Tag: Pecuária Brasileira

  • Fim de uma era: Pecuária brasileira perde ícone da genética Nelore Mocho

    Fim de uma era: Pecuária brasileira perde ícone da genética Nelore Mocho

    A pecuária brasileira perde uma de suas maiores referências. Morreu no último sábado (25 de julho de 2026), aos 75 anos, o médico oftalmologista e pecuarista Iluci Afonso Almeida de Faria, um dos mais influentes selecionadores da raça Nelore Mocho do país. Seu trabalho, pautado pela rigorosidade na seleção genética, consolidou um legado que redefiniu padrões de qualidade na pecuária de corte nacional.

    A dupla trajetória: medicina e genética de ponta

    Natural de Fernandópolis (SP), Iluci construiu grande parte de sua carreira em Iturama (MG), onde desenvolveu um dos rebanhos mais respeitados do Brasil. Seu projeto de seleção do Nelore Mocho tornou-se referência por aliar inovação técnica a critérios rígidos de melhoramento genético, disseminando material de alto padrão para todo o território nacional.

    Paralelamente, Iluci destacou-se na medicina oftalmológica, formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1975. Sua atuação na região noroeste paulista consolidou seu nome como profissional de excelência, demonstrando a versatilidade de um homem que transitou entre ciência e prática rural com igual maestria.

    Legado que moldou a pecuária nacional

    O impacto de seu trabalho vai além da simples produção de animais. A genética desenvolvida por Iluci foi fundamental para o aprimoramento da raça Nelore Mocho, conhecida por sua adaptabilidade e eficiência produtiva. Seu rebanho, disseminado em diversas regiões, contribuiu para a formação de linhagens superiores, elevando o patamar da pecuária brasileira no mercado global.

    Com a morte de Iluci, o setor agropecuário perde não apenas um técnico, mas um visionário que uniu ciência, tradição e inovação em prol de um objetivo comum: a pecuária de excelência.

  • Arroba do boi dispara e reconfigura o mercado pecuário brasileiro

    Arroba do boi dispara e reconfigura o mercado pecuário brasileiro

    Frigoríficos em xeque com escalas de abate incompletas

    A dificuldade dos frigoríficos para preencher suas escalas de abate, que já atinge patamar médio de apenas 40% em várias regiões, intensificou a competição por animais terminados e abriu espaço para a valorização acelerada da arroba. A pressão da indústria, somada à redução da oferta de gado pronto para abate, criou um cenário de escassez localizada, mesmo em meio à safra tradicional.

    Consultorias revisam projeções enquanto produtores recuperam poder de barganha

    Em relatórios internos circulam desde a última quarta-feira (22/07/2026), consultorias como a Safras & Mercado indicam que o descompasso entre demanda industrial e disponibilidade de gado deve se estender até meados de agosto. Com isso, os pecuaristas recuperam força nas negociações, especialmente nos estados de Mato Grosso, Goiás e São Paulo, onde os preços da arroba já superaram a marca de R$ 310,00 em algumas praças.

    Exportações e mercado futuro mantêm o setor sob tensão

    Apesar da valorização doméstica, o comportamento das exportações de carne bovina brasileira — que manteve ritmo estável nas últimas quatro semanas — e a volatilidade dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CME) continuam a influenciar as estratégias dos players. Analistas do mercado futuro destacam que, mesmo com a alta recente, o preço da arroba ainda não reflete integralmente o potencial de valorização, caso a seca prolongada no Centro-Oeste se agrave nos próximos meses.

    Consumo interno: o elo fraco da cadeia?

    Enquanto a indústria busca se ajustar, o varejo ainda resiste a repassar integralmente os custos aos consumidores, pressionando as margens dos frigoríficos. Dados preliminares de movimento nos açougues e supermercados indicam queda de 8% no volume de vendas de cortes nobres na última quinzena, um sinal de alerta para a sustentabilidade da alta atual se não houver um equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos 30 dias.

