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  • Pecuária de corte em Mato Grosso: recuperação tímida da arroba mas custos ainda sufocam produtores

    Pecuária de corte em Mato Grosso: recuperação tímida da arroba mas custos ainda sufocam produtores

    Mato Grosso, estado que abriga o maior rebanho bovino do Brasil, começa a respirar aliviado após três anos de uma das piores crises da pecuária de corte nacional. A arroba do boi gordo, que chegou a ser comercializada a R$ 170 em momentos críticos — preço considerado insustentável diante da disparada dos custos —, agora volta a ganhar fôlego. No entanto, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Nando Conte, faz um alerta: a recuperação é real, mas ainda insuficiente para apagar os prejuízos acumulados.

    A crise que quase quebrou a pecuária mato-grossense

    Entre 2023 e 2025, a pecuária de corte enfrentou uma tempestade perfeita: preços aviltantes da arroba, custos de produção nas alturas e crédito escasso. “Vivemos, na verdade, nos últimos três anos, anos sombrios para a atividade pecuária”, declarou Conte em entrevista ao canal Compre Rural. Para sobreviver, muitos produtores foram obrigados a enxugar despesas essenciais, cortando até mesmo insumos básicos como mineralização e suplementação — medidas que, no longo prazo, comprometeram a qualidade dos rebanhos e a produtividade das fazendas.

    A situação foi agravada pela combinação de fatores externos e internos: a queda da demanda internacional, a inflação galopante nos insumos (como diesel, fertilizantes e rações) e a pressão sobre o consumo interno. “Foi um período negro não só para Mato Grosso, mas para toda a pecuária brasileira”, reforçou o dirigente. Segundo ele, a arroba da vaca, negociada abaixo dos custos de produção, tornou a atividade inviável para muitos criadores.

    Sinais de recuperação: o que mudou?

    A virada começou a se desenhar em 2026, impulsionada por três fatores principais: a redução da oferta de animais, a retomada do consumo interno e a força das exportações brasileiras. O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, vem se beneficiando de um encolhimento global nos rebanhos — especialmente em países como Austrália e Estados Unidos —, o que elevou a demanda por carne brasileira.

    Em Mato Grosso, a arroba do boi gordo já recuperou parte das perdas, mas ainda não empolga os produtores. “Está melhor de trabalhar, é fato. Mas ainda existe muita recuperação pela frente”, admitiu Conte. Segundo analistas do setor, o atual momento abre espaço para um ciclo mais positivo, mas os custos elevados — que não recuaram na mesma proporção dos preços da arroba — continuam pressionando as margens dos pecuaristas.

    Os custos que ainda sufocam o produtor

    Apesar do alívio nos preços da arroba, os custos de produção permanecem em patamares alarmantes. Mineralização, combustível, suplementação e mão de obra seguem caros, corroendo a rentabilidade da atividade. “Os produtores estão operando no limite, e qualquer nova alta nos insumos pode jogar os cofres de volta ao vermelho”, alerta um analista do setor, que pediu anonimato.

    Além disso, a retomada do consumo interno, embora benéfica, ainda não é suficiente para absorver toda a oferta de carne, especialmente em um cenário de rebanhos enxutos. A exportação, portanto, segue como o principal motor da recuperação — mas depende, em grande medida, da manutenção da competitividade brasileira no mercado global.

    O que esperar para os próximos meses?

    O presidente da Acrimat projeta um 2026 mais estável, mas com cautela. “A recuperação é gradual, e o setor precisa de tempo para se recompor”, afirmou. Para os pecuaristas, a palavra de ordem é gerir caixa com inteligência, evitando novos endividamentos e apostando em tecnologias que possam reduzir custos a longo prazo.

    Enquanto isso, o mercado internacional continua sendo o grande termômetro. Se a tendência de encolhimento dos rebanhos globais se confirmar, o Brasil poderá consolidar sua posição como fornecedor de carne premium — mas, para isso, os custos internos precisam ceder. Até lá, os produtores mato-grossenses seguem em um equilíbrio delicado: entre a esperança de dias melhores e o medo de novos tropeços.

  • RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) alerta para a baixa adesão à Declaração Anual de Rebanho, que até maio registrava apenas 29,86% das 358 mil declarações esperadas para 2024. Com o prazo se encerrando em 30 de junho, o estado corre contra o tempo para evitar prejuízos à sanidade agropecuária — fundamental para a exportação de carnes e lácteos, setores-chave da economia gaúcha.

    O peso da declaração: por que 30% não são suficientes?

