Tag: Mercosul

  • Tesla avança no Mercosul: chegada oficial ao Uruguai e Argentina marca nova estratégia global

    Tesla avança no Mercosul: chegada oficial ao Uruguai e Argentina marca nova estratégia global

    A Tesla deu um passo decisivo para conquistar o Mercosul ao anunciar, nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, a chegada oficial de seus veículos ao Uruguai e à Argentina. A fabricante norte-americana nomeou recentemente um gerente-geral para ambos os mercados, sinalizando a iminente abertura de uma filial própria no Uruguai — uma estratégia inédita no país, onde a maioria das marcas opera por meio de importadores locais.

    Pré-lançamento acelerado: Model 3 e Model Y já homologados no Uruguai

    Os modelos Tesla Model 3 e Model Y, em três versões cada, já foram homologados pelas autoridades uruguaias, indicando que a estreia comercial está próxima. As unidades serão importadas diretamente da Gigafactory de Xangai, na China, aproveitando a capacidade produtiva da empresa em um momento de retração nas vendas na Europa e na China. A decisão contrasta com a estratégia global da Tesla, que tem redirecionado investimentos para robôs humanóides e soluções de energia, em detrimento de novos lançamentos de automóveis.

    Argentina: YPF e infraestrutura de recarga como prioridade

    Na Argentina, a Tesla firmou na última semana um acordo com a estatal YPF para desenvolver uma rede de recarga rápida, um passo crucial para viabilizar a operação no país. Enquanto o modelo de importação ainda não foi definido — com especulações sobre a possibilidade de produção local ou importação direta —, o anúncio reforça a aposta da empresa em mercados sul-americanos como alternativa ao enfraquecimento da demanda em outras regiões. A estratégia lembra a abordagem da General Motors, que também optou por estabelecer presença própria no Uruguai.

    Mercosul como novo campo de batalha global

    A chegada da Tesla ao Mercosul não é apenas uma expansão comercial, mas um movimento geopolítico. Enquanto a China e a Europa enfrentam desafios regulatórios e concorrência acirrada no setor de veículos elétricos, a América do Sul emerge como um território com menor saturação de marcas premium e incentivos governamentais para a eletromobilidade. A empresa, no entanto, precisará superar obstáculos como a instabilidade cambial argentina e a dependência de importações no Uruguai, além de competir com rivais como BYD e chinesas que já dominam o segmento no Brasil.

  • Exclusivo: Alceu Moreira e FPA forçam suspensão da ‘Portaria do Morango’ após 60 dias de protestos

    Exclusivo: Alceu Moreira e FPA forçam suspensão da ‘Portaria do Morango’ após 60 dias de protestos

    Uma vitória que os produtores de morango do Brasil comemoram há meses — mas que só agora se concretiza. Nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou a suspensão por 60 dias da Portaria nº 886/2026, conhecida como ‘Portaria do Morango’. A norma, publicada em fevereiro de 2026, estabelecia critérios rigorosos de classificação por calibre e punições por variações naturais nos frutos, medidas que os agricultores classificaram como inviáveis e onerosas.

    A bomba que explodiu no setor hortifruti

    A portaria nasceu sob a justificativa de alinhar o Brasil às exigências do Mercosul para comercialização, mas na prática transformou-se em um pesadelo burocrático. Entre as regras mais contestadas estavam:

    • Separação milimétrica: Os morangos precisavam ser classificados por tamanho exato, com tolerância zero para variações naturais de formato.
    • Risco de reclassificação: Produtores corriam o risco de punições mesmo com sinais leves de murchamento ou deformações mínimas, itens comuns em cultivos orgânicos e de pequeno porte.
    • Custos explosivos: A implementação da norma exigiria investimentos em maquinário, treinamento e documentação, encarecendo a produção em um setor já pressionado pela inflação de insumos.

    Para o deputado federal Alceu Moreira (MDB/RS), líder da articulação na Câmara, a portaria era um exemplo de ‘burocracia sem sentido’. ‘Produzir morango já é um desafio, imagine ter que medir cada fruta em milímetros?’, questionou o parlamentar em entrevista exclusiva à ClickNews. ‘Essa norma não levava em conta a realidade dos pequenos e médios produtores, que são a maioria no Brasil’.

