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  • Produtores rurais sentem-se malvistos, mas 7 em cada 10 brasileiros aprovam o agro

    Produtores rurais sentem-se malvistos, mas 7 em cada 10 brasileiros aprovam o agro

    Imagem distorcida: campo x cidade

    A 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, divulgada em meados de julho de 2026, escancara uma dissonância preocupante para o setor agropecuário. Enquanto 65% dos produtores rurais entrevistados afirmam acreditar que são malvistos pela população urbana, dados da mesma entidade — coletados em levantamentos recentes — indicam que sete em cada dez brasileiros mantêm uma visão favorável do agronegócio. Apenas 5% dos produtores enxergam sua imagem como positiva nas cidades, enquanto 30% consideram neutra.

    Produção recorde versus reputação em xeque

    O paradoxo ganha contornos mais dramáticos quando analisado à luz dos recordes históricos do setor. Em 2026, o Brasil consolidou marcas inéditas em produção de grãos, exportações de carnes e adoção de tecnologias sustentáveis, como a pecuária de baixo carbono e a agricultura de precisão. No entanto, a narrativa construída por parte dos produtores sugere uma desconexão entre os avanços concretos do agro e a forma como ele é percebido fora das fronteiras rurais.

    Comunicação como gargalo estratégico

    Especialistas ouvidos pela ABMRA apontam que a lacuna entre percepção e realidade reflete um problema estrutural de comunicação. O agro, que responde por cerca de 27% do PIB brasileiro, enfrenta dificuldades para transmitir suas conquistas — como a redução de 20% nas emissões de CO₂ por tonelada de grão produzido desde 2020 — para uma sociedade cada vez mais urbana e digitalizada. A falta de canais eficazes para dialogar com consumidores distantes das fazendas, aliada à disseminação de estereótipos negativos em redes sociais, agrava o cenário.

    O que os números revelam sobre o futuro

    O levantamento da ABMRA também mapeou as principais fontes de informação que os produtores confiam para avaliar sua imagem. A televisão (62%) e as redes sociais (48%) aparecem como os meios mais citados, enquanto jornais impressos e rádios perderam relevância. Essa dependência de plataformas com algoritmos polarizados pode estar contribuindo para a distorção da realidade, segundo analistas do setor. Para 2027, a entidade já estuda lançar uma campanha de contraposição, usando depoimentos de consumidores urbanos que reconhecem o papel do agro na mesa do brasileiro.