Tag: milho

  • Exportações de milho do Brasil caem 11% em 2025/26; consumo interno bate recorde impulsionado pelo etanol

    Exportações de milho do Brasil caem 11% em 2025/26; consumo interno bate recorde impulsionado pelo etanol

    Concorrência internacional pressiona exportações brasileiras de milho

    Analistas da Agroconsult reduziram em 11,3% a projeção de exportação de milho para o ciclo 2025/26, estimando 37 milhões de toneladas — queda acentuada frente aos 41,7 milhões do ciclo anterior. A justificativa está na forte concorrência internacional, especialmente dos Estados Unidos, que colheram safra recorde em 2025, e da Argentina, que registra sua maior produção em 2026. Até recentemente, o Brasil ocupava a segunda posição entre os exportadores globais, à frente da Argentina, mas agora enfrenta um cenário de disputa mais acirrada nos mercados internacionais.

    Etanol impulsiona consumo interno a níveis inéditos

    Paralelamente, o mercado interno brasileiro de milho deve registrar crescimento de 7,3% no mesmo período, alcançando 105,5 milhões de toneladas — um patamar recorde. O fenômeno é impulsionado, sobretudo, pela expansão das usinas de etanol, que encontram no milho uma matéria-prima cada vez mais vantajosa economicamente. Enquanto a exportação perde fôlego, a indústria nacional absorve o grão a preços competitivos, alavancando a produção de biocombustíveis e, consequentemente, a demanda.

    Impactos no agronegócio e perspectivas para 2026

    O descompasso entre exportações em queda e consumo interno em alta reflete uma reconfiguração no setor agropecuário brasileiro. A Agroconsult destaca que a competitividade externa — embora desafiadora — pode ser compensada pela robustez do mercado interno, especialmente em setores estratégicos como o de biocombustíveis. Para 2026, a expectativa é de que o Brasil mantenha a liderança na produção de milho na América Latina, mas com um perfil de comercialização cada vez mais voltado ao mercado doméstico.

  • Energéticos movimentam R$ bilhões: como o agronegócio brasileiro se beneficia da explosão do setor

    Energéticos movimentam R$ bilhões: como o agronegócio brasileiro se beneficia da explosão do setor

    Do canavial à prateleira: a cadeia invisível atrás de cada lata de energético

    A garrafa de energético que um motorista consome em uma rodovia ou um estudante ingere na universidade é apenas a ponta final de uma cadeia produtiva que começa nas lavouras espalhadas por todo o Brasil. Canaviais de São Paulo, milharais do Mato Grosso, pomares de laranja no Nordeste e fábricas de embalagens no Sul formam um ecossistema que, em 2026, já movimenta mais de R$ 12 bilhões ao ano — um crescimento de 40% desde 2022, segundo dados da Associação Brasileira de Bebidas (ABRABE). Cada lata de 250 ml, por exemplo, consome cerca de 30 gramas de açúcar (derivado da cana), 5 gramas de xarope de milho (HFCS) e uma lata de alumínio que, sozinha, já vale R$ 0,45 no mercado de reciclagem.

    Do nicho ao mainstream: como os energéticos conquistaram o Brasil

    O que antes era um produto associado apenas a atletas e frequentadores de academias se tornou um item do dia a dia para milhões de brasileiros. Dados da Euromonitor International revelam que, em 2026, o consumo per capita de energéticos no País atingiu 4,2 litros por ano — um salto em relação aos 1,8 litro de 2020. Motoristas de aplicativo, trabalhadores em turnos noturnos, estudantes em provas e até produtores rurais em longas jornadas no campo passaram a integrar o público-alvo, impulsionando a demanda por açúcares, aromas artificiais e conservantes que, por sua vez, alimentam o faturamento de indústrias químicas e de processamento.

    Agroindústria em ritmo acelerado: quem ganha com a febre dos energéticos?

