Tag: Políticas Públicas

  • Brasil reforça liderança em agropecuária sustentável em fórum estratégico na União Europeia

    Brasil reforça liderança em agropecuária sustentável em fórum estratégico na União Europeia

    A poucos dias do encerramento do calendário oficial do primeiro semestre de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou, em solo europeu, o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e a inovação no setor agropecuário. Entre 16 e 18 de junho, representantes da pasta participaram do evento final do AL-INVEST Verde, plataforma financiada pela União Europeia com €47,5 milhões e voltada ao desenvolvimento sustentável em 15 países da América Latina e Caribe.

    Um palco para a diplomacia agroambiental

    O SQUARE Brussels Meeting Centre, na Bélgica, foi o cenário onde o Brasil dialogou diretamente com as principais lideranças europeias sobre segurança alimentar, comércio verde e fortalecimento institucional. Sibelle Andrade, assessora especial do ministro André de Paula, integrou a sessão inaugural ao lado de Félix Fernández-Shaw, diretor para América Latina da Comissão Europeia, e do embaixador brasileiro Pedro Miguel da Costa e Silva, sinalizando a relevância estratégica do tema para as relações birregionais.

    O que está em jogo para o agronegócio brasileiro

    O AL-INVEST Verde não é apenas um programa de cooperação: é um laboratório de políticas públicas que pode moldar o futuro do comércio internacional de commodities. Ao apresentar iniciativas como a rastreabilidade de cadeias produtivas e a adoção de tecnologias de baixo carbono, o Mapa alinha o Brasil às exigências cada vez mais rígidas do mercado europeu — um movimento que, se bem executado, pode abrir portas para novos acordos comerciais e reduzir barreiras tarifárias. A participação brasileira nesse fórum, entretanto, não se limita à agenda ambiental: trata-se de uma estratégia para garantir que o país não fique à margem das transformações globais em curso.

    O timing não é coincidência

    Em um momento em que a União Europeia debate a implementação do Regulamento de Desmatamento (EUDR), que entrará em vigor em dezembro de 2026, a presença brasileira em Bruxelas assume contornos ainda mais críticos. A agenda discutida no evento — que incluiu debates sobre inovação tecnológica e acesso a mercados — é diretamente ligada às demandas europeias por transparência e sustentabilidade, colocando o Brasil como peça-chave em um tabuleiro onde as regras do jogo estão sendo reescritas.

    Com a data-base de 22 de junho de 2026, o desdobramento dessas discussões pode ter impactos concretos já nos próximos meses, especialmente se o país conseguir converter as intenções apresentadas em Bruxelas em ações verificáveis no campo e nas exportações.

  • André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    Ministro e lideranças do agro traçam estratégias em Brasília

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, realizou na última quarta-feira (17) um encontro histórico com os presidentes de 18 Câmaras Setoriais do Ministério da Agricultura (Mapa), em Brasília. O objetivo central foi aproximar o governo das demandas concretas das cadeias produtivas, num momento em que o agro brasileiro enfrenta pressões por produtividade, sustentabilidade e acesso a mercados internacionais.

    Dezenas de setores unem forças em torno de prioridades comuns

    A lista de participantes incluiu representantes de segmentos estratégicos como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, citricultura e pecuária, entre outros. Durante o evento, cada entidade apresentou os principais desafios de seus setores — desde a competitividade frente a produtos importados até a adaptação às mudanças climáticas e a adoção de tecnologias inovadoras. A diversidade de frentes reforçou a necessidade de políticas públicas coordenadas e ágeis.

    Diálogo como ferramenta-chave para o futuro do agro

    Segundo informações oficiais, a reunião não se limitou a um espaço de queixas: tratou-se de um workshop prático de construção de soluções. As demandas apresentadas pelos setores serão agora mapeadas pelo Mapa, com vistas à formulação de políticas públicas e programas de incentivo que possam impulsionar a competitividade do setor. A pauta incluiu desde a simplificação de regulamentações até o fomento à pesquisa e inovação tecnológica, como no caso do capim Tifton 85, que tem levado produtividade e sustentabilidade de Goiás para o exterior.

