Tag: Políticas Públicas

  • Ministério da Agricultura e Pecuária comemora 166 anos de legado no agronegócio brasileiro

    Ministério da Agricultura e Pecuária comemora 166 anos de legado no agronegócio brasileiro

    Do Império à República: a trajetória de um ministério centenário

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) celebra, nesta terça-feira (28), 166 anos desde sua fundação em 1860, quando ainda era chamado de Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, na então capital Rio de Janeiro. Ao longo das décadas, a instituição acompanhou as transformações da administração pública e do setor agropecuário, consolidando-se como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento econômico brasileiro.

    Estrutura e inovação: os números que definem o Mapa hoje

    Atualmente, a pasta conta com uma equipe de mais de 6,5 mil profissionais, incluindo servidores, empregados públicos, estagiários e ocupantes de cargos temporários. Essa força de trabalho é responsável por coordenar políticas públicas que impactam diretamente a segurança alimentar e a balança comercial do país, especialmente em um momento em que o agronegócio representa cerca de 27% do PIB nacional.

    Memória viva: a Biblioteca Nacional de Agricultura e seu acervo histórico

    Parte da história do Mapa é preservada pela Biblioteca Nacional de Agricultura (Binagri), criada em 1909 e considerada a maior da América Latina especializada no agronegócio de um único país. Com mais de 500 mil exemplares — entre livros, periódicos e documentos técnicos — a Binagri é um retrato da evolução das técnicas agrícolas, da ciência do solo e das políticas públicas voltadas ao campo.

    Agropecuária em transformação: os desafios da pasta no século XXI

    Desde sua origem, o Mapa passou por reestruturações que refletem as mudanças na economia brasileira. A transição para um modelo mais tecnificado, a inserção do Brasil no mercado global de commodities e as demandas por sustentabilidade exigiram adaptações constantes. Hoje, o ministério enfrenta o desafio de equilibrar produtividade com responsabilidade ambiental, enquanto mantém sua posição como um dos mais relevantes do governo federal.

  • Brasil reforça liderança em agropecuária sustentável em fórum estratégico na União Europeia

    Brasil reforça liderança em agropecuária sustentável em fórum estratégico na União Europeia

    A poucos dias do encerramento do calendário oficial do primeiro semestre de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou, em solo europeu, o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e a inovação no setor agropecuário. Entre 16 e 18 de junho, representantes da pasta participaram do evento final do AL-INVEST Verde, plataforma financiada pela União Europeia com €47,5 milhões e voltada ao desenvolvimento sustentável em 15 países da América Latina e Caribe.

    Um palco para a diplomacia agroambiental

    O SQUARE Brussels Meeting Centre, na Bélgica, foi o cenário onde o Brasil dialogou diretamente com as principais lideranças europeias sobre segurança alimentar, comércio verde e fortalecimento institucional. Sibelle Andrade, assessora especial do ministro André de Paula, integrou a sessão inaugural ao lado de Félix Fernández-Shaw, diretor para América Latina da Comissão Europeia, e do embaixador brasileiro Pedro Miguel da Costa e Silva, sinalizando a relevância estratégica do tema para as relações birregionais.

    O que está em jogo para o agronegócio brasileiro

    O AL-INVEST Verde não é apenas um programa de cooperação: é um laboratório de políticas públicas que pode moldar o futuro do comércio internacional de commodities. Ao apresentar iniciativas como a rastreabilidade de cadeias produtivas e a adoção de tecnologias de baixo carbono, o Mapa alinha o Brasil às exigências cada vez mais rígidas do mercado europeu — um movimento que, se bem executado, pode abrir portas para novos acordos comerciais e reduzir barreiras tarifárias. A participação brasileira nesse fórum, entretanto, não se limita à agenda ambiental: trata-se de uma estratégia para garantir que o país não fique à margem das transformações globais em curso.

    O timing não é coincidência

    Em um momento em que a União Europeia debate a implementação do Regulamento de Desmatamento (EUDR), que entrará em vigor em dezembro de 2026, a presença brasileira em Bruxelas assume contornos ainda mais críticos. A agenda discutida no evento — que incluiu debates sobre inovação tecnológica e acesso a mercados — é diretamente ligada às demandas europeias por transparência e sustentabilidade, colocando o Brasil como peça-chave em um tabuleiro onde as regras do jogo estão sendo reescritas.