    O agronegócio brasileiro é o grande vencedor desse ciclo. A cana-de-açúcar, principal matéria-prima para o açúcar e o etanol (usado em alguns energéticos), teve sua área plantada expandida em 12% desde 2023, segundo a Conab. Já o milho, base para os xaropes de alta frutose, registrou safras recordes no Centro-Oeste, com 120 milhões de toneladas colhidas em 2025. Além disso, frutas como a laranja e o maracujá são cada vez mais usadas em versões naturais dos energéticos, beneficiando pequenos e médios produtores do interior de São Paulo e Minas Gerais. A logística, por sua vez, também ganhou com a expansão: transportadoras especializadas em carga refrigerada e distribuidoras de bebidas faturaram R$ 800 milhões a mais em 2025, graças ao transporte de produtos perecíveis como sucos e energéticos gelados.

    O futuro: inovação ou saturação?

    Enquanto o mercado de energéticos segue em alta, especialistas alertam para riscos. A dependência excessiva de açúcares e ingredientes artificiais pode esbarrar em regulamentações mais rígidas, como a proposta da Anvisa de limitar em 25g por porção o teor de açúcar em bebidas não alcoólicas. Além disso, a pressão por embalagens sustentáveis — como latas 100% recicláveis ou garrafas biodegradáveis — já começa a moldar as estratégias das indústrias, que investem R$ 150 milhões este ano em P&D para reduzir o impacto ambiental. Para o campo brasileiro, a equação é clara: quanto mais o setor de energéticos crescer, mais dependente o agro ficará de sua demanda — e mais vulnerável estará a mudanças nos hábitos de consumo.

  • Lagarta-do-cartucho devasta lavouras de milho: prejuízos de 60% e alerta para Manejo Integrado de Pragas

    Lagarta-do-cartucho devasta lavouras de milho: prejuízos de 60% e alerta para Manejo Integrado de Pragas

    No sábado, 13 de junho de 2026, o cenário nas lavouras de milho do país não é nada animador. A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), considerada a praga mais prejudicial à cultura do milho no Brasil, segue em franco avanço, deixando um rastro de destruição que pode reduzir a produtividade em até 60% quando não controlada a tempo.

    Da germinação à colheita: a lagarta ataca em todas as fases

    A praga não escolhe estágio: desde a brotação até a formação das espigas, as lagartas consomem folhas, hastes e, principalmente, os grãos, perfurando-os e comprometendo não apenas a quantidade, mas também a qualidade da safra. Segundo a Embrapa, o ataque tardio é ainda mais danoso, pois dificulta a identificação precoce e amplia os prejuízos.

    Prejuízos além da produtividade: qualidade dos grãos em risco

    Bruno Vilarino, gerente de produtos da ORÍGEO, alerta que, quando os danos se manifestam nas espigas, o impacto vai muito além da perda de volume. “Grãos perfurados, má formação e a maior entrada de fungos comprometem a qualidade final do milho, reduzindo seu valor comercial e inviabilizando a comercialização para mercados mais exigentes“, explica. O cenário piora em anos com temperaturas elevadas e secas prolongadas, condições que favorecem a proliferação da praga no campo.

    Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a única solução viável

    Diante desse quadro, especialistas reforçam a necessidade de adoção do Manejo Integrado de Pragas, que combina técnicas como monitoramento constante, controle biológico (com uso de predadores naturais ou bioinseticidas) e, quando necessário, aplicação de defensivos químicos de forma estratégica. “A prevenção é a chave. Esperar os sinais visíveis nos grãos já é tarde demais“, destaca Vilarino.

    Consequências para a agricultura e o mercado

    A escalada da lagarta-do-cartucho não afeta apenas os produtores rurais. Com a redução da oferta de milho de qualidade, os preços do grão tendem a se elevar, impactando desde a cadeia de ração animal até a indústria de biocombustíveis. Além disso, a dependência de importações de milho para abastecer o mercado interno pode aumentar, pressionando ainda mais os custos de produção.