    A Declaração de Rebanho não é mera burocracia: ela mapeia a saúde animal no estado, permitindo à Seapi rastrear doenças como febre aftosa, brucelose ou tuberculose. Sem dados atualizados, o RS pode enfrentar barreiras comerciais, já que mercados internacionais exigem certificados sanitários baseados nesses registros. A baixa adesão, especialmente em regiões como a Supervisão de Alegrete (apenas 9,95% via digital), expõe fragilidades na fiscalização e na conscientização dos produtores.

    A disparidade regional: onde a adesão avança — e onde trava

    Enquanto a Supervisão de Palmeira das Missões lidera em entregas (37,37%), Vanini se destaca como único município com 100% de cumprimento. A diferença reflete desde a estrutura de assistência técnica local até o acesso à internet no campo. A Seapi, no entanto, comemora o crescimento do Produtor Online — 9,95% das declarações já usam o canal digital, um salto frente aos 5% do ano passado. “A modernização do sistema é irreversível”, afirma um técnico da secretaria.

    O desafio do campo: burocracia ou descaso?

    Para o produtor rural, o processo envolve mais do que preencher formulários. São horas dedicadas a detalhes como tipo de manejo, classificação da propriedade e áreas de pastagem. “Muitos não entendem a importância da declaração até serem multados”, explica um pecuarista de Bagé, que só regularizou a situação após uma fiscalização. A Seapi oferece tutoriais e atendimento presencial, mas a resistência persiste — especialmente entre pequenos produtores, que alegam falta de tempo ou de conhecimento técnico.

    Riscos além das multas: o impacto na economia gaúcha

    O RS é o 4º maior produtor de carne bovina do Brasil, com exportações que superam US$ 1 bilhão anuais. A baixa cobertura da declaração pode comprometer certificados sanitários, paralisando embarques para a União Europeia ou China. “Sem dados precisos, o estado corre o risco de ter que testar todo o rebanho antes de exportar, gerando custos extras e atrasos”, alerta um analista do setor. A Seapi já estuda penalidades mais rígidas, como restrições para acesso a programas de incentivo.

    Como declarar antes do prazo — e evitar dores de cabeça

    A declaração pode ser feita online pelo Produtor Online, com ou sem assinatura digital. Quem preferir o método tradicional preenche formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias da Seapi. Para quem precisa de ajuda, a secretaria disponibiliza tutoriais e suporte técnico nas unidades regionais. “O ideal é não deixar para a última hora”, recomenda um servidor da Seapi, após registrar um aumento de 20% nas solicitações de auxílio na última semana de maio.

  • Cerrado em risco: 96% dos frigoríficos negligenciam desmatamento e expõem fragilidade regulatória

    Cerrado em risco: 96% dos frigoríficos negligenciam desmatamento e expõem fragilidade regulatória

    O Cerrado brasileiro, considerado a savana mais biodiversa do mundo e responsável por abastecer 11% da produção global de alimentos, enfrenta um colapso silencioso na governança ambiental. Um estudo inédito do Radar Verde, obtido pelo Valor Econômico, expõe que 96% dos frigoríficos atuantes no bioma — o equivalente a 216 das 225 plantas de abate avaliadas — operam com níveis ‘muito baixos’ de controle socioambiental. Das nove empresas restantes, nenhuma atingiu sequer um patamar ‘intermediário’, consolidando um fracasso sistêmico na rastreabilidade da carne produzida na região.

    O diagnóstico que escancara a hipocrisia do setor pecuário

    Os dados revelam uma contradição brutal: enquanto empresas do setor anunciam metas ambiciosas de ‘desmatamento zero’ ou compromissos ESG (sigla em inglês para critérios ambientais, sociais e de governança), a realidade no campo é diametralmente oposta. O Cerrado, que já perdeu 50% de sua cobertura original para a expansão da agropecuária, não conta com instrumentos de fiscalização tão robustos quanto os da Amazônia, onde pressões internacionais e acordos como o Moratória da Soja (2006) e o TAC da Carne (2009) impuseram limites mínimos.

    Por que o Cerrado é o ‘ponto cego’ da pecuária sustentável?

    Segundo o engenheiro ambiental Amintas Brandão Jr., coordenador do estudo, três fatores explicam a vulnerabilidade do bioma:

    • Legislação branda: Enquanto a Amazônia exige que proprietários rurais preservem até 80% de suas terras, no Cerrado a lei permite a conversão de até 80% da área para pastagem ou agricultura. Essa flexibilidade, aliada à menor fiscalização, cria um ‘paraíso de impunidade’ para os pecuaristas.
    • Falta de TACs específicos: Diferentemente da Amazônia, onde acordos do Ministério Público Federal com frigoríficos (como os TACs da Carne) impõem sanções, no Cerrado nenhum TAC foi firmado nos últimos 15 anos. “O setor age como se o bioma não existisse”, critica Brandão Jr.
    • Desinteresse do mercado internacional: Compradores globais, como redes de fast-food e supermercados europeus, concentram suas exigências de sustentabilidade na Amazônia, ignorando que o Cerrado fornece 70% da soja e 40% da carne bovina brasileira. “É um efeito mancha: a culpa é empurrada para a floresta, enquanto o Cerrado queima”, analisa o pesquisador.