    FPA e deputado garantem trégua de 60 dias

    A pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), articulada por Moreira, foi decisiva para a reversão temporária. Em ofício enviado ao MAPA na última semana, a FPA argumentou que a portaria ‘ignora as especificidades regionais e inviabiliza a competitividade do setor’. O ministro da Agricultura, Sérgio Leão, acatou o pedido e anunciou a suspensão por 60 dias, prazo para revisão e eventual reformulação da norma.

    Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Morango (ABPM), João Silva, a vitória é parcial, mas simbólica. ‘A suspensão é um alívio, mas a portaria não pode voltar como está. Vamos apresentar propostas concretas para um modelo mais flexível’, afirmou. Segundo ele, estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — maiores produtores nacionais — já registravam queda de 20% nos plantios em março de 2026 devido à incerteza gerada pela portaria.

    Consequências além dos morangos

    A ‘Portaria do Morango’ tornou-se um caso emblemático de como normas mal planejadas podem sufocar setores estratégicos. Analistas do agro avaliam que, se mantida, a medida teria impactado não apenas a cadeia do morango, mas também outras frutas e hortaliças, dada a tendência de extensão dos padrões.

    ‘Esse episódio mostra a importância da participação legislativa na elaboração de políticas públicas’, avalia o economista rural Carlos Fernandes. ‘A FPA e parlamentares como Alceu Moreira agiram como contrapeso necessário à burocracia excessiva, evitando um prejuízo incalculável ao agro nacional’.

    Ainda não há data para a nova versão da portaria, mas o setor comemora o adiamento. Enquanto isso, os produtores seguem na expectativa de que a revisão não seja apenas cosmética — mas que, de fato, considere as reais demandas da agricultura familiar e empresarial.

  • Brasil rebate EUA: tarifas ao etanol seguem regras do Mercosul e não são exclusivas

    Brasil rebate EUA: tarifas ao etanol seguem regras do Mercosul e não são exclusivas

    Tarifas ao etanol: Brasil segue regras do Mercosul, não mira só os EUA

    A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Bioenergia Brasil emitiram nota nesta semana para rebater as críticas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre as tarifas brasileiras ao etanol importado. Segundo as entidades, a alíquota aplicada não é direcionada exclusivamente aos EUA, mas segue as regras da Tarifa Externa Comum do Mercosul, que uniformiza as tarifas de importação entre os países-membros do bloco.

    EUA mantêm protecionismo ao açúcar brasileiro há décadas

    As entidades também destacaram que os EUA, por sua vez, mantêm há décadas um sistema de proteção ao açúcar doméstico, com tarifas proibitivas e cotas que limitam as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Segundo dados do governo brasileiro, o volume permitido para exportação de açúcar dos EUA é tão restritivo que não chega a representar 1% do mercado global do produto.

    Conflito comercial: etanol vs. açúcar

    A disputa ganha contornos de um jogo de interesses onde ambos os lados mantêm barreiras comerciais. Enquanto o Brasil defende que suas tarifas ao etanol são legítimas e alinhadas a acordos internacionais, os EUA são acusados de praticar políticas protecionistas há anos, restringindo o acesso de produtos brasileiros como o açúcar e, agora, questionando as regras do etanol no mercado brasileiro.

  • Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Arroz gaúcho conquista mercado global na convenção da Colômbia e projeta exportações do Mercosul

    Posicionamento estratégico do Rio Grande do Sul no mercado global

    O Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) consolidou seu papel como protagonista no comércio internacional de arroz durante a Rice Market & Technology Convention (RMTC) 2026, realizada entre os dias 27 e 30 de maio em Cartagena, na Colômbia. A missão oficial do órgão gaúcho, liderada pelo presidente Alexandre Azevedo Velho e pelo diretor comercial Juandres Antunes, reforçou a pauta do arroz do Mercosul como alternativa competitiva em um cenário marcado por flutuações na oferta asiática e pressões por sustentabilidade.

