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  • MT apostará em rota Bolívia-Pacífico para escoar produção agro até a Ásia

    MT apostará em rota Bolívia-Pacífico para escoar produção agro até a Ásia

    O estado de Mato Grosso, líder na produção agropecuária do Centro-Oeste e vizinho da Bolívia, acaba de ganhar um aliado estratégico para escoar sua safra com mais eficiência: o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A portaria que oficializou a iniciativa foi publicada na última terça-feira (24/06/2026), assinada pelo ministro André de Paula em Brasília.

    Do Cerrado ao Pacífico: como a nova rota reduz custos e abre mercados

    A proposta do programa é fortalecer a integração entre Brasil e Bolívia, criando uma ponte logística direta até os portos do Oceano Pacífico — como os chilenos de Antofagasta e Iquique. Para Mato Grosso, isso significa uma alternativa aos gargalos tradicionais do escoamento via Santos ou Paranaguá, que encarecem o frete e aumentam o tempo de entrega. Com a redução de distância e burocracia, a expectativa é que os produtores locais ganhem vantagem competitiva, especialmente no mercado asiático, onde a demanda por soja, milho e carne brasileira deve seguir em alta.

    Famato vê oportunidade, mas cobra agilidade em regulamentação

    A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), representada pelo presidente Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como “decisiva” para o setor. “A integração com a Bolívia pode encurtar em até 30% os custos logísticos para quem exporta para a Ásia”, afirmou. No entanto, a entidade já sinalizou que acompanhará de perto a implementação das medidas, sobretudo em relação a possíveis entraves regulatórios — como a harmonização de normas sanitárias e aduaneiras entre os dois países.

    O que falta para tornar a rota uma realidade?

    Embora o programa seja um avanço, especialistas apontam que a efetividade dependerá de investimentos em infraestrutura, como a modernização de postos fronteiriços e a construção de armazéns estratégicos. Além disso, acordos bilaterais para facilitar o trânsito de cargas precisam ser firmados rapidamente, já que o calendário agrícola não espera. Com a colheita de inverno se aproximando, a pressão por soluções concretas deve aumentar nos próximos meses.

  • Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    Colheita de milho em MT e PR derruba preços e acende sinal de alerta para produtores

    A colheita da segunda safra de milho 2025/26, iniciada em maio, já começa a reverberar no mercado brasileiro. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a operação está concentrada em Mato Grosso e Paraná, principais estados produtores, mas os preços já recuam frente à expectativa de aumento da oferta.

    Pressão sobre os preços: queda de até 11% em comparação com 2025

    Nas regiões de Sorriso (MT) e Norte do Paraná, as médias parciais do grão em maio (até 28/05) registraram quedas de 11% e 8%, respectivamente, em termos nominais, em relação ao mesmo período de 2025. A retração reflete a ausência de demanda no mercado spot, onde compradores aguardam sinais mais claros de preços antes de fechar negócios.

    Expectativas para junho: mais oferta e influência externa

    Pesquisadores do Cepea indicam que, com o avanço da colheita a partir de meados de junho, a pressão sobre os preços deve se intensificar. Além disso, o bom desempenho da safra de milho nos Estados Unidos — principal produtor global — tem impactado os futuros da commodity, reforçando o cenário de baixa no curto prazo.

    O recuo nos preços, no entanto, pode trazer alívio para setores dependentes do grão, como a pecuária de corte, que utiliza o milho como insumo na engorda de animais. Contudo, produtores brasileiros já sinalizam cautela, especialmente em regiões onde a safra local enfrenta atrasos ou problemas climáticos.