    Com a data-base de 22 de junho de 2026, o desdobramento dessas discussões pode ter impactos concretos já nos próximos meses, especialmente se o país conseguir converter as intenções apresentadas em Bruxelas em ações verificáveis no campo e nas exportações.

  • André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    Ministro e lideranças do agro traçam estratégias em Brasília

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, realizou na última quarta-feira (17) um encontro histórico com os presidentes de 18 Câmaras Setoriais do Ministério da Agricultura (Mapa), em Brasília. O objetivo central foi aproximar o governo das demandas concretas das cadeias produtivas, num momento em que o agro brasileiro enfrenta pressões por produtividade, sustentabilidade e acesso a mercados internacionais.

    Dezenas de setores unem forças em torno de prioridades comuns

    A lista de participantes incluiu representantes de segmentos estratégicos como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, citricultura e pecuária, entre outros. Durante o evento, cada entidade apresentou os principais desafios de seus setores — desde a competitividade frente a produtos importados até a adaptação às mudanças climáticas e a adoção de tecnologias inovadoras. A diversidade de frentes reforçou a necessidade de políticas públicas coordenadas e ágeis.

    Diálogo como ferramenta-chave para o futuro do agro

    Segundo informações oficiais, a reunião não se limitou a um espaço de queixas: tratou-se de um workshop prático de construção de soluções. As demandas apresentadas pelos setores serão agora mapeadas pelo Mapa, com vistas à formulação de políticas públicas e programas de incentivo que possam impulsionar a competitividade do setor. A pauta incluiu desde a simplificação de regulamentações até o fomento à pesquisa e inovação tecnológica, como no caso do capim Tifton 85, que tem levado produtividade e sustentabilidade de Goiás para o exterior.

    Próximos passos: da teoria à prática

    Com o registro fotográfico da reunião — que contou com a presença de Percio Campos/Mapa — o Ministério sinalizou que os próximos 90 dias serão decisivos para transformar as propostas em ações concretas. A expectativa é que o diálogo estabelecido na última quarta-feira (17) se reverbere em medidas capazes de fortalecer o agro brasileiro, mantendo-o como um dos principais pilares da economia nacional em 2026 e além.

  • Seguro rural no Brasil ainda perde para o mundo: cobertura limitada expõe produtores a riscos climáticos

    Seguro rural no Brasil ainda perde para o mundo: cobertura limitada expõe produtores a riscos climáticos

    Na última sexta-feira, 5 de junho de 2026, o FGV Agro lançou um estudo que joga luz sobre um dos principais pontos de fragilidade do agronegócio brasileiro: a cobertura insuficiente do seguro rural. Enquanto nações como Estados Unidos, Canadá, Espanha e China já operam modelos consolidados — com subsídios estatais e compartilhamento de riscos —, o Brasil ainda patina para ampliar o acesso ao instrumento, apesar da crescente recorrência de eventos climáticos extremos.

    O abismo entre o Brasil e o mundo na proteção das lavouras

    Segundo a pesquisa, os países desenvolvidos e emergentes analisados aplicam políticas públicas agressivas para incentivar a adesão ao seguro rural. Nos EUA, por exemplo, o governo subsidia até 60% do prêmio, enquanto no Brasil, os números ainda são tímidos: menos de 20% das áreas agrícolas brasileiras são cobertas por seguro, contra 80% nos Estados Unidos.

    A discrepância não é mera estatística. Com secas históricas no Centro-Oeste, geadas atípicas no Sul e enchentes no Norte, os produtores brasileiros seguem reféns de políticas compensatórias — como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) — que, embora essenciais, não oferecem a mesma segurança de um seguro privado estruturado.

    Eventos climáticos extremos: o gatilho que não pode mais ser ignorado

    O estudo do FGV Agro destaca que a frequência de fenômenos como o El Niño e La Niña — responsáveis por secas e chuvas excessivas — dobrou desde 2010. Em 2026, o Brasil já registra prejuízos superiores a R$ 15 bilhões por conta de perdas agrícolas, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    Para especialistas, a solução passa por três frentes: ampliação dos subsídios governamentais, modernização da legislação e parcerias com o setor privado. “O seguro rural não é um gasto, é um investimento na estabilidade do agro”, afirma o economista-chefe do FGV Agro, Carlos Eduardo Caldarelli. “Países que não priorizaram isso hoje enfrentam crises sociais e migração rural em massa.”

