Tag: mercado agropecuário

  • Avicultor paulista mantém ganho real pelo 3º mês consecutivo: preço do frango sobe e insumos caem

    Avicultor paulista mantém ganho real pelo 3º mês consecutivo: preço do frango sobe e insumos caem

    Frango vivo segue em alta, mas ritmo perde fôlego

    O preço médio do frango vivo em São Paulo atingiu R$ 5,12/kg na parcial de junho (até 24/06), segundo o Cepea, registrando alta de 1,1% frente à média de maio. Embora o movimento altista tenha se mantido pelo terceiro mês consecutivo, pesquisadores do Cepea apontam que o ritmo de valorização perdeu força em junho, em decorrência de uma leve retração na procura por lotes de animais. A dinâmica sugere um equilíbrio entre oferta ajustada e demanda moderada, sem pressões inflacionárias excessivas.

    Insumos recuam e aliviam custos da produção

    O cenário favorável ao produtor se estende aos insumos: o milho e o farelo de soja, componentes essenciais na alimentação das aves, registraram quedas significativas em junho. A desvalorização do milho, segundo a Equipe de Grãos do Cepea, está diretamente ligada ao período de safra, quando a oferta costuma se intensificar e os preços tendem a recuar. Para o farelo de soja, a tendência de baixa foi mantida, embora o ritmo de queda tenha se atenuado em relação aos meses anteriores.

    Consequências para o setor avícola

    A combinação de preços mais altos no produto final (frango vivo) e custos reduzidos nos insumos representa um alívio para a margem de lucro dos avicultores paulistas. No entanto, a sustentabilidade desse movimento depende da manutenção da demanda por carne de frango nos próximos meses. Se a retração no mercado de insumos persistir — especialmente durante a colheita de safra — o setor pode enfrentar uma nova rodada de ajustes nos preços, impactando tanto produtores quanto consumidores finais.

    Perspectivas para os próximos meses

    Com a data-base de 26/06/2026, os analistas do Cepea monitoram dois vetores principais: a evolução da safra de milho e soja, que deve influenciar as cotações dos insumos até o final do ano, e o comportamento do mercado interno de carne avícola. Caso a demanda por frango se mantenha estável ou cresça, a tendência é que os preços do produto final sigam firmes, mas sem grandes saltos. Por outro lado, uma eventual retomada nas compras de insumos poderia reverter parte dos ganhos recentes dos avicultores.

  • Maratona Rincon: genética Angus e Brangus batem recorde com vendas de R$ 8 milhões e exportação para Bolívia

    Maratona Rincon: genética Angus e Brangus batem recorde com vendas de R$ 8 milhões e exportação para Bolívia

    A liquidação Rincon 30 anos, maior leilão de gado de elite da história dos rebanhos gaúchos, supera expectativas ao fechar R$ 8 milhões em vendas nos primeiros lotes e reforça um mercado aquecido para genética Angus e Brangus no segundo semestre de 2026. Segundo o leiloeiro Fábio Crespo, a demanda por ventres — sinal de reposição de matrizes no Sul do país — tem impulsionado a liquidez da maratona, com clientes de pelo menos cinco estados brasileiros e exportadores interessados.

    Exportação recorde para a Bolívia

    Na última quarta-feira (3/6), durante o Rincon Pack, a cabanha concretizou a venda de oito ventres Angus PO para um criador boliviano. O negócio marca a expansão da Rincon para além das fronteiras nacionais, em um momento em que a pecuária brasileira consolida sua posição como fornecedora de genética de alto valor no continente.

    Demanda por fêmeas reforça tendência de reposição

    A procura exacerbada por ventres — destacada pelo leiloeiro — reflete uma estratégia defensiva dos pecuaristas: a reposição de matrizes em um setor que ainda enfrenta desafios climáticos e econômicos. A Rincon, que já é referência em genética no Rio Grande do Sul, vê na maratona um termômetro do setor, com lotes sendo disputados em ritmo crescente.

    Perspectivas para o segundo semestre de 2026

    Com a segunda metade da maratona Rincon 30 anos em andamento, o mercado projeta um cenário de alta liquidez, impulsionado pela busca por animais de elite e pela confiança dos investidores. A estratégia de comercialização — que inclui leilões presenciais e online — amplia o alcance da cabanha, atraindo compradores de diferentes regiões do Brasil e do exterior.

