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  • Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Cotações dos ovos se mantêm estáveis em maio: oferta controlada e demanda fraca evitam queda de preços

    Na segunda quinzena de maio, período tradicional de queda no ritmo de vendas de ovos, o mercado vem surpreendendo ao manter as cotações estáveis na maioria das regiões brasileiras. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a combinação entre estoques controlados nas granjas e uma demanda já enfraquecida tem evitado recuos mais expressivos nos preços.

    Ajuste fino entre oferta e procura sustenta o mercado

    O equilíbrio observado não é mera coincidência. Enquanto as vendas desaceleram naturalmente com o avanço do mês, os estoques nas granjas são mantidos em níveis estratégicos para evitar excessos que possam pressionar as cotações para baixo. Essa dinâmica reflete uma estratégia setorial de gestão, segundo analistas do Cepea.

    Frente fria acende alerta no setor

    Em paralelo, pesquisadores do Cepea destacam que a atual onda de frio que atinge algumas das principais regiões produtoras de ovos no Brasil tem gerado preocupação quanto aos possíveis impactos na produção. A queda de temperatura pode afetar o desempenho das aves, reduzindo a oferta e, consequentemente, pressionando os preços em caso de escassez. No entanto, até o momento, os estoques controlados têm sido capazes de absorver eventuais perdas.

    Perspectivas para os próximos dias

    Para os próximos dias, a expectativa do setor é de que o ritmo das vendas continue desacelerando, alinhado ao comportamento histórico de maio. No entanto, a estabilidade dos preços dependerá não apenas da manutenção dos estoques, mas também da evolução das condições climáticas. Caso a frente fria se prolongue, o impacto sobre a produção poderá se tornar mais evidente nas próximas semanas.

  • Exportações de ovos do Rio Grande do Sul explodem 30% no quadrimestre e se destacam em meio à instabilidade global

    Exportações de ovos do Rio Grande do Sul explodem 30% no quadrimestre e se destacam em meio à instabilidade global

    O Rio Grande do Sul consolidou-se como um dos principais players do Brasil no mercado internacional de ovos nos primeiros quatro meses de 2025. Os dados revelam um salto expressivo: 2.154 toneladas exportadas, volume 30,4% superior ao mesmo período de 2024, quando foram embarcadas 1.652 toneladas. A receita acompanhou o ritmo, atingindo US$ 7,8 milhões — um crescimento de 40,3% frente aos US$ 5,6 milhões registrados no ano anterior.

    A virada do setor avícola gaúcho: por que os ovos ganharam o mundo?

    Segundo José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), o desempenho reflete não apenas a capacidade produtiva do estado, mas também sua adaptação a um cenário global marcado por conflitos e instabilidades. “A crescente exportação de ovos e derivados do Rio Grande do Sul demonstra nossa relevância em manter o abastecimento internacional em tempos de crise”, explica. A afirmação ganha peso diante de projeções que indicam uma demanda firme, especialmente em mercados europeus e asiáticos, onde a proteína animal enfrenta pressões inflacionárias e restrições sanitárias.

    Frango segue estável, mas enfrenta obstáculos logísticos

    Paralelamente, o segmento de carne de frango — tradicional carro-chefe das exportações brasileiras — manteve-se estável no quadrimestre. O volume total exportado pelo estado foi de 254,9 mil toneladas, queda marginal de 0,4% em relação a 2024 (256 mil toneladas). Em abril, a retração foi de 0,7%, com 64,3 mil toneladas embarcadas. No entanto, a receita não acompanhou a mesma tendência: o faturamento avançou 5,1% em abril (US$ 125,8 milhões) e 6% no acumulado do período (US$ 488,1 milhões), totalizando US$ 460,6 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.

    A discrepância entre volume e faturamento, segundo dos Santos, está ligada a fatores externos. “A crise no Oriente Médio impactou diretamente os embarques, obrigando a adoção de rotas alternativas e gerando atrasos. Mesmo assim, a demanda pelos nossos produtos permanece sólida na região”, comenta. As entidades do setor garantem que o Brasil continua cumprindo as exigências da União Europeia, mantendo o acesso a um dos mercados mais competitivos do mundo.

    O que esperar para o futuro?

    O avanço das exportações de ovos do Rio Grande do Sul não é um fenômeno isolado. Especialistas apontam para um movimento mais amplo no agro brasileiro, impulsionado pela busca de países por fornecedores estáveis em meio a crises de abastecimento. “A diversificação da pauta exportadora é estratégica. Enquanto o frango enfrenta desafios logísticos, os ovos ganham espaço por sua versatilidade e menor complexidade de armazenamento”, analisa um analista do setor, que preferiu não ser identificado.

    Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção do ritmo, desde que não haja novos choques geopolíticos. Com investimentos em sanidade animal e logística, o Rio Grande do Sul pode não apenas sustentar, mas ampliar sua participação no mercado internacional — um sinal claro de que o agro brasileiro, mesmo em tempos turbulentos, continua a inovar e se adaptar.