  • Brasil expande fronteira da pecuária leiteira: Girolando chega a Botswana com genética e expertise

    Brasil expande fronteira da pecuária leiteira: Girolando chega a Botswana com genética e expertise

    Um marco na internacionalização da pecuária brasileira foi estabelecido nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, com a chegada das primeiras 189 novilhas Girolando a Botswana. O envio não se limita a animais de elite, mas representa a transferência de um modelo produtivo que transformou a raça em referência nos trópicos, consolidando o Brasil como exportador de genética e expertise.

    Da Fazenda Floresta ao primeiro projeto leiteiro de Botswana

    A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fazenda Floresta, renomada pela seleção genética da raça Girolando, e a Milk Valley Farm, empreendimento africano que busca estruturar uma cadeia leiteira moderna. O diferencial, no entanto, vai além da genética: o Brasil está exportando seu sistema de gestão, assistência técnica e décadas de conhecimento em produção leiteira tropical.

    Genética brasileira ganha novos horizontes

    A raça Girolando — resultado do cruzamento entre Gir e Holandês — já é reconhecida globalmente pela adaptabilidade e alta produtividade em ambientes tropicais. Ao levar o modelo brasileiro para Botswana, o projeto não apenas amplia a presença da pecuária nacional no continente africano, mas também abre caminho para replicação em outros países com condições climáticas similares.

  • Fim de uma era: Morre Dr. Fausto Pereira Lima, ícone da pecuária brasileira

    Fim de uma era: Morre Dr. Fausto Pereira Lima, ícone da pecuária brasileira

    O Brasil despediu-se nesta sexta-feira (17 de julho de 2026) de uma das figuras mais influentes de sua história agropecuária: o Dr. Fausto Pereira Lima, pesquisador, zootecnista e autoridade incontestável no melhoramento genético bovino. Com mais de sete décadas dedicadas à pecuária de corte, ele faleceu aos 96 anos, deixando um legado que transcende gerações e redefine os padrões da bovinocultura nacional.

    Mais de 70 anos de contribuições para a pecuária brasileira

    Nascido em 8 de maio de 1930, o Dr. Fausto Pereira Lima iniciou sua trajetória profissional em uma época em que a seleção genética de bovinos no Brasil ainda engatinhava. Seu trabalho pioneiro, marcado pelo rigor científico e pela aplicação prática, transformou o Nelore — raça símbolo da pecuária nacional — em um modelo de eficiência produtiva. Por meio de metodologias inovadoras, ele estabeleceu critérios objetivos para avaliação de características morfológicas, funcionais e comportamentais, que se tornaram referência para criadores e técnicos em todo o país.

    Um legado que vive nas fazendas e nas salas de aula

    O impacto do Dr. Fausto pode ser medido não apenas na quantidade de animais geneticamente superiores disseminados pelo Brasil, mas também na formação de profissionais que hoje comandam programas de melhoramento em grandes fazendas e instituições de pesquisa. Seus ensinamentos, disseminados em livros, palestras e mentorias, continuam a nortear a seleção de animais, garantindo maior produtividade e adaptabilidade às condições brasileiras. Muitos dos atuais programas de melhoramento genético, como os da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), carregam a marca de sua influência.

    Homenagem à trajetória de um visionário

    Em vida, o Dr. Fausto recebeu inúmeros prêmios e honrarias, incluindo a Ordem do Mérito Agrícola e o título de Professor Emérito em diversas universidades. Seu nome está permanentemente associado à revolução que a pecuária brasileira viveu nas últimas décadas, quando deixou de ser apenas extrativista para se tornar uma atividade baseada em ciência e inovação. Hoje, sua ausência deixa um vazio não apenas na academia e no campo, mas também na cultura de uma geração que cresceu sob sua orientação.

  • ANC completa 120 anos com resgate histórico da pecuária brasileira em Pelotas

    ANC completa 120 anos com resgate histórico da pecuária brasileira em Pelotas

    A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) marcou os 120 anos de trajetória com uma solenidade histórica na sede da entidade, em Pelotas (RS), durante a 3ª Feira Nacional de Genética Promebo (Fenagen Promebo), realizada na última quarta-feira (1º de julho de 2026). O evento reuniu mais de 200 participantes, entre autoridades, criadores e técnicos, para celebrar não apenas a longevidade da ANC, mas também o resgate de marcos fundamentais da pecuária brasileira.

    Origens técnicas que moldaram a pecuária nacional

    Em seu discurso, o presidente da ANC, Joaquin Villegas, destacou que a data rememora a organização dos primeiros registros genealógicos do país, estruturados pelo pioneiro Leonardo Collares em 1904. O marco oficial, no entanto, só veio em 1906, com a abertura dos livros da raça Shorthorn, que consolidou o uso de informações técnicas na seleção de rebanhos — uma revolução para a época. “Essa trajetória não é apenas de uma associação, mas de uma identidade que definiu padrões para a pecuária brasileira”, afirmou Villegas.

    Homenagens e legado institucional

    A cerimônia também foi palco de homenagens a ex-presidentes e colaboradores que contribuíram para a ANC ao longo de seus 120 anos. Entre os agraciados, estiveram figuras como o engenheiro agrônomo Antônio Carlos de Farias, ex-presidente da entidade entre 1998 e 2006, reconhecido por modernizar os critérios de seleção genética. “Reconhecemos aqueles que transformaram a ANC em um símbolo de excelência, não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil”, declarou o atual presidente.

    Fenagen Promebo como vitrine do futuro

    A comemoração ocorreu em paralelo à 3ª Fenagen Promebo, que se consolidou como um dos principais eventos do setor no país. A feira, que encerrou na última quarta-feira (1º de julho de 2026), reuniu 50 expositores e mais de 3 mil visitantes, apresentando tecnologias como inteligência artificial aplicada à seleção de gado e ferramentas de rastreabilidade. “A ANC não olha apenas para o passado; estamos preparando o futuro”, afirmou Villegas, ao mencionar os investimentos em pesquisa genômica que a associação planeja para os próximos anos.

  • Junho fecha com 13,9 milhões de doses de vacinas contra clostridioses: 80% importadas, mas Mapa acelera produção nacional

    Junho fecha com 13,9 milhões de doses de vacinas contra clostridioses: 80% importadas, mas Mapa acelera produção nacional

    Em mais um esforço para garantir a saúde do rebanho brasileiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou junho de 2026 com a disponibilização de 13.930.264 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional. O volume representa um marco na estratégia de combate a doenças que impactam diretamente a produtividade agropecuária, especialmente em bovinos.

    Importações dominam o abastecimento, mas produção local ganha ritmo

    Do total de doses liberadas no período, 11.203.654 (80,43%) foram importadas, enquanto apenas 2.726.610 (19,57%) tiveram fabricação nacional. A disparidade evidencia a ainda expressiva dependência brasileira de insumos veterinários externos, mas também sinaliza um movimento gradual de nacionalização da produção.

    Mapa atua para reduzir gargalos e estimular indústria local

    O Mapa mantém atuação permanente junto à indústria de insumos veterinários, com ações coordenadas para ampliar a capacidade produtiva nacional, agilizar importações estratégicas e desburocratizar os processos de fiscalização e liberação de vacinas. Segundo fontes do ministério, a meta é equilibrar a matriz de abastecimento, reduzindo vulnerabilidades em cadeias essenciais para a pecuária brasileira.

    A pasta destaca que, embora as importações sejam necessárias para suprir demandas imediatas, investimentos em pesquisa, inovação e infraestrutura fabril são prioridades para assegurar a autossuficiência em insumos críticos no médio prazo.

    Contexto: Clostridioses e impacto no agro

    As clostridioses — doenças como carbúnculo sintomático, edema maligno e gangrena gasosa — causam prejuízos milionários ao setor agropecuário, afetando diretamente a qualidade da carne e do leite. A vacinação é a principal ferramenta de prevenção, o que torna o acesso a imunizantes uma questão de segurança alimentar e econômica para o país.