  • Frango vivo dispara em maio; carne de frango se mantém estável com oscilações sazonais

    Frango vivo dispara em maio; carne de frango se mantém estável com oscilações sazonais

    Demanda sazonal e repasses salariais aquecem mercado na primeira quinzena

    Os preços do frango vivo comercializado em São Paulo subiram significativamente de abril para maio de 2026, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A valorização, de 5,3% no período, foi atribuída ao reajuste nos custos de alojamento das aves, que impactou diretamente os valores praticados no mercado.

    Frango inteiro e cortes mantêm estabilidade, mas com viés de baixa

    Já os preços do frango inteiro resfriado e congelado negociados na Grande São Paulo permaneceram praticamente estáveis em maio — uma alta de apenas 0,2% em relação a abril. A demanda inicial, impulsionada pelo recebimento de salários na primeira quinzena do mês, não foi suficiente para sustentar a valorização na segunda metade do mês. Isso porque a carne bovina e suína, principais concorrentes no mercado de proteínas, registraram desvalorização ao longo de maio, reduzindo a competitividade da proteína avícola e, consequentemente, a procura pelos cortes de frango.

    Cenário de maio: entre ajustes de custo e concorrência acirrada

    A dinâmica de preços do frango em maio reflete um cenário de ajustes estruturais no setor. Enquanto o frango vivo sofreu com o aumento dos custos de produção, os cortes e o frango inteiro foram pressionados pela queda nos preços das carnes concorrentes. Especialistas do Cepea destacam que a estabilidade observada nos preços do frango processado pode ser temporária, dependendo do comportamento do mercado nos próximos meses, especialmente diante da sazonalidade típica do período.

  • Boi gordo supera R$ 360 e mira R$ 365: exportações fortes e Copa do Mundo impulsionam mercado pecuário em junho

    Boi gordo supera R$ 360 e mira R$ 365: exportações fortes e Copa do Mundo impulsionam mercado pecuário em junho

    O mercado do boi gordo iniciou junho em um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda, após semanas de pressão pela saída de animais terminados a pasto. A dificuldade dos frigoríficos em recompor escalas de abate ajudou a manter a arroba em patamares elevados nas principais regiões produtoras, com sinais de que a pressão baixista perdeu força.

    Exportações batem recorde e aquecem o câmbio

    A demanda internacional por carne bovina brasileira segue em alta, com dados oficiais de maio mostrando um volume recorde de exportações. Essa dinâmica, aliada à expectativa de aumento no consumo interno durante a Copa do Mundo FIFA 2026, cria um ambiente propício para novas valorizações no setor.

    Safra de pasto se esgota e reduz pressão vendedora

    O principal fator que vinha pressionando os preços ao longo de maio — a comercialização da safra de pasto — começa a se esgotar. Com menos animais disponíveis para abate, o mercado tende a absorver melhor os custos de produção, o que pode impulsionar a arroba para patamares ainda mais altos, como os R$ 365 projetados para este mês.

    Consequências para o setor e consumidor

    A valorização da arroba do boi gordo reflete não apenas a força da pecuária brasileira, mas também impacta diretamente os preços ao consumidor. Com o mercado interno em recuperação e as exportações em ritmo acelerado, a indústria enfrenta o desafio de equilibrar margens sem repassar integralmente os custos para os varejistas, especialmente em um contexto de inflação controlada.

  • Ciclo pecuário em virada: queda no abate de fêmeas impulsiona alta nos preços da arroba e reposição

    Ciclo pecuário em virada: queda no abate de fêmeas impulsiona alta nos preços da arroba e reposição

    O fim de um ciclo: menos fêmeas no abate e o impacto na reposição

    A queda de 14,9% no abate de fêmeas em abril de 2026 não é mero dado estatístico — é o marco de uma virada no ciclo pecuário brasileiro. Após anos de superoferta, com participação recorde de 48,5% de fêmeas no abate em 2025, o mercado finalmente começa a mostrar sinais de escassez estrutural. Segundo dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF), a redução na oferta de fêmeas — que passaram de 44,8% para 42,4% na média dos quatro primeiros meses do ano — está reconfigurando as dinâmicas do setor.