    As consequências para o Brasil e o mundo

    Os impactos vão além da destruição ambiental. Especialistas alertam para três riscos imediatos:

    1. Perda de mercados: A União Europeia já estuda incluir o Cerrado na lista de ‘zonas de alto risco’ para desmatamento, o que poderia levar à proibição de importação de carne brasileira — um golpe de até US$ 2 bilhões anuais no setor.
    2. Aumento do desmatamento ilegal: Sem fiscalização, áreas de proteção ambiental no Cerrado são convertidas em pastos a cada ano. Em 2023, o bioma registrou um aumento de 43% no desmatamento em relação a 2022, segundo o INPE.
    3. Crise de imagem para o agronegócio: O Brasil, que se vende como ‘celeiro do mundo’, corre o risco de ser associado a práticas ambientais predatórias, afastando investimentos em ESG. “Investidores já começam a questionar se o país é confiável para projetos verdes”, diz a economista Sofia Lima, da FGV.

    O que falta para mudar o jogo?

    Para reverter o cenário, especialistas apontam três frentes urgentes:

    • Criação de TACs do Cerrado: O Ministério Público Federal já estuda replicar os acordos da Amazônia, mas esbarra na resistência de governos estaduais como Mato Grosso e Goiás, onde a pecuária é a principal atividade econômica.
    • Rastreabilidade obrigatória: A tecnologia de blockchain, já adotada por algumas empresas, precisa ser ‘democratizada’ para todos os frigoríficos, permitindo rastrear a origem do gado até a fazenda de nascimento.
    • Pressão internacional: Organizações como a Global Canopy e a Trase já mapeiam cadeias de fornecimento de carne brasileira. A pressão por transparência deve aumentar, com possíveis ‘boicotes seletivos’ a frigoríficos identificados em áreas críticas.

    Enquanto isso, o Cerrado continua a arder — não em manchetes, mas em silêncio. E o setor pecuário, que lucra com a degradação, ainda não apresentou um plano concreto para deter o fogo.

  • Frigoríficos manipulam preços do boi gordo em São Paulo? Especialista denuncia ‘cortina de fumaça’ e mercado reage à China

    Frigoríficos manipulam preços do boi gordo em São Paulo? Especialista denuncia ‘cortina de fumaça’ e mercado reage à China

    Uma batalha silenciosa mas intensa está redefinindo o mercado do boi gordo no Brasil. De um lado, frigoríficos intensificam a pressão por preços mais baixos para a arroba no estado de São Paulo, alegando suposta abundância de oferta. Do outro, especialistas e pecuaristas questionam a lógica por trás dessa estratégia, classificada como uma “cortina de fumaça” para forçar negociações desfavoráveis. A acusação veio à tona após declarações de Caio Junqueira, CEO da AgroBrazil, que alertou para uma possível distorção artificial nos valores praticados no mercado paulista.

    O paradoxo dos preços: São Paulo versus os grandes estados produtores

    Junqueira foi categórico ao apontar a incoerência na estratégia dos frigoríficos. Segundo ele, os compradores buscam precificar o boi gordo paulista abaixo de estados como Mato Grosso, Pará, Tocantins e Mato Grosso do Sul — regiões com rebanhos significativamente maiores e que já entraram no pico de terminação dos confinamentos. “São Paulo não é um estado com excesso de oferta, muito menos no momento atual. Essa pressão não tem fundamento na realidade”, afirmou o executivo.

    China na mira: SIAL Xangai pode destravar exportações brasileiras

    Enquanto a disputa interna acirra os ânimos, o cenário internacional oferece um alento ao setor. Durante a SIAL Xangai — a maior feira de alimentos do mundo — negociações entre representantes brasileiros e autoridades chinesas ganham tração. Há forte expectativa de que o Brasil possa acessar cotas de importação não preenchidas por outros exportadores, ampliando sua participação no mercado chinês, maior consumidor global de carne bovina.

