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  • Justiça suspende dívidas de produtor de mandioca em MS após queda histórica de preços

    Justiça suspende dívidas de produtor de mandioca em MS após queda histórica de preços

    O colapso do preço da mandioca e o abandono do campo

    Em 2026, o agronegócio sul-mato-grossense enfrentou um dos piores cenários da década: a cotação da mandioca despencou, pressionada por safras excessivas, clima adverso e redução na demanda industrial. Enquanto os bancos celebravam lucros recordes durante a bonança, produtores como o de Deodápolis viram suas margens desaparecerem da noite para o dia. A crise não foi uma surpresa — foi a consequência de um modelo que trata o crédito rural como privilégio, não como direito.

    Quando o banco fecha a porta: o produtor e os R$ 2 milhões em suspenso

    Com a receita da safra dizimada, as duas principais instituições financeiras que haviam concedido crédito ao produtor de mandioca se recusaram a renegociar as dívidas. O argumento era sempre o mesmo: “condições adversas não são nossa responsabilidade”. Sem alternativa, o caso chegou ao escritório CH Advogados, especializado em reestruturação de endividamento rural. Em ação rápida, a Justiça concedeu uma liminar que suspendeu a cobrança, garantindo fôlego para reavaliar as condições do débito.

    Reestruturação de dívidas rurais: um direito, não um favor

    A decisão judicial reafirma um princípio básico do crédito rural: a proteção ao produtor em casos de força maior. A Lei nº 4829/1965 e o Código de Defesa do Consumidor já preveem que bancos e instituições devem oferecer condições para a renegociação quando há comprovação de prejuízos não previstos. No entanto, na prática, muitos produtores ainda são obrigados a buscar a Justiça para terem seus direitos reconhecidos. O caso de Deodápolis é um alerta para o setor: a falta de flexibilidade das instituições pode agravar crises já devastadoras.

    O que vem pela frente: riscos e sinais de alerta para o agro

    O setor sucroenergético — grande consumidor de mandioca — já sinaliza preocupação com a queda nos estoques e a pressão sobre os preços. Enquanto isso, os produtores rurais enfrentam um paradoxo: mesmo com a Justiça garantindo direitos, a burocracia e a resistência dos bancos prolongam a incerteza. A reestruturação de dívidas não é uma solução mágica, mas uma tábua de salvação em momentos de crise. Para o produtor de Deodápolis, a liminar foi um alívio temporário; a batalha pela sobrevivência no campo, no entanto, está longe de terminar.