    Próximos passos: da teoria à prática

    Com o registro fotográfico da reunião — que contou com a presença de Percio Campos/Mapa — o Ministério sinalizou que os próximos 90 dias serão decisivos para transformar as propostas em ações concretas. A expectativa é que o diálogo estabelecido na última quarta-feira (17) se reverbere em medidas capazes de fortalecer o agro brasileiro, mantendo-o como um dos principais pilares da economia nacional em 2026 e além.

  • Seguro rural no Brasil ainda perde para o mundo: cobertura limitada expõe produtores a riscos climáticos

    Seguro rural no Brasil ainda perde para o mundo: cobertura limitada expõe produtores a riscos climáticos

    Na última sexta-feira, 5 de junho de 2026, o FGV Agro lançou um estudo que joga luz sobre um dos principais pontos de fragilidade do agronegócio brasileiro: a cobertura insuficiente do seguro rural. Enquanto nações como Estados Unidos, Canadá, Espanha e China já operam modelos consolidados — com subsídios estatais e compartilhamento de riscos —, o Brasil ainda patina para ampliar o acesso ao instrumento, apesar da crescente recorrência de eventos climáticos extremos.

    O abismo entre o Brasil e o mundo na proteção das lavouras

    Segundo a pesquisa, os países desenvolvidos e emergentes analisados aplicam políticas públicas agressivas para incentivar a adesão ao seguro rural. Nos EUA, por exemplo, o governo subsidia até 60% do prêmio, enquanto no Brasil, os números ainda são tímidos: menos de 20% das áreas agrícolas brasileiras são cobertas por seguro, contra 80% nos Estados Unidos.

    A discrepância não é mera estatística. Com secas históricas no Centro-Oeste, geadas atípicas no Sul e enchentes no Norte, os produtores brasileiros seguem reféns de políticas compensatórias — como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) — que, embora essenciais, não oferecem a mesma segurança de um seguro privado estruturado.

    Eventos climáticos extremos: o gatilho que não pode mais ser ignorado

    O estudo do FGV Agro destaca que a frequência de fenômenos como o El Niño e La Niña — responsáveis por secas e chuvas excessivas — dobrou desde 2010. Em 2026, o Brasil já registra prejuízos superiores a R$ 15 bilhões por conta de perdas agrícolas, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    Para especialistas, a solução passa por três frentes: ampliação dos subsídios governamentais, modernização da legislação e parcerias com o setor privado. “O seguro rural não é um gasto, é um investimento na estabilidade do agro”, afirma o economista-chefe do FGV Agro, Carlos Eduardo Caldarelli. “Países que não priorizaram isso hoje enfrentam crises sociais e migração rural em massa.”

    O que falta para o Brasil virar o jogo?

    O modelo brasileiro de seguro rural, hoje centrado em programas como o Proagro e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), ainda é insuficiente para cobrir a diversidade de culturas e regiões do país. A falta de dados precisos sobre riscos climáticos em micro-regiões e a burocracia excessiva para acionar indenizações são pontos críticos.

    Além disso, a cultura de dependência de políticas públicas — comum entre pequenos e médios produtores — desestimula a busca por soluções privadas. “Muitos ainda veem o seguro como um custo, não como uma proteção”, avalia a pesquisadora da FGV Agro, Thaís Viegas. “Mas sem ele, a cada safra perdida, o risco de endividamento e abandono das terras cresce.”

    Enquanto o mundo investe em tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial para precificar riscos, o Brasil segue atrás. A pergunta que fica é: quando o país finalmente abraçará o seguro rural como uma política de Estado, e não apenas como um paliativo?

  • Mapa lança campanha para mostrar que saúde do brasileiro começa na terra: o que muda com os orgânicos?

    Mapa lança campanha para mostrar que saúde do brasileiro começa na terra: o que muda com os orgânicos?