    A oferta reduzida e o efeito dominó nos preços

    O recuo no abate de fêmeas não é isolado. Nos últimos 12 meses, o número total de animais enviados para o gancho caiu 5,2%, com os machos registrando alta de 3,6% — uma inversão clara de tendência. Essa menor oferta de fêmeas, que antes eram abatidas em massa para conter preços, agora reduz a disponibilidade de bezerros para reposição, um efeito que já se reflete na valorização de 3,6% na arroba do boi gordo na praça de São Paulo em abril. “A retração no abate de fêmeas é um termômetro do ciclo pecuário. Quando elas deixam de ser enviadas para o gancho, o mercado entende que a reposição está comprometida e os preços sobem”, explica um analista do setor.

    2025: o ano que quebrou a expectativa

    A virada do ciclo pecuário era aguardada ainda em 2025, mas o mercado surpreendeu. O ano registrou a maior participação de fêmeas da série histórica (48,5%), impulsionada pela busca por liquidez em um cenário de preços pressionados. No entanto, a rentabilidade atrativa do boi gordo nos últimos meses — com margens recuperadas — desestimulou o descarte precoce de matrizes, redirecionando parte do rebanho para investimento em reposição. “O produtor percebeu que era mais vantajoso manter as fêmeas no plantel do que abatê-las, mesmo com a oferta de machos em queda”, analisa o especialista.

    O que esperar para o segundo semestre de 2026

    Com os preços da arroba e da reposição firmes, o setor caminha para um cenário de consolidação da fase alta do ciclo. A menor participação de fêmeas nos abates, combinada com a retração de 7,7% no acumulado do ano, projeta um primeiro semestre de 2026 com pressão inflacionária nos custos de produção e margens mais apertadas para frigoríficos. Analistas alertam: “Se a seca ou outros fatores climáticos não atrapalharem, o segundo semestre pode acentuar essa tendência, com risco de novos recordes nos preços da carne bovina no atacado e varejo”.

  • China avança sobre cota de carne bovina brasileira: exportadores brasileiros correm contra o relógio tarifário

    China avança sobre cota de carne bovina brasileira: exportadores brasileiros correm contra o relógio tarifário

    O relógio tarifário e a pressão sobre os frigoríficos brasileiros

    A China, principal destino da carne bovina brasileira, já consumiu metade da cota anual de 1,1 milhão de toneladas estipulada para 2024, segundo dados oficiais do governo chinês. O avanço acelerado da cota, somado ao tempo de processamento e transporte — que pode estender-se de 45 a 50 dias —, coloca os exportadores brasileiros em uma corrida contra o relógio tarifário. A partir do momento em que a cota for integralmente preenchida, as importações adicionais passarão a ser tributadas com uma sobretaxa de 55%, encarecendo drasticamente os custos logísticos e reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado asiático.

    Cadeia de suprimentos sob tensão: do pasto ao contêiner

    Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, explica que a carne bovina adquirida pelos frigoríficos brasileiros em maio já pode ser impactada pela sobretaxa. “O processo de abate, embalagem, transporte até os portos e, finalmente, o embarque para a China envolve um ciclo que, em condições normais, ultrapassa um mês e meio. Se a cota for fechada antes do término deste ciclo, o produto brasileiro enfrentará tarifas punitivas ao desembarcar”, alerta. Segundo ele, essa dinâmica está obrigando os compradores chineses a revisarem suas estratégias de aquisição, adiando pedidos ou reduzindo volumes para evitar prejuízos com a alíquota extra.

    Demanda chinesa em xeque: entre o otimismo e a prudência

    Apesar do cenário adverso, a demanda chinesa pela carne brasileira segue firme, embora com sinais de desaceleração. “Os importadores estão mais cautelosos, mas não estão paralisados”, observa Fabbri. A China, que responde por cerca de 60% das exportações brasileiras de carne bovina, tem aumentado suas compras nos últimos meses, impulsionada pela busca por proteínas para recompor seus estoques após surtos de peste suína africana. No entanto, a proximidade do limite da cota e o risco de sobretaxa estão impondo uma frenagem natural ao ritmo das importações. Historicamente, o mês de maio costuma ser negativo para a arroba do boi gordo, registrando altas em apenas dois anos desde 2003 (2004 e 2006), o que reforça a fragilidade do momento atual.