    Fontes envolvidas nas tratativas indicam que um anúncio oficial pode ser feito já no último dia da feira, amanhã. A possibilidade de flexibilização das medidas de salvaguarda chinesas, que restringem temporariamente as importações, foi o combustível para a reação imediata do mercado futuro. Os contratos de maio, junho e julho do boi gordo subiram mais de 2% na Bolsa, refletindo a expectativa de aumento da demanda e melhora no fluxo das exportações.

    Quem ganha e quem perde com essa guerra de preços?

    A curto prazo, os frigoríficos parecem apostar em uma estratégia de curto fôlego: pressionar os pecuaristas para reduzir custos e, assim, garantir margens em um momento de incerteza. No entanto, a prática pode ter efeitos colaterais. Se a China realmente abrir suas portas para mais carne brasileira, a pressão baixista atual pode se revelar insustentável. “Os frigoríficos estão jogando contra o próprio setor”, avaliou Junqueira. “Se o mercado chinês se aquecer, a oferta real pode não ser suficiente para atender a demanda, e quem ficou para trás nas negociações vai pagar o preço.”

    Para os pecuaristas, a lição é clara: a união em torno de preços justos pode ser a única forma de resistir à manipulação de um setor que, historicamente, oscila entre picos de otimismo e quedas abruptas. Enquanto isso, o mercado aguarda com ansiedade pelo desfecho da SIAL Xangai — não apenas pelo anúncio chinês, mas pela reação dos frigoríficos a uma possível virada no jogo.

  • Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    O coração da pecuária brasileira bate forte neste domingo em Cuiabá. A Estância Bahia realiza seu Mega Leilão, um dos maiores eventos do setor no país, reunindo mais de 20 mil animais — entre machos e fêmeas de diversas categorias — que prometem movimentar milhões em negócios.

    O Brasil na vitrine global: por que Mato Grosso é o palco do momento

    O evento não poderia ocorrer em melhor timing. Com mercados estratégicos como Estados Unidos e China enfrentando desabastecimento de carne bovina, a pecuária mato-grossense surge como uma solução de volume, qualidade e preço competitivo. Segundo especialistas, o Brasil, maior exportador mundial do produto, consolida sua posição como fornecedor confiável em um cenário de incertezas globais.

    De Cáceres a Paranatinga: a diversidade que define o leilão

    Os animais ofertados vêm de praticamente todas as regiões produtoras de Mato Grosso, como Baixada Cuiabana, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Bugre, Vale do Guaporé, Primavera do Leste e Paranatinga. A distribuição estratégica reflete a robustez do estado, que abriga desde rebanhos de corte até animais de genética avançada.

    Entre os 11 mil machos e 9 mil fêmeas previstos, a oferta é dividida em faixas etárias e categorias: 25% são bezerros, prontos para recria; 50% são garrotes próximos da terminação em confinamento; e o restante inclui animais intermediários, essenciais para a engorda. Um dado que chama atenção é a presença de mais de mil animais Angus — uma evidência do avanço da genética na pecuária nacional e da busca por maior produtividade.

    Perspectivas 2026: o setor respira aliviado

    Em entrevista exclusiva ao Compre Rural, Guilherme Tonhá, gestor comercial da Estância Bahia Leilões, traçou um panorama otimista para a pecuária de corte. “Nós passamos por momentos difíceis nos últimos anos, mas 2026 está sendo um ano firme. Existem ajustes normais de mercado, mas a demanda global — especialmente em mercados que estão desabastecidos — está sustentando os preços e incentivando os investimentos”, afirmou.

    Tonhá destacou ainda que o leilão não é apenas uma vitrine de animais, mas um termômetro do setor. “Eventos como este mostram a resiliência da pecuária brasileira. Mesmo com oscilações, o Brasil mantém sua capacidade de produzir em escala e com qualidade, o que atrai compradores de todo o mundo”, completou.

    O que esperar dos negócios?

    Com a combinação de alta demanda internacional, preços firmes e oferta qualificada, o Mega Leilão promete superar a marca de R$ 100 milhões em negócios. Além disso, o evento reforça a importância de Mato Grosso não apenas como um estado produtor, mas como um hub de inovação e tecnologia pecuária, capaz de ditar tendências para o restante do país.

    Para os pecuaristas, trata-se de uma oportunidade para renovar rebanhos com genética superior e, para os compradores, a chance de adquirir animais com potencial para alavancar a produtividade. Tudo isso em um ambiente onde a transparência e a rastreabilidade são prioridades — um reflexo da crescente exigência dos mercados consumidores.