  • Milho de Mato Grosso abastece Marrocos antes da estreia do Brasil na Copa: 75% das exportações brasileiras do cereal vão para o adversário

    Milho de Mato Grosso abastece Marrocos antes da estreia do Brasil na Copa: 75% das exportações brasileiras do cereal vão para o adversário

    Com a Seleção Brasileira prestes a enfrentar Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026, o estado de Mato Grosso já marca presença no placar econômico. Dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), referentes ao ano de 2025, mostram que o estado liderou, com folga, as exportações brasileiras de milho para o adversário africano.

    Exportações mato-grossenses dominam o mercado marroquino

    Segundo o levantamento, Marrocos importou 1,81 milhão de toneladas de milho brasileiro em 2025. Desse total, 1,37 milhão de toneladas — ou 75% do volume — tiveram origem em Mato Grosso. A relação comercial, que movimentou cerca de US$ 280 milhões entre janeiro e dezembro do ano passado, mantém-se aquecida neste ano, segundo o Imea.

    Valor médio do cereal atinge US$ 211 por tonelada

    O preço médio negociado nas vendas do milho mato-grossense ao mercado marroquino foi de US$ 211 por tonelada, refletindo a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional. A parceria comercial entre o estado e o país africano ganha ainda mais relevância diante do calendário esportivo, que coloca as duas nações frente a frente na abertura do Mundial.

    Impacto econômico e perspectivas para 2026

    O volume exportado representa não apenas um recorde para as relações comerciais entre Brasil e Marrocos, mas também um termômetro da capacidade produtiva de Mato Grosso, maior produtor nacional de milho. A continuidade do fluxo comercial neste ano de 2026 pode reforçar ainda mais a posição do estado como principal fornecedor do cereal para o mercado marroquino, consolidando uma parceria estratégica em um momento de alta demanda global por grãos.

  • Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Os valores do milho seguem em queda livre no início de junho, segundo dados atualizados pelo Cepea (Centro de Pesquisas Aplicadas em Economia) nesta segunda-feira (8/6). A pressão vem, sobretudo, do afastamento de compradores no mercado spot, que preferem adiar negociações diante da expectativa de uma safra 2025/26 mais abundante e dos preços internacionais em declínio.

    Compradores em standby: estoques altos e exportações desaquecidas

    Demandantes nacionais, como indústrias de ração e processamento, já acumulam estoques suficientes para o curto prazo, reduzindo a urgência por novas compras. Além disso, a recente queda dos preços internacionais — que afeta a paridade de exportação brasileira — tem servido como freio adicional para as cotações domésticas. Segundo o Cepea, a relação entre preços internos e externos já não favorece vendas externas, desestimulando a comercialização.

    Produtores resistem, mas riscos climáticos pairam no ar

    Do lado da oferta, os vendedores que não precisam realizar caixa ou liberar espaços nos armazéns estão retendo estoques, apostando em uma possível sustentação nos preços. No entanto, a estratégia pode ser arriscada: a menor produção prevista para 2025/26, somada aos impactos da seca em Goiás e Mato Grosso do Sul, lança dúvidas sobre a produtividade da segunda safra. “A seca já afeta lavouras em fase crítica, e qualquer redução adicional na produtividade pode reverter o cenário”, alerta um analista do Cepea ouvido pela reportagem.

    O que esperar para os próximos dias?

    A tendência é de pressão contínua enquanto não houver um realinhamento entre preços internacionais e domésticos. Caso a segunda safra surpreenda com volumes menores do que o esperado, os produtores poderão recuperar parte das perdas. Até lá, a lógica do mercado segue inalterada: estoques altos, demanda retraída e clima como principal variável de risco.

  • Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    A colheita da segunda safra de milho 2025/26, iniciada em maio, já começa a reverberar no mercado brasileiro. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a operação está concentrada em Mato Grosso e Paraná, principais estados produtores, mas os preços já recuam frente à expectativa de aumento da oferta.