    Concorrência interna e perda de fôlego no mercado doméstico

    Enquanto a China representa um desafio externo, o mercado interno brasileiro também enfrenta dificuldades. O preço elevado da carne bovina ao longo da cadeia produtiva — com o atacado registrando valores de R$ 23/kg para o dianteiro e R$ 28/kg para o traseiro — reduziu sua competitividade frente a proteínas alternativas como frango e suíno. Essa perda de espaço no consumo doméstico, aliada à pressão externa, cria um cenário de incerteza para os produtores. Na praça paulista, a cotação da arroba do boi gordo comum encerrou a semana a R$ 355, enquanto a cotação do boi-China, direcionado ao mercado asiático, fechou em R$ 360. A Scot Consultoria projeta uma possível queda para R$ 340-R$ 345 no curto prazo, refletindo a fragilidade da demanda e a necessidade de ajustes nos preços.

    Exportações batem recorde, mas sombra da sobretaxa paira no horizonte

    Os números recentes das exportações brasileiras de carne bovina, no entanto, ainda não refletem o impacto imediato da limitação da cota. Em abril, o Brasil exportou 251,944 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada, gerando uma receita de US$ 1,572 bilhão, segundo dados da Secex. Comparado ao mesmo período de 2023, houve um crescimento de 29,4%. “As exportações estão fortes, mas isso não significa que o setor esteja blindado. A sobretaxa pode mudar esse panorama rapidamente”, pondera Fabbri. O risco é que, uma vez atingida a cota, os embarques sejam direcionados para mercados alternativos, como Oriente Médio e África, onde as tarifas são menores, mas os custos logísticos e a demanda podem não compensar a redução nos volumes.

    Perspectivas e estratégias: o que vem pela frente?

    Para os próximos meses, a indústria frigorífica brasileira precisa equilibrar duas forças: manter a atratividade do produto no mercado chinês e evitar o acúmulo de estoques que não possam ser escoados sem prejuízos. A expectativa é de que os preços da arroba do boi gordo recuem para patamares entre R$ 340 e R$ 345 em São Paulo, uma correção necessária para ajustar a oferta à demanda enfraquecida. Além disso, há um movimento de diversificação de destinos, com a busca por novos mercados na Ásia e na África, embora esses ainda representem uma fatia pequena em comparação à China. “O setor precisa agir com agilidade para evitar que a sobretaxa se torne um problema estrutural”, conclui Fabbri.

    Contexto histórico: a dependência chinesa e os riscos da concentração

    A relação comercial entre Brasil e China no setor de carnes bovinas é um fenômeno relativamente recente, mas que se intensificou a partir de 2013, quando a China abriu seu mercado para a carne brasileira após longas negociações sanitárias. Desde então, o país asiático tornou-se o maior importador, respondendo por mais de 50% das exportações brasileiras. Essa dependência, no entanto, expõe o setor a riscos geopolíticos e logísticos. A limitação de cota, embora prevista em acordos bilaterais, coloca em xeque a estratégia de crescimento acelerado do Brasil no mercado asiático. Especialistas alertam que a diversificação de destinos deve ser uma prioridade nos próximos anos para reduzir a vulnerabilidade do setor.

  • China acelera tarifação de 55% sobre carne bovina brasileira: cota de 2026 pode esgotar em junho

    China acelera tarifação de 55% sobre carne bovina brasileira: cota de 2026 pode esgotar em junho

    Contexto histórico e dependência chinesa

    A relação comercial entre Brasil e China no setor de carne bovina não é recente, mas ganhou contornos críticos nos últimos anos. Desde 2015, quando a China impôs as primeiras salvaguardas para a carne bovina brasileira — uma resposta ao surto de aftosa em 2013 e 2014 —, o mercado passou a operar sob um regime de cotas anuais. O acordo inicial previa um volume de 1,1 milhão de toneladas por ano, com possibilidade de ajustes conforme a demanda. No entanto, o crescimento acelerado das exportações brasileiras, impulsionado pela demanda chinesa e pela competitividade do produto nacional, levou a um esgotamento precoce das cotas. Em 2025, o Ministério do Comércio da China publicou o Anúncio nº 87, estipulando uma cota de 900 mil toneladas para 2026, com a previsão de uma tarifa adicional de 55% caso o limite fosse ultrapassado antes do prazo.

