Tag: motocicletas

  • Indústria de motos no Brasil registra segundo melhor ano da história em 2026: são 932 mil unidades produzidas

    Indústria de motos no Brasil registra segundo melhor ano da história em 2026: são 932 mil unidades produzidas

    Street domina com mais da metade da produção nacional

    Os dados divulgados pela Abraciclo revelam que, entre janeiro e maio de 2026, as fabricantes do Polo Industrial de Manaus (AM) produziram 932.522 motocicletas, volume 10,1% superior ao registrado nos cinco primeiros meses de 2025. Em maio, sozinho, o setor entregou 186.714 unidades, crescimento de 8,2% na comparação anual e avanço de 1,3% sobre abril de 2026.

    Demanda em alta impulsiona toda a cadeia produtiva

    A entidade atribui o resultado à continuidade do aquecimento do mercado brasileiro por motocicletas, que tem gerado investimentos e empregos não apenas nas montadoras, mas em toda a cadeia de duas rodas. A categoria Street segue como carro-chefe: no acumulado do ano, foram 476.422 unidades produzidas, representando 51,1% do total nacional.

    Manaus mantém protagonismo no setor

    O Polo Industrial de Manaus, principal hub de produção de motocicletas do Brasil, reforça sua importância estratégica para o setor. A fábrica da Honda, uma das maiores do complexo, é destaque na produção, com imagens de sua unidade em 2025 ilustrando a capacidade operacional do segmento.

  • CFMOTO chega ao Brasil com oito lojas e quatro motos a partir de R$ 32.990; veja detalhes dos modelos

    CFMOTO chega ao Brasil com oito lojas e quatro motos a partir de R$ 32.990; veja detalhes dos modelos

    A CFMOTO, fabricante chinesa que mantém colaboração global com a KTM, finalmente desembarcou no Brasil com uma estratégia agressiva de expansão. No dia 30 de maio de 2026, a marca inaugurou simultaneamente oito concessionárias nas regiões Sul e Sudeste, todas com estoque inicial dos quatro modelos lançados no país — e sem a cobrança de frete nos preços anunciados.

    Modelos e estratégia de preços: competição direta no Trail e Custom

    A ofensiva da CFMOTO foca em dois segmentos-chave do mercado nacional: Trail/Adventure e Custom/Bobber. O portfólio inicial inclui a IBEX 450 (R$ 35.990), IBEX 700 (trail), e dois modelos custom/bobber ainda não nomeados nos preços divulgados. Todos os valores são unificados nacionalmente, sem variação entre concessionárias.

    IBEX 450: o destaque da estreia com motor bicilíndrico e ronco de V

    A IBEX 450 chega ao Brasil com um motor bicilíndrico paralelo de 450cc, virabrequim de 270° (que simula o som característico de um V-twin) e desempenho de 44 cv e 4,2 kgfm de torque. A potência é entregue a 6.500 rpm, um setup que promete equilíbrio entre performance e consumo. A aposta da marca é conquistar entusiastas de aventura com tecnologia acessível e preço agressivo.

    Produção CKD em Manaus: redução de custos e foco em nacionalização

    A estratégia da CFMOTO inclui produção local em Manaus por meio do sistema CKD (Completely Knocked Down), onde componentes chegam desmontados para montagem final na fábrica brasileira. Essa abordagem visa otimizar custos logísticos e acelerar a adaptação às demandas do mercado nacional, além de se alinhar às exigências de conteúdo local.

  • Honda Biz 2027 chega com rodas de liga e pneus sem câmara; veja preços e novidades

    Honda Biz 2027 chega com rodas de liga e pneus sem câmara; veja preços e novidades

    A Honda atualizou sua linha 2027 da Biz 125, reforçando o apelo do modelo no competitivo segmento de cubs urbanas. A principal inovação chega na versão de entrada ES, que abandona as rodas de aço convencionais para adotar rodas de liga leve com pneus sem câmara (tubeless).

