Tag: produtividade rural

  • Do papel ao cocho: como o manejo pode transformar a dieta do seu rebanho em produtividade

    Do papel ao cocho: como o manejo pode transformar a dieta do seu rebanho em produtividade

    A nutrição animal não se limita à elaboração de dietas em sistemas digitais ou planilhas. Embora ferramentas como softwares de formulação (como o RLM) sejam essenciais para balancear nutrientes, a realidade no campo mostra que a dieta final consumida pelo rebanho nem sempre reflete o planejamento inicial.

    A distância entre a dieta formulada e a dieta consumida

    Fatores como a qualidade dos ingredientes, o tempo de armazenamento, a segregação dos componentes no cocho e até mesmo o comportamento dos animais impactam diretamente na ingestão nutricional. Um estudo da Embrapa de 2025 constatou que, em fazendas brasileiras, até 30% das dietas planejadas apresentavam desvios significativos no consumo real, comprometendo o desempenho zootécnico.

    Três dietas-chave dentro de uma só: da teoria à prática

    No dia a dia das propriedades rurais, identificamos três tipos de dietas que coexistem:

    • Dieta formulada: A receita teórica, calculada para atender às exigências nutricionais do rebanho com base em dados zootécnicos e de mercado.
    • Dieta fornecida: A mistura que chega ao cocho, muitas vezes alterada pela umidade, moagem inadequada ou contaminação por fungos durante o transporte e armazenagem.
    • Dieta consumida: O que efetivamente os animais ingerem, influenciada pela seletividade (animais mais dominantes comem primeiro) e pela segregação dos ingredientes na dieta total.

    O cocho como fator decisivo: mais que um recipiente, uma ferramenta estratégica

    O manejo do cocho é o elo entre a teoria e a prática. Pesquisas da Universidade Federal de Goiás (UFG) publicadas em junho de 2026 mostram que propriedades que investem em treinamento de mão de obra para distribuição uniforme de ração e monitoramento diário do consumo reduziram em 22% as perdas por seletividade animal. Técnicas como a segregação de fibra (usando separadores magnéticos em silos) e a rotação de lotes no cocho também se mostraram eficazes para garantir que todos os animais tenham acesso equitativo aos nutrientes.

    Consequências da má gestão nutricional: prejuízos invisíveis

    Além da queda na produtividade, dietas mal manejadas aumentam a incidência de doenças metabólicas, como a acidose ruminal, e reduzem a vida útil dos animais. Dados da Associação Brasileira de Zootecnistas indicam que, em propriedades com alto turnover de animais, até 15% das mortes no curral estão relacionadas a distúrbios nutricionais, cuja raiz muitas vezes está no gap entre o planejado e o consumido.

    Tecnologia a serviço do manejo: o futuro já começou

    Soluções como sensores de umidade em silos, câmeras com IA para monitorar o consumo em tempo real e softwares de gestão de cocho (que integram dados de formulação, clima e comportamento animal) estão ganhando espaço. Em 2026, fazendas que adotaram essas tecnologias registraram um aumento de 8% na eficiência alimentar e redução de 12% nos custos com suplementação.

    O recado é claro: a nutrição animal eficiente não se encerra na planilha. É um ciclo que começa na formulação, passa pelo manejo diário no cocho e se concretiza no prato dos animais. Ignorar essa cadeia é abrir mão de produtividade e rentabilidade.

  • André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    Ministro e lideranças do agro traçam estratégias em Brasília

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, realizou na última quarta-feira (17) um encontro histórico com os presidentes de 18 Câmaras Setoriais do Ministério da Agricultura (Mapa), em Brasília. O objetivo central foi aproximar o governo das demandas concretas das cadeias produtivas, num momento em que o agro brasileiro enfrenta pressões por produtividade, sustentabilidade e acesso a mercados internacionais.