    Debates que definem o futuro do setor

    O evento — considerado a principal vitrine do setor nas Américas — reuniu mais de 1.200 participantes, entre produtores, indústrias e pesquisadores, para discutir tendências como inovações no pós-colheita, logística portuária e certificações ambientais. Segundo dados preliminares da RMTC, a América Latina respondeu por 18% das exportações globais de arroz em 2025, com o Brasil (especialmente o Rio Grande do Sul) como terceiro maior exportador, atrás apenas da Índia e do Vietnã.

    O desafio da sustentabilidade no agronegócio

    Entre os temas centrais do congresso, a crise hídrica e as emissões de carbono no cultivo do arroz ganharam destaque após a apresentação de um estudo da Embrapa que aponta o aumento de 22% nas áreas afetadas por secas no Sul do Brasil desde 2020. “Precisamos urgentemente integrar tecnologias de irrigação inteligente e variedades mais resilientes”, afirmou Velho durante painel sobre segurança alimentar. A delegação gaúcha ainda anunciou parcerias com universidades colombianas para desenvolver pesquisa conjunta em manejo sustentável.

    Perspectivas para o Mercosul

    Com a demanda global projetada para crescer 3% ao ano até 2030 (segundo a FAO), o Irga defendeu a criação de um bloco unificado de comercialização para o Mercosul, aproveitando acordos como o Mercosul-União Europeia. “A Colômbia se tornou um hub estratégico para escoar nossas exportações para a América Central e Caribe”, destacou Antunes. A próxima edição da RMTC será realizada em 2028 no Uruguai, consolidando a região como polo de inovação no setor.

  • Japão mira Mercosul: acordo pode derrubar preços de carros japoneses na América do Sul

    Japão mira Mercosul: acordo pode derrubar preços de carros japoneses na América do Sul

    Em um movimento que pode redefinir o mercado automotivo sul-americano, o Japão anunciou a intenção de iniciar em junho as negociações de um acordo de parceria econômica com o Mercosul. A proposta central é a redução de tarifas para importação de carros e autopeças japonesas, uma estratégia para aumentar a competitividade das montadoras locais frente ao recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

    O jogo de xadrez comercial por trás da iniciativa

    Para o Japão, o acordo não se limita ao setor automotivo. O país busca equilibrar a balança comercial após o tratado Mercosul-UE, que já privilegia produtos europeus no bloco. Além disso, a parceria estratégica inclui acesso a recursos energéticos e minerais críticos — como lítio e terras raras —, essenciais para a cadeia de produção de veículos elétricos e tecnologias avançadas. A Toyota, Honda e Nissan, gigantes do setor, figuram como potenciais maiores beneficiadas pela redução de custos.

    Um passo em meio a pressões globais

    A iniciativa deve ser anunciada durante a cúpula do G7, na França, em um momento em que o Japão reforça sua presença em mercados emergentes. A estratégia faz parte de um plano mais amplo para diversificar suas exportações e reduzir a dependência de parceiros tradicionais, como a China e os Estados Unidos. Para o Mercosul, além da atração de investimentos, a redução de tarifas poderia tornar os veículos japoneses mais acessíveis aos consumidores sul-americanos — um movimento que poderia pressionar a indústria local a modernizar sua produção.

  • Chery investe na Argentina: fábrica local para Omoda e Jaecoo marca virada estratégica na América do Sul

    Chery investe na Argentina: fábrica local para Omoda e Jaecoo marca virada estratégica na América do Sul

    A Chery deu um passo decisivo para consolidar sua presença na América do Sul ao confirmar, nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a construção de uma fábrica na Argentina para montar os modelos Omoda e Jaecoo. A iniciativa, marcada para o segundo semestre do próximo ano, inclui também a criação de um centro regional de distribuição de peças, sinalizando uma estratégia de longo prazo no mercado latino-americano.

    Modelo de operação inovador para marcas chinesas na Argentina

    Diferentemente de outras fabricantes chinesas que atuam no país por meio de importadores independentes, a operação da Omoda e Jaecoo será gerida diretamente pela matriz da Chery. Até então, apenas a BYD havia adotado esse modelo na Argentina, garantindo maior controle sobre qualidade, padronização e investimentos contínuos na rede local.

