A fisiologia das galinhas e o desafio da muda de penas
O ciclo de vida das galinhas de postura é marcado por uma fase crítica: a muda de penas, processo natural que interrompe temporariamente a postura de ovos e afeta a plumagem. Segundo especialistas da Embrapa Suínos e Aves, esse fenômeno ocorre principalmente nos meses de outono e inverno, quando a redução do fotoperíodo — a quantidade de horas de luz diária — desencadeia uma resposta fisiológica nas aves. A energia, antes direcionada para a produção de ovos, passa a ser utilizada para a regeneração das penas, resultando em queda na produtividade.
Manejo nutricional: o equilíbrio entre custo e performance
Além dos ciclos biológicos, falhas no manejo nutricional estão entre as principais causas da queda na postura e da perda de penas. Consultores de mercado alertam que dietas desbalanceadas, deficiências de proteínas ou minerais essenciais (como zinco e enxofre) e até mesmo o excesso de energia na ração podem comprometer a saúde das aves. “A nutrição é a base para evitar a muda forçada”, explica um nutricionista veterinário ouvido pela reportagem. A recomendação é ajustar a dieta conforme a fase produtiva do lote, garantindo que os nutrientes estejam alinhados às necessidades energéticas das galinhas.
Sanidade e ambiente: os fatores invisíveis que afetam a rentabilidade
A saúde do lote também é determinante para evitar prejuízos. Doenças como bronquite infecciosa, doença de Newcastle ou mesmo infestações por parasitas externos (como piolhos) podem acelerar a perda de penas e reduzir a postura. Além disso, condições ambientais inadequadas — como umidade excessiva, ventilação insuficiente ou estresse térmico — agravam o problema. “Um ambiente controlado é tão importante quanto uma dieta equilibrada”, destaca um avicultor de médio porte de Goiás, que recentemente enfrentou perdas significativas em seu plantel.
Solutions práticas para minimizar os impactos
Para mitigar os efeitos da queda na postura e da perda de penas, especialistas da Embrapa indicam uma combinação de estratégias: controle rigoroso da iluminação (aumentando gradualmente as horas de luz artificial), suplementação nutricional com aminoácidos essenciais e imunidade reforçada, e monitoramento sanitário constante. “O segredo está na antecipação. Quanto antes identificar os sinais, menor será o prejuízo”, afirma um pesquisador da Embrapa. Em granjas que adotaram essas práticas, a recuperação da produtividade foi observada em até 45 dias.
O que os produtores devem priorizar agora?
Com a data de referência em 16 de junho de 2026, os avicultores brasileiros precisam agir rapidamente. Especialistas recomendam uma auditoria completa nos lotes, avaliando desde a qualidade da ração até as condições de alojamento. “Investir em tecnologia de monitoramento, como sensores de temperatura e umidade, pode ser a diferença entre prejuízo e lucro”, conclui um consultor de mercado. A lição é clara: a rentabilidade das granjas depende não apenas da genética das aves, mas de um manejo integrado e científico.