    Dezenas de setores unem forças em torno de prioridades comuns

    A lista de participantes incluiu representantes de segmentos estratégicos como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, citricultura e pecuária, entre outros. Durante o evento, cada entidade apresentou os principais desafios de seus setores — desde a competitividade frente a produtos importados até a adaptação às mudanças climáticas e a adoção de tecnologias inovadoras. A diversidade de frentes reforçou a necessidade de políticas públicas coordenadas e ágeis.

    Diálogo como ferramenta-chave para o futuro do agro

    Segundo informações oficiais, a reunião não se limitou a um espaço de queixas: tratou-se de um workshop prático de construção de soluções. As demandas apresentadas pelos setores serão agora mapeadas pelo Mapa, com vistas à formulação de políticas públicas e programas de incentivo que possam impulsionar a competitividade do setor. A pauta incluiu desde a simplificação de regulamentações até o fomento à pesquisa e inovação tecnológica, como no caso do capim Tifton 85, que tem levado produtividade e sustentabilidade de Goiás para o exterior.

    Próximos passos: da teoria à prática

    Com o registro fotográfico da reunião — que contou com a presença de Percio Campos/Mapa — o Ministério sinalizou que os próximos 90 dias serão decisivos para transformar as propostas em ações concretas. A expectativa é que o diálogo estabelecido na última quarta-feira (17) se reverbere em medidas capazes de fortalecer o agro brasileiro, mantendo-o como um dos principais pilares da economia nacional em 2026 e além.

  • Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

    Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

    Com a chegada do El Niño mais intenso, a safra de trigo 2024/25 começa sob um clima de incertezas. A irregularidade das chuvas, oscilações bruscas de temperatura e períodos de restrição hídrica desafiam os produtores desde o plantio, exigindo estratégias mais precisas para evitar perdas no potencial produtivo.

    O impacto do clima no desenvolvimento da cultura

    O trigo é especialmente sensível às variações climáticas, principalmente nas fases iniciais de estabelecimento e perfilhamento. Segundo Felipe Sulzbach, responsável pelas operações da Elicit Plant Brasil, a combinação de chuva concentrada, estresse hídrico e temperaturas instáveis pode reduzir drasticamente o desenvolvimento das plantas. “O planejamento da safra já considera o cenário climático desde o início. A planta sente muito essas mudanças, especialmente quando o estresse abiótico se soma a momentos críticos do ciclo”, explica o executivo.

    Tecnologias que antecipam respostas da planta

    A empresa tem monitorado lavouras que adotam manejos fisiológicos avançados, com foco em elicitação — técnica que estimula respostas naturais das plantas para enfrentar condições adversas. O resultado é notável: enquanto o manejo padrão apresenta um incremento médio de 266 kg/ha, tecnologias em desenvolvimento alcançam ganhos de até 423 kg/ha, o equivalente a sete sacas por hectare e um aumento de 11% na produtividade.

    Manejo estratégico: o segredo para manter a estabilidade

    O diferencial está na aplicação de produtos que atuam entre o alongamento do colmo e a fase pré-reprodutiva. Essa janela é crucial para o trigo, pois é quando a planta define seu potencial de enchimento de grãos. “Manter a área foliar ativa por mais tempo, otimizar o uso de água e nutrientes e reduzir perdas por estresse são os pilares desse manejo”, detalha Sulzbach. Nas áreas acompanhadas, as lavouras tratadas apresentaram emergência mais uniforme, vigor inicial superior e maior estabilidade ao longo do ciclo — características que se tornam vitais em anos de maior pressão climática.

    Um passo além: o futuro do manejo do trigo

    Os dados da Elicit Plant Brasil reforçam que a adoção de tecnologias fisiológicas não é apenas uma resposta pontual, mas uma evolução no modo de produzir. Com a intensificação dos fenômenos climáticos, a busca por soluções que preservem o potencial produtivo das culturas ganha protagonismo. “Os produtores estão cada vez mais proativos. Não esperam os danos acontecerem para agir”, observa o executivo. Nesse contexto, o trigo deixa de ser apenas uma cultura de rotação e se consolida como um termômetro da resiliência do agronegócio brasileiro diante das mudanças climáticas.