    Campanha do Mapa coloca o Brasil no centro da discussão sobre alimentação saudável e sustentável

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deu início, na última terça-feira (26), à XXII Campanha Nacional de Promoção do Produto Orgânico 2026, um movimento que busca redefinir a relação entre saúde, produção agrícola e consumo no país. Sob o lema “Saúde no Campo e na Mesa”, a campanha destaca que a qualidade dos alimentos começa muito antes de chegar à mesa do consumidor — ela se constrói no solo, na água, na biodiversidade e na dignidade dos trabalhadores rurais.

    Da política pública à prateleira: como a campanha quer mudar o jogo

    A iniciativa, lançada na sede do Mapa com a presença de autoridades, representantes da sociedade civil e produtores rurais, não se limita a promover o consumo de orgânicos. Ela propõe uma reorganização da cadeia produtiva, integrando governo e redes de produção orgânica para implementar políticas públicas que priorizem a sustentabilidade e a saúde. O objetivo é claro: mostrar que o Brasil pode ser protagonista na transformação global da alimentação, aliando produtividade, respeito ao meio ambiente e segurança alimentar.

    Saúde no campo: por que os orgânicos são mais do que uma tendência

    Segundo a campanha, os sistemas orgânicos de produção não apenas evitam agrotóxicos e aditivos químicos, mas também promovem práticas agrícolas que regeneram o solo, conservam recursos hídricos e preservam ecossistemas. Para os trabalhadores rurais, isso se traduz em menor exposição a substâncias nocivas e em melhores condições de vida. Para os consumidores, significa acesso a alimentos com maior valor nutricional e livre de resíduos tóxicos. Em um país onde a fome e a obesidade coexistem, a iniciativa chega como uma resposta estratégica.

    O que esperar da campanha em 2026?

    A XXII edição da campanha promete ir além dos discursos. Com foco em educação, incentivos fiscais e parcerias público-privadas, o Mapa busca criar um ambiente favorável para que produtores rurais possam migrar para modelos orgânicos sem perder competitividade. A expectativa é que, até o final do ano, haja um aumento significativo na oferta de alimentos orgânicos nas prateleiras do país, além de uma maior conscientização sobre os benefícios dessa produção para a saúde pública e o meio ambiente.

    Com o mundo cada vez mais atento à origem dos alimentos, o Brasil tem a chance de se posicionar não apenas como um grande produtor de commodities, mas como um líder em alimentação saudável e sustentável — e essa campanha é o primeiro passo.

  • Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    Exportar leite: Brasil tem potencial, mas precisa resolver gargalos de competitividade e sanidade

    A competitividade e a sanidade animal emergem como pilares fundamentais para que o Brasil consolide sua presença no mercado internacional de lácteos. Em um momento crítico para o setor, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella, alertou durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira – Caminhos para a Exportação, realizado nesta quinta-feira (14), em Esteio (RS), que o país precisa superar gargalos estruturais para transformar seu potencial produtivo em vantagem comercial.

    A armadilha da sanidade sem competitividade

    “Sanidade é condição *sine qua non* para exportar, mas a competitividade é o que define a permanência no mercado”, afirmou Portella. O dirigente destacou que, embora o Brasil já seja o quarto maior produtor mundial de leite — atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China —, sua participação nas exportações globais ainda é tímida. Para reverter esse cenário, o setor precisa de políticas públicas integradas que aliem saúde animal a redução de custos, infraestrutura logística eficiente e estabilidade cambial.

    Rio Grande do Sul: o celeiro lácteo que quer voar mais alto

    O estado gaúcho, terceira maior bacia leiteira do Brasil, tem sido um laboratório de crescimento para o setor. Entre 2004 e 2024, a produção saltou de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros anuais — um avanço de 70% em duas décadas. Em 2024, o leite representou 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, movimentando R$ 19,86 bilhões. “Esse crescimento não pode ser freado pela falta de incentivos ou pela concorrência predatória”, ressaltou Portella.