    O que falta para o Brasil virar o jogo?

    O modelo brasileiro de seguro rural, hoje centrado em programas como o Proagro e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), ainda é insuficiente para cobrir a diversidade de culturas e regiões do país. A falta de dados precisos sobre riscos climáticos em micro-regiões e a burocracia excessiva para acionar indenizações são pontos críticos.

    Além disso, a cultura de dependência de políticas públicas — comum entre pequenos e médios produtores — desestimula a busca por soluções privadas. “Muitos ainda veem o seguro como um custo, não como uma proteção”, avalia a pesquisadora da FGV Agro, Thaís Viegas. “Mas sem ele, a cada safra perdida, o risco de endividamento e abandono das terras cresce.”

    Enquanto o mundo investe em tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial para precificar riscos, o Brasil segue atrás. A pergunta que fica é: quando o país finalmente abraçará o seguro rural como uma política de Estado, e não apenas como um paliativo?

  • Mapa lança campanha para mostrar que saúde do brasileiro começa na terra: o que muda com os orgânicos?

    Mapa lança campanha para mostrar que saúde do brasileiro começa na terra: o que muda com os orgânicos?

    Campanha do Mapa coloca o Brasil no centro da discussão sobre alimentação saudável e sustentável

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deu início, na última terça-feira (26), à XXII Campanha Nacional de Promoção do Produto Orgânico 2026, um movimento que busca redefinir a relação entre saúde, produção agrícola e consumo no país. Sob o lema “Saúde no Campo e na Mesa”, a campanha destaca que a qualidade dos alimentos começa muito antes de chegar à mesa do consumidor — ela se constrói no solo, na água, na biodiversidade e na dignidade dos trabalhadores rurais.

    Da política pública à prateleira: como a campanha quer mudar o jogo

    A iniciativa, lançada na sede do Mapa com a presença de autoridades, representantes da sociedade civil e produtores rurais, não se limita a promover o consumo de orgânicos. Ela propõe uma reorganização da cadeia produtiva, integrando governo e redes de produção orgânica para implementar políticas públicas que priorizem a sustentabilidade e a saúde. O objetivo é claro: mostrar que o Brasil pode ser protagonista na transformação global da alimentação, aliando produtividade, respeito ao meio ambiente e segurança alimentar.

    Saúde no campo: por que os orgânicos são mais do que uma tendência

    Segundo a campanha, os sistemas orgânicos de produção não apenas evitam agrotóxicos e aditivos químicos, mas também promovem práticas agrícolas que regeneram o solo, conservam recursos hídricos e preservam ecossistemas. Para os trabalhadores rurais, isso se traduz em menor exposição a substâncias nocivas e em melhores condições de vida. Para os consumidores, significa acesso a alimentos com maior valor nutricional e livre de resíduos tóxicos. Em um país onde a fome e a obesidade coexistem, a iniciativa chega como uma resposta estratégica.

    O que esperar da campanha em 2026?

    A XXII edição da campanha promete ir além dos discursos. Com foco em educação, incentivos fiscais e parcerias público-privadas, o Mapa busca criar um ambiente favorável para que produtores rurais possam migrar para modelos orgânicos sem perder competitividade. A expectativa é que, até o final do ano, haja um aumento significativo na oferta de alimentos orgânicos nas prateleiras do país, além de uma maior conscientização sobre os benefícios dessa produção para a saúde pública e o meio ambiente.

    Com o mundo cada vez mais atento à origem dos alimentos, o Brasil tem a chance de se posicionar não apenas como um grande produtor de commodities, mas como um líder em alimentação saudável e sustentável — e essa campanha é o primeiro passo.

  • Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    A competitividade e a sanidade animal emergem como pilares fundamentais para que o Brasil consolide sua presença no mercado internacional de lácteos. Em um momento crítico para o setor, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella, alertou durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira – Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14), em Esteio (RS), que o país precisa superar gargalos estruturais para transformar seu potencial produtivo em vantagem comercial.

