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  • Raízen acelera reestruturação de dívida bilionária com adesão recorde de credores

    Raízen acelera reestruturação de dívida bilionária com adesão recorde de credores

    A Raízen antecipa recuperação extrajudicial com apoio massivo de credores

    A Raízen deu um passo decisivo na reestruturação de sua dívida ao protocolar, na última sexta-feira (6/6), seu Plano de Recuperação Extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida, que busca reorganizar um passivo de R$ 64,7 bilhões, contou com adesão de credores representando 75,45% dos créditos financeiros e quirografários — percentual superior aos 70% mínimos exigidos pela legislação.

    O plano, que já superou o prazo inicial de 90 dias para obtenção de apoio, envolve instituições financeiras nacionais e internacionais, além de detentores de títulos emitidos no mercado interno e externo. A antecipação do processo reforça a capacidade da empresa de negociar em condições mais favoráveis, um movimento estratégico em um cenário de alta volatilidade nos mercados de commodities.

    Shell e Aguassanta lideram aportes bilionários no plano de resgate

    Entre as principais ações previstas no Plano de Recuperação Extrajudicial, destaca-se um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell, acionista majoritária da Raízen. Além disso, a Aguassanta Participações — empresa controlada pela família de Rubens Ometto — compromete-se a injetar mais R$ 500 milhões, condicionados à efetiva participação da acionista na operação.

    A combinação desses aportes, aliada à adesão maciça de credores, sinaliza um esforço concentrado para reduzir a alavancagem da empresa e estabilizar sua posição financeira. Segundo analistas, a reestruturação é crucial para garantir a continuidade das operações da Raízen, especialmente em um contexto de queda nos preços do etanol e do açúcar nos últimos trimestres.

    Consequências e próximos passos para a gigante do setor sucroenergético

    A aprovação do plano pela Justiça de São Paulo ainda depende de homologação, mas o apoio massivo dos credores já coloca a Raízen em uma posição vantajosa para renegociar prazos e taxas com seus parceiros. Caso o processo seja concluído dentro dos prazos previstos, a empresa poderá focar em sua estratégia de expansão no mercado de biocombustíveis, onde enfrenta concorrência crescente de players internacionais.

    Para o setor sucroenergético brasileiro, a operação da Raízen serve como um termômetro da saúde financeira das grandes usinas, que ainda lutam para se recuperar dos impactos da pandemia e da crise climática. A capacidade da empresa de concluir a reestruturação com sucesso pode influenciar outras companhias do segmento a adotarem medidas similares.