  • Ciclo pecuário em virada: queda no abate de fêmeas impulsiona alta nos preços da arroba e reposição

    Ciclo pecuário em virada: queda no abate de fêmeas impulsiona alta nos preços da arroba e reposição

    O fim de um ciclo: menos fêmeas no abate e o impacto na reposição

    A queda de 14,9% no abate de fêmeas em abril de 2026 não é mero dado estatístico — é o marco de uma virada no ciclo pecuário brasileiro. Após anos de superoferta, com participação recorde de 48,5% de fêmeas no abate em 2025, o mercado finalmente começa a mostrar sinais de escassez estrutural. Segundo dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF), a redução na oferta de fêmeas — que passaram de 44,8% para 42,4% na média dos quatro primeiros meses do ano — está reconfigurando as dinâmicas do setor.

    A oferta reduzida e o efeito dominó nos preços

    O recuo no abate de fêmeas não é isolado. Nos últimos 12 meses, o número total de animais enviados para o gancho caiu 5,2%, com os machos registrando alta de 3,6% — uma inversão clara de tendência. Essa menor oferta de fêmeas, que antes eram abatidas em massa para conter preços, agora reduz a disponibilidade de bezerros para reposição, um efeito que já se reflete na valorização de 3,6% na arroba do boi gordo na praça de São Paulo em abril. “A retração no abate de fêmeas é um termômetro do ciclo pecuário. Quando elas deixam de ser enviadas para o gancho, o mercado entende que a reposição está comprometida e os preços sobem”, explica um analista do setor.

    2025: o ano que quebrou a expectativa

    A virada do ciclo pecuário era aguardada ainda em 2025, mas o mercado surpreendeu. O ano registrou a maior participação de fêmeas da série histórica (48,5%), impulsionada pela busca por liquidez em um cenário de preços pressionados. No entanto, a rentabilidade atrativa do boi gordo nos últimos meses — com margens recuperadas — desestimulou o descarte precoce de matrizes, redirecionando parte do rebanho para investimento em reposição. “O produtor percebeu que era mais vantajoso manter as fêmeas no plantel do que abatê-las, mesmo com a oferta de machos em queda”, analisa o especialista.

    O que esperar para o segundo semestre de 2026

    Com os preços da arroba e da reposição firmes, o setor caminha para um cenário de consolidação da fase alta do ciclo. A menor participação de fêmeas nos abates, combinada com a retração de 7,7% no acumulado do ano, projeta um primeiro semestre de 2026 com pressão inflacionária nos custos de produção e margens mais apertadas para frigoríficos. Analistas alertam: “Se a seca ou outros fatores climáticos não atrapalharem, o segundo semestre pode acentuar essa tendência, com risco de novos recordes nos preços da carne bovina no atacado e varejo”.

  • Boi gordo recua: safra farta, consumo fraco e frigoríficos em ritmo confortável derrubam preços da arroba

    Boi gordo recua: safra farta, consumo fraco e frigoríficos em ritmo confortável derrubam preços da arroba

    O mercado físico do boi gordo vive um momento de contração inédita em 2024. A combinação de safra farta, escalas de abate confortáveis para os frigoríficos e um consumo interno cada vez mais hesitante está derrubando as cotações da arroba em praticamente todas as principais praças pecuárias do Brasil.

    Oferta recorde e pastagens em declínio: a engrenagem da queda

    Segundo analistas do setor, o atual cenário reflete o auge da safra do boi gordo, período em que a maior disponibilidade de animais a pasto — aliada à deterioração gradual das pastagens — reduz a capacidade dos produtores de reter gado. Com mais bois prontos para abate, os frigoríficos ganham fôlego para operar com escalas estendidas, entre sete e nove dias úteis na média nacional, diminuindo a urgência por compras agressivas no mercado físico.

    São Paulo, Goiás e Mato Grosso: a mancha vermelha se espalha

    O recuo não poupou nem mesmo estados tradicionalmente resistentes às baixas. Em São Paulo, a Agrifatto registrou o boi gordo comum a R$ 345/@ e o “boi-China” a R$ 355/@ (valores a prazo), enquanto a Scot Consultoria manteve referência de R$ 350/@ para o mercado interno e R$ 355/@ para o padrão-exportação. Em Goiás, a queda foi ainda mais acentuada: a arroba recuou para R$ 329,89/@, segundo dados da Safras & Mercado. Minas Gerais (R$ 328,24/@) e Mato Grosso do Sul (R$ 345,91/@) também sentiram o baque, enquanto o Mato Grosso, embora ainda acima dos R$ 350/@, viu sua resistência se dissipar.

    Consumo em baixa: o X da questão que ninguém quer enfrentar

    Mas não é só a oferta que trava o mercado. O consumo interno de carne bovina — já fragilizado pela inflação persistente e pela concorrência com proteínas alternativas — segue em ritmo lento, agravando a pressão sobre os preços. “O alongamento das escalas está diretamente ligado à maior disponibilidade de gado, mas o cenário externo também pesa”, explica Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. “As exportações brasileiras, especialmente para China, Estados Unidos e União Europeia, são monitoradas de perto, mas a demanda doméstica é que está definhando.”