    A armadilha da sanidade sem competitividade

    “Sanidade é condição *sine qua non* para exportar, mas a competitividade é o que define a permanência no mercado”, afirmou Portella. O dirigente destacou que, embora o Brasil já seja o quarto maior produtor mundial de leite — atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China —, sua participação nas exportações globais ainda é tímida. Para reverter esse cenário, o setor precisa de políticas públicas integradas que aliem saúde animal a redução de custos, infraestrutura logística eficiente e estabilidade cambial.

    Rio Grande do Sul: o celeiro lácteo que quer voar mais alto

    O estado gaúcho, terceira maior bacia leiteira do Brasil, tem sido um laboratório de crescimento para o setor. Entre 2004 e 2024, a produção saltou de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais — um avanço de 70% em duas décadas. Em 2024, o leite representou 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando R$ 19,86 bilhões. “Esse crescimento não pode ser freado pela falta de incentivos ou pela concorrência predatória”, ressaltou Portella.

    As importações do Mercosul: uma sombra sobre o mercado interno

    Um dos principais riscos ao setor, segundo o Sindilat, é o avanço das importações de lácteos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Dados apresentados durante o seminário mostram que, apenas entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo — volumes equivalentes a 709 milhões de litros de leite, ou seja, 60 dias da produção gaúcha. “Precisamos de medidas urgentes para proteger o mercado interno, como barreiras não tarifárias ou ajustes na política de câmbio”, defendeu Portella.

    Política pública como investimento, não como custo

    O dirigente cobrou do governo federal ações concretas, como a retomada do Programa Mais Leite Saudável, que oferece incentivos à produção nacional. “Políticas públicas eficientes não são gastos, são investimentos que se convertem em competitividade”, afirmou. Ele também destacou a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica aos produtores, além da simplificação do sistema tributário e da redução do custo logístico — que, segundo ele, consome até 20% do preço final do produto.

    O seminário, realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, reuniu representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), indústrias, pecuaristas e entidades do setor. A pauta central foi a integração entre os elos da cadeia produtiva para enfrentar os desafios impostos por um mercado global cada vez mais competitivo.

  • Produtores de leite de SC unem forças para criar entidade estadual e combater crise do setor

    Produtores de leite de SC unem forças para criar entidade estadual e combater crise do setor

    Um movimento inédito no estado de Santa Catarina ganha força nesta terça-feira (12), quando sete associações regionais do setor leiteiro se reuniram na sede da AMOSC, em Chapecó, para dar os primeiros passos rumo à criação de uma entidade estadual capaz de representar os interesses de mais de 20 mil produtores rurais. A iniciativa, que envolve municípios do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense, é uma resposta direta aos desafios que assolam a cadeia produtiva há anos: queda nos preços do leite, aumento dos custos de produção e falta de políticas públicas efetivas.

    Da fragmentação regional à união estratégica: o nascimento do Fórum Interassociativo

    A reunião, conduzida pelo vice-presidente da AMOSC e prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, e pelo presidente da AMAI, Anderson Bianchi (prefeito de Lajeado Grande), reuniu representantes das associações AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE, AMAI, AMOSC, AMAUC e AMMOC. O objetivo central foi estruturar um fórum interassociativo permanente, que atuará como voz unificada dos produtores frente ao governo estadual e federal.

    Segundo Pagliarini, a união das sete regiões é um marco para o setor. “Esta é uma oportunidade histórica de fortalecer os produtores rurais, não apenas economicamente, mas também na defesa de seus direitos. Precisamos ampliar a representatividade para garantir que a atividade leiteira, tão vital para nossa economia regional, seja reconhecida como estratégica”, afirmou. A proposta, apresentada pelo assessor jurídico da AMOSC, Fabiano Porto, prevê a criação de um fórum que coordenará ações coletivas, desde o diálogo com instâncias governamentais até a proposição de projetos de lei que beneficiem o setor.

    Os principais desafios que unem os produtores catarinenses

    Durante o encontro, foram mapeadas as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores, que incluem:

    • Preços instáveis: A queda nos valores pagos pelo litro de leite nos últimos anos, agravada pela concorrência com importações e pela concentração do poder de compra das indústrias processadoras, tem reduzido a margem de lucro dos produtores.
    • Altos custos de produção: O aumento dos preços de insumos, como ração e combustível, pressiona ainda mais a viabilidade econômica das propriedades rurais.
    • Falta de políticas públicas específicas: Os produtores pedem incentivos fiscais, acesso a crédito com juros subsidiados e programas de garantia de preços mínimos, semelhantes aos existentes para outros setores da agropecuária.
    • Fragilidade na comercialização: A dependência de intermediários e a falta de cooperativas fortes limitam o poder de negociação dos produtores junto às indústrias.

    Para enfrentar esses problemas, o fórum propõe a elaboração de um plano estadual para o leite, com metas claras de curto, médio e longo prazo, incluindo:

    • Criação de um índice estadual de preços do leite, que sirva como referência para negociações.
    • Estímulo à formação de cooperativas regionais para fortalecer a comercialização.
    • Parcerias com universidades e centros de pesquisa para desenvolver tecnologias que reduzam custos e aumentem a produtividade.
    • Adoção de medidas de proteção contra a concorrência desleal de produtos importados.

    O papel das lideranças políticas e o caminho a seguir

    A participação de prefeitos e secretários municipais de Agricultura no encontro sinaliza o apoio político que a iniciativa pode ter. O prefeito de Chapecó, por exemplo, já se comprometeu a incluir a pauta do leite na agenda da próxima reunião do Consórcio Intermunicipal do Oeste Catarinense (CIOESTE). “Este movimento não é apenas dos produtores, mas de toda a cadeia produtiva. Precisamos que o governo estadual e federal enxergue a importância do leite para Santa Catarina”, declarou um dos participantes.

    Nos próximos meses, o fórum interassociativo realizará reuniões regionais para ouvir as demandas específicas de cada território e formar grupos técnicos para levantar dados precisos sobre a cadeia leiteira catarinense. A meta é apresentar um projeto de lei estadual até o final de 2024, com propostas concretas para resolver os gargalos do setor. “Não queremos assistencialismo, mas condições justas de competição. O leite catarinense tem qualidade reconhecida, mas falta rentabilidade”, resumiu um dos líderes do movimento.

    Santa Catarina: um estado-chave para o leite brasileiro

    Com uma produção anual de cerca de 3,5 bilhões de litros, Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. No entanto, o setor enfrenta uma crise silenciosa: enquanto a produtividade cresce, a renda dos produtores cai. Segundo dados da Epagri, o custo de produção em 2023 superou em 20% a receita média por litro de leite, pressionando muitos produtores a abandonar a atividade ou reduzir investimentos.

    A criação do fórum interassociativo surge como uma resposta necessária para reverter esse cenário. “Unidos, temos força para negociar com as indústrias, pressionar por políticas públicas e mostrar que o leite catarinense é um produto de excelência, que merece ser valorizado”, concluiu Pagliarini. O próximo passo será a definição da coordenação provisória e a elaboração de um cronograma de ações para os próximos 12 meses.

  • E-Days 2026: Mudança de nome reflete revolução na mobilidade – evento se expande para ecossistema energético global

    E-Days 2026: Mudança de nome reflete revolução na mobilidade – evento se expande para ecossistema energético global

    O fim de uma era monocromática

    A mobilidade do futuro não será ditada por uma única solução tecnológica. Essa máxima, que há anos permeava debates no setor automotivo, ganha contornos definitivos com a transformação do Electric Days em E-Days. A mudança, anunciada oficialmente, representa muito mais que uma atualização de identidade visual: é a admissão de que a transição energética exige um ecossistema integrado, onde veículos elétricos a bateria, híbridos, hidrogênio, biocombustíveis, e-fuels e até soluções de armazenamento de energia coexistam em um mesmo cenário de inovação.

    Do elétrico ao energético: uma evolução necessária

    Lançado originalmente como Electric Days, o evento nasceu em um momento em que os veículos 100% elétricos eram sinônimo de futuro imediato. No entanto, a realidade mostrou-se mais complexa. “Quando lançamos o Electric Days, o foco estava naturalmente concentrado nos veículos elétricos. Hoje, o debate evoluiu. A transformação energética da mobilidade exige uma visão mais ampla, que contemple diferentes tecnologias, rotas e modelos de negócio”, explica Fábio Trindade, CEO do Motor1.com Brasil, organização responsável pelo evento. A nova nomenclatura, com o ‘E’ de E-Days representando termos como Energy, Electrification, Environment, Evolution, Efficiency, Ecosystem, Experience e Entrepreneurship, reflete essa ampliação de escopo.