    Segurança e praticidade ganham destaque na ES

    A adoção dos pneus sem câmara na Biz 125 ES representa um salto qualitativo, já que o sistema tubeless reduz a perda de pressão em caso de furo e simplifica reparos sem a necessidade de desmontagem completa da roda. Essa tecnologia, já presente na versão topo de linha EX, agora democratiza a segurança em uma faixa de preço mais acessível.

    A EX mantém tradição com novos tons e flexibilidade

    Enquanto a ES se destaca pela inovação técnica, a versão EX aposta em estilo: a Honda introduziu novas opções de cores para 2027, mantendo a flexibilidade do conjunto mecânico. No entanto, a ES — agora restrita a duas opções de pintura (apenas uma inédita) — segue como a porta de entrada para quem busca custo-benefício sem abrir mão da confiabilidade.

    Biz 125: ainda rainha das ruas brasileiras

    A Biz continua a liderar as vendas de motocicletas no Brasil, alternando com a Honda Pop 110i como vice-líder em emplacamentos. Com a chegada da linha 2027, a marca reforça seu compromisso com atualizações constantes, equilibrando inovação e acessibilidade em um mercado cada vez mais exigente.

  • BMW M 1000 RR Limited Edition Isle of Man TT: a superesportiva que homenageia 115 anos de uma das corridas mais icônicas do mundo

    BMW M 1000 RR Limited Edition Isle of Man TT: a superesportiva que homenageia 115 anos de uma das corridas mais icônicas do mundo

    Uma homenagem à história da BMW nas pistas

    A BMW Motorrad elevou o padrão das superesportivas com a apresentação da M 1000 RR Limited Edition Isle of Man TT, uma edição limitada a apenas 115 unidades mundialmente. A produção restrita celebra os 115 anos da Tourist Trophy (TT), a lendária corrida de motocicletas realizada na Ilha de Man, conhecida por sua pista de rua desafiadora e perigosa, a Mountain Course.

    A conexão da BMW com a TT não é recente: a marca alemã escreveu seu nome na história da competição em 1939, quando Georg Meier venceu a prova a bordo da RS 255 Kompressor. Anos depois, em 1976, a R 90 S garantiu mais uma vitória na classe Production de 1.000 cm³. Na era moderna, pilotos como Michael Dunlop e Davey Todd mantiveram o legado da BMW no topo do pódio.

    Motorização de alta performance para as pistas

    A M 1000 RR Limited Edition mantém o coração mecânico que a consagrou nas pistas de corrida. Seu motor de quatro cilindros em linha de 999 cm³, com refrigeração líquida e tecnologia BMW ShiftCam, recebeu componentes internos revisados pela divisão Motorsport. Entre as melhorias, destacam-se novos pistões, câmaras de combustão modificadas e bielas de titânio, garantindo maior eficiência e desempenho.

    A potência atinge 212 cv a 14.500 rpm, enquanto o torque máximo de 11,5 kgfm é entregue a 11.000 rpm. Para uso em circuito, a BMW otimizou a entrega de força entre 6.000 e 15.100 rpm, oferecendo uma faixa de giro ampla e resposta imediata.

    Design exclusivo inspirado no circuito de rua

    O visual da M 1000 RR Limited Edition Isle of Man TT é tão impressionante quanto sua performance. A superesportiva é pintada na icônica British Racing Green Uni Matt, uma homenagem às cores clássicas do automobilismo britânico. A carenagem traz gráficos que mapeiam trechos reais do circuito da Mountain Course: as curvas para a esquerda estão representadas no lado esquerdo da moto, enquanto as curvas para a direita estampam o lado direito.