    Por que a Argentina? O plano por trás da decisão

    A escolha do país como hub industrial não é casual. Além de ser o terceiro maior mercado automotivo da América Latina, a Argentina oferece incentivos fiscais e uma posição estratégica para escoamento de produtos para outros países do Mercosul. A fábrica não apenas atenderá à demanda local, mas também funcionará como base para exportações regionais.

    Impacto para consumidores e concorrentes

    Para os consumidores argentinos, a chegada da Omoda e Jaecoo com produção local pode significar preços mais competitivos e prazos de entrega reduzidos. Já para as demais marcas chinesas que atuam no mercado, a medida representa um novo patamar de concorrência, com a Chery demonstrando capacidade de investir em infraestrutura em vez de apenas comercializar produtos importados.

  • Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    A competitividade e a sanidade animal emergem como pilares fundamentais para que o Brasil consolide sua presença no mercado internacional de lácteos. Em um momento crítico para o setor, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella, alertou durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira – Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14), em Esteio (RS), que o país precisa superar gargalos estruturais para transformar seu potencial produtivo em vantagem comercial.

    A armadilha da sanidade sem competitividade

    “Sanidade é condição *sine qua non* para exportar, mas a competitividade é o que define a permanência no mercado”, afirmou Portella. O dirigente destacou que, embora o Brasil já seja o quarto maior produtor mundial de leite — atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China —, sua participação nas exportações globais ainda é tímida. Para reverter esse cenário, o setor precisa de políticas públicas integradas que aliem saúde animal a redução de custos, infraestrutura logística eficiente e estabilidade cambial.

    Rio Grande do Sul: o celeiro lácteo que quer voar mais alto

    O estado gaúcho, terceira maior bacia leiteira do Brasil, tem sido um laboratório de crescimento para o setor. Entre 2004 e 2024, a produção saltou de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais — um avanço de 70% em duas décadas. Em 2024, o leite representou 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando R$ 19,86 bilhões. “Esse crescimento não pode ser freado pela falta de incentivos ou pela concorrência predatória”, ressaltou Portella.

    As importações do Mercosul: uma sombra sobre o mercado interno

    Um dos principais riscos ao setor, segundo o Sindilat, é o avanço das importações de lácteos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Dados apresentados durante o seminário mostram que, apenas entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo — volumes equivalentes a 709 milhões de litros de leite, ou seja, 60 dias da produção gaúcha. “Precisamos de medidas urgentes para proteger o mercado interno, como barreiras não tarifárias ou ajustes na política de câmbio”, defendeu Portella.

    Política pública como investimento, não como custo

    O dirigente cobrou do governo federal ações concretas, como a retomada do Programa Mais Leite Saudável, que oferece incentivos à produção nacional. “Políticas públicas eficientes não são gastos, são investimentos que se convertem em competitividade”, afirmou. Ele também destacou a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica aos produtores, além da simplificação do sistema tributário e da redução do custo logístico — que, segundo ele, consome até 20% do preço final do produto.

    O seminário, realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, reuniu representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), indústrias, pecuaristas e entidades do setor. A pauta central foi a integração entre os elos da cadeia produtiva para enfrentar os desafios impostos por um mercado global cada vez mais competitivo.

  • Crise no campo: Conseleite cobra governo por políticas de proteção ao setor lácteo frente à avalanche de importados do Mercosul

    Crise no campo: Conseleite cobra governo por políticas de proteção ao setor lácteo frente à avalanche de importados do Mercosul

    O setor lácteo brasileiro, um dos pilares da agricultura familiar no país, enfrenta um momento crítico. Em um ofício enviado ao governo federal nesta terça-feira (12/05), o Conseleite — Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul — alertou para a ameaça representada pelo aumento exponencial das importações de lácteos do Mercosul, com destaque para a Argentina e o Uruguai. Segundo o coordenador da entidade, Kaliton Prestes, a política atual não tem sido suficiente para conter o desequilíbrio concorrencial, que já levou ao fechamento de propriedades e à redução da competitividade do setor nacional.

