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  • Honda: ex-executivos tentaram derrubar CEO após primeiro prejuízo em 70 anos

    Honda: ex-executivos tentaram derrubar CEO após primeiro prejuízo em 70 anos

    A Honda enfrentou uma crise silenciosa nos bastidores. Em 11 de junho de 2026, a montadora japonesa já carrega o peso de seu primeiro prejuízo anual em quase sete décadas, mas o que poucos sabem é que os ex-executivos da empresa não pouparam esforços para pressionar pela saída do atual CEO, Toshihiro Mibe.

    O estopim da revolta: prejuízo histórico e estratégia questionada

    Segundo reportagem da Reuters publicada na última quarta-feira (10/6), um grupo de ex-dirigentes da Honda se reuniu no final de 2025 para compilar uma lista de críticas contra Mibe. A insatisfação não era apenas com os números vermelhos — que quebraram uma sequência ininterrupta de lucros desde 1957 — mas também com a direção estratégica adotada pelo executivo.

    Os ex-executivos, que ocuparam cargos-chave na empresa, alegavam que Mibe estaria priorizando iniciativas como patrocínios esportivos e projetos de mobilidade duvidosa, enquanto ignorava demandas urgentes do mercado chinês, principal fonte de receita da Honda. A China, atualmente, é o maior mercado da companhia, mas enfrenta crescente concorrência de fabricantes locais.

    Veículos elétricos: o plano que afundou

    A situação se agravou após a Honda anunciar, no início de 2026, o cancelamento de três modelos elétricos em desenvolvimento e a revisão de sua meta de eletrificação total até 2040. A decisão, inédita na história da empresa, refletiu não apenas dificuldades técnicas, mas também uma mudança de rota forçada pela realidade do mercado.

    O protótipo Afeela 2026 15, apresentado recentemente como um dos carros-símbolo da nova era elétrica da Honda, agora parece um projeto em risco. Com a empresa recuando em sua ambição de dominar o segmento, a confiança no CEO Mibe tornou-se alvo de questionamentos internos.

    Moral abalada e clientes ignorados?

    Além das críticas à estratégia comercial, o resumo das discussões vazadas pela Reuters revelou acusações de que Mibe não estaria ouvindo as demandas dos clientes nem os feedbacks da equipe. Em abril de 2026, comentários públicos do executivo teriam gerado descontentamento entre funcionários, afetando o moral da corporação.

    A pressão por mudanças, no entanto, esbarra em um cenário de incerteza. Enquanto a Honda tenta equilibrar sua transição energética com a manutenção de seus negócios tradicionais, a pergunta que fica é: até quando o atual comando resistirá à tempestade?

  • Stellantis lança plano bilionário para virar a página após prejuízo recorde e redefine futuro da Fiat e Jeep

    Stellantis lança plano bilionário para virar a página após prejuízo recorde e redefine futuro da Fiat e Jeep

    A Stellantis, conglomerado que controla algumas das marcas mais icônicas do mundo automotivo, acaba de apresentar o FaSTLAne 2030, um plano estratégico que representa não apenas um roteiro de crescimento, mas uma verdadeira cirurgia de reorganização para evitar novos prejuízos históricos como os registrados recentemente.

    Da crise à concentração: como a Stellantis escolheu suas marcas vitais

    Depois de anos de dispersão — com dezenas de modelos competindo entre si em mercados superpostos — a empresa decidiu enxugar drasticamente sua atuação. A estratégia é concentrar 70% de seus investimentos em apenas quatro divisões: Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. As demais marcas, como Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo, continuarão existindo, mas com um papel mais regional e dependente das plataformas globais compartilhadas.

    Enquanto DS e Lancia serão tratadas como nichos de luxo — geridas respectivamente pela Citroën e Fiat — a Maserati ganhará dois novos modelos de luxo (segmento E) até 2026, consolidando sua posição no segmento premium. A decisão reflete uma lógica cruel, mas necessária: em um mercado cada vez mais competitivo, não há espaço para marcas que não geram retorno financeiro.

    € 60 bilhões em jogo: a batalha por eletrificação sem descartar o passado

    O plano prevê investimentos monumentais: € 60 bilhões até 2030, dos quais € 24 bilhões serão destinados exclusivamente a plataformas, powertrains e tecnologias. A Stellantis não está apostando todas as suas fichas na eletrificação total — ao contrário de rivais como Tesla ou BYD. Em vez disso, adota a estratégia de “multienergia”, desenvolvendo soluções para diferentes estágios de mercado.

    Os números do plano são impressionantes: mais de 60 lançamentos inéditos e 50 atualizações até o fim da década, divididos em:

    • 29 modelos 100% elétricos (com foco em Europa e China);
    • 15 híbridos plug-in ou elétricos de autonomia estendida;
    • 24 híbridos convencionais;
    • 39 modelos com motores a combustão ou híbridos leves (destinados a mercados onde a transição elétrica é mais lenta, como América do Sul e África).

    Plataformas globais: o segredo para reduzir custos e acelerar inovação

    A chave para viabilizar esse plano está na padronização de componentes. A Stellantis vai investir em arquiteturas modulares que possam receber desde motores a combustão até sistemas híbridos e elétricos completos. Essa flexibilidade permitirá que a empresa desenvolva veículos mais rápido, com menor custo e maior adaptação às demandas regionais.

    Até 2030, metade da produção global do grupo será baseada nessas plataformas comuns, um movimento que pode significar a diferença entre sobreviver e sucumbir em um setor cada vez mais dominado por gigantes asiáticos e norte-americanos.

    O que muda para os consumidores e para a indústria?

    Para os compradores, a grande novidade é a maior oferta de opções tecnológicas, mas com menor variedade de modelos em algumas linhas. A Fiat, por exemplo, deve concentrar seus esforços em utilitários e compactos, enquanto a Jeep reforçará sua linha de SUVs com tecnologias híbridas e elétricas.

    Já para a indústria, o FaSTLAne 2030 sinaliza uma corrida contra o tempo. A Stellantis está correndo para recuperar rentabilidade antes que seus concorrentes chineses — como BYD e NIO — dominem completamente o mercado de elétricos, enquanto ainda precisa manter sua presença em regiões onde os motores a combustão ainda são a norma.

    A apresentação detalhada do plano ocorrerá em dezembro de 2026 em Modena, cidade italiana sede da Maserati. Até lá, a empresa terá que convencer acionistas e investidores de que € 60 bilhões são o suficiente para reerguer um gigante que, recentemente, registrou um dos piores desempenhos financeiros de sua história.