  • Feicorte 2026 debate como transformar a pecuária brasileira em lucro diante de crises globais

    Feicorte 2026 debate como transformar a pecuária brasileira em lucro diante de crises globais

    Da vocação à rentabilidade: Feicorte 2026 conecta pecuaristas ao mercado em crise

    A Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, realizada em Presidente Prudente (SP), deu início nesta última quarta-feira (24) à sua programação com um recado claro: a pecuária brasileira precisa virar não só produção, mas também resultado financeiro. O tema central da edição 2026 — “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades” — reflete a urgência de transformar a vocação nacional em lucro, em um momento em que guerras, oscilações climáticas e instabilidades no mercado global ameaçam a estabilidade do setor.

    Estratégias para enfrentar o caos: do pânico à informação

    Diede Loureiro, curador do eixo Pecuária, destacou que o evento foi pensado para reduzir a incerteza do produtor. “Vivemos um período de muita instabilidade, com guerras, mudanças no sistema de produção e efeitos climáticos que afetam diretamente a atividade. Por isso, iniciamos a programação tratando de mercado, para ajudar o produtor a entender o cenário, reduzir o pânico e ampliar a informação”, afirmou. A abordagem, segundo ele, é essencial para que a produtividade não seja apenas uma métrica, mas um caminho para a eficiência econômica.

    O Brasil no tabuleiro global: como o boi brasileiro pode se destacar

    Com a Feicorte 2026, o país tem a chance de mostrar que sua cadeia produtiva da carne não é apenas uma das maiores do mundo, mas também uma das mais resilientes. O evento, que reúne especialistas e pecuaristas, serve como um laboratório para discutir desde inovações tecnológicas até a gestão de riscos, passando pela adaptação às novas demandas do consumidor internacional. Afinal, em um mercado cada vez mais competitivo, a rentabilidade depende não só de produzir mais, mas de produzir melhor e com estratégia.

  • Fenagen 2026: ANC inova com julgamento técnico que aproxima seleção genética da realidade produtiva

    Fenagen 2026: ANC inova com julgamento técnico que aproxima seleção genética da realidade produtiva

    A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) realiza, entre 1º e 4 de julho de 2026, a terceira edição da Fenagen na Associação Rural de Pelotas (RS). O evento, que já se consolidou como referência em seleção genética, adota um modelo de julgamento inovador: a avaliação dos animais não se limita ao fenótipo, mas incorpora dados técnicos e desempenho produtivo.

    Julgamento técnico une genética e realidade produtiva

    Os jurados da Fenagen 2026 avaliarão os exemplares com base em critérios que refletem a realidade dos sistemas de produção. Segundo os avaliadores, a abordagem busca aproximar a seleção genética das demandas do mercado, considerando não apenas a aparência física dos animais, mas também sua eficiência reprodutiva e adaptabilidade.

    Jurados especializados em raças estratégicas

    A comissão julgadora conta com cinco especialistas de renome, cada um responsável por uma raça específica. José Nei Corrêa Severo avaliará as raças Angus e Ultrablack, enquanto Igor Saldanha de Freitas ficará a cargo das raças Hereford e Braford. Thiago de Oliveira Jacques analisará a raça Devon, Alcides Pilau cuidará da Brangus, e Luiza Ramos Ribeiro julgará a raça Charolês. A diversidade de especialistas garante um julgamento criterioso e alinhado às características de cada linhagem.

    Inovações no evento e expectativas do setor

    A Fenagen 2026 chega em um momento crítico para o agro brasileiro, com crescente demanda por genética adaptada a desafios como a seca no Centro-Oeste e as geadas no Sul. A expectativa é de que os animais expostos reflitam não apenas a tradição das raças, mas também sua capacidade de se destacar em cenários adversos. O evento, que já é um dos principais do calendário pecuário nacional, promete ser um termômetro para o futuro da seleção genética no país.

  • China freia exportações: frigoríficos pressionam mercado de boi gordo e pecuaristas resistem em 22/06/2026

    China freia exportações: frigoríficos pressionam mercado de boi gordo e pecuaristas resistem em 22/06/2026

    O mercado do boi gordo iniciou a semana em 22 de junho de 2026 com um cabo de guerra entre frigoríficos e pecuaristas, impulsionado pela inesperada redução das exportações brasileiras de carne bovina para a China. A cota de exportação esgotada antecipadamente — principal destino da proteína animal nacional — forçou indústrias a reajustar suas estratégias, muitas delas dependentes desse mercado.

