O programa Move Brasil, lançado em 19 de junho com o objetivo de facilitar o financiamento de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, já mostra sinais de colapso antes mesmo de completar duas semanas. Apesar da expectativa gerada nas concessionárias — que registraram filas e agendamentos lotados no fim de semana seguinte ao anúncio — a realidade enfrentada pelos profissionais é de baixa aprovação de crédito e falta de transparência por parte do BNDES.
Crédito emperrado: apenas uma minoria consegue pré-aprovação
Segundo relatos de motoristas e vendedores ouvidos pela *Quatro Rodas*, menos de 5% dos interessados conseguem sequer a pré-aprovação pelo sistema do programa. O problema central está na ausência de uma linha de crédito específica dentro do BNDES para o Move Brasil, o que deixa as instituições financeiras parceiras sem orientações claras para liberar os recursos.
BNDES silencia enquanto concessionárias tentam contornar o problema
Em comunicado oficial em seu site, o BNDES afirma que o programa está vigente, mas não oferece respostas sobre os atrasos. Concessionárias, por sua vez, relatam que não recebem devolutivas sobre os motivos da reprovação ou sequer confirmação de que os pedidos foram encaminhados ao banco. “É como jogar no escuro”, declarou um vendedor de uma revendedora em Goiânia, que preferiu não se identificar.
Quem fica de fora? Motoristas com histórico de inadimplência ou score baixo
O programa, que prometia juros atrativos e prazos estendidos, tem como principal gargalo a análise de crédito tradicional. Motoristas com dívidas em aberto, score baixo ou renda comprovada insuficiente são automaticamente rejeitados — mesmo que sejam profissionais essenciais para a mobilidade urbana. A falta de um sistema adaptado ao perfil desses trabalhadores agrava o cenário.
O que o Move Brasil oferece (e o que está faltando)
O programa disponibiliza taxas de juros a partir de 0,89% ao mês (para taxistas) e 0,99% ao mês (para motoristas de aplicativo), com prazos de até 60 meses. Participam instituições como Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander, além de montadoras como Chevrolet, Fiat, Renault e Volkswagen. No entanto, a ineficiência operacional do BNDES — que não repassa recursos nem mesmo quando os bancos parceiros já aprovaram os clientes — transforma a promessa em frustração.
Para quem conseguiu acesso ao crédito, os valores variam conforme o veículo escolhido, indo de R$ 50 mil a R$ 120 mil. Mas, diante dos números atuais, o programa corre o risco de se tornar mais um projeto com potencial não realizado, como tantos outros voltados ao setor de transportes no Brasil.




