Tag: sanidade animal

  • Frigorífico da JBS em Goiás tem planos sanitários reprovados em auditoria da União Europeia

    Frigorífico da JBS em Goiás tem planos sanitários reprovados em auditoria da União Europeia

    A fiscalização da União Europeia desnudou as fragilidades no sistema sanitário de um dos principais frigoríficos da JBS no Brasil. A planta de Mozarlândia (GO), responsável por exportar carne bovina para blocos econômicos de alta demanda, teve seus planos sanitários e de qualidade reprovados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) — vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) — após uma missão técnica europeia realizada em julho.

    Exigências europeias apertam o cerco à carne brasileira

    O episódio ocorre em um contexto de crescente rigor regulatório por parte da União Europeia, que tem ampliado suas barreiras não apenas sanitárias, mas também ambientais para países que buscam manter ou ampliar suas exportações de alimentos. A reprovação da unidade de Mozarlândia, embora não tenha resultado na suspensão imediata das exportações, sinaliza um alerta para o setor agroindustrial brasileiro sobre a necessidade de alinhamento com padrões cada vez mais rígidos.

    Exportações seguem, mas sob risco iminente

    Apesar da reprovação nos protocolos sanitários, a unidade da JBS em Goiás permanece operacional e autorizada a exportar. Segundo fontes técnicas ouvidas pela imprensa local, a decisão de manter ou suspender as operações cabe ao Mapa, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema. A situação, no entanto, acende um sinal amarelo: caso as não conformidades não sejam sanadas em tempo hábil, a planta poderá enfrentar restrições comerciais que impactariam diretamente sua competitividade no mercado internacional.

    JBS enfrenta pressão em um setor cada vez mais monitorado

    A JBS, maior empresa de proteína animal do mundo, tem sido alvo de fiscalizações rigorosas não só no Brasil, mas também em outros mercados onde atua. O episódio em Goiás reforça a necessidade de investimentos contínuos em adequação sanitária e rastreabilidade, especialmente diante de um consumidor europeu cada vez mais exigente em relação à origem e ao processo produtivo da carne que consome.

  • Brasil inaugura Banco Nacional de Antígenos contra febre aftosa: marco histórico para o agro brasileiro

    Brasil inaugura Banco Nacional de Antígenos contra febre aftosa: marco histórico para o agro brasileiro

    A pecuária brasileira alcançou um marco histórico em sua defesa sanitária nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, com a inauguração do Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa. A iniciativa, considerada estratégica para o setor agropecuário, amplia a capacidade de resposta do país a eventuais surtos da doença, garantindo a proteção do rebanho nacional e a manutenção do status sanitário brasileiro nos mercados internacionais.

    Um escudo contra emergências sanitárias

    O banco, composto pelos principais antígenos dos sorotipos do vírus da febre aftosa, possibilita a produção ágil de vacinas específicas em caso de detecção de focos. Essa estrutura é fundamental para um setor que movimenta cerca de R$ 100 bilhões anualmente e depende da credibilidade sanitária para acessar mercados exigentes, como China, União Europeia e Estados Unidos.

    Parceria pública-privada para consolidar liderança agro

    O projeto é resultado de uma colaboração entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó, empresa global de saúde animal. A iniciativa reforça a posição do Brasil como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, ao mesmo tempo em que reduz riscos de sanções comerciais por barreiras sanitárias.

    Competitividade em xeque: o que está em jogo

    Sem um sistema de resposta rápida como este, o país ficava vulnerável a surtos que poderiam interromper exportações e gerar prejuízos bilionários. Agora, com o banco de antígenos, o Brasil ganha agilidade para conter crises sanitárias antes que afetem a cadeia produtiva, assegurando a continuidade de um dos pilares da economia nacional.

  • Pecuaristas brasileiros reagem contra restrições da UE ao uso de antimicrobianos: ‘Impacto nacional sem critério’

    Pecuaristas brasileiros reagem contra restrições da UE ao uso de antimicrobianos: ‘Impacto nacional sem critério’

    As principais lideranças da pecuária brasileira se uniram em defesa do setor após a possibilidade de a regulamentação brasileira incorporar restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal, seguindo padrões da União Europeia. Em nota conjunta divulgada nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, 15 entidades — entre elas a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS) — classificaram a medida como um risco à competitividade do setor, que representa R$ 500 bilhões anuais para o país.

    Medida europeia afetaria todo o Brasil sem distinção

    O alerta das entidades destaca que, caso implementada, a proibição ou limitação do uso de antimicrobianos — ferramentas essenciais no combate a doenças como mastite e pneumonia em rebanhos — não levaria em conta as diferenças entre os sistemas de produção brasileiros e os europeus. Enquanto na UE predominam modelos intensivos com densidade populacional alta, o Brasil adota uma pecuária predominantemente extensiva, com desafios sanitários distintos.

    Risco de queda na produtividade e aumento de custos

    Segundo projeções da Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), a restrição poderia reduzir a produtividade dos rebanhos em até 15%, elevando os custos de produção em R$ 80 por animal ao ano. “Não há base científica que justifique uma regulamentação única para realidades tão distintas. Isso pode inviabilizar pequenos e médios produtores”, afirmou o presidente da SRB, Antônio Pitangui, em entrevista exclusiva.

    Exportações em xeque: União Europeia é destino de 22% da carne brasileira

    A União Europeia é o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, responsável por 22% das exportações do setor. No entanto, as entidades ressaltam que a medida não apenas prejudicaria a produção interna, como também poderia gerar barreiras comerciais disfarçadas. “A UE já impõe barreiras não tarifárias sob o pretexto de segurança alimentar. Agora, querem transformar nossas práticas em modelo europeu”, alertou o diretor da ACRIMAT, Paulo Carneiro.

    Setor pede diálogo técnico e soluções alternativas

    Diante do impasse, as entidades defendem a criação de um grupo de trabalho com o Ministério da Agricultura para avaliar soluções técnicas, como o uso de antimicrobianos em situações controladas ou a adoção de protocolos específicos por região. “O Brasil tem um dos sistemas mais rigorosos de rastreabilidade do mundo. Não precisamos copiar modelos de outros continentes”, argumentou a presidente da MBPS, Mariana Garcia.

    O setor aguarda uma posição do governo federal, que tem até dezembro de 2026 para decidir sobre a incorporação das normas europeias ao ordenamento jurídico brasileiro.

  • Brasil adota modelo sem antibióticos na pecuária, mas UE exige mais comprovações até setembro

    Brasil adota modelo sem antibióticos na pecuária, mas UE exige mais comprovações até setembro

    A publicação da Portaria SDA/MAPA 1617 em 3 de julho de 2026 marca um divisor de águas na pecuária brasileira: a eliminação progressiva dos antibióticos promotores de crescimento (AGPs) na alimentação animal. A medida reflete uma tendência global de redução do uso de antimicrobianos na produção de alimentos, impulsionada por pressões sanitárias e demandas de mercados consumidores.

    Saúde animal sem antibióticos: o novo padrão brasileiro

    Segundo Fernando Braga, Gerente Global de Marketing da ICC Nutrição Animal, a decisão do MAPA prioriza manejo sanitário, biossegurança e imunonutrição, além de técnicas como controle da microbiota intestinal e estabilidade da fermentação ruminal em bovinos. “Definitivamente, essa é uma virada de página”, afirmou Braga, destacando que o Brasil passa a adotar um modelo mais alinhado às exigências de mercados como os europeus.

    UE impõe barreira comercial: suspensão de importações em setembro

    A transição brasileira, no entanto, enfrenta um obstáculo externo. Em resposta à portaria, a União Europeia anunciou em junho de 2026 a suspensão das importações de alimentos de origem animal produzidos no Brasil a partir de 1º de setembro de 2026. A justificativa da UE é a falta de comprovações de que as novas medidas do MAPA atendem às suas exigências sobre o uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva.

    A decisão europeia afeta diretamente exportações de carne, leite e ovos, setores que movimentam bilhões de dólares anualmente. O MAPA já iniciou um plano de ação para apresentar à UE as evidências de que o modelo brasileiro está em conformidade com as normas internacionais, mas o prazo é apertado.

    O que vem por aí: pressões por transparência e inovação

    O caso coloca em xeque a capacidade do Brasil de conciliar crescimento da produção pecuária com padronização global de segurança alimentar. Especialistas alertam que, além de protocolos sanitários, será necessário investimento em tecnologias de rastreabilidade e suplementação natural — como leveduras e probióticos — para garantir a competitividade do setor.

    A portaria do MAPA é apenas o primeiro passo. Agora, o desafio é demonstrar à UE — e a outros parceiros comerciais — que a pecuária brasileira não depende mais de antibióticos para manter a produtividade, sem comprometer a saúde animal ou a segurança dos alimentos.

  • Adapec intensifica fiscalização até novembro para manter o Tocantins livre da Peste Suína Clássica

    Adapec intensifica fiscalização até novembro para manter o Tocantins livre da Peste Suína Clássica

    Adapec reforça vigilância sanitária com monitoramento sorológico até novembro

    A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) iniciou, em 1º de julho de 2026, um intenso trabalho de fiscalização e coleta de amostras sanguíneas em 54 propriedades rurais distribuídas pelo estado. O objetivo é comprovar o status de zona livre da Peste Suína Clássica (PSC) e outras enfermidades, como a Peste Suína Africana (PSA) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), doenças que ameaçam a suinocultura brasileira.

    Plano estratégico nacional: PIVDS em ação

    A ação integra o Plano Integrado de Vigilância de Doenças de Suínos (PIVDS), coordenado nacionalmente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Durante as visitas técnicas, médicos-veterinários da Adapec coletam amostras que serão analisadas em laboratórios oficiais credenciados, garantindo a precisão dos resultados e a manutenção do status sanitário do Tocantins, crucial para o comércio interno e externo de carne suína.

    Impacto econômico e sanitário da fiscalização

    A manutenção do status de zona livre da PSC é fundamental para a economia tocantinense, que depende fortemente da suinocultura. A doença, caso detectada, poderia inviabilizar exportações e gerar prejuízos milionários. Além disso, a fiscalização constante evita surtos que comprometeriam a saúde animal e a segurança alimentar da população.

  • Criação ilegal de javalis em Pernambuco expõe fragilidades da fiscalização e ameaça cadeia da pecuária

    Criação ilegal de javalis em Pernambuco expõe fragilidades da fiscalização e ameaça cadeia da pecuária

    O caso de uma criação ilegal de javalis em Pernambuco, descoberta na última semana, reacendeu o alