Tag: política industrial

  • Governo reabre cotas de isenção para elétricos importados; Anfavea critica manutenção de alíquotas altas em modelos prontos

    Governo reabre cotas de isenção para elétricos importados; Anfavea critica manutenção de alíquotas altas em modelos prontos

    Medida temporária visa modernizar frota, mas industria local critica manutenção de barreiras

    Em decisão publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (24/06/2026), o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) reativou as cotas de importação com alíquota zero para kits de veículos elétricos e híbridos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), com validade a partir de 1º de julho de 2026. O teto de isenção foi fixado em US$ 463 milhões, mesmo valor do lote anterior, que havia expirado no início do ano.

    Alíquotas mantidas para modelos prontos e componentes SKD

    Apesar da abertura para kits, o governo manteve o cronograma original de elevação tributária para veículos elétricos e híbridos montados: a partir de julho de 2026, esses modelos passarão a pagar alíquota cheia de 35%. Para componentes CKD, a tarifa máxima só será aplicada em 1º de janeiro de 2027, mas até lá, volumes excedentes pagarão 14%. Já a importação de carros totalmente montados não contará com qualquer tipo de cota isenta, segundo determinações do Gecex.

    Anfavea aponta contradições na política industrial

    A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reagiu à decisão, classificando-a como contraditória. Em nota, a entidade argumentou que, enquanto o governo abre espaço para importação de kits com isenção fiscal, mantém barreiras elevadas para modelos prontos — justamente aqueles que representariam maior concorrência à produção nacional. “A medida não alinha incentivos à transição energética com a competitividade da indústria brasileira”, declarou a associação.

    Objetivo declarado: descarbonização em velocidade acelerada

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a renovação das cotas busca impulsionar a modernização da frota nacional e colaborar com as metas de redução de emissões de CO₂. A pasta destacou que, entre janeiro e maio de 2026, a importação de veículos elétricos e híbridos representou menos de 2% do total de licenciamentos no país, sinalizando um ritmo lento na adoção da tecnologia. “Precisamos criar condições para que o Brasil não fique para trás na corrida pela eletrificação”, afirmou um porta-voz do ministério.

    Contexto internacional e impactos no setor

    A decisão ocorre em um momento de forte expansão da produção chinesa de veículos elétricos, com empresas como a BYD desembarcando modelos no Porto de Suape (PE) — conforme imagens divulgadas em galeria paralela à notícia. Enquanto isso, a indústria automotiva brasileira, que ainda depende majoritariamente de motores a combustão, enfrenta pressão para se adaptar. Especialistas do setor apontam que a manutenção das alíquotas altas para modelos prontos pode limitar a oferta de opções acessíveis ao consumidor, retardando a transição energética.

  • Governo renova isenção tributária para elétricos e híbridos desmontados, beneficiando BYD em julho

    Governo renova isenção tributária para elétricos e híbridos desmontados, beneficiando BYD em julho

    Medida mira logística e privilegia cadeia de suprimentos asiática

    A Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião do Gecex divulgada às 19h07 de hoje, renovou as cotas de importação com imposto zero para kits de veículos elétricos e híbridos desmontados (CKD/SKD), totalizando um teto de US$ 463 milhões. A decisão, que entra em vigor em julho, reforça o apoio do governo à importação de componentes para montagem local, beneficiando principalmente fabricantes estrangeiras como a BYD.

    Anfavea acusa ruptura de regras e projeta prejuízos bilionários

    A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) classificou a medida como ‘quebra de previsibilidade’, alegando que a falta de continuidade nas políticas afeta a confiança do setor. A entidade estima que o anúncio pode colocar em risco R$ 140 bilhões em investimentos já anunciados no Brasil, além de sinalizar insegurança jurídica para montadoras que operam no país.

    Veículos montados ficam de fora, mas tarifa de 35% já está em vigor

    Enquanto os kits desmontados recebem tratamento fiscal diferenciado, a importação de carros elétricos e híbridos já montados permanece sujeita à tarifa cheia de 35% a partir de julho. A decisão da Camex ignora os apelos da indústria nacional, que defendia a extensão do benefício a todos os veículos eletrificados, independentemente do estado de montagem.

    Contexto: estratégia chinesa e pressões do setor

    Fontes do governo indicam que a medida busca alinhar o Brasil às tendências globais de descarbonização, mas analistas interpretam o movimento como uma concessão à estratégia de entrada da BYD no mercado brasileiro. Empresas locais, por sua vez, alegam que a decisão prejudica a competitividade da indústria nacional, que ainda depende de componentes importados para produção de veículos eletrificados.

  • México lança Olinia 1: veículo elétrico nacional a R$ 45 mil e promete revolução na mobilidade

    México lança Olinia 1: veículo elétrico nacional a R$ 45 mil e promete revolução na mobilidade

    A presidente do México, Claudia Sheinbaum, inaugurou no último dia 9 de junho, em Zumpango (a 55 km da Cidade do México), o Olinia 1, primeiro veículo elétrico inteiramente desenvolvido no país dentro de um programa nacional que reuniu universidades, centros de pesquisa, empresas estatais, órgãos federais e investidores privados. O lançamento, realizado quatro dias antes do previsto, marca um momento simbólico na estratégia de eletrificação mexicana.

    Mais que um carro: um projeto de política industrial

    O Olinia 1 não é apenas mais um veículo elétrico no mercado — é a materialização de uma política industrial ambiciosa. O governo mexicano busca com este projeto desenvolver qualificação técnica local em áreas estratégicas como baterias, software, inteligência artificial, design industrial e infraestrutura de recarga. A iniciativa representa um esforço para reduzir a dependência tecnológica externa e fomentar a inovação doméstica.

    Design inovador e público-alvo específico

    O Olinia 1 se diferencia dos carros elétricos convencionais ao se assemelhar a um tuk-tuk bem evoluído ou aos modelos europeus de micromobilidade como o Citroën Ami e o Fiat Topolino. Com seis lugares e preço estimado em R$ 45 mil, o veículo se posiciona como uma solução para a mobilidade urbana mexicana, especialmente em regiões com trânsito congestionado e necessidade de transporte compartilhado.

    Impacto e próximos passos

    O lançamento do Olinia 1 ocorre em um momento em que países latino-americanos buscam alternativas para a mobilidade sustentável, especialmente diante do crescimento da frota de veículos elétricos. Com um desenvolvimento acelerado — apenas 18 meses — e a participação direta da presidente do país, o projeto sinaliza a prioridade do México em se tornar um polo de inovação na região. Ainda não há informações sobre a disponibilidade do modelo no Brasil ou em outros mercados, mas o Olinia 1 já chama atenção pela abordagem integrada entre governo, academia e iniciativa privada.