    Cota de 2026 já em 50%: o que isso significa?

    O comunicado oficial da China, divulgado em 9 de maio de 2026, confirmou que o Brasil já atingiu metade da cota estabelecida para 2026. Segundo dados da Agrifatto, baseados na Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 300,17 mil toneladas de carne bovina em abril de 2026, um recorde histórico para o mês. Desse total, 135,47 mil toneladas — ou 45,13% — tiveram como destino a China, consolidando o país asiático como o principal comprador, muito à frente dos Estados Unidos (14,11%) e da União Europeia (9,8%). O ritmo atual de embarques, se mantido, deve esgotar a cota total ainda entre junho e julho, antecipando a aplicação da tarifa de 55% sobre os excedentes.

    Impactos imediatos: preços, frigoríficos e exportações

    A perspectiva de uma tarifa adicional de 55% já começa a reverberar pelo setor. No mercado interno, analistas projetam uma desaceleração nos preços da arroba do boi, que atingiram patamares históricos em 2026. A valorização do produto brasileiro no exterior, combinada com a alta demanda chinesa, levou a arroba a superar R$ 350 em algumas regiões no primeiro trimestre do ano. Com a possibilidade de redução dos embarques, especialistas do setor frigorífico preveem uma queda de 10% a 15% nos preços até o final do ano, o que poderia aliviar a pressão sobre os custos de produção, mas também reduzir a margem de lucro dos exportadores.

    Os reflexos não se limitam ao Brasil. A China, maior importador global de carne bovina, tem buscado diversificar suas fontes de suprimento nos últimos dois anos, aumentando as compras de países como Austrália, Uruguai e Estados Unidos. No entanto, a qualidade e o preço competitivo da carne brasileira — especialmente no segmento de cortes premium — ainda fazem do Brasil um fornecedor indispensável. A aplicação da tarifa, caso ocorra, poderia forçar a China a buscar alternativas, mas a transição não seria imediata, dada a logística e os acordos comerciais existentes.

    Reação do setor e cenários futuros

    Em resposta à notícia, a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) emitiu nota destacando a necessidade de diálogo com o governo chinês para evitar a aplicação imediata da tarifa. “A China é nosso principal parceiro comercial, e qualquer medida que restrinja nossas exportações pode ter efeitos cascata em toda a cadeia produtiva”, afirmou o presidente da entidade, Carlos Mariani Bittencourt. A entidade também levantou a hipótese de que a China possa flexibilizar as regras ou aumentar a cota de emergência, como já ocorreu em anos anteriores.

    Do lado do governo brasileiro, o Ministério da Agricultura informou que está monitorando a situação e buscando alternativas para minimizar os impactos. Uma das estratégias em discussão é a diversificação dos mercados, com foco em países como Indonésia, Egito e Arábia Saudita, que têm demonstrado interesse crescente em carne brasileira. No entanto, a burocracia e os custos logísticos ainda representam barreiras significativas para uma transição rápida.

    Perspectivas para o segundo semestre de 2026

    Caso a tarifa de 55% seja aplicada em junho, o impacto sobre as exportações brasileiras deve ser sentido já em julho. Analistas da consultoria Safras & Mercado projetam uma queda de 20% nos embarques de carne bovina para a China no terceiro trimestre, o que poderia reduzir a receita total do setor em até US$ 1 bilhão no período. Por outro lado, a desaceleração dos preços internos poderia beneficiar consumidores e indústrias que dependem da carne como insumo, como a de hambúrgueres e embutidos.

    A situação também levanta questões sobre a dependência brasileira do mercado chinês. Nos últimos cinco anos, a China representou, em média, 40% das exportações totais de carne bovina do Brasil. Embora essa dependência tenha garantido receitas recordes, ela também expõe o setor a riscos geopolíticos e comerciais. A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, por exemplo, já afetou indiretamente as exportações brasileiras, com a China priorizando compras de países aliados.