    Pressão sobre os preços: queda de até 11% em comparação com 2025

    Nas regiões de Sorriso (MT) e Norte do Paraná, as médias parciais do grão em maio (até 28/05) registraram quedas de 11% e 8%, respectivamente, em termos nominais, em relação ao mesmo período de 2025. A retração reflete a ausência de demanda no mercado spot, onde compradores aguardam sinais mais claros de preços antes de fechar negócios.

    Expectativas para junho: mais oferta e influência externa

    Pesquisadores do Cepea indicam que, com o avanço da colheita a partir de meados de junho, a pressão sobre os preços deve se intensificar. Além disso, o bom desempenho da safra de milho nos Estados Unidos — principal produtor global — tem impactado os futuros da commodity, reforçando o cenário de baixa no curto prazo.

    O recuo nos preços, no entanto, pode trazer alívio para setores dependentes do grão, como a pecuária de corte, que utiliza o milho como insumo na engorda de animais. Contudo, produtores brasileiros já sinalizam cautela, especialmente em regiões onde a safra local enfrenta atrasos ou problemas climáticos.

  • Ministro reforça parceria com Corteva para destravar inovação no agro e enfrentar burocracia regulatória

    Ministro reforça parceria com Corteva para destravar inovação no agro e enfrentar burocracia regulatória

    O Brasil, líder mundial na produção de commodities agrícolas, enfrenta um paradoxo: enquanto o setor privado corre para desenvolver soluções inovadoras — como insumos biológicos e eventos genéticos para soja e milho —, o marasmo regulatório ameaça engessar esse avanço. Nesta quarta-feira (20), em Brasília, o ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, trouxe ao centro do debate um tema até então relegado a segundo plano: a urgência de reformar o arcabouço regulatório para não sufocar a inovação no campo.

    O encontro estratégico que pode redefinir o futuro do agro brasileiro

    Na sede do Ministério da Agricultura, em Brasília, Soares recebeu Shona Sabnis, vice-presidente global de Assuntos Externos da Corteva, acompanhada de sua equipe. O objetivo declarado era alinhar estratégias para impulsionar a produção agrícola com tecnologias sustentáveis, mas o pano de fundo revelou uma preocupação mais profunda: como garantir que o Brasil não fique para trás na corrida global pela inovação?

    Durante a reunião, foram discutidos três eixos críticos:

    • Insumos biológicos: Produtos que prometem reduzir o uso de agroquímicos e aumentar a produtividade, mas que esbarram em processos de aprovação lentos e burocráticos.
    • Eventos genéticos em soja e milho: Tecnologias que podem transformar a agricultura brasileira, mas que dependem de avaliações técnicas ágeis para não perder competitividade frente a países como Estados Unidos e Argentina.
    • Comércio internacional de commodities: Como a lentidão regulatória pode afetar as exportações brasileiras, especialmente em um cenário de crescente demanda por alimentos sustentáveis.

    O Brasil como potência de biotecnologia: um sonho à espera de regulamentação

    O ministro em exercício não poupou críticas indiretas ao sistema atual. Em seu discurso, ele destacou que o diálogo entre governo e setor privado é fundamental para destravar inovações, mas deixou claro que a burocracia é um inimigo silencioso do progresso. “Precisamos de um ambiente regulatório que acompanhe a velocidade da ciência, não que a freie”, afirmou Soares.

    A Corteva, uma das maiores empresas do setor de agrotécnologia, tem investido pesado em soluções biológicas e genéticas. Segundo dados internos, a empresa já desenvolveu tecnologias capazes de aumentar a produtividade em até 20% com menor impacto ambiental. No entanto, a demora para aprovar novos produtos no Brasil — muitas vezes superior a dois anos — pode inviabilizar esses ganhos.

    O que está em jogo: competitividade e sustentabilidade

    A burocracia não afeta apenas os lucros das empresas. Ela tem consequências diretas para a segurança alimentar global e para a imagem do Brasil como um player responsável no agronegócio. O país, que já é o segundo maior exportador de alimentos do mundo, corre o risco de perder espaço para concorrentes que oferecem processos mais ágeis.

