Tag: pragas agrícolas

  • Mamona no Cerrado: crescimento produtivo exige controle de pragas e manejo rigoroso

    Mamona no Cerrado: crescimento produtivo exige controle de pragas e manejo rigoroso

    A cultura da mamona ganha fôlego no Cerrado com a expectativa de colher 159,8 mil toneladas na safra 2025/2026 — um salto de 59,7% em relação ao ciclo anterior, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço reflete a crescente demanda por óleos vegetais e a adaptação da planta ao bioma, mas especialistas alertam: o resultado final está diretamente ligado à saúde das lavouras.

    Bahia lidera produção, mas produtividade exige mais do que área plantada

    A Bahia se consolida como o principal polo da cultura, respondendo por grande parte da oferta nacional. Contudo, como destaca Igor Borges, líder de sustentabilidade da ORÍGEO, “a boa produtividade não depende apenas de ampliar a área de plantio”. O desafio é manter a lavoura livre de pragas e plantas daninhas, que podem reduzir a eficiência da cultura em até 30%, segundo estudos do setor.

    Pragas e plantas daninhas: o inimigo silencioso da mamona

    O aumento da área plantada no Cerrado também expande a incidência de pragas como a Diabrotica speciosa (besouro-do-milho) e doenças fúngicas, como a Colletotrichum, que atacam caules e folhas. Além disso, plantas daninhas como o capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) competem por nutrientes e água, reduzindo a produtividade. “O manejo integrado é fundamental. Não adianta só plantar — é preciso monitorar e agir no momento certo”, afirma Borges.

    Consequências para o mercado e o produtor

    O crescimento da produção nacional de mamona tem reflexos diretos no mercado de óleos vegetais, especialmente para a indústria de biocombustíveis e cosméticos. No entanto, a volatilidade dos preços e os custos com insumos — como defensivos agrícolas e mão de obra especializada — podem pressionar a margem de lucro dos produtores. “Quem não investir em tecnologia e manejo corre o risco de perder competitividade”, avalia o especialista.

    Perspectivas para o ciclo 2026/2027

    Com a safra 2025/2026 ainda em andamento, os olhares se voltam para o próximo ciclo. A Conab deve revisar suas projeções em setembro de 2026, mas a tendência é de manutenção do crescimento, desde que os desafios sanitários sejam controlados. Para os produtores, a lição é clara: a mamona pode ser uma oportunidade, mas exige mais do que sorte — exige planejamento e ação constante.

  • Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Trégua obrigatória na maior fronteira agrícola do país

    A segunda-feira (8) marcou o início do vazio sanitário da soja em Mato Grosso, período de 91 dias em que nenhum cultivo da leguminosa é permitido no estado. A medida, coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Sedru) e fiscalizada pela Famato, tem como alvo principal as chamadas plantas voluntárias — aquelas que brotam espontaneamente após a colheita, também conhecidas como tigueras. O objetivo é erradicar esses focos verdes antes que sirvam de hospedeiros para a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), fungo que, segundo a Embrapa, pode reduzir a produtividade em até 90% em lavouras infectadas.

    Por que o vazio sanitário é a arma mais eficaz contra a ferrugem

    A ferrugem asiática, detectada pela primeira vez no Brasil em 2001, já causou prejuízos superiores a R$ 28 bilhões à agricultura nacional, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Em Mato Grosso — maior produtor nacional, responsável por 35% da safra brasileira — a doença é monitorada 24 horas por dia pela rede de alerta fitossanitário. Durante o vazio sanitário, que se estende até 7 de setembro, drones, técnicos da Emater-MT e fiscais estaduais percorrerão plantações, beiras de estradas e armazéns para garantir que não reste nenhum vestígio de soja viva. A multa por descumprimento pode chegar a R$ 100 mil por hectare irregular.

    Impacto econômico: proteger R$ 60 bilhões em 2026

    A safra 2025/26 de Mato Grosso, estimada em 46 milhões de toneladas de soja, gerou receitas de R$ 60 bilhões aos produtores. Com a ferrugem asiática em expansão — já registrada em 15 estados brasileiros — o vazio sanitário torna-se ainda mais crítico. “Eliminar as plantas voluntárias é a única forma de quebrar o ciclo do fungo. Se não fizermos isso, a próxima safra pode ser dizimada antes mesmo de começar”, alerta o engenheiro agrônomo José Fernando Pimentel, da Famato. Além da ferrugem, o vazio sanitário também reduz a pressão de outras pragas, como o percevejo e a lagarta da soja, otimizando o uso de defensivos agrícolas na próxima temporada.