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  • Pintado ameaçado: pesca esportiva é proibida em rios do Sudeste e Centro-Oeste

    Pintado ameaçado: pesca esportiva é proibida em rios do Sudeste e Centro-Oeste

    A emblemática pesca do Pintado, símbolo dos rios brasileiros e um dos peixes mais cobiçados pela pesca esportiva, foi interditada em toda a bacia do Rio Paraná, incluindo o Rio Grande, um dos principais destinos para a modalidade em São Paulo. A decisão, anunciada em 3 de junho de 2026 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, visa conter o colapso populacional da espécie (Pseudoplatystoma corruscans), classificada como criticamente ameaçada em diversas regiões.

    Pressão ambiental leva ao veto total

    Órgãos ambientais detectaram uma redução drástica nos estoques naturais do Pintado, associada à pesca predatória e à degradação de habitats ao longo da última década. A fiscalização será intensificada pela Polícia Ambiental, que agora interdita não apenas a captura, mas também o transporte, armazenamento e comercialização de exemplares capturados na natureza. A medida abrange todos os rios da bacia do Rio Paraná, uma das mais impactadas pela atividade humana.

    Impacto econômico e alternativas

    A proibição afeta diretamente os cerca de 500 mil praticantes de pesca esportiva na região, que movimentam mais de R$ 2 bilhões anualmente. Para especialistas, a decisão é necessária, mas exigirá adaptações urgentes. “A interdição é um alerta para que o setor busque modelos sustentáveis, como a pesca controlada ou o turismo de observação”, afirmou a bióloga Marina Souza, da Universidade Federal de Goiás. A medida também reforça a pressão sobre os estoques de outras espécies, como o Dourado, já em situação vulnerável.

    O que muda para os pescadores

    Pescadores esportivos e profissionais terão de suspender atividades na região, sob risco de multas que podem chegar a R$ 50 mil. A comercialização de exemplares capturados antes da proibição também será fiscalizada, com penalidades para quem descumprir as normas. A expectativa é que a interdição dure até que haja recuperação comprovada dos estoques, processo que pode levar anos.

  • Tilápia pode virar ‘invasora’: Conabio decide futuro da espécie que move US$ 1,5 bi no Brasil

    Tilápia pode virar ‘invasora’: Conabio decide futuro da espécie que move US$ 1,5 bi no Brasil

    Risco imediato: insegurança jurídica no setor

    A decisão da Conabio sobre a inclusão da tilápia (*Oreochromis niloticus*) na lista de espécies exóticas invasoras — agendada para esta segunda-feira, 25 de maio de 2026 — representa um divisor de águas para a piscicultura nacional. Embora o Ministério do Meio Ambiente negue que a medida implique proibição total, especialistas do setor alertam para um efeito dominó: restrições em licenciamentos ambientais, dificuldades para obter selos de sustentabilidade (como o ASC) e até mesmo barreiras não tarifárias em mercados como Estados Unidos e União Europeia.

    Exportações na mira: o preço da incerteza regulatória

    O Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, com uma cadeia que emprega mais de 100 mil pessoas e exportou 53 mil toneladas em 2025, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). No entanto, a medida pode congelar investimentos estrangeiros: a Holanda, principal destino das exportações brasileiras, já sinalizou que poderá rever acordos comerciais se a espécie for classificada como invasora. “A incerteza jurídica é o maior inimigo do crescimento”, afirmou ao *Cenário & Fatos* o diretor-executivo da PeixeBR, Francisco Medeiros.

    Conabio ignora impactos socioeconômicos?

    Documentos internos do Ministério da Agricultura obtidos pela reportagem revelam que a proposta da Conabio não considerou estudos da Embrapa, que comprovam que a tilápia — introduzida no Brasil na década de 1970 — já faz parte do ecossistema nacional sem causar danos comprovados à biodiversidade local. “É um retrocesso científico e econômico”, avaliou a pesquisadora da Embrapa Priscila Viola. Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já articulam um pedido de audiência com a ministra Marina Silva para discutir os impactos da decisão.

    O que vem pela frente?

    Caso a inclusão seja aprovada, a Conabio terá até 180 dias para definir regras transitórias, período em que o setor poderá ser obrigado a se adaptar a novas exigências. Enquanto isso, cooperativas como a Cocari (PR) e a Cooperativa Agroindustrial de Toledo (PR) já suspenderam planos de expansão para 2027. “Não podemos arriscar R$ 200 milhões em novos tanques sem garantias”, declarou o presidente da Cocari, José Roberto Costa. A votação final está prevista para o dia 10 de junho, mas o tema promete dominar o noticiário político nas próximas semanas.