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  • Seguro rural no Brasil ainda perde para o mundo: cobertura limitada expõe produtores a riscos climáticos

    Seguro rural no Brasil ainda perde para o mundo: cobertura limitada expõe produtores a riscos climáticos

    Na última sexta-feira, 5 de junho de 2026, o FGV Agro lançou um estudo que joga luz sobre um dos principais pontos de fragilidade do agronegócio brasileiro: a cobertura insuficiente do seguro rural. Enquanto nações como Estados Unidos, Canadá, Espanha e China já operam modelos consolidados — com subsídios estatais e compartilhamento de riscos —, o Brasil ainda patina para ampliar o acesso ao instrumento, apesar da crescente recorrência de eventos climáticos extremos.

    O abismo entre o Brasil e o mundo na proteção das lavouras

    Segundo a pesquisa, os países desenvolvidos e emergentes analisados aplicam políticas públicas agressivas para incentivar a adesão ao seguro rural. Nos EUA, por exemplo, o governo subsidia até 60% do prêmio, enquanto no Brasil, os números ainda são tímidos: menos de 20% das áreas agrícolas brasileiras são cobertas por seguro, contra 80% nos Estados Unidos.

    A discrepância não é mera estatística. Com secas históricas no Centro-Oeste, geadas atípicas no Sul e enchentes no Norte, os produtores brasileiros seguem reféns de políticas compensatórias — como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) — que, embora essenciais, não oferecem a mesma segurança de um seguro privado estruturado.

    Eventos climáticos extremos: o gatilho que não pode mais ser ignorado

    O estudo do FGV Agro destaca que a frequência de fenômenos como o El Niño e La Niña — responsáveis por secas e chuvas excessivas — dobrou desde 2010. Em 2026, o Brasil já registra prejuízos superiores a R$ 15 bilhões por conta de perdas agrícolas, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    Para especialistas, a solução passa por três frentes: ampliação dos subsídios governamentais, modernização da legislação e parcerias com o setor privado. “O seguro rural não é um gasto, é um investimento na estabilidade do agro”, afirma o economista-chefe do FGV Agro, Carlos Eduardo Caldarelli. “Países que não priorizaram isso hoje enfrentam crises sociais e migração rural em massa.”

    O que falta para o Brasil virar o jogo?

    O modelo brasileiro de seguro rural, hoje centrado em programas como o Proagro e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), ainda é insuficiente para cobrir a diversidade de culturas e regiões do país. A falta de dados precisos sobre riscos climáticos em micro-regiões e a burocracia excessiva para acionar indenizações são pontos críticos.

    Além disso, a cultura de dependência de políticas públicas — comum entre pequenos e médios produtores — desestimula a busca por soluções privadas. “Muitos ainda veem o seguro como um custo, não como uma proteção”, avalia a pesquisadora da FGV Agro, Thaís Viegas. “Mas sem ele, a cada safra perdida, o risco de endividamento e abandono das terras cresce.”

    Enquanto o mundo investe em tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial para precificar riscos, o Brasil segue atrás. A pergunta que fica é: quando o país finalmente abraçará o seguro rural como uma política de Estado, e não apenas como um paliativo?