovina brasileira, com foco nas moléculas já banidas em seu território. A indústria de processamento, representada junto ao Ministério da Agricultura (MAPA) na última quarta-feira (11/06), propôs o alinhamento imediato das normas nacionais às exigências europeias — uma medida que, embora necessária para manter as exportações, revela a fragilidade estrutural de uma cadeia que há sete anos debate o tema sem avançar em soluções coletivas.

    O custo do improviso: quem paga a conta da falta de coordenação?

    O produtor rural brasileiro, pressionado a adotar práticas mais onerosas para reduzir o uso de antimicrobianos, enfrenta um dilema: investir em tecnologias e manejos alternativos sem garantia de retorno financeiro, enquanto a indústria de processamento, temerosa de perder o acesso ao mercado europeu, empurra o problema para o campo. Desde 2019, quando o debate ganhou força após denúncias de resíduos em carnes exportadas, a cadeia pecuária opera em modo reativo, sem um plano estratégico para modernizar a produção de forma sustentável e competitiva.

    Europa não espera: o que o Brasil precisa fazer para não ficar de fora?

    A UE não recuará em suas exigências ambientais e de saúde pública. Sem um acordo claro entre produtores, frigoríficos e governo — que inclua incentivos fiscais, linhas de crédito para inovação e fiscalização rigorosa — o Brasil corre o risco de ver suas exportações de carne reduzidas a mercados menos exigentes, como a China ou o Oriente Médio. A desarticulação atual, somada à lentidão burocrática do MAPA, transforma um desafio regulatório em uma crise de competitividade, com potencial para fechar portas que levaram décadas para serem abertas.

  • Brasil e Trinidad e Tobago selam parceria inédita em agropecuária e segurança alimentar para o Caribe

    Brasil e Trinidad e Tobago selam parceria inédita em agropecuária e segurança alimentar para o Caribe

    Acordo histórico no Caribe

    Uma missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pelo secretário-executivo Cleber Soares, avançou em 10 de junho de 2026 em negociações inéditas com Trinidad e Tobago para alavancar a agropecuária brasileira no Caribe. O encontro, que incluiu reuniões com o ministro local Ravi Ratiram e o diretor-geral do IICA, Muhammad Ibrahim, estabeleceu bases concretas para cooperação em genética vegetal, pesquisa agrícola e segurança alimentar na região.

    Genética e inovação como pilares

    Entre os compromissos firmados, destaca-se a troca de material genético de alto valor — como variedades de cacau e sementes resistentes — e a implementação de projetos-piloto para otimizar o uso de fertilizantes no Caribe. A parceria também prevê a criação de um laboratório conjunto para análise de solos tropicais, uma demanda crescente em países insulares da América Central.

    Impacto comercial e geopolítico

    Além dos avanços técnicos, a agenda comercial ganhou tração com a definição de protocolos sanitários facilitados para exportação de carne bovina brasileira e importação de insumos agrícolas de Trinidad e Tobago. Especialistas avaliam que a cooperação pode reduzir a dependência caribenha de alimentos importados dos EUA e da Europa, fortalecendo a autossuficiência regional.

  • Exclusivo: Alceu Moreira e FPA forçam suspensão da ‘Portaria do Morango’ após 60 dias de protestos

    Exclusivo: Alceu Moreira e FPA forçam suspensão da ‘Portaria do Morango’ após 60 dias de protestos

    Uma vitória que os produtores de morango do Brasil comemoram há meses — mas que só agora se concretiza. Nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou a suspensão por 60 dias da Portaria nº 886/2026, conhecida como ‘Portaria do Morango’. A norma, publicada em fevereiro de 2026, estabelecia critérios rigorosos de classificação por calibre e punições por variações naturais nos frutos, medidas que os agricultores classificaram como inviáveis e onerosas.

    A bomba que explodiu no setor hortifruti

    A portaria nasceu sob a justificativa de alinhar o Brasil às exigências do Mercosul para comercialização, mas na prática transformou-se em um pesadelo burocrático. Entre as regras mais contestadas estavam:

    • Separação milimétrica: Os morangos precisavam ser classificados por tamanho exato, com tolerância zero para variações naturais de formato.
    • Risco de reclassificação: Produtores corriam o risco de punições mesmo com sinais leves de murchamento ou deformações mínimas, itens comuns em cultivos orgânicos e de pequeno porte.
    • Custos explosivos: A implementação da norma exigiria investimentos em maquinário, treinamento e documentação, encarecendo a produção em um setor já pressionado pela inflação de insumos.