    As importações do Mercosul: uma sombra sobre o mercado interno

    Um dos principais riscos ao setor, segundo o Sindilat, é o avanço das importações de lácteos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Uruguai. Dados apresentados durante o seminário mostram que, apenas entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo — volumes equivalentes a 709 milhões de litros de leite, ou seja, 60 dias da produção gaúcha. “Precisamos de medidas urgentes para proteger o mercado interno, como barreiras não tarifárias ou ajustes na política de câmbio”, defendeu Portella.

    Política pública como investimento, não como custo

    O dirigente cobrou do governo federal ações concretas, como a retomada do Programa Mais Leite Saudável, que oferece incentivos à produção nacional. “Políticas públicas eficientes não são gastos, são investimentos que se convertem em competitividade”, afirmou. Ele também destacou a necessidade de avanços em escala, tecnologia e assistência técnica aos produtores, além da simplificação do sistema tributário e da redução do custo logístico — que, segundo ele, consome até 20% do preço final do produto.

    O seminário, realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, reuniu representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), indústrias, pecuaristas e entidades do setor. A pauta central foi a integração entre os elos da cadeia produtiva para enfrentar os desafios impostos por um mercado global cada vez mais competitivo.

  • Produtores de leite de SC unem forças para criar entidade estadual e combater crise do setor

    Produtores de leite de SC unem forças para criar entidade estadual e combater crise do setor

    Um movimento inédito no estado de Santa Catarina ganha força nesta terça-feira (12), quando sete associações regionais do setor leiteiro se reuniram na sede da AMOSC, em Chapecó, para dar os primeiros passos rumo à criação de uma entidade estadual capaz de representar os interesses de mais de 20 mil produtores rurais. A iniciativa, que envolve municípios do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense, é uma resposta direta aos desafios que assolam a cadeia produtiva há anos: queda nos preços do leite, aumento dos custos de produção e falta de políticas públicas efetivas.

    Da fragmentação regional à união estratégica: o nascimento do Fórum Interassociativo

    A reunião, conduzida pelo vice-presidente da AMOSC e prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, e pelo presidente da AMAI, Anderson Bianchi (prefeito de Lajeado Grande), reuniu representantes das associações AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE, AMAI, AMOSC, AMAUC e AMMOC. O objetivo central foi estruturar um fórum interassociativo permanente, que atuará como voz unificada dos produtores frente ao governo estadual e federal.

    Segundo Pagliarini, a união das sete regiões é um marco para o setor. “Esta é uma oportunidade histórica de fortalecer os produtores rurais, não apenas economicamente, mas também na defesa de seus direitos. Precisamos ampliar a representatividade para garantir que a atividade leiteira, tão vital para nossa economia regional, seja reconhecida como estratégica”, afirmou. A proposta, apresentada pelo assessor jurídico da AMOSC, Fabiano Porto, prevê a criação de um fórum que coordenará ações coletivas, desde o diálogo com instâncias governamentais até a proposição de projetos de lei que beneficiem o setor.

    Os principais desafios que unem os produtores catarinenses

    Durante o encontro, foram mapeadas as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores, que incluem:

    • Preços instáveis: A queda nos valores pagos pelo litro de leite nos últimos anos, agravada pela concorrência com importações e pela concentração do poder de compra das indústrias processadoras, tem reduzido a margem de lucro dos produtores.
    • Altos custos de produção: O aumento dos preços de insumos, como ração e combustível, pressiona ainda mais a viabilidade econômica das propriedades rurais.
    • Falta de políticas públicas específicas: Os produtores pedem incentivos fiscais, acesso a crédito com juros subsidiados e programas de garantia de preços mínimos, semelhantes aos existentes para outros setores da agropecuária.
    • Fragilidade na comercialização: A dependência de intermediários e a falta de cooperativas fortes limitam o poder de negociação dos produtores junto às indústrias.

    Para enfrentar esses problemas, o fórum propõe a elaboração de um plano estadual para o leite, com metas claras de curto, médio e longo prazo, incluindo:

    • Criação de um índice estadual de preços do leite, que sirva como referência para negociações.
    • Estímulo à formação de cooperativas regionais para fortalecer a comercialização.
    • Parcerias com universidades e centros de pesquisa para desenvolver tecnologias que reduzam custos e aumentem a produtividade.
    • Adoção de medidas de proteção contra a concorrência desleal de produtos importados.