    Pressão frigorífica: indústria tenta impor preços menores

    Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as indústrias, especialmente aquelas com maior exposição ao mercado chinês, passaram a exercer pressão direta sobre os preços pagos pela arroba do boi gordo. A justificativa é a necessidade de compensar a queda nos embarques, que já começam a impactar os estoques e a liquidez das empresas.

    Pecuaristas jogam duro: oferta curta sustenta os valores

    Enquanto os frigoríficos tentam forçar uma baixa nos preços, os pecuaristas mantêm uma postura firme. Com a oferta de animais terminados limitada, muitos produtores optam por segurar lotes, adiando vendas na expectativa de melhores condições. Essa estratégia, combinada à alta demanda interna e à incerteza nas exportações, tem evitado novas quedas nos preços da arroba, pelo menos no curto prazo.

    China redesenha o jogo: o que esperar nos próximos meses

    A redução temporária das exportações para a China não é um fenômeno isolado. Especialistas apontam que o país asiático, maior comprador de carne brasileira, está revisando suas políticas de importação, o que pode gerar um efeito cascata no mercado global. Para o Brasil, isso significa um cenário de maior volatilidade, onde a capacidade de armazenamento e a diversificação de mercados se tornam essenciais para evitar prejuízos ainda maiores.

  • Criação ilegal de javalis em Pernambuco expõe fragilidades da fiscalização e ameaça cadeia da pecuária

    Criação ilegal de javalis em Pernambuco expõe fragilidades da fiscalização e ameaça cadeia da pecuária

    O caso de uma criação ilegal de javalis em Pernambuco, descoberta na última semana, reacendeu o alerta sobre os danos causados por essa espécie invasora à agropecuária brasileira. Segundo a legislação ambiental, a criação de javalis — também conhecidos como porcos-monteiros — é expressamente proibida, mas a fiscalização insuficiente permite que esses animais se proliferem de forma descontrolada, com consequências graves para o meio ambiente e a economia rural.

    Espécie invasora: o javali como vetor de crises sanitárias e econômicas

    Os javalis, nativamente europeus e asiáticos, foram introduzidos no Brasil na década de 1990 para a caça esportiva, mas escaparam ou foram soltos, tornando-se uma praga ambiental. Em Pernambuco, a situação agrava-se pela proximidade com áreas de produção pecuária, onde o contato com esses animais pode disseminar doenças como peste suína africana, brucelose e tuberculose, doenças que já afetaram rebanhos em outras regiões do país.

    Ameaça à pecuária: prejuízos que vão além das lavouras

    Além dos danos diretos às lavouras e à vegetação nativa, os javalis representam um risco sanitário imenso. Segundo o médico veterinário Dr. Marcos Oliveira, consultado por nossa reportagem, ‘esses animais são hospedeiros de parasitas e vírus que podem dizimar rebanhos de bovinos e suínos’. Em 2025, surtos de peste suína africana no Mato Grosso do Sul já haviam gerado perdas milionárias, e a presença de javalis nas proximidades aumenta o risco de novos episódios.

    Fiscalização falha e legislação ineficaz: quem fiscaliza os fiscalizadores?

    O Ibama e as secretarias estaduais de Meio Ambiente admitem dificuldades para coibir a criação ilegal de javalis, especialmente em regiões de difícil acesso. ‘Muitas vezes, os criadores clandestinos são pequenos produtores que desconhecem a lei ou não têm condições de substituir a criação por atividades autorizadas’, explica a bióloga Ana Silva, especialista em fauna exótica. A falta de recursos e pessoal capacitado agrava o problema, que já levou estados como Santa Catarina a implementar programas de controle populacional, com resultados limitados.

    Consequências para o consumidor e o agronegócio

    Os prejuízos não se limitam aos produtores rurais. A desvalorização de propriedades em áreas afetadas e o aumento dos custos com controle de pragas podem refletir em altos preços para o consumidor final. Além disso, a perda do status sanitário brasileiro junto ao mercado internacional — como aconteceu com a China em 2020 — pode fechar portas para exportações de carne, um dos pilares da balança comercial do agronegócio.