    Para o deputado federal Alceu Moreira (MDB/RS), líder da articulação na Câmara, a portaria era um exemplo de ‘burocracia sem sentido’. ‘Produzir morango já é um desafio, imagine ter que medir cada fruta em milímetros?’, questionou o parlamentar em entrevista exclusiva à ClickNews. ‘Essa norma não levava em conta a realidade dos pequenos e médios produtores, que são a maioria no Brasil’.

    FPA e deputado garantem trégua de 60 dias

    A pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), articulada por Moreira, foi decisiva para a reversão temporária. Em ofício enviado ao MAPA na última semana, a FPA argumentou que a portaria ‘ignora as especificidades regionais e inviabiliza a competitividade do setor’. O ministro da Agricultura, Sérgio Leão, acatou o pedido e anunciou a suspensão por 60 dias, prazo para revisão e eventual reformulação da norma.

    Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Morango (ABPM), João Silva, a vitória é parcial, mas simbólica. ‘A suspensão é um alívio, mas a portaria não pode voltar como está. Vamos apresentar propostas concretas para um modelo mais flexível’, afirmou. Segundo ele, estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — maiores produtores nacionais — já registravam queda de 20% nos plantios em março de 2026 devido à incerteza gerada pela portaria.

    Consequências além dos morangos

    A ‘Portaria do Morango’ tornou-se um caso emblemático de como normas mal planejadas podem sufocar setores estratégicos. Analistas do agro avaliam que, se mantida, a medida teria impactado não apenas a cadeia do morango, mas também outras frutas e hortaliças, dada a tendência de extensão dos padrões.

    ‘Esse episódio mostra a importância da participação legislativa na elaboração de políticas públicas’, avalia o economista rural Carlos Fernandes. ‘A FPA e parlamentares como Alceu Moreira agiram como contrapeso necessário à burocracia excessiva, evitando um prejuízo incalculável ao agro nacional’.

    Ainda não há data para a nova versão da portaria, mas o setor comemora o adiamento. Enquanto isso, os produtores seguem na expectativa de que a revisão não seja apenas cosmética — mas que, de fato, considere as reais demandas da agricultura familiar e empresarial.

  • Agro e clima na Rio Nature & Climate Week: Mapa aposta em financiamento verde para revolucionar a agricultura

    Agro e clima na Rio Nature & Climate Week: Mapa aposta em financiamento verde para revolucionar a agricultura

    Do Rio de Janeiro para o Brasil: agricultura regenerativa ganha força com apoio financeiro

    A Rio Nature & Climate Week, encerrada no dia 2 de junho no Rio de Janeiro, não foi apenas mais um evento climático. O III Fórum de Finanças Climáticas, que reuniu lideranças globais, sinalizou um ponto de virada: a agricultura brasileira começa a ser vista não apenas como vilã das emissões, mas como solução para a crise climática — desde que receba os recursos necessários.

    Representando o Mapa, o assessor especial Pedro Cunto deixou claro durante o painel “Segurança alimentar e adaptação climática” que o produtor rural já entendeu a equação. “A transição para práticas regenerativas não é uma opção, mas uma necessidade para manter a competitividade no mercado global”, afirmou. A iniciativa coordenada pelo ministério, o Programa Caminho Verde Brasil, surge como um dos primeiros passos concretos nesse sentido, buscando alinhar produtividade com redução de emissões e restauração de áreas degradadas.

    Financiamento verde: o novo combustível para o agro sustentável

    O grande desafio agora é dinheiro. O sistema financeiro global, discutido no fórum, precisa urgentemente direcionar fluxos para projetos que unam conservação, segurança alimentar e mitigação climática. Segundo analistas presentes, os mecanismos de financiamento climático — como títulos verdes e fundos de restauração — não são mais uma tendência, mas uma realidade iminente para quem quiser acessar mercados internacionais.

    O Brasil, com sua matriz agrícola diversificada e potencial de restauração em áreas como o Cerrado e a Amazônia, tem tudo para se tornar um caso de sucesso. “O agro brasileiro responde por cerca de 25% das exportações do país. Se a gente não liderar essa transição, outro país vai ocupar esse espaço”, alertou Cunto, ecoando a preocupação de especialistas em relação à competitividade internacional.

