Uma investigação da Electronic Frontier Foundation (EFF), divulgada em 5 de agosto de 2026, expôs como aplicativos para Android estão compartilhando a localização precisa de seus usuários com empresas de publicidade — muitas vezes sem que os próprios desenvolvedores dos apps tenham ciência.
O mecanismo por trás do vazamento de dados
O problema reside na forma como o Android gerencia permissões. O sistema operacional exige que os apps peçam autorização explícita para acessar a localização do usuário, mas não restringe o compartilhamento desses dados com SDKs (kits de desenvolvimento de software) de terceiros incorporados nos aplicativos. Essas bibliotecas, como as da InMobi, Verve e Huawei, coletam coordenadas de GPS em tempo real e as repassam para serviços de anúncios e corretores de dados (data brokers).
Riscos além da publicidade
Os dados de localização, quando combinados a outras informações, podem ser usados para direcionar anúncios personalizados, mas também têm potencial para serem comercializados com governos ou agências de inteligência. A EFF alerta que essa prática configura uma violação grave à privacidade, uma vez que muitos usuários sequer sabem que seus movimentos estão sendo rastreados por terceiros.
A lacuna nas permissões do Android
Embora o Android ofereça permissões granulares para localização — como “localização aproximada” ou “localização precisa” —, os SDKs de publicidade exploram uma brecha: não há uma restrição específica que impeça essas bibliotecas de acessar os dados uma vez que o app principal tenha a permissão concedida. Isso transforma aplicativos comuns, de redes sociais a jogos, em vetores de coleta massiva de dados geográficos.