    O papel das lideranças políticas e o caminho a seguir

    A participação de prefeitos e secretários municipais de Agricultura no encontro sinaliza o apoio político que a iniciativa pode ter. O prefeito de Chapecó, por exemplo, já se comprometeu a incluir a pauta do leite na agenda da próxima reunião do Consórcio Intermunicipal do Oeste Catarinense (CIOESTE). “Este movimento não é apenas dos produtores, mas de toda a cadeia produtiva. Precisamos que o governo estadual e federal enxergue a importância do leite para Santa Catarina”, declarou um dos participantes.

    Nos próximos meses, o fórum interassociativo realizará reuniões regionais para ouvir as demandas específicas de cada território e formar grupos técnicos para levantar dados precisos sobre a cadeia leiteira catarinense. A meta é apresentar um projeto de lei estadual até o final de 2024, com propostas concretas para resolver os gargalos do setor. “Não queremos assistencialismo, mas condições justas de competição. O leite catarinense tem qualidade reconhecida, mas falta rentabilidade”, resumiu um dos líderes do movimento.

    Santa Catarina: um estado-chave para o leite brasileiro

    Com uma produção anual de cerca de 3,5 bilhões de litros, Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. No entanto, o setor enfrenta uma crise silenciosa: enquanto a produtividade cresce, a renda dos produtores cai. Segundo dados da Epagri, o custo de produção em 2023 superou em 20% a receita média por litro de leite, pressionando muitos produtores a abandonar a atividade ou reduzir investimentos.

    A criação do fórum interassociativo surge como uma resposta necessária para reverter esse cenário. “Unidos, temos força para negociar com as indústrias, pressionar por políticas públicas e mostrar que o leite catarinense é um produto de excelência, que merece ser valorizado”, concluiu Pagliarini. O próximo passo será a definição da coordenação provisória e a elaboração de um cronograma de ações para os próximos 12 meses.

  • E-Days 2026: Mudança de nome reflete revolução na mobilidade – evento se expande para ecossistema energético global

    E-Days 2026: Mudança de nome reflete revolução na mobilidade – evento se expande para ecossistema energético global

    O fim de uma era monocromática

    A mobilidade do futuro não será ditada por uma única solução tecnológica. Essa máxima, que há anos permeava debates no setor automotivo, ganha contornos definitivos com a transformação do Electric Days em E-Days. A mudança, anunciada oficialmente, representa muito mais que uma atualização de identidade visual: é a admissão de que a transição energética exige um ecossistema integrado, onde veículos elétricos a bateria, híbridos, hidrogênio, biocombustíveis, e-fuels e até soluções de armazenamento de energia coexistam em um mesmo cenário de inovação.

    Do elétrico ao energético: uma evolução necessária

    Lançado originalmente como Electric Days, o evento nasceu em um momento em que os veículos 100% elétricos eram sinônimo de futuro imediato. No entanto, a realidade mostrou-se mais complexa. “Quando lançamos o Electric Days, o foco estava naturalmente concentrado nos veículos elétricos. Hoje, o debate evoluiu. A transformação energética da mobilidade exige uma visão mais ampla, que contemple diferentes tecnologias, rotas e modelos de negócio”, explica Fábio Trindade, CEO do Motor1.com Brasil, organização responsável pelo evento. A nova nomenclatura, com o ‘E’ de E-Days representando termos como Energy, Electrification, Environment, Evolution, Efficiency, Ecosystem, Experience e Entrepreneurship, reflete essa ampliação de escopo.