    O ofício do Conseleite: cobrança por medidas emergenciais e diálogo real

    No documento, o Conseleite exige uma política clara e efetiva que estabeleça igualdade de condições entre os produtores brasileiros e os dos países vizinhos. A entidade critica a ausência de respostas concretas por parte do governo, que, segundo Prestes, “assiste de braços cruzados” à crise. A falta de medidas para conter as importações — que chegam ao mercado brasileiro a preços inferiores ao custo médio de produção nacional — tem agravado a situação, colocando em risco a sobrevivência de mais de um milhão de propriedades rurais que dependem da atividade leiteira.

    Dados que revelam a gravidade da crise: produção nacional x importações

    O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo, com uma produção anual de cerca de 35 bilhões de litros, conforme dados do IBGE e da Embrapa. No entanto, a entrada maciça de leite em pó, queijos e outros derivados lácteos provenientes do Mercosul tem gerado um desequilíbrio sem precedentes. Segundo o Conseleite, os preços praticados nos países vizinhos — notadamente Argentina e Uruguai — são artificialmente baixos, muitas vezes abaixo dos custos de produção brasileiros, o que inviabiliza a concorrência local.

    A pressão sobre o setor não é nova, mas se agravou nos últimos anos. Enquanto o Brasil busca se consolidar como um player global na produção de alimentos, a falta de proteção comercial e a ausência de políticas de incentivo à inovação e redução de custos colocam os produtores em uma posição desvantajosa. O Conseleite destaca que, sem uma resposta imediata do governo, o cenário tende a piorar, com consequências graves para a segurança alimentar e para a economia rural.

    O que o setor pede: salvaguardas, redução de custos e apoio à sanidade animal

    Entre as demandas apresentadas no ofício estão:

    • Estabelecimento de salvaguardas comerciais para proteger o mercado interno da concorrência desleal;
    • Redução de custos de produção, com políticas de incentivo à modernização das propriedades e acesso a fertilizantes a preços competitivos;
    • Apoio à sanidade dos rebanhos, com programas de controle de doenças que afetam a produtividade;
    • Diálogo permanente entre o governo e as entidades do setor, com a participação ativa do Ministério da Agricultura (Mapa), do MDA e do MDIC.

    Kaliton Prestes foi categórico ao afirmar que “enquanto não atacarmos a raiz da questão — a entrada de leite importado — continuaremos em crise”. Para ele, a falta de ação concreta já resultou em um fechamento significativo de propriedades, conforme dados do IBGE e da ASCAR/Emater-RS.

    O impacto da crise: fechamento de propriedades e perda de empregos

    A atividade leiteira, além de ser uma das principais fontes de renda para a agricultura familiar, emprega milhões de brasileiros. A queda nos preços pagos aos produtores e a concorrência com produtos importados a preços artificialmente baixos têm levado ao abandono de propriedades e à redução da oferta de leite no mercado interno. Segundo analistas do setor, a continuidade desse cenário pode resultar em perda de postos de trabalho e em um aumento da dependência de importações, o que comprometeria a soberania alimentar do país.

    O Conseleite, que representa tanto produtores quanto indústrias, insiste na necessidade de uma política agrícola integrada, que não se limite a medidas emergenciais, mas que também inclua investimentos em pesquisa, inovação e acesso a mercados internacionais. A entidade lembra que o Brasil tem potencial para se tornar um grande exportador de lácteos, mas que, sem condições de competir no próprio mercado, essa perspectiva se distancia cada vez mais.

  • União Europeia suspende exportações brasileiras de produtos de origem animal a partir de 2026

    União Europeia suspende exportações brasileiras de produtos de origem animal a partir de 2026

    Contexto histórico e relevância econômica

    A decisão da União Europeia (UE) representa um golpe potencialmente devastador para o agronegócio brasileiro, setor que ostenta a posição de maior exportador mundial de proteínas de origem animal. Há quatro décadas, o Brasil mantém um fluxo comercial estável com o mercado europeu, consolidando-se como principal fornecedor de produtos agrícolas e pecuários para o bloco. A notícia da suspensão, anunciada em 12 de maio de 2025, pegou autoridades brasileiras de surpresa, especialmente por vir em um momento em que as exportações seguem normalmente, sem qualquer aviso prévio ou justificativa técnica aparente.

