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  • Rio negocia queda de até 6,5% no preço do gás e alivia pressão inflacionária no estado

    Rio negocia queda de até 6,5% no preço do gás e alivia pressão inflacionária no estado

    O governo do Rio de Janeiro fechou um acordo histórico com a Petrobras e a concessionária Naturgy para reduzir o preço do gás natural no estado, beneficiando cerca de 1,5 milhão de motoristas, indústrias e consumidores residenciais. A redução média de 6% no custo do gás industrial e de 2,5% no gás de cozinha (GLP) — aliada à queda de 6,5% no GNV — chega em um momento crítico, marcado pela escalada internacional dos preços de derivados de petróleo.

    Um alívio para o bolso do consumidor e para a inflação estadual

    A medida, homologada pela Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa) no dia 14 de julho, será publicada no Diário Oficial na próxima semana e entrou em vigor após o cálculo final das tarifas pela Naturgy, que considerou variáveis como custo de produção, demanda e regulamentação. Segundo a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, o acordo tem “efeito potencial de política pública energética”, capaz de conter pressões inflacionárias no estado.

    Rio: a capital brasileira do gás natural

    O estado não apenas lidera a produção nacional de gás natural — responsável por 76,9% da oferta brasileira em 2025, segundo a ANP — como também concentra a maior frota de veículos movidos a GNV do país. Atributos como a concessão de descontos no IPVA para esses motoristas e a proximidade com as principais bacias produtoras (como a de Santos e Bacia de Campos) tornam o Rio um laboratório para políticas de preço de energia. A redução dos custos agora é vista como um estímulo à competitividade industrial e ao poder de compra da população.

    A geopolítica do petróleo pesa no preço final

    A negociação ocorre em um cenário de tensão global: a guerra no Irã, que afeta o Estreito de Ormuz — passagem de 20% do petróleo e gás mundial — já elevou os preços internacionais de derivados. No Brasil, a Petrobras, maior player do setor, tem sofrido pressões para segurar os custos, especialmente após o governo federal reduzir impostos sobre combustíveis em 2022. No Rio, a estratégia é clara: usar o peso da produção local para negociar condições mais vantajosas, mesmo em meio à instabilidade externa.

    Próximos passos: transparência e fiscalização

    Antes de a nova tarifa entrar em vigor, a Agenersa deve validar os cálculos da Naturgy, garantindo que a redução seja efetivamente repassada aos consumidores. A secretaria estadual destacou que o acordo é um “exemplo de regulação inteligente”, mas especialistas alertam: o impacto real dependerá da manutenção dos preços internacionais e da capacidade de o estado equilibrar incentivos fiscais com a sustentabilidade do setor.

  • Petrobras bate recorde histórico: refinarias operam acima de 100% da capacidade em meio à crise global de combustíveis

    Petrobras bate recorde histórico: refinarias operam acima de 100% da capacidade em meio à crise global de combustíveis

    A Petrobras não apenas superou os limites de suas refinarias — ela os redefiniu. Em maio de 2026, as unidades da estatal operaram com 103% de capacidade, um recorde histórico que ecoa como resposta tanto às pressões geopolíticas quanto à estratégia governamental de reduzir a dependência de importações de combustíveis.

    O FUT além dos 100%: como a Petrobras quebrou a barreira da produção

    O Fator de Utilização Total (FUT) — indicador que mede a eficiência das refinarias — atingiu 103% em maio, segundo dados da própria Petrobras. Em março, o índice já havia alcançado 97,4%, o maior desde dezembro de 2014. A marca surpreendeu até mesmo os executivos da companhia: “A Petrobras não gosta de limites. Nossa meta é superá-los todos os dias”, declarou a presidente Magda Chambriard durante a apresentação do balanço trimestral, em 12 de maio.

    O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, detalhou o fenômeno em teleconferência com investidores: “De ontem para hoje, operamos com 103% nas nossas refinarias”. A explicação técnica reside na flexibilidade do cálculo do FUT, que permite superar 100% desde que a carga de processamento — e a aprovação da ANP — autorizem a operação além da capacidade de projeto.

    A guerra no Irã e o cálculo econômico por trás da superprodução

    A escalada do FUT não é mera coincidência. A guerra no Irã, que já desestabiliza os mercados globais de petróleo, criou um cenário favorável à Petrobras. “Quanto mais refinar o nosso petróleo, mais dinheiro a gente está ganhando”, afirmou França. Ao processar o óleo bruto internamente, a estatal agrega valor ao produto — transformando petróleo em gasolina, diesel e querosene de aviação (QAV) — e reduz as perdas com exportações de matéria-prima em bruto.

    Esse movimento alinha-se à política energética do governo federal, que busca aumentar a autossuficiência do Brasil em combustíveis. “Estamos agregando valor além das exportações do petróleo”, destacou o executivo, em referência à estratégia de verticalizar a cadeia produtiva e mitigar os impactos de crises internacionais.

    O que muda para os brasileiros e para o mercado?

    Para os consumidores, a superação da capacidade das refinarias pode significar uma oferta mais estável de combustíveis, reduzindo a volatilidade de preços. Afinal, o Brasil, que já importa parte de seus derivados, agora produz internamente volumes recordes. No entanto, especialistas alertam que a operação acima da capacidade projetada exige manutenções mais frequentes e pode pressionar os custos operacionais da Petrobras a médio prazo.

    Para o mercado, o recorde da Petrobras reforça a confiança na estatal como pilar da segurança energética nacional. Investidores, por sua vez, veem com otimismo a capacidade da companhia de maximizar seus ativos — mesmo em um contexto de incerteza global. “É um sinal claro de que a Petrobras está preparada para operar em alta performance”, avaliou um analista de mercado ouvido pela reportagem.

    Os riscos de operar no limite

    Embora o FUT acima de 100% seja tecnicamente viável, ele não está isento de riscos. As refinarias da Petrobras operam sob rígidos padrões de segurança, meio ambiente e qualidade dos derivados. William França garantiu que as aprovações da ANP são rigorosas, mas o ritmo acelerado de produção pode, em tese, aumentar a probabilidade de falhas operacionais ou emissões acima do previsto.

    Além disso, a estratégia de maximizar a produção interna de combustíveis depende diretamente da estabilidade do fornecimento de petróleo. Qualquer interrupção no fluxo de importações — seja por crises geopolíticas ou problemas logísticos — poderia comprometer o recorde recente.