    Além disso, a lentidão regulatória desestimula investimentos estrangeiros e nacionais em pesquisa e desenvolvimento. “Se o Brasil não agilizar seus processos, outros países vão ocupar nosso lugar na vanguarda da inovação agrícola”, alertou um executivo do setor que participou da reunião, sob condição de anonimato.

    A participação da Corteva não é casual. A empresa, que recentemente inaugurou um centro de inovação em São Paulo, tem pressionado o governo por mudanças. Em 2023, a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento na América Latina, mas enfrenta barreiras para comercializar produtos no Brasil.

    O caminho a seguir: diálogo ou estagnação?

    A reunião no Mapa pode ser um primeiro passo, mas o desafio é enorme. O Brasil precisa de uma reforma regulatória que equilibre segurança jurídica e agilidade, sem abrir mão de critérios técnicos rigorosos. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a solução pode passar por:

    • Criação de um comitê conjunto entre governo, empresas e academia para avaliar tecnologias emergentes.
    • Adoção de prazos máximos para aprovação de novos insumos, com penalidades para órgãos que não cumprirem os limites.
    • Harmonização de normas com blocos como a União Europeia e os EUA, para facilitar o comércio de tecnologias.

    Enquanto isso, o setor aguarda. E a inovação, que poderia ser a salvação do agro brasileiro, segue amarrada pela burocracia.

  • Paraná se consolida como força nacional no etanol de milho: expansão de 71% impulsionada por investimentos e preços do milho

    Paraná se consolida como força nacional no etanol de milho: expansão de 71% impulsionada por investimentos e preços do milho

    O Paraná está escrevendo um novo capítulo no agronegócio brasileiro ao se consolidar como o estado com o maior salto na produção de etanol de milho no país. Segundo projeções do Departamento de Economia Rural (Deral), a produção estadual de etanol à base de milho atingirá 31,54 milhões de litros nesta safra — um crescimento exponencial de 71,1% em relação ao ciclo anterior (18,43 milhões de litros). Esse movimento é acompanhado por uma expansão nacional do segmento: o Brasil deve produzir 40,69 bilhões de litros de etanol, um aumento de 8,5% no comparativo com a safra passada.

    A cana-de-açúcar perde espaço para o milho no Paraná, mas segue relevante

    Apesar do avanço do etanol de milho, o Paraná mantém a produção de etanol de cana-de-açúcar, estimada em 1,18 bilhão de litros — uma leve retração de 2,2% em relação ao ciclo anterior. No entanto, a participação do milho na matriz energética nacional já é expressiva: o combustível produzido a partir da cultura representa 28% da oferta total do País, ante apenas 9% registrados na safra 2020/21. Essa mudança reflete não apenas uma estratégia de diversificação produtiva, mas também a busca por maior rentabilidade em um contexto de preços voláteis do açúcar.

    Preços do leite batem recorde: valorização de 5,2% no Paraná

    O setor lácteo paranaense também registra um momento favorável para os produtores. Na primeira semana de maio, o preço do litro de leite atingiu R$ 2,56, um aumento de 5,2% em relação ao mês anterior. A valorização está atrelada à redução da captação, típica do outono-inverno, e ao maior custo com alimentação do rebanho, que pressiona os custos de produção. Com menos leite disponível no mercado, a indústria precisou disputar o produto com preços mais atrativos, impulsionando as cotações.

    No entanto, o setor permanece em alerta. As importações de lácteos cresceram 26,5% no primeiro trimestre de 2026, com produtos estrangeiros — muitas vezes subsidiados — chegando ao mercado interno a preços significativamente mais baixos. Essa concorrência externa ameaça a margem dos produtores locais, que já enfrentam custos elevados com insumos e mão de obra.

