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  • China freia preços do boi gordo: queda de R$ 6 na arroba em uma semana ameaça lucros do setor

    China freia preços do boi gordo: queda de R$ 6 na arroba em uma semana ameaça lucros do setor

    Exportações para a China perdem fôlego e derrubam preços

    O mercado do boi gordo brasileiro, que vinha em trajetória de alta desde o início de junho, registrou uma queda abrupta na última semana do mês. A principal razão? A China, maior compradora global da carne bovina brasileira, reduziu drasticamente suas importações. A pressão vendedora externa, somada ao consumo interno enfraquecido e à cautela dos frigoríficos, provocou uma desvalorização de até R$ 6 na arroba em apenas sete dias, segundo dados de São Paulo. O movimento, descrito por analistas como um ‘terremoto’ no setor, coloca em xeque a sustentabilidade dos preços elevados praticados recentemente.

    Frigoríficos reduzem compras e mercado físico perde ritmo

    Segundo a consultoria Safras & Mercado, o mercado físico da carne bovina operou com pouca fluidez na última sexta-feira (27/06/2026), com diversas indústrias reduzindo ou até mesmo paralisando as compras. A estratégia reflete um cenário de incerteza: enquanto os estoques de boi gordo ainda estão altos em algumas regiões, a demanda chinesa — que sustentou os preços nas últimas semanas — não mostrou sinais de recuperação. A combinação de fatores acendeu um sinal de alerta entre pecuaristas e agentes do setor, que agora avaliam os impactos no faturamento do segundo semestre.

    O que esperar para julho?

    Com a demanda externa em queda e o consumo interno ainda fragilizado pela inflação e pela crise no poder aquisitivo, o mercado do boi gordo enfrenta um teste de resistência. Analistas projetam que, caso a China mantenha sua postura de redução de importações, os preços podem seguir pressionados. Por outro lado, se os frigoríficos acelerarem as compras para recompor estoques — especialmente em regiões como Mato Grosso e Goiás —, a tendência de baixa pode ser atenuada. A safra de inverno e a perspectiva de menor oferta de animais também serão fatores-chave para determinar se o setor conseguirá se reerguer no próximo mês.

  • Boi gordo recua: safra farta, consumo fraco e frigoríficos em ritmo confortável derrubam preços da arroba

    Boi gordo recua: safra farta, consumo fraco e frigoríficos em ritmo confortável derrubam preços da arroba

    O mercado físico do boi gordo vive um momento de contração inédita em 2024. A combinação de safra farta, escalas de abate confortáveis para os frigoríficos e um consumo interno cada vez mais hesitante está derrubando as cotações da arroba em praticamente todas as principais praças pecuárias do Brasil.

    Oferta recorde e pastagens em declínio: a engrenagem da queda

    Segundo analistas do setor, o atual cenário reflete o auge da safra do boi gordo, período em que a maior disponibilidade de animais a pasto — aliada à deterioração gradual das pastagens — reduz a capacidade dos produtores de reter gado. Com mais bois prontos para abate, os frigoríficos ganham fôlego para operar com escalas estendidas, entre sete e nove dias úteis na média nacional, diminuindo a urgência por compras agressivas no mercado físico.

    São Paulo, Goiás e Mato Grosso: a mancha vermelha se espalha

    O recuo não poupou nem mesmo estados tradicionalmente resistentes às baixas. Em São Paulo, a Agrifatto registrou o boi gordo comum a R$ 345/@ e o “boi-China” a R$ 355/@ (valores a prazo), enquanto a Scot Consultoria manteve referência de R$ 350/@ para o mercado interno e R$ 355/@ para o padrão-exportação. Em Goiás, a queda foi ainda mais acentuada: a arroba recuou para R$ 329,89/@, segundo dados da Safras & Mercado. Minas Gerais (R$ 328,24/@) e Mato Grosso do Sul (R$ 345,91/@) também sentiram o baque, enquanto o Mato Grosso, embora ainda acima dos R$ 350/@, viu sua resistência se dissipar.

    Consumo em baixa: o X da questão que ninguém quer enfrentar

    Mas não é só a oferta que trava o mercado. O consumo interno de carne bovina — já fragilizado pela inflação persistente e pela concorrência com proteínas alternativas — segue em ritmo lento, agravando a pressão sobre os preços. “O alongamento das escalas está diretamente ligado à maior disponibilidade de gado, mas o cenário externo também pesa”, explica Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. “As exportações brasileiras, especialmente para China, Estados Unidos e União Europeia, são monitoradas de perto, mas a demanda doméstica é que está definhando.”

    O que esperar para a segunda quinzena de maio?

    As consultorias do setor já acendem o alerta: a tendência é de continuidade da queda nos preços, pelo menos até o fim de maio. Enquanto os frigoríficos mantiverem suas escalas confortáveis e os pecuaristas não conseguirem segurar os animais — seja por falta de pasto ou por necessidade de caixa —, a pressão sobre a arroba deve persistir. Para os produtores, a equação é clara: ou vendem agora, com prejuízo, ou apostam em uma recuperação que, pelo menos no curto prazo, não tem data marcada para chegar.