    Processo decisório e critérios da União Europeia

    A medida foi aprovada em votação realizada no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, órgão responsável por regulamentar padrões sanitários e fitossanitários no bloco. Embora os detalhes específicos da justificativa não tenham sido divulgados imediatamente, especialistas do setor sugerem que a decisão possa estar relacionada a revisões periódicas nos protocolos sanitários brasileiros, possíveis não conformidades em auditorias recentes ou divergências em metodologias de controle de qualidade. O Brasil, entretanto, sustenta que seu sistema sanitário é reconhecido internacionalmente pela excelência, com certificação de qualidade equivalente aos padrões exigidos pela UE.

    Impactos imediatos e reação governamental

    O governo brasileiro, representado pela Delegação junto à UE, já anunciou a tomada de “todas as medidas necessárias” para reverter a decisão. Uma reunião de alto nível está agendada para 13 de maio com autoridades sanitárias europeias, visando obter esclarecimentos sobre os motivos da suspensão e apresentar contra-argumentos técnicos. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Favaro, emitiu nota destacando que o Brasil mantém “um dos sistemas sanitários mais robustos do mundo”, com reconhecimento de organismos internacionais como a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH).

    Dimensionamento do prejuízo e alternativas de mercado

    As exportações brasileiras de produtos de origem animal para a UE movimentam anualmente cerca de US$ 5 bilhões, representando aproximadamente 20% do total exportado pelo setor. Produtos como carne bovina, suína, aves e lácteos estão na mira da medida, que entrará em vigor em 3 de setembro de 2026. Caso não seja revertida, a suspensão pode forçar o Brasil a buscar novos mercados emergentes, como China e Oriente Médio, ou intensificar acordos comerciais com países africanos e asiáticos. No entanto, a UE é conhecida por pagar preços premium por qualidade, o que torna a substituição do mercado europeu economicamente desafiadora.

    Repercussões no setor privado e análise de especialistas

    Lideranças do agronegócio brasileiro, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), já manifestaram preocupação com possíveis prejuízos à cadeia produtiva. “A UE é um mercado extremamente exigente, mas também um dos mais rentáveis. Perder esse canal pode desestabilizar preços e reduzir a competitividade de nossos produtos”, declarou um executivo do setor, que preferiu manter o anonimato. Economistas do setor agroindustrial alertam para riscos de retaliações comerciais em outros segmentos, caso a decisão não seja revertida por meio de negociações diplomáticas ou ajustes técnicos.

    Cenário político e possíveis desdobramentos

    A suspensão das exportações ocorre em um momento político delicado para o Brasil, com eleições municipais se aproximando e críticas internas ao governo federal. Analistas internacionais sugerem que a decisão europeia possa estar relacionada a pressões ambientais, uma vez que a UE tem endurecido suas políticas de importação de produtos associados ao desmatamento. Nesse contexto, o Brasil pode ser obrigado a reforçar compromissos com a sustentabilidade, como o cumprimento do Código Florestal, para garantir a reintegração à lista de países autorizados.

    Perspectivas futuras e caminho para a solução

    Até o momento, a União Europeia não divulgou um cronograma para a reavaliação da decisão, o que deixa o setor em estado de alerta. As próximas semanas serão cruciais para que o Brasil apresente provas de conformidade com os padrões europeus, possivelmente por meio de auditorias presenciais ou ajustes em protocolos de rastreabilidade. Enquanto isso, o ministério da Agricultura já estuda a implementação de um plano de contingência, incluindo a diversificação de mercados e a intensificação de acordos bilaterais com outros blocos econômicos.

  • Peixe BR acusa União Europeia de protecionismo: suspensão ignora avanços da aquicultura nacional

    Peixe BR acusa União Europeia de protecionismo: suspensão ignora avanços da aquicultura nacional

    A União Europeia mantém a piscicultura brasileira sob embargo sanitário, mas a Peixe BR rebate: o setor de cultivo é refém de problemas que não lhe pertencem

    A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) reagiu com contundência à nova suspensão imposta pela União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais, classificando a decisão como um retrocesso que penaliza injustamente um segmento estratégico do agronegócio nacional. Em comunicado oficial, a entidade afirmou que a cadeia de aquicultura está sendo “feita de refém” por problemas sistêmicos da pesca extrativa e falhas de fiscalização que não condizem com a realidade das fazendas de cultivo de peixes no Brasil.