    Entre os diferenciais estéticos e funcionais, destacam-se:

    • Tampa da caixa de ar (airbox) em fibra de carbono fosca, com o logotipo oficial da TT e o traçado da Mountain Course;
    • Tanque de alumínio com acabamento em Satin Chrome e grafismos exclusivos;
    • Assento em Alcantara preto de alta aderência, otimizado para pilotagem esportiva;
    • Ausência de banco e pedaleiras para garupa, reforçando seu foco absoluto nas pistas.

    Uma superesportiva para colecionadores e entusiastas

    A M 1000 RR Limited Edition Isle of Man TT não é apenas uma moto: é um objeto de desejo para colecionadores e um símbolo do comprometimento da BMW com a excelência em duas rodas. Com produção extremamente limitada e uma história profundamente ligada a uma das corridas mais desafiadoras do mundo, a edição limitada representa o auge da engenharia e do design da marca alemã.

    Para os entusiastas que buscam uma máquina capaz de unir performance extrema, tradição esportiva e exclusividade, a M 1000 RR Limited Edition Isle of Man TT é, sem dúvida, a escolha definitiva.

  • Honda queima US$ 2,59 bi em elétricos: como as motos CG e Pop salvam a gigante do setor

    Honda queima US$ 2,59 bi em elétricos: como as motos CG e Pop salvam a gigante do setor

    A Honda acaba de viver um dos seus momentos mais críticos em décadas. A montadora japonesa anunciou um prejuízo operacional de US$ 2,59 bilhões no ano fiscal encerrado em março de 2026, um rombo que expõe as fragilidades de sua aposta milionária em veículos elétricos — e que pode continuar até 2027. O valor, equivalente a quase R$ 14 bilhões, é resultado de uma combinação de custos: indenizações a fornecedores, fábricas paralisadas, programas de produção cancelados e investimentos desperdiçados em uma transição tecnológica que, até agora, não deu certo.

    A Honda recua em três lançamentos elétricos: o que deu errado?

    A empresa desistiu recentemente de três projetos de veículos elétricos, interrompendo não só inovações como também toda a cadeia produtiva envolvida. Segundo relatórios do Nikkei Asia, os custos de reestruturação — que incluem demissões, realocações de fábricas e multas contratuais — somam uma fatia considerável do rombo. A estratégia de eletrificação, que prometia dominar o mercado global nas próximas décadas, virou um pesadelo financeiro para uma das maiores fabricantes de mobilidade do mundo.

    Motos como CG, Pop e Biz: o salva-vidas inesperado

    Enquanto os carros elétricos afundam a Honda, uma divisão tradicional da empresa — e que muitos consideravam ‘ultrapassada’ — surge como a única tábua de salvação. As motocicletas, especialmente modelos populares como a CG 110i, Pop 110 e Biz, estão sustentando a marca. A Honda espera que essa linha de produtos leve a empresa de volta à lucratividade operacional já em 2027, segundo projeções internas.

    Não são scooters de elite nem motos esportivas de alta cilindrada. São veículos simples, econômicos e — acima de tudo — acessíveis, que atendem a um público de 1,5 bilhão de pessoas em mercados emergentes como Índia, Indonésia, Tailândia e Filipinas. Nesses países, as duas rodas são o principal meio de transporte, não um hobby. Elas são usadas para ir ao trabalho, transportar mercadorias e até para pequenas entregas, num cenário onde o combustível é caro e as cidades são caóticas.

    Por que a estratégia elétrica da Honda fracassou?

    O problema não é falta de tecnologia, mas de timing e escala. A Honda investiu bilhões em fábricas para produzir baterias e veículos elétricos, mas a demanda global ainda está muito aquém das expectativas. Além disso, a infraestrutura de recarga — especialmente em países em desenvolvimento — é insuficiente, e o custo das baterias continua alto, mesmo com subsídios governamentais. Enquanto isso, as motocicletas, que já tinham uma cadeia produtiva consolidada, não sofreram com esses gargalos.

