Em menos de uma década, os minicavalos brasileiros deixaram de ser meros atrativos de feiras agropecuárias para se tornarem uma tendência crescente de ‘minipecuária’ em áreas urbanas e rurais. Animais menores que um pônei tradicional, mas com a mesma estrutura e temperamento dócil de equinos, esses pets vêm movimentando um mercado que já soma cerca de 9 mil animais registrados no Brasil — número que pode ultrapassar 10 mil, segundo criadores.
Do campo para os quintais: a reinvenção de uma raça nacional
A base genética dos minicavalos brasileiros é resultado de um trabalho de seleção iniciado há cerca de 30 anos, com linhagens que incluem raças como Shetland e Miniature Horse americano, mas com adaptações para o clima e necessidades locais. Hoje, eles são reconhecidos como uma raça em formação, ainda sem registro oficial definitivo no Ministério da Agricultura, mas com criatórios especializados em São Paulo e Rio Grande do Sul — estados que lideram a criação, responsáveis por cerca de 60% do plantel nacional.
Cuidados específicos e um nicho promissor
Embora sejam menores (medem entre 70 cm e 100 cm de altura e pesam até 150 kg), os minicavalos exigem cuidados tipicamente equinos: alimentação balanceada, espaço para movimentação e acompanhamento veterinário especializado. Segundo especialistas, o custo de manutenção anual por animal pode variar entre R$ 3 mil e R$ 8 mil, dependendo da região e da qualidade dos insumos. Ainda assim, a demanda tem crescido entre famílias que buscam animais de companhia não convencionais, investidores em lazer rural e até criadores de animais exóticos para eventos.
O futuro da minipecuária: entre o hobby e o negócio
O mercado de minicavalos no Brasil registra um crescimento anual estimado em 20% a 25%, segundo dados de associações de criadores. Empresas especializadas já oferecem desde ração específica até treinamentos para adaptação em ambientes domésticos. A Associação Brasileira de Mini-Horses (ABMH) projeta que, até 2028, o número de animais registrados pode superar 15 mil, impulsionado por redes sociais — onde vídeos de minicavalos interagindo com crianças ou até mesmo ‘brincando’ em piscinas viralizam.
Para especialistas, o fenômeno reflete uma mudança cultural: a busca por alternativas aos pets tradicionais (cães e gatos) e a valorização de propriedades de lazer, muitas vezes localizadas em regiões cada vez mais urbanizadas. ‘Eles não são apenas um brinquedo vivo, mas uma extensão da família’, afirma um criador de Campinas (SP), que já comercializou animais para clientes em São Paulo e até no exterior.

