Tag: pequenas propriedades

  • Casal mineiro prova que 11 hectares bastam: fazenda em Açucena-MG bate recorde de 403 litros de leite por dia

    Casal mineiro prova que 11 hectares bastam: fazenda em Açucena-MG bate recorde de 403 litros de leite por dia

    Na Fazenda Córrego do Monjolo, localizada em Açucena (MG), a disciplina diária se tornou a marca registrada de um modelo que contraria a lógica tradicional da pecuária leiteira. Desde as primeiras horas da manhã até o pôr do sol, Melquisedeque Alves de Oliveira — conhecido como Sr. Melqui — e sua esposa, Rosemary Gonçalves, direcionam seus esforços para um rebanho de nove vacas em lactação, que produz em média 250 litros de leite por dia. Em seu pico de eficiência, registrado na última semana de junho de 2026, a fazenda atingiu 403 litros diários, um volume que supera a média de muitas propriedades de maior porte na região.

    Do tradicional ao profissional: a virada que começou na infância

    Melqui, nascido e criado em Açucena, herdou da família o amor pelo campo, mas foi com a chegada de Rosemary que a propriedade ganhou um novo rumo. “A gente sempre trabalhou com pecuária de leite, mas de forma tradicional, sem muito controle. Hoje, a gente planeja cada etapa, desde a nutrição das vacas até a comercialização”, explica o produtor. A mudança de mentalidade veio com a adoção de técnicas modernas: manejo sanitário rigoroso, genética selecionada e gestão de custos passaram a ser prioridades, mesmo em uma área limitada a 11 hectares de terras produtivas — boa parte delas em relevo montanhoso, considerado um desafio para a atividade.

    Genética e gestão: os pilares do sucesso em pequeno espaço

    A escolha das matrizes do rebanho foi determinante. O casal investiu em animais de alta produtividade, com linhagens comprovadas em sistemas intensivos, mas adaptadas ao clima tropical da região. “Nós não temos como competir em área com grandes propriedades, mas conseguimos compensar com eficiência”, destaca Rosemary. O manejo nutricional também foi otimizado: suplementação estratégica e pastagens de qualidade garantem que as vacas mantenham a produção mesmo em períodos secos, comuns no Leste de Minas. Além disso, a adoção de tecnologia simples, como softwares de gestão leiteira, permitiu monitorar a saúde do rebanho e ajustar dietas em tempo real.

    Lições para o setor: como pequenos produtores podem escalar

    O caso da Fazenda Córrego do Monjolo serve como exemplo para outros produtores rurais brasileiros, especialmente aqueles que atuam em áreas consideradas inviáveis para a pecuária leiteira. “Não adianta querer copiar modelos de grandes propriedades. A gente tem que trabalhar com o que tem e buscar a excelência dentro das nossas limitações”, analisa Melqui. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a história do casal reforça três pilares fundamentais para o sucesso em pequena escala: tecnificação (mesmo com recursos limitados), gestão rigorosa e foco na genética. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), propriedades que adotam sistemas semelhantes registram aumento de até 40% na produtividade por hectare em relação à média regional.

    Perspectivas e desafios para o futuro

    Com a produção consolidada, o casal agora mira novos horizontes. “A gente quer aumentar a base genética do rebanho e até pensar em vender animais melhorados”, revela Rosemary. No entanto, os desafios persistem: a instabilidade nos preços do leite e a dependência de insumos importados, como rações, ainda pressionam a margem de lucro. Para Melqui, a solução passa pela diversificação: “A gente está testando culturas forrageiras para reduzir custos e até cogitando agregar valor ao leite, como na produção de queijos artesanais”.

    Enquanto isso, a Fazenda Córrego do Monjolo segue como um farol para a pecuária mineira. Em um setor onde a escala geralmente dita as regras, o casal prova que, com inovação e dedicação, até 11 hectares podem se tornar um oceano de oportunidades.