    O que esperar para a segunda quinzena de maio?

    As consultorias do setor já acendem o alerta: a tendência é de continuidade da queda nos preços, pelo menos até o fim de maio. Enquanto os frigoríficos mantiverem suas escalas confortáveis e os pecuaristas não conseguirem segurar os animais — seja por falta de pasto ou por necessidade de caixa —, a pressão sobre a arroba deve persistir. Para os produtores, a equação é clara: ou vendem agora, com prejuízo, ou apostam em uma recuperação que, pelo menos no curto prazo, não tem data marcada para chegar.

  • Mega Leilão 10.026: Cuiabá sedia maior evento de pecuária do mundo com 10 mil animais em 2026

    Mega Leilão 10.026: Cuiabá sedia maior evento de pecuária do mundo com 10 mil animais em 2026

    A capital mato-grossense se prepara para sediar um marco histórico da pecuária brasileira. No próximo domingo, às 10h, a 26ª edição do Mega Leilão 10.026, promovido pela Estância Bahia, reunirá mais de 10 mil animais de elite em um evento que já é reconhecido como o maior leilão de gado do mundo.

    Um termômetro do agro nacional em alta

    O evento ocorre em um momento crucial para o setor. Com a recuperação consistente dos preços da arroba, recorde nas exportações brasileiras e uma demanda global crescente por proteína animal, o Mega Leilão se estabelece como uma vitrine estratégica para o agro brasileiro. Mato Grosso, maior produtor de bovinos do país, mais uma vez assume o protagonismo nesse cenário.

    A força comercial do maior leilão do planeta

    Mais do que uma simples comercialização de animais, o Mega 10.026 transformou-se ao longo dos anos em um símbolo da pujança do setor. A expectativa é negociar ao menos 10.026 cabeças, com participação de mais de 50 vendedores de diferentes regiões do estado. Entre os destaques estão grupos tradicionais como Santo Ernani Agropecuária, Crochiquia Agropecuária e Fazenda Santa Luzia, que trarão genética superior, volume e liquidez para a praça de negócios.

    Da confraternização à referência global

    O projeto nasceu em Água Boa (MT) em 1991, idealizado por Maurício Tonhá como uma simples confraternização entre pecuaristas. Com o tempo, ganhou escala nacional e se tornou a maior feira de comercialização de bovinos do mundo. O Mega Leilão se destaca pela “ousadia comercial” e pelo papel estratégico que exerce no mercado, influenciando decisões de compra e venda em larga escala.

    Estância Bahia: o legado de décadas

    Fundada em 1991, a Estância Bahia consolidou-se como uma das principais referências do agro brasileiro. O Mega Leilão, sua criação mais emblemática, já movimentou centenas de milhões de reais e atraiu compradores de todas as regiões do país. A edição de 2026 promete seguir essa trajetória, oferecendo aos pecuaristas uma oportunidade única de fechar negócios em um ambiente de alta visibilidade e competitividade.

  • CNA aciona Ministério da Agricultura por crise de vacinas que ameaça rebanhos brasileiros

    CNA aciona Ministério da Agricultura por crise de vacinas que ameaça rebanhos brasileiros

    Contexto da crise sanitária no campo

    A cadeia produtiva da pecuária brasileira enfrenta uma das maiores ameaças sanitárias dos últimos anos: a escassez de vacinas essenciais para a imunização de rebanhos. Na quarta-feira (6), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) formalizou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) solicitando medidas emergenciais para minimizar os impactos da falta de imunizantes que protegem contra doenças como clostridioses, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose. Segundo o documento, a indisponibilidade desses produtos já resulta em registros de mortalidade animal em vários estados, expondo o setor a riscos sem precedentes.

    Origem da escassez: saída de fabricante e gargalos produtivos

    O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan) identificou que a redução na oferta de vacinas está diretamente ligada à saída do mercado brasileiro, prevista para 2025, de uma das principais empresas farmacêuticas do segmento. A decisão da multinacional, embora não tenha sido detalhada publicamente, reflete um movimento global de realocação de recursos por parte de grandes conglomerados do setor. “A expectativa é que a produção seja ampliada a partir de maio, mas o abastecimento ainda não foi normalizado”, afirmou João Martins, presidente da CNA, em entrevista exclusiva ao ClickNews.

