IPCA registra menor taxa desde maio de 2025
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou junho em 0,16%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10 de julho de 2026), pelo IBGE. A taxa representa uma queda expressiva em relação aos 0,31% registrados em maio e é a menor desde maio de 2025, quando o índice foi de 0,12%. A desaceleração foi impulsionada, sobretudo, pela queda nos preços de alimentos, que recuaram 0,45% no mês.
Meta de inflação do BC: entre a corda bamba
A meta oficial de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, um intervalo que vai de 1,5% a 4,5%. Desde o início de 2025, o Banco Central passou a avaliar a inflação com base nos últimos 12 meses, não mais apenas no acumulado do ano anterior. Caso a inflação ultrapasse o limite superior por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
Alimentos e inflação: um ciclo de queda
A alta nos preços de alimentos havia sido um dos principais vilões da inflação em 2025, mas o cenário mudou em 2026. Em junho, itens como legumes, verduras e carnes registraram quedas significativas: a batata-inglesa, por exemplo, caiu 12,3% em junho, enquanto o óleo de soja recuou 3,8%. A queda nos preços de alimentos é um alívio para as famílias de baixa renda, que concentram seus gastos nesse grupo, mas também reduz a pressão sobre o IPCA, que é o termômetro oficial para a política monetária do Banco Central.
Como o IPCA é calculado e quem sente seus efeitos
O IPCA mede a variação do custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Para chegar ao índice, são monitorados os preços de 377 subitens (produtos e serviços) em 12 regiões metropolitanas, incluindo Goiânia e Brasília. A coleta abrange desde itens básicos, como arroz e feijão, até serviços como aluguel e transporte público. A estabilização recente sugere um cenário mais controlado, mas ainda exige atenção do BC, que segue de olho nos próximos meses para evitar que a inflação volte a acelerar.