    Milho paranaense resiste às geadas: 96% das lavouras em desenvolvimento

    A safra de milho no Paraná demonstra resiliência diante de adversidades climáticas recentes. As geadas isoladas que atingiram o sul do estado na onda de frio mais intensa do período não comprometeram as lavouras: segundo o Deral, 96% da área plantada segue em desenvolvimento, e o risco de perdas é minimizado pela previsão de chuvas regulares e temperaturas estáveis acima de 8°C para a segunda quinzena de maio. Essa estabilidade é crucial para garantir a continuidade da produção de etanol de milho, que depende de matéria-prima abundante e de qualidade.

    O que esperar do futuro? Investimentos e desafios no horizonte

    Embora o Paraná ainda não possua um polo consolidado de produção de etanol de milho, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional sinalizam um ambiente favorável para a expansão do setor. Medidas de incentivo à produção nacional de fertilizantes, essenciais para a cultura do milho, devem impulsionar ainda mais a competitividade do estado. Especialistas projetam que, nos próximos anos, o Paraná poderá figurar entre os principais produtores nacionais de etanol de milho, rivalizando com estados como Mato Grosso e Goiás.

    No entanto, os desafios persistem. A dependência de importações de lácteos e a volatilidade dos preços das commodities agrícolas exigem políticas públicas estratégicas para garantir a sustentabilidade do setor. Enquanto isso, os produtores paranaenses apostam na inovação e na diversificação como caminhos para assegurar sua posição no mercado.

  • Aprosoja MT cobra soluções urgentes para logística e armazenamento no 4º Congresso da Abramilho

    Aprosoja MT cobra soluções urgentes para logística e armazenamento no 4º Congresso da Abramilho

    O 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), realizado em Brasília nesta terça-feira (13.05), reuniu as principais lideranças do agronegócio brasileiro para discutir os desafios que colocam em xeque a competitividade da agricultura nacional. Entre os temas centrais, destacaram-se a logística deficiente, a falta de armazenamento adequado e os impactos da geopolítica mundial, que vêm pressionando os custos de produção e a rentabilidade dos produtores.

    O agro em xeque: como a logística e o armazenamento sabotam a liderança de Mato Grosso

    Mato Grosso, estado que responde por mais de 30% da produção nacional de milho, enfrenta um paradoxo: apesar da escala produtiva, os gargalos logísticos e a carência de estruturas de armazenamento transformam a commodity em um desafio econômico para os agricultores. Durante o painel “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, não poupou críticas aos entraves que freiam o potencial do estado.

    “O Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, mas enfrenta dificuldades crônicas de logística e armazenamento. Esses gargalos precisam ser resolvidos urgentemente para que o milho se torne economicamente viável safra após safra”, afirmou Bier, que participou do debate ao lado de figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin, a senadora Tereza Cristina e o ministro da Agricultura, André de Paula.

    Do subproduto à peça-chave: o milho como sustentáculo da agricultura mato-grossense

    O cenário atual contrasta com o passado, quando o milho era visto apenas como uma alternativa de renda complementar. Hoje, a cultura se tornou fundamental para a viabilidade econômica das fazendas, especialmente em um estado onde a soja, embora dominante, depende cada vez mais de sistemas integrados para manter a produtividade. “Com o avanço da segunda safra, o milho deixou de ser um subproduto para se tornar um elo indispensável na cadeia produtiva”, explicou Bier.

    No entanto, a falta de ferrovias eficientes, terminais portuários adequados e silos suficientes eleva os custos e reduz a margem de lucro dos produtores. Segundo dados da Aprosoja MT, cerca de 30% da produção estadual de milho é perdida ou vendida a preços aviltados devido à ausência de estruturas para escoamento e armazenagem.

    Geopolítica e segurança alimentar: o agro brasileiro na mira das incertezas globais

    Além dos problemas estruturais, os participantes do congresso destacaram como tensões internacionais, como a guerra na Ucrânia e as políticas de protecionismo de nações concorrentes, impactam diretamente o mercado de milho. A presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella, alertou para a necessidade de políticas públicas que garantam segurança jurídica e econômica aos produtores, em um cenário onde a concorrência com países como Argentina e Estados Unidos se intensifica.

