Tag: mercado de pescado

  • Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira: exportadores sofrem, mas consumidores podem pagar menos

    Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira: exportadores sofrem, mas consumidores podem pagar menos

    A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa sobre a tilápia brasileira, anunciada em 3 de junho de 2026, acende um alerta no setor de exportações de pescado do país. Embora a medida vise conter a entrada do produto norte-americano, especialistas indicam que o impacto será sentido também nos mercados brasileiros, com potenciais efeitos positivos para os consumidores.

    Perda de competitividade no exterior e reflexos no mercado interno

    Os Estados Unidos são o principal comprador da tilápia brasileira, respondendo pela maior parte das vendas externas do setor. Com a tarifa, estima-se que as exportações para o país norte-americano devam cair, reduzindo a pressão sobre a demanda e aumentando a oferta do produto no Brasil. Segundo analistas do setor agro, essa dinâmica pode forçar uma queda nos preços praticados no mercado interno nos próximos meses, beneficiando o consumidor final.

    Risco para exportadores e busca por alternativas

    Para os exportadores brasileiros, a medida representa um desafio imediato. A perda de acesso ao principal mercado consumidor exige uma reavaliação estratégica, com possíveis investimentos em diversificação de destinos ou até mesmo na ampliação do consumo doméstico. Empresas do setor já sinalizam a necessidade de buscar novos acordos comerciais ou fortalecer parcerias com outros países para compensar a redução das vendas aos EUA.

  • Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

    Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

    A tilapicultura brasileira não apenas alcançou um marco histórico em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas de pescado cultivado, como também se consolidou como uma das cadeias produtivas mais dinâmicas do agronegócio nacional. O setor, que já representou 70% dessa produção, enfrenta agora um novo desafio: transitar de uma atividade predominantemente rural para um modelo industrial competitivo, capaz de resistir à pressão de importados asiáticos e às oscilações de mercado.

    A revolução silenciosa na produção de tilápia

    Durante o Seminário Regional de Tilapicultura, realizado no dia 7 de maio em São Miguel do Oeste (SC), o técnico Cristiano Bordignon, da ATeG Piscicultura do Sindicato Rural de São Lourenço do Oeste, apresentou um panorama revelador. “A tilápia deixou de ser uma atividade complementar para se tornar uma estratégia econômica para milhares de pequenas propriedades rurais”, afirmou. O dado mais emblemático é a participação da espécie na produção nacional: das 1 milhão de toneladas de pescado cultivado em 2025, 70% vieram da tilápia — um salto que reflete não apenas o aumento da produtividade, mas também a profissionalização do setor.

    Santa Catarina, apesar de ser o 20º estado em extensão territorial, ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção aquícola. O estado se destaca pela adoção de tecnologias avançadas, intensificação produtiva e forte integração com a agroindústria, fatores que impulsionaram seu crescimento mesmo em um cenário de alta concorrência.

    Preços em montanha-russa: de R$ 7 a R$ 10 por quilo em um ano

    A volatilidade dos preços da tilápia em 2026 foi outro ponto crítico discutido no evento. Segundo dados do Cepea, após um ciclo de forte retração em 2025, quando os valores chegaram a R$ 7 por quilo em polos como Norte do Paraná e Grandes Lagos (divisa de SP, MS e MG), a cotação iniciou 2026 com uma recuperação expressiva, superando novamente os R$ 10 por quilo. “Esse comportamento sazonal é previsível, mas a intensidade das oscilações preocupa os produtores”, explicou Bordignon.

    A pressão dos importados asiáticos, principalmente da China, agrava o cenário. Produtos estrangeiros, muitas vezes vendidos a preços abaixo do custo de produção local, inundam o mercado brasileiro, forçando os produtores nacionais a buscar alternativas para manter a competitividade. “A guerra de preços não é apenas uma questão de oferta e demanda, mas também de regulação e estratégias comerciais”, destacou o técnico.

    Sustentabilidade e inovação: o futuro do setor

    Para além dos desafios comerciais, o seminário abordou a necessidade de inovar na gestão de resíduos e na agregação de valor aos produtos. “Transformar o que antes era lixo em receita é uma das grandes oportunidades para o setor”, afirmou Bordignon. Projetos que visam o aproveitamento integral do pescado, desde a produção até a industrialização, foram apresentados como caminhos para aumentar a margem de lucro e reduzir o impacto ambiental.

    O evento, promovido pela Epagri com apoio do Sistema FAESC/SENAR, sindicatos rurais, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina e prefeitura municipal de São Miguel do Oeste, reforçou que a tilapicultura brasileira está em um momento de transição: de atividade artesanal para um modelo industrial, de complemento de renda para estratégia econômica. No entanto, a sustentabilidade desse crescimento dependerá da capacidade do setor de enfrentar os desafios regulatórios, a concorrência internacional e a volatilidade de preços — sem perder de vista a inovação e a profissionalização.