    Outro fator crítico é o custo operacional. A Honda mantém fábricas em dezenas de países, mas a produção de elétricos exige atualizações constantes — e caras. As motos, por outro lado, são produzidas em massa com componentes já dominados, o que mantém os custos estáveis mesmo em tempos de crise.

    O que muda para o consumidor brasileiro?

    No Brasil, onde as motos representam mais de 70% da frota de veículos leves, a Honda deve apostar ainda mais em modelos como a CG 110i e a Pop 110, que já são líderes de mercado. A empresa pode acelerar lançamentos de versões elétricas *de baixa cilindrada* — como a Pop 110i ES 2027, recentemente apresentada — para atender a uma demanda crescente por opções mais limpas, sem abrir mão da praticidade.

    Para os donos de concessionárias e revendedores, a mensagem é clara: as motos, e não os carros, serão o grande negócio da Honda nos próximos anos. Enquanto o mundo discute o futuro dos elétricos, a gigante japonesa já está de volta ao básico — e, ironicamente, é isso que pode salvá-la.

  • BMW R 20: A gigante alemã apresenta a moto com o maior motor boxer da história e redefine a engenharia de duas rodas

    BMW R 20: A gigante alemã apresenta a moto com o maior motor boxer da história e redefine a engenharia de duas rodas

    Uma revolução sobre duas rodas: a BMW R 20 Concept

    A BMW Motorrad acaba de apresentar ao mundo a R 20 Concept, uma motocicleta que não apenas desafia os limites da engenharia automotiva, mas também redefine o conceito de performance e design na indústria de duas rodas. Com um motor boxer de 2.000 cm³, a R 20 se torna a maior moto já produzida pela marca alemã, superando até mesmo as icônicas R 12 e R 18. A revelação, feita inicialmente pelo CEO da divisão de motos da BMW, Markus Flasch, em suas redes sociais com a frase “Now we are torquing”, deixou claro que a marca está pronta para dominar o segmento com uma máquina que promete torque e potência sem precedentes.

    Do conceito à realidade: a trajetória da R 20

    A R 20 Concept foi oficialmente apresentada ao público durante o Concorso d’Eleganza Villa d’Este, na Itália, um evento tradicional que celebra a excelência em design automotivo. Mais do que um mero exercício de estilo, a motocicleta representou a visão da BMW para a cultura Big Boxer, uma linha que combina mecânica exposta, proporções exageradas e um design minimalista. Inspirada nas clássicas roadsters da marca, a R 20 adota uma estética que remete aos anos 1970, com um tanque em alumínio pintado na tonalidade “hotter than pink” e um assento individual revestido em Alcantara preta, conferindo um toque de luxo e sofisticação.

    Engenharia artesanal e foco na mecânica exposta

    A R 20 Concept não é apenas uma moto bonita; é uma obra de engenharia artesanal. A BMW optou por deixar o conjunto mecânico em evidência, com um motor boxer de 2.000 cm³ que promete entregar um torque avassalador. O design minimalista da traseira e a limpeza das linhas reforçam a proposta da marca de criar uma máquina focada na experiência visual e na performance. Segundo a BMW Motorrad, a R 20 foi criada para representar o “máximo da engenharia artesanal”, uma declaração que deixa claro que a marca está disposta a competir de igual para igual com os gigantes do setor, como a Harley-Davidson.

    O futuro da linha Big Boxer: o que esperar da R 20?

    Embora o conceito tenha sido apresentado em maio de 2024, a BMW já sinaliza que a R 20 não será apenas uma peça de museu. Em uma postagem subsequente, a marca revelou uma silhueta que sugere a existência de uma versão esportiva sem carenagens, além de uma nova cruiser. A promessa é clara: “algo novo vai aparecer” no dia a dia 15 de maio, data que provavelmente será marcada pelo lançamento oficial da R 20 esportiva e de uma nova linha de motos cruisers. Com isso, a BMW Motorrad não apenas expande sua linha Big Boxer, mas também desafia a concorrência a se reinventar.