    O evento que virou referência nacional

    Desde sua primeira edição, o Electric Days rapidamente se estabeleceu como o principal fórum brasileiro sobre mobilidade e energias limpas. A edição de 2025, realizada em parceria com o Energy Summit, comprovou sua relevância ao reunir cerca de 12 mil participantes de mais de 3.300 empresas. O evento transformou-se em um ponto de encontro entre montadoras como Volkswagen, Toyota e BYD, gigantes do setor energético como CPFL e EDP, além de startups inovadoras e formuladores de políticas públicas. “Mais do que discutir tecnologias, criamos um ambiente onde as soluções são apresentadas em tempo real, com demonstrações práticas e casos de sucesso”, destaca Trindade.

    E-Days 2026: o Rio de Janeiro como epicentro da transformação

    A próxima edição do evento já tem data marcada: de 23 a 26 de junho de 2026, na icônica Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O local, que já sediou grandes eventos internacionais, foi escolhido estrategicamente por sua infraestrutura e acessibilidade. “A Marina da Glória representa o novo Brasil: conectado, sustentável e pronto para liderar a transição energética”, afirma Trindade. A parceria com o Energy Summit, que une dois dos maiores eventos do setor no país, promete criar um ambiente único onde energia e mobilidade se encontram para discutir os desafios da descarbonização até 2050.

    Tecnologias que ganham destaque no E-Days

    A nova edição do evento promete colocar em evidência soluções que, até recentemente, eram consideradas alternativas. Os híbridos leves, que ganham tração no mercado brasileiro com modelos como o Toyota Corolla Cross Hybrid, dividirão espaço com os híbridos plug-in, cada vez mais presentes em frotas corporativas. O hidrogênio, tecnologias de e-fuels para motores a combustão e até soluções de economia circular – como reciclagem de baterias – terão seus próprios painéis dedicados. “Não estamos mais falando de eletrificação versus combustão. Estamos falando de sinergia”, ressalta o CEO do Motor1.com Brasil.

    O papel das políticas públicas na nova mobilidade

    Um dos diferenciais do E-Days sempre foi sua capacidade de atrair representantes governamentais. Na edição de 2026, espera-se a participação de autoridades como o ministro de Minas e Energia, além de secretários estaduais responsáveis pela implementação de políticas de descarbonização. “As decisões regulatórias são tão importantes quanto as inovações tecnológicas. Precisamos de um marco regulatório que incentive a diversificação tecnológica, não que a restrinja”, argumenta Trindade. O evento servirá como plataforma para lançamentos de programas governamentais e parcerias público-privadas voltadas para a mobilidade sustentável.

    Startups e investimentos: o capital que move a revolução

    A inovação no setor de mobilidade não vem apenas das grandes montadoras. Startups brasileiras como a Voltbras, especializada em recarga de veículos elétricos, e a EcoSyst, focada em soluções de economia circular, terão espaço garantido no E-Days 2026. “Recebemos mais de 200 propostas de startups para apresentar suas soluções em 2026. O evento se tornou um termômetro do ecossistema de inovação”, revela Trindade. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups, o setor de mobilidade sustentável captou mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos nos últimos dois anos, um crescimento de 350% desde 2022.

    O que esperar do E-Days 2026

    Além de painéis com especialistas internacionais e demonstrações ao vivo de tecnologias, a edição de 2026 promete inovações como:

    • Uma área dedicada à ‘Mobilidade como Serviço’ (MaaS), com demonstrações de aplicativos integrados de transporte público, compartilhamento de veículos e micromobilidade;
    • Workshops sobre infraestrutura de recarga, incluindo soluções para condomínios e empresas;
    • Um pavilhão exclusivo para veículos movidos a hidrogênio, com testes de direção;
    • Painéis sobre os desafios da reciclagem de baterias e a segunda vida das células de íon-lítio;
    • Lançamentos exclusivos de modelos híbridos e elétricos para o mercado brasileiro.

    “O E-Days 2026 não será apenas um evento, mas um marco na história da mobilidade brasileira. Vamos mostrar que o futuro não é uma escolha entre tecnologias, mas uma combinação inteligente delas”, conclui Trindade. Com a evolução de nome e escopo, o evento se posiciona como o principal palco onde as grandes transformações da mobilidade serão discutidas – e onde o Brasil pode, finalmente, assumir seu papel de protagonista nesse processo.