EUA em alerta: parasita mortal salta de bovinos para cães no Texas
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em comunicado oficial emitido na última semana, confirmou a disseminação da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax), um parasita de alto poder destrutivo para a pecuária, em novos focos no estado do Texas. A praga, que já dizimava rebanhos bovinos, registrou seu primeiro caso em um cachorro doméstico, elevando o alerta sanitário a um patamar crítico.
Até esta segunda-feira (8 de junho de 2026), as autoridades texanas contabilizam quatro ocorrências ativas da doença desde o início do mês, com vítimas em dois condados distantes entre si: La Salle e Andrews. A infecção mais recente, registrada em um bezerro de três semanas, acendeu o sinal vermelho para a cadeia produtiva de carne americana, já fragilizada por surtos anteriores.
Plano emergencial contra a mosca-da-bicheira: o que está em jogo?
Diante do cenário, o USDA anunciou um plano de erradicação biológica, que inclui o uso de tecnologias de controle populacional do inseto — como a liberação de machos estéreis — e monitoramento intensivo em propriedades rurais. A praga, que deposita ovos em feridas abertas de animais, pode matar hospedeiros em até 10 dias, gerando prejuízos milionários.
O risco de alastramento para outros estados americanos, como Oklahoma e Louisiana — regiões com forte atividade pecuária —, mantém a Casa Branca em estado de alerta. Especialistas alertam que, sem ações imediatas, a mosca-da-bicheira pode se tornar uma ameaça nacional, similar ao surto de febre aftosa na década de 2000.
Impacto econômico e consequências para donos de animais
O caso do cachorro infectado em Andrews, único registro em pet no país, expõe uma nova frente de batalha para veterinários e tutores. Embora raro, a transmissão para cães — que também podem ser hospedeiros — exige atenção redobrada em áreas afetadas. A doença, conhecida por causar necrose tecidual, já levou à eutanásia de animais em surtos anteriores no México e na América Central.
Produtores rurais do Texas, por sua vez, enfrentam um duplo desafio: proteger o rebanho e evitar embargos internacionais. Países como China e Japão, principais importadores de carne americana, já haviam elevado barreiras sanitárias após casos esporádicos da praga em 2024. Agora, com a confirmação de novos focos, o temor é de restrições comerciais ainda mais severas.