    Um trocadilho que define uma nova era

    A frase “Now we are torquing”, publicada por Markus Flasch nas redes sociais, não foi apenas um chute criativo. Ela resume perfeitamente o que a R 20 representa: uma moto que entrega torque em níveis nunca antes vistos pela BMW. O trocadilho com “now we are talking” reforça a ideia de que a marca está pronta para mudar o jogo, oferecendo uma experiência de pilotagem que combina potência, estilo e inovação. Para os entusiastas das duas rodas, a R 20 é muito mais do que uma moto; é um manifesto da engenharia alemã em sua forma mais pura.

    O impacto da R 20 no mercado de motos

    A chegada da R 20 Concept não passa despercebida no mercado. Com um motor de 2.000 cm³, a moto se posiciona como uma forte concorrente para as maiores opções da Harley-Davidson, especialmente no segmento de cruisers e roadsters. Além disso, a BMW demonstra que está disposta a investir em designs radicais e motores de alta cilindrada, uma abordagem que pode atrair não apenas os puristas, mas também uma nova geração de motociclistas que buscam performance e estilo. A R 20, portanto, não é apenas uma moto; é um sinal de que a BMW Motorrad está pronta para redefinir o futuro das duas rodas.

    Conclusão: a R 20 como símbolo de uma nova era

    A BMW R 20 Concept é mais do que uma motocicleta; é um marco na história da engenharia automotiva. Com um motor boxer de 2.000 cm³, design minimalista e engenharia artesanal, a R 20 representa o compromisso da BMW Motorrad em oferecer máquinas que unem performance, estilo e inovação. À medida que a marca se prepara para revelar as versões finais da R 20 e possíveis derivados, uma coisa é certa: o mundo das duas rodas nunca mais será o mesmo.

  • Etanol em 32% na gasolina: montadoras e especialistas questionam decisão do governo sem testes adequados

    Etanol em 32% na gasolina: montadoras e especialistas questionam decisão do governo sem testes adequados

    Governos versus setor privado: uma disputa sem testes técnicos

    A decisão do governo federal de aumentar o percentual de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% — prevista para entrar em vigor em 2025 — reacendeu um debate acalorado entre autoridades e representantes do setor automotivo. Enquanto o Executivo defende a medida como um passo rumo à descarbonização da matriz energética brasileira, entidades como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo) publicamente contestam a proposta, sob o argumento de que não há estudos técnicos suficientes para garantir sua segurança.

    O ponto mais crítico da discussão recai sobre a ausência de ensaios padronizados e homologatórios, previstos na legislação brasileira. Segundo a Abraciclo, a implantação do atual teor de 30% (E30) já teria causado problemas em motocicletas, como dificuldades de partida em baixas temperaturas e falhas na retomada de aceleração — situações que, além de reduzir o desempenho dos veículos, podem comprometer a segurança dos motociclistas. O engenheiro e jornalista automotivo Boris Feldman foi enfático: “Os impactos nas motos são muito mais graves do que nos automóveis. O governo está ignorando exigências legais para impor essa mudança”.

    O histórico da mistura etanol-gasolina no Brasil

    Desde a década de 1970, o Brasil adota a política de adição de etanol à gasolina como estratégia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A Lei 10.696/2003 estabeleceu o teor mínimo de 22% (E22) e permitiu ao governo federal ajustar o percentual conforme a oferta do biocombustível. Em 2015, o E27 foi implementado, e em 2022, durante o governo Bolsonaro, a medida foi elevada para E30 — decisão que, na época, também gerou polêmica entre montadoras e fabricantes de autopeças.

    No entanto, a transição para o E30 não foi isenta de problemas. Relatórios internos de fabricantes revelaram que alguns modelos de motocicletas sofreram danos em sistemas de injeção e ignição, especialmente em regiões de clima frio, como o Sul do país. A Abraciclo argumenta que o aumento para E32 poderia agravar esses efeitos, uma vez que o etanol possui menor poder calorífico que a gasolina, resultando em maior consumo e possíveis danos a componentes mecânicos.