    Agricultura regenerativa: mais do que modismo, uma estratégia de sobrevivência

    Entre os temas abordados no evento, a agricultura regenerativa apareceu como palavra-chave. Ao contrário das práticas tradicionais — muitas vezes associadas ao desmatamento e à degradação do solo —, o novo modelo prega a integração entre lavouras, pecuária e florestas, com técnicas como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais. O objetivo é simples: produzir mais com menos impacto ambiental.

    No entanto, a transição não será barata. Estima-se que a implementação de sistemas regenerativos pode exigir investimentos iniciais de até 30% maiores do que os métodos convencionais — uma barreira que só será superada com linhas de crédito específicas e incentivos fiscais. “O produtor não pode arcar sozinho com esse custo. Precisamos de políticas públicas que façam essa ponte”, defendeu Cunto.

    Próximos passos: o que esperar do agro brasileiro até 2026?

    Com a Rio Nature & Climate Week servindo como termômetro, o Mapa deve acelerar a implementação do Caminho Verde Brasil, com metas claras de redução de emissões e restauração de 15 milhões de hectares até 2030. A expectativa é que, até o final de 2026, o programa já conte com a adesão de grandes cooperativas e empresas do agronegócio, além de parcerias com bancos internacionais para viabilizar os recursos necessários.

    Enquanto isso, o debate sobre financiamento climático no agro ganha corpo. Se antes a discussão era teórica, agora ela se materializa em números: segundo a FAO, o Brasil pode se tornar um dos maiores beneficiários de fundos climáticos globais, desde que consiga provar que sua agricultura é parte da solução, não do problema.

  • Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Uma missão técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pela ministra Izabella Teixeira e realizada entre os dias 2 e 6 de junho de 2026, resultou em avanços concretos nas relações comerciais entre o Brasil e o Panamá. O objetivo central foi fortalecer a logística de fertilizantes — insumo crítico para a agricultura brasileira — e ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado centro-americano.

    Fertilizantes: Nova rota para reduzir dependência de fornecedores asiáticos

    A comitiva brasileira identificou oportunidades para diversificar as rotas de importação de fertilizantes, atualmente concentradas em países como Rússia e China. Segundo dados do Mapa, o Brasil importa cerca de 60% dos fertilizantes que consome, o que torna a segurança no abastecimento um pilar da estratégia governamental. O Panamá, por sua localização estratégica no Canal do Panamá, pode se tornar um hub logístico alternativo para a distribuição de insumos agrícolas para o Mercosul e demais países da América Latina.

    Sementes brasileiras de coco e café ganham mercado no Panamá

    Além da pauta de fertilizantes, a missão obteve sucesso na abertura do mercado panamenho para sementes brasileiras de coco e café. Até então, o Panamá restringia a entrada desses produtos por questões fitossanitárias. Agora, com a formalização do acordo, os produtores brasileiros poderão exportar essas culturas para o país centro-americano, onde a demanda por café de qualidade e derivados do coco tem crescido nos últimos anos. A medida deve impulsionar as exportações do setor, que já faturam mais de US$ 5 bilhões anuais com café e coco.

    Agropecuária brasileira: Competitividade em xeque

    O acordo com o Panamá integra uma série de iniciativas do Plano Safra 2026/2027, que prevê investimentos de R$ 300 bilhões em crédito rural, pesquisa agropecuária e infraestrutura logística. Segundo analistas, a diversificação de parceiros comerciais é fundamental para reduzir os custos de produção e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade nos preços internacionais de insumos. “O Brasil precisa reduzir sua dependência de rotas logísticas concentradas e explorar mercados como o panamenho, que oferecem vantagens competitivas”, avalia o economista agrícola Carlos Eduardo Fredo, da FGV Agro.

    O que vem pela frente?

    Nos próximos meses, equipes técnicas do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) negociarão a implementação prática do acordo, incluindo a definição de protocolos fitossanitários para a entrada de sementes e a construção de terminais logísticos no Porto de Colón, principal porta de entrada de mercadorias no Panamá. Além disso, está prevista a realização de uma feira agropecuária bilateral ainda em 2026, com participação de empresas brasileiras e panamenhas.