    O evento que virou referência nacional

    Desde sua primeira edição, o Electric Days rapidamente se estabeleceu como o principal fórum brasileiro sobre mobilidade e energias limpas. A edição de 2025, realizada em parceria com o Energy Summit, comprovou sua relevância ao reunir cerca de 12 mil participantes de mais de 3.300 empresas. O evento transformou-se em um ponto de encontro entre montadoras como Volkswagen, Toyota e BYD, gigantes do setor energético como CPFL e EDP, além de startups inovadoras e formuladores de políticas públicas. “Mais do que discutir tecnologias, criamos um ambiente onde as soluções são apresentadas em tempo real, com demonstrações práticas e casos de sucesso”, destaca Trindade.

    E-Days 2026: o Rio de Janeiro como epicentro da transformação

    A próxima edição do evento já tem data marcada: de 23 a 26 de junho de 2026, na icônica Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O local, que já sediou grandes eventos internacionais, foi escolhido estrategicamente por sua infraestrutura e acessibilidade. “A Marina da Glória representa o novo Brasil: conectado, sustentável e pronto para liderar a transição energética”, afirma Trindade. A parceria com o Energy Summit, que une dois dos maiores eventos do setor no país, promete criar um ambiente único onde energia e mobilidade se encontram para discutir os desafios da descarbonização até 2050.

    Tecnologias que ganham destaque no E-Days

    A nova edição do evento promete colocar em evidência soluções que, até recentemente, eram consideradas alternativas. Os híbridos leves, que ganham tração no mercado brasileiro com modelos como o Toyota Corolla Cross Hybrid, dividirão espaço com os híbridos plug-in, cada vez mais presentes em frotas corporativas. O hidrogênio, tecnologias de e-fuels para motores a combustão e até soluções de economia circular – como reciclagem de baterias – terão seus próprios painéis dedicados. “Não estamos mais falando de eletrificação versus combustão. Estamos falando de sinergia”, ressalta o CEO do Motor1.com Brasil.

    O papel das políticas públicas na nova mobilidade

    Um dos diferenciais do E-Days sempre foi sua capacidade de atrair representantes governamentais. Na edição de 2026, espera-se a participação de autoridades como o ministro de Minas e Energia, além de secretários estaduais responsáveis pela implementação de políticas de descarbonização. “As decisões regulatórias são tão importantes quanto as inovações tecnológicas. Precisamos de um marco regulatório que incentive a diversificação tecnológica, não que a restrinja”, argumenta Trindade. O evento servirá como plataforma para lançamentos de programas governamentais e parcerias público-privadas voltadas para a mobilidade sustentável.

    Startups e investimentos: o capital que move a revolução

    A inovação no setor de mobilidade não vem apenas das grandes montadoras. Startups brasileiras como a Voltbras, especializada em recarga de veículos elétricos, e a EcoSyst, focada em soluções de economia circular, terão espaço garantido no E-Days 2026. “Recebemos mais de 200 propostas de startups para apresentar suas soluções em 2026. O evento se tornou um termômetro do ecossistema de inovação”, revela Trindade. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups, o setor de mobilidade sustentável captou mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos nos últimos dois anos, um crescimento de 350% desde 2022.

    O que esperar do E-Days 2026

    Além de painéis com especialistas internacionais e demonstrações ao vivo de tecnologias, a edição de 2026 promete inovações como:

    • Uma área dedicada à ‘Mobilidade como Serviço’ (MaaS), com demonstrações de aplicativos integrados de transporte público, compartilhamento de veículos e micromobilidade;
    • Workshops sobre infraestrutura de recarga, incluindo soluções para condomínios e empresas;
    • Um pavilhão exclusivo para veículos movidos a hidrogênio, com testes de direção;
    • Painéis sobre os desafios da reciclagem de baterias e a segunda vida das células de íon-lítio;
    • Lançamentos exclusivos de modelos híbridos e elétricos para o mercado brasileiro.

    “O E-Days 2026 não será apenas um evento, mas um marco na história da mobilidade brasileira. Vamos mostrar que o futuro não é uma escolha entre tecnologias, mas uma combinação inteligente delas”, conclui Trindade. Com a evolução de nome e escopo, o evento se posiciona como o principal palco onde as grandes transformações da mobilidade serão discutidas – e onde o Brasil pode, finalmente, assumir seu papel de protagonista nesse processo.