    Responsabilidade técnica e riscos para os consumidores

    Outro aspecto levantado pelas entidades é a responsabilidade civil e técnica sobre eventual dano aos veículos. Segundo o Sindipeças, os componentes atualmente produzidos não foram projetados para operar com um teor de etanol superior ao atual. “Os motores e sistemas de injeção flexíveis são calibrados para E27 ou E30. Aumentar para E32 sem testes adequados é uma irresponsabilidade”, afirmou um representante da entidade, que preferiu não ser identificado.

    A Anfavea, que representa as montadoras, emitiu nota técnica reforçando a necessidade de estudos prévios. “Antes de qualquer alteração na composição do combustível, é fundamental realizar testes de durabilidade, emissões e desempenho em diferentes condições climáticas e de uso. A pressa não pode sobrepor a segurança”, declarou a entidade. Entre as montadoras, a Volkswagen e a Toyota já teriam manifestado preocupação em reuniões com o Ministério de Minas e Energia, embora ainda não tenham se pronunciado publicamente.

    Oposição do governo: Lula defende a medida

    Em defesa da proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os testes necessários já haviam sido realizados. No entanto, Boris Feldman desmentiu a informação: “O presidente disse que os testes já foram feitos. É mentira. Não há documentação pública que comprove isso”. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), responsável pela fiscalização dos combustíveis, também não divulgou relatórios detalhados sobre a viabilidade do E32.

    Fontes ouvidas pela reportagem, que atuam no setor de combustíveis, revelaram que a Petrobras, maior refinaria do país, teria realizado estudos internos, mas estes não teriam contemplado todos os cenários necessários — como o impacto em motores antigos e em condições extremas de uso. “A empresa segue as diretrizes do governo, mas a margem de risco é alta”, afirmou um executivo da estatal, sob condição de anonimato.

    O que dizem os especialistas em engenharia automotiva?

    O engenheiro mecânico Paulo Roberto Feldmann, professor da USP e especialista em motores, explicou que o aumento do teor de etanol pode causar superaquecimento em componentes como válvulas e câmaras de combustão. “O etanol tem uma temperatura de autoignição menor que a gasolina. Em motores projetados para E30, um salto para E32 pode levar a detonações prematuras e danos ao cabeçote”, alertou.

    Já o engenheiro químico Rodrigo Costa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacou que a corrosão de peças metálicas e borrachas também é uma preocupação. “O etanol é mais ácido que a gasolina. Em motores mais antigos, isso pode acelerar a degradação de mangueiras e selos”, disse. Segundo Costa, a falta de transparência nos testes governamentais agrava o cenário: “Sem dados abertos para análise, como podemos garantir que não haverá prejuízos aos consumidores?”.

    Próximos passos: o que pode acontecer?

    Diante da pressão, o Ministério de Minas e Energia anunciou que promoverá audiências públicas para discutir a medida, mas não há previsão de adiamento da implementação para 2025. Enquanto isso, as entidades do setor automotivo estudam medidas judiciais e ações junto ao Congresso Nacional para barrar a decisão. A Abraciclo, por exemplo, já protocolou um ofício no ministério questionando a legalidade da proposta.

    Para os consumidores, a incerteza é o maior problema. “Se o governo mantiver a decisão sem estudos robustos, o risco de prejuízos materiais e acidentes aumenta. Além disso, a garantia dos veículos pode ser afetada”, afirmou um advogado especializado em direitos do consumidor. A reportagem tentou contato com o ministério para obter esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

    Enquanto a batalha entre governo e setor privado se intensifica, uma coisa é certa: a decisão sobre o teor de etanol na gasolina não é apenas uma questão técnica — é uma jogada política com potenciais consequências para milhões de motoristas.