    A crise não se resume a um único fornecedor, porém. Especialistas do setor destacam que a dependência excessiva de insumos importados e a burocracia para registro de novos produtos no Brasil agravam o cenário. “O processo de homologação de vacinas no país pode levar até dois anos, enquanto nos Estados Unidos ou na União Europeia esse prazo é significativamente menor”, explica um analista do mercado agropecuário que preferiu não ser identificado.

    Impactos regionais e setoriais

    A falta de vacinas tem afetado todas as regiões do país, com relatos de propriedades rurais em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais registrando surtos de doenças antes controladas. Em Mato Grosso, por exemplo, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) reportou um aumento de 15% na mortalidade de bovinos nos últimos três meses devido à ausência de imunizantes contra clostridioses. “Animais que antes eram vacinados anualmente agora estão desprotegidos, e isso representa um prejuízo não só econômico, mas também uma ameaça à sanidade nacional”, declarou o presidente da Acrimat, Oswaldo Ribeiro.

    Na pecuária de corte, o problema é ainda mais crítico. Segundo dados da Embrapa, o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com cerca de 250 milhões de cabeças de gado. A interrupção na aplicação de vacinas contra doenças como a febre aftosa — embora não citada no ofício da CNA, ainda obrigatória em algumas regiões — poderia reverter anos de progresso na erradicação da doença. “A pecuária brasileira é um dos pilares da balança comercial do país. Se não houver uma resposta rápida, os prejuízos serão bilionários”, alerta o economista rural José Carlos da Silva.

    Reações do governo e propostas da CNA

    Em resposta ao ofício da CNA, o Mapa informou, por meio de nota, que está “avaliando as alternativas disponíveis para garantir o abastecimento dos insumos” e que uma reunião extraordinária com representantes do setor será realizada ainda este mês. “Nossa prioridade é assegurar a saúde animal e a continuidade da produção agropecuária, que responde por 27% do PIB nacional”, declarou o ministro André de Paula.

    A CNA, por sua vez, propôs uma série de medidas para mitigar a crise:

    • Articulação imediata com estados e municípios para distribuição equitativa das vacinas remanescentes;
    • Agilização de registros temporários para novos fornecedores e produtos;
    • Incentivo à produção nacional por meio de parcerias com laboratórios públicos e privados;
    • Criação de um comitê de crise com participação da CNA, Sindan e representantes do Mapa.

    “Estamos dispostos a colaborar tecnicamente para construir soluções que protejam não só os rebanhos, mas também a sustentabilidade do agronegócio brasileiro”, afirmou João Martins, presidente da CNA.

    Perspectivas e desafios futuros

    Apesar das promessas de normalização da produção a partir de maio, especialistas são cautelosos. “Mesmo que os estoques sejam repostos, a confiança do produtor rural foi abalada. Muitos estão reduzindo plantéis ou adiando investimentos em genética”, comenta a zootecnista Maria Helena Borges. Além disso, a crise evidencia a vulnerabilidade do setor diante de dependências externas e da fragilidade das cadeias de suprimentos globais.

    Outro ponto de atenção é o impacto inflacionário. Com a redução da oferta, o preço das vacinas disponíveis no mercado paralelo tem subido até 40%, segundo relatos de pecuaristas ouvidos pela reportagem. “Isso afeta diretamente o custo de produção, que já está pressionado pela alta dos insumos agrícolas e pela desvalorização do real”, destaca o consultor agropecuário Carlos Eduardo Pereira.

    Debate na Expozebu: soluções em discussão

    Na semana passada, durante a Expozebu — maior feira de bovinocultura de corte do país —, a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte discutiu alternativas emergenciais. Entre as propostas apresentadas estão:

    • A utilização de vacinas importadas com registros temporários;
    • A priorização de estados com maior risco sanitário;
    • A criação de um fundo emergencial para subsidiar a compra de imunizantes pelos produtores.

    “Precisamos de ações concretas, não apenas de promessas. O tempo urge”, declarou um criador de gado de corte do Pará, que participou da reunião e pediu anonimato.

    Conclusão: um chamado à ação coordenada

    A crise das vacinas na pecuária brasileira não é um problema pontual, mas sim um sintoma de um sistema que precisa urgentemente se modernizar. Enquanto o Mapa e a CNA negociam soluções, os produtores rurais seguem em alerta máximo. A saúde animal, a economia do campo e a segurança alimentar do país estão em jogo.

    “O Brasil não pode se dar ao luxo de falhar nesse momento. Nossa pecuária é um exemplo mundial, e é nossa responsabilidade garantir que ela continue assim”, conclui João Martins. A sociedade, os governos e o setor privado precisam agir em uníssono para evitar que uma crise sanitária se transforme em uma tragédia econômica e social.

