A incerteza no campo brasileiro nunca foi tão alta. Em relatório divulgado na última quarta-feira (24 de junho de 2026), o Rabobank reduziu ainda mais suas expectativas para o mercado de fertilizantes no país, projetando uma queda de 8,2% nas vendas em 2026 em comparação ao recorde de 2025. A previsão, que já era negativa em abril, agora aponta para um volume de 45,1 milhões de toneladas — o menor desde 2022, quando a invasão russa à Ucrânia desestabilizou o mercado global de insumos agrícolas.
Crédito escasso e preços inflados: o peso da inadimplência no agro
A principal justificativa para a revisão é a inadimplência recorde entre os agricultores brasileiros, que limita o acesso a financiamentos e reduz a capacidade de compra de insumos. O cenário é agravado pela alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Irã, que fechou o Estreito de Ormuz — rota crítica para o transporte de petróleo e, indiretamente, de insumos agrícolas. A escalada de preços do combustível, por sua vez, encarece toda a cadeia logística, desde a produção até a distribuição dos adubos.
De 47,2 para 45,1 milhões de toneladas: o que mudou desde abril
Em abril de 2026, o Rabobank já havia ajustado suas projeções para baixo, estimando uma demanda de 47,2 milhões de toneladas em 2026, considerando os efeitos da guerra no Irã. Na ocasião, a redução de 2 milhões de toneladas refletia o cenário de preços elevados e incerteza geopolítica. Agora, a empresa reconhece que a situação piorou: a inadimplência no agro brasileiro — setor já fragilizado por safras anteriores com margens apertadas — tornou-se um fator decisivo para a queda adicional nas vendas.
Consequências para o campo e a economia brasileira
A redução no consumo de fertilizantes não é apenas um dado de mercado: ela sinaliza um ciclo de menor produtividade para as próximas safras, especialmente em culturas dependentes de insumos intensivos, como soja e milho. Além disso, a pressão sobre os preços dos alimentos pode se agravar, afetando desde o bolso do consumidor até as exportações brasileiras, já que o país é um dos maiores fornecedores globais de commodities agrícolas. Para o Rabobank, o desafio agora é monitorar se os agricultores conseguirão acessar linhas de crédito alternativas ou se a crise de inadimplência se aprofundará, comprometendo ainda mais a safra de 2027.