    O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, reforçou que o Brasil, mesmo com todo o seu potencial, ainda depende de investimentos em inovação e infraestrutura para não perder espaço no mercado global. “Precisamos de um agro mais competitivo, com menos burocracia e mais agilidade para responder às demandas internacionais”, afirmou.

    Estande da Aprosoja MT: transparência e diálogo com o setor

    Durante o evento, a Aprosoja MT manteve um estande institucional onde apresentou cartilhas com projetos da entidade e esclareceu dúvidas de produtores e autoridades sobre iniciativas como o Programa de Qualidade de Grãos e ações de defesa sanitária vegetal. A iniciativa, segundo a entidade, busca aproximar o setor produtivo das políticas públicas e das inovações tecnológicas que podem mitigar os gargalos discutidos nos painéis.

    Para Bier, o congresso foi uma oportunidade para mobilizar o setor em torno de pautas comuns, como a criação de um plano nacional de armazenagem e a retomada de investimentos em modais ferroviários. “Não adianta produzirmos tanto se não conseguirmos escoar essa produção com eficiência. Precisamos de soluções estruturais, não de paliativos”, concluiu.

  • IBGE eleva projeção de safra 2026 para 348,7 milhões de toneladas: soja e milho puxam crescimento, mas algodão e arroz recuam

    IBGE eleva projeção de safra 2026 para 348,7 milhões de toneladas: soja e milho puxam crescimento, mas algodão e arroz recuam

    A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2026 deve atingir 348,7 milhões de toneladas, segundo a mais recente estimativa do IBGE, divulgada em abril. O volume representa um crescimento de 0,7% em relação à produção de 2025 (346,1 milhões de toneladas) e um acréscimo de 0,1% (334.277 toneladas) em relação à projeção anterior, de março deste ano.

    Soja e milho dominam o crescimento, mas culturas tradicionais sofrem recuo

    Os três principais produtos da safra — soja, milho e arroz — somam 92,7% da estimativa total de produção. A soja lidera com 174,1 milhões de toneladas, seguida pelo milho (138,2 milhões de toneladas, divididos entre primeira e segunda safra) e arroz (11,3 milhões de toneladas). No entanto, enquanto a soja projeta um aumento de 4,8% em relação a 2025, o arroz enfrenta uma queda de 10,6%, e o algodão herbáceo recua 8,9%.

    A área plantada cresce, mas com desequilíbrios regionais

    A área total a ser colhida em 2026 deve chegar a 83,3 milhões de hectares, um incremento de 2,1% frente a 2025. A soja responde por 1,2% desse crescimento, enquanto o milho avança 3,4% — impulsionado pela primeira safra (+11,9%) e com modesto crescimento na segunda safra (+1,3%). Em contrapartida, o arroz encolhe 10,4% na área plantada, e o feijão recua 3,8%.

    Centro-Oeste consolida liderança, mas Sudeste e Nordeste perdem participação

    O Centro-Oeste se mantém como o maior polo produtor, com 174,5 milhões de toneladas previstas para 2026. No entanto, a região Sul, tradicionalmente forte em grãos, vê sua participação relativa diminuir devido aos recuos no arroz e feijão. Já o Sudeste e o Nordeste apresentam quedas na área plantada, enquanto o Norte e o Sul registram variações mais modestas.

    O que esperar dos preços e do mercado? O impacto da safra 2026

    Os dados do IBGE sugerem um cenário misto para o mercado agrícola. Enquanto o aumento na produção de soja e milho — commodities de alta demanda global — pode pressionar os preços para baixo no médio prazo, a redução em culturas como arroz e algodão pode criar gargalos de abastecimento em segmentos específicos. Analistas do setor já sinalizam que a safra 2026 será determinante para a balança comercial brasileira, especialmente em um contexto de queda nos estoques globais de grãos.