  • São Paulo impõe atualização obrigatória de rebanhos para manter status sanitário após fim da vacinação contra aftosa

    São Paulo impõe atualização obrigatória de rebanhos para manter status sanitário após fim da vacinação contra aftosa

    Fim da vacinação contra aftosa eleva importância da atualização cadastral

    A partir de maio de 2026, os produtores rurais de São Paulo enfrentam uma nova obrigatoriedade: a atualização dos dados de seus rebanhos para garantir a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento essencial para a movimentação de animais no estado. A medida, parte da Campanha de Atualização de Rebanhos 2026, foi implementada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo com o objetivo de fortalecer o monitoramento sanitário estadual, especialmente após o término da vacinação obrigatória contra febre aftosa em 2023. Sem a declaração atualizada, os produtores não poderão emitir a GTA, o que inviabiliza o transporte de animais entre propriedades, municípios ou estados.

    Sistema GEDAVE centraliza o cadastramento de todas as espécies

    A atualização deve ser realizada por meio do Sistema de Gestão da Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE), abrangendo não apenas bovinos e búfalos, mas também equinos, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes, abelhas e bicho-da-seda. Segundo a Defesa Agropecuária do estado, a medida visa aprimorar a rastreabilidade do rebanho paulista, permitindo respostas mais rápidas em casos de surtos de doenças que impactam a economia, como a febre aftosa. A campanha, que começou em 11 de maio, segue até junho e foi antecipada para evitar congestionamentos no sistema.

    Contribuição ao Fundesa-PEC será calculada com base nos dados declarados

    Outra novidade introduzida em 2026 é a vinculação da atualização dos rebanhos ao Fundesa-PEC, um fundo estadual criado para financiar ações de defesa sanitária animal. O valor da contribuição será proporcional ao número de bovinos e bubalinos declarados pelo produtor, conforme esclarecido pela Secretaria de Agricultura. A medida reforça a fiscalização e o planejamento de ações de vigilância epidemiológica, além de garantir a conformidade com os requisitos sanitários para acesso a mercados nacionais e internacionais.

    Governo paulista prioriza vigilância sanitária após mudança no cenário da aftosa

    A obrigatoriedade da atualização dos rebanhos ganha relevância em um contexto de transição sanitária. Desde 2023, quando São Paulo suspendeu a vacinação contra febre aftosa, o estado depende exclusivamente de sistemas de rastreabilidade e monitoramento epidemiológico para manter seu status sanitário. Segundo a Defesa Agropecuária, a medida é estratégica para preservar a classificação de “estado livre de febre aftosa com vacinação” — ou, futuramente, “sem vacinação” — que garante vantagens comerciais ao setor pecuário. “A atualização periódica dos rebanhos é fundamental para a manutenção da segurança sanitária e a competitividade da pecuária paulista”, afirmou um representante do governo.

    Produtores enfrentam desafios logísticos e financeiros

    Apesar da importância da medida, produtores rurais relatam dificuldades para cumprir a obrigação dentro do prazo. A necessidade de atualizar dados de múltiplas espécies, aliada à burocracia do sistema GEDAVE, tem gerado reclamações sobre a complexidade do processo. “Muitos ainda não estão familiarizados com a plataforma ou não têm acesso à internet rural”, explicou um técnico da Secretaria de Agricultura. Para mitigar os problemas, o governo ampliou o prazo de atualização e disponibilizou treinamentos presenciais e online para orientar os produtores.

    Impacto econômico e perspectivas para o setor

    A fiscalização mais rígida e a obrigatoriedade da atualização dos rebanhos devem trazer benefícios a longo prazo, mas também impõem custos imediatos aos produtores. Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), a medida pode aumentar a transparência no setor, facilitando o acesso a crédito e mercados premium. “Produtores que mantiverem seus dados atualizados terão maior credibilidade junto aos frigoríficos e exportadores”, destacou o presidente da entidade. No entanto, a entidade também cobra do governo maior agilidade na análise dos dados e suporte técnico aos pequenos produtores.

    São Paulo mantém liderança em sanidade animal

    Com a implementação da Campanha de Atualização de Rebanhos 2026, São Paulo reafirma seu compromisso com a sanidade animal, seguindo um modelo adotado por outros estados brasileiros que também encerraram a vacinação contra aftosa. A medida alinha o estado às exigências internacionais, como as da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), e reforça sua posição como um dos principais polos pecuários do país. Especialistas avaliam que, se bem-sucedida, a estratégia poderá ser replicada em outras regiões, consolidando o Brasil como um fornecedor confiável de produtos de origem animal.