Elétrico mais barato que SUVs a combustão
Na última quarta-feira, 24 de junho de 2026, a GWM oficializou o lançamento do Ora 5 no Brasil, um SUV elétrico que chega ao mercado com um preço de R$ 159 mil — valor inferior ao de diversos concorrentes a combustão, como o VW T-Cross (a partir de R$ 169 mil) e o Honda HR-V (R$ 170 mil). A estratégia mira justamente no segmento de SUVs compactos, tradicionalmente dominado por motores a gasolina ou flex, mas agora com a pressão crescente dos elétricos chineses.
Ora 5 vs. Ora 03: briga de preços dentro da própria marca
O diferencial mais agudo está no valor: o Ora 5 é R$ 10 mil mais barato que o Ora 03, o hatch elétrico que a GWM já oferece no Brasil. A comparação, no entanto, revela trade-offs claros. Enquanto o Ora 03 tem 4,36 m de comprimento e autonomia de 389 km (Inmetro), o Ora 5 mede 4,47 m e entrega 349 km — números que refletem o foco em espaço interno e praticidade, características de SUVs. Além disso, o novo modelo conta com motor de 204 cv (contra 177 cv do 03) e aceleração de 0 a 100 km/h em 7,7s, contra 8,5s do hatch.
Tecnologia e conforto como armas de venda
O Ora 5 não se limita ao preço baixo para atrair consumidores. Seu interior inclui duas telas digitais — 10,25″ no painel e 14,6″ no centro — sistema de som com carregador por indução, teto solar panorâmico e câmeras 360°, recursos que até recentemente eram exclusivos de modelos premium. O pacote de assistentes de direção (como frenagem automática e controle de cruzeiro adaptativo) também equipara o modelo a rivais mais caros, como o BYD Dolphin (R$ 189 mil), que oferece autonomia superior (420 km).
O que isso significa para o mercado brasileiro?
A entrada do Ora 5 acirra a competição no segmento de elétricos compactos, onde a BYD já domina com o Dolphin e o compacto Seagull. Para os consumidores, a novidade representa mais uma opção em um mercado que ainda engatinha na transição energética: segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), os elétricos representaram apenas 3% das vendas em 2025. A GWM, contudo, aposta que o preço competitivo e o design de SUV podem acelerar a adesão, especialmente em cidades onde a infraestrutura de recarga ainda é incipiente.
Ainda é cedo para cravar se o Ora 5 vai desbancar o Ora 03 ou se a marca conseguirá sustentar a promessa de preço baixo a longo prazo — sobretudo após a queda recente do dólar, que poderia pressionar os custos de importação. Uma coisa é certa: a batalha pelo bolso do brasileiro, entre elétricos e combustão, acaba de ficar mais acirrada.