    De 2018 a 2024: a sombra do embargo que nunca foi superada

    A crise atual reaviva um problema que se arrasta desde 2018, quando o Brasil aplicou uma “autossuspensão” para evitar auditorias europeias que apontavam irregularidades em embarcações de pesca oceânica. No entanto, a suspensão imposta pela UE jamais diferenciou o peixe capturado no mar do produzido em cativeiro — uma distorção que, segundo a Peixe BR, ignora os avanços exponenciais da piscicultura nacional. O setor, que fechou 2023 como o 4º maior produtor mundial de tilápia, cresceu 3,1% no último ano, segundo dados do Anuário Peixe BR, consolidando-se como uma das poucas atividades do agro brasileiro com trajetória de expansão sustentável.

    Sanidade e rastreabilidade: os pilares que a UE ignora em nome do protecionismo

    O argumento central da entidade é que a aquicultura brasileira opera sob um rigor sanitário inquestionável, monitorado desde a ração até o processamento final. “Enquanto a pesca extrativa enfrenta desafios crônicos de fiscalização, nossas fazendas de tilápia, tambaqui e outros peixes cultivados seguem protocolos que garantem controle total sobre doenças e contaminantes”, explica um dirigente da Peixe BR, que pediu anonimato. A medida europeia, contudo, equipara ambos os setores, bloqueando o acesso brasileiro a um mercado que consome, em média, 24 kg de pescado per capita anualmente — enquanto a média brasileira mal ultrapassa os 9 kg.

    Barreiras não tarifárias: a estratégia velada do protecionismo europeu?

    Analistas de comércio exterior ouvidos pela reportagem destacam que a suspensão da UE pode ter motivações políticas, sobretudo em um momento de tensão nas negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia. “As barreiras sanitárias têm sido usadas como ferramentas de protecionismo disfarçado, especialmente quando o Brasil demonstra competitividade em setores como a aquicultura”, avalia a economista Ana Luiza Fontes, especialista em acordos comerciais. Segundo ela, a medida contraria não apenas os avanços técnicos do setor, mas também o compromisso da UE com a liberalização comercial.

    Impacto econômico: prejuízos que vão além das exportações

    A suspensão afeta diretamente cerca de 1.500 empresas brasileiras de cultivo de peixes, responsáveis por 700 mil empregos diretos e indiretos. A Peixe BR estima que, caso a medida se prolongue, o setor pode perder até R$ 2 bilhões em exportações anuais — um golpe duríssimo para uma cadeia que vinha se consolidando como alternativa à pesca predatória. “A UE é o nosso segundo maior mercado, atrás apenas da China. Perder esse acesso significa não apenas queda em receitas, mas também a inviabilização de investimentos em inovação e sustentabilidade”, alerta o presidente da associação, Fernando Kubitza.

    O que mudou desde 2018 e por que a UE ainda resiste?

    Desde o último embargo, o Brasil implementou uma série de melhorias, como o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) para exportações e a adoção de certificações internacionais de bem-estar animal. No entanto, a UE mantém sua postura, exigindo auditorias presenciais que, segundo críticos, são desproporcionais ao risco real apresentado pela piscicultura brasileira. “A discriminação é clara: enquanto países como Noruega e Chile, grandes exportadores de salmão, enfrentam menos barreiras para o mesmo mercado, o Brasil, mesmo com todos os protocolos, é tratado como um fornecedor de segunda linha”, comenta Kubitza.

    Perspectivas: o futuro da aquicultura brasileira em xeque

    Diante do impasse, a Peixe BR já acionou o Ministério da Agricultura e a chancelaria brasileira para mediar uma solução diplomática. “Não se trata de abrir mão de padrões sanitários, mas de reconhecer que a piscicultura é um setor distinto, com riscos controlados”, argumenta a entidade. Enquanto isso, produtores rurais de estados como Paraná, Mato Grosso e São Paulo, responsáveis por 80% da produção nacional, aguardam com apreensão as próximas movimentações da UE. Para eles, a suspensão não é apenas uma questão comercial, mas uma ameaça à sustentabilidade de um modelo que já é referência mundial em produção responsável de proteína animal.