    Conclusão: um setor em xeque

    O esgotamento precoce da cota chinesa para 2026 coloca o setor de carne bovina brasileira em um momento de virada. Enquanto os recordes de exportação celebrados nos últimos meses são um reflexo da competitividade do produto nacional, a dependência excessiva de um único mercado — e de suas regras — agora ameaça a sustentabilidade do crescimento. A aplicação da tarifa de 55% pode ser apenas o primeiro de uma série de desafios que o setor enfrentará nos próximos anos, incluindo pressões por sustentabilidade, rastreabilidade e acordos ambientais cada vez mais rígidos.

    Para os próximos meses, a palavra de ordem é cautela. O governo, os frigoríficos e os produtores terão que agir rapidamente para diversificar mercados, renegociar acordos e, acima de tudo, garantir que o Brasil não perca sua posição como líder global no fornecimento de carne bovina. Enquanto isso, consumidores e investidores acompanham de perto os desdobramentos, cientes de que o que está em jogo não é apenas uma questão comercial, mas a própria estrutura de um setor que movimenta mais de US$ 10 bilhões anualmente.

  • Outono impulsionando a pecuária: mercado de remates atinge ritmo intenso com demanda por genética e produtividade

    Outono impulsionando a pecuária: mercado de remates atinge ritmo intenso com demanda por genética e produtividade

    Contexto histórico: o outono como alicerce da pecuária brasileira

    O outono, estação que marca a transição entre o verão e o inverno no hemisfério sul, sempre representou um período de intensa movimentação no setor pecuário brasileiro, especialmente na Região Sul. Historicamente, essa época coincide com a entressafra de grãos em algumas áreas, permitindo que produtores direcionem recursos para a reposição de plantéis e investimentos em genética. Desde as décadas de 1970 e 1980, quando os primeiros remates estruturados começaram a ganhar força no Rio Grande do Sul, o outono se consolidou como um termômetro para o mercado de gado de corte e leite.

    A tradição dos leilões de outono está intrinsecamente ligada à cultura da pecuária gaúcha e catarinense, onde a invernagem — sistema de criação que prioriza a engorda de animais durante o outono e inverno — exige animais de alto padrão genético para garantir produtividade. Nos últimos 20 anos, esse calendário ganhou complexidade, incorporando não apenas bovinos para abate, mas também touros e matrizes de alto valor genético, destinados à reprodução e melhoramento de rebanhos.

    Maio de 2024: o mês que define o ritmo de 2026

    O mês de maio de 2024 não apenas mantém, mas intensifica essa tradição, configurando-se como um marco para o setor. Pesquisas recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que o primeiro semestre do ano já apresenta crescimento de 8% no faturamento com leilões em relação a 2023, impulsionado pela demanda por animais com certificação genética e adaptabilidade às mudanças climáticas.

    Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a comercialização de doses de sêmen aumentou 12% nos primeiros quatro meses de 2024, reflexo do interesse crescente por touros melhoradores. Nesse contexto, maio se destaca como um mês-chave, pois concentra remates que não apenas avaliam o presente, mas também projetam tendências para a temporada de 2026. A Parceria Leilões, uma das principais organizadoras do setor, reforça essa dinâmica com uma agenda diversificada que abrange desde leilões de embriões de raças premium até eventos especializados em ventres e touros de reposição.

    A agenda de leilões: diversidade e oportunidades estratégicas

    A programação de maio reflete a maturidade do mercado, com eventos que atendem desde pequenos criadores até grandes investidores. No dia 6, o remate de embriões Brangus Premium abre a temporada com foco em genética de alto valor, enquanto o “Leilão Só Delas”, marcado para o dia 11, direciona sua oferta exclusivamente para matrizes, atendendo a um nicho cada vez mais demandado: fêmeas com histórico comprovado de produtividade.

    Já os dias 13 e 14 reservam o “Leilão Guarita Origens”, um dos eventos mais aguardados do Rio Grande do Sul, conhecido por sua tradição de mais de três décadas e pela oferta de animais de raças como Angus e Hereford, reconhecidos internacionalmente por sua qualidade. Paralelamente, o “Rincon Day”, no dia 18, e o “Gado Definido ExpoAngus”, no dia 21, fecham a programação com propostas voltadas para touros e fêmeas de elite, consolidando maio como o mês com maior concentração de negócios de alto valor no calendário pecuário.

    O leiloeiro Fábio Crespo, com mais de 15 anos de experiência no setor, destaca que a participação maciça de compradores em leilões presenciais e online tem sido um dos principais impulsionadores do mercado. “A digitalização dos remates ampliou o acesso a compradores de diferentes regiões, inclusive internacionais. Em maio, esperamos um movimento similar ao de 2023, quando registramos um índice de liquidez de 92% nos eventos que organizamos”, afirma Crespo. Segundo ele, a valorização média de animais com genética comprovada tem girado em torno de 15% acima dos valores de 2023, refletindo a confiança do setor.

    Demanda por eficiência: o novo paradigma da pecuária brasileira

    Por trás da agenda intensa de maio está uma transformação estrutural no setor pecuário: a busca por eficiência produtiva. Com a pressão por sustentabilidade e redução de emissões de carbono, criadores passaram a priorizar não apenas a quantidade, mas a qualidade genética do rebanho. Raças como Angus, Brangus e Hereford, tradicionalmente associadas à qualidade da carne, ganham ainda mais relevância em um mercado que exige animais precoces, adaptáveis a sistemas de integração lavoura-pecuária e resistentes a doenças como a febre aftosa.

    O engenheiro agrônomo e consultor pecuário, Dr. Antônio Carlos Machado, explica que a valorização de animais com perfil produtivo está diretamente ligada à adoção de tecnologias. “Hoje, um touro não é mais avaliado apenas por seu pedigree, mas também por dados como EPD (Diferença Esperada na Progênie), que mede sua capacidade de transmitir características desejáveis. Os remates de maio refletem essa nova realidade, onde a transparência e a rastreabilidade do animal são tão importantes quanto seu preço”, ressalta.

    Eventos paralelos e a sinergia com feiras tradicionais

    A concentração de remates em maio não ocorre de forma isolada. O setor pecuário gaúcho é marcado por uma cultura de feiras e exposições que, historicamente, atraem compradores e vendedores para uma semana de negócios. A Feira de Uruguaiana, por exemplo, que ocorre no início do mês, funciona como um ponto de convergência para diversos leilões, criando um ecossistema onde negócios são fechados não apenas durante os eventos, mas também em encontros informais entre criadores.

    Segundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Feira de Uruguaiana movimentou, em 2023, mais de R$ 200 milhões em negócios diretos e indiretos durante sua realização. Em 2024, a expectativa é que esse valor seja superado, impulsionado pela sinergia com os remates paralelos. “A feira não é apenas uma vitrine, mas um termômetro do mercado. Quando os preços dos animais sobem durante a feira, os leilões subsequentes tendem a acompanhar essa tendência”, explica a economista rural Mariana Oliveira, especialista em mercados agropecuários.

    Perspectivas para 2026: o que os leilões de maio antecipam

    As projeções para a temporada de remates de 2026 já começam a ser traçadas com base no desempenho de maio de 2024. Analistas do setor apontam para três tendências principais:

    • Valorização da genética comprovada: Animais com certificação de EPD e histórico de produtividade devem continuar se destacando, com preços até 20% acima da média atual.
    • Expansão do mercado internacional: A crescente demanda por carne brasileira no mercado asiático, especialmente na China e nos Emirados Árabes, deve aumentar a procura por touros e matrizes adaptados a sistemas intensivos.
    • Digitalização e transparência: Plataformas online de leilões, como a utilizada pela Parceria Leilões, devem ganhar ainda mais participação, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso a compradores de diferentes regiões.

    O analista de mercado agrícola da Safras & Mercado, Paulo Molinari, ressalta que o cenário é promissor, mas exige cautela. “O setor pecuário vive um momento de ouro, mas o desafio será manter a sustentabilidade dos preços. A entrada de novos investidores, especialmente fundos estrangeiros, pode gerar uma pressão inflacionária nos valores dos animais”, alerta.

    Conclusão: maio como espelho de um setor em transformação

    O outono de 2024 e o mês de maio, em particular, consolidam a pecuária brasileira como um dos setores mais dinâmicos do agronegócio nacional. Com uma agenda repleta de remates que vão de embriões a touros de elite, o mercado demonstra não apenas sua resiliência, mas também sua capacidade de se adaptar às novas demandas globais. Para criadores, investidores e analistas, maio é mais do que um mês de negócios: é um laboratório onde o futuro da pecuária está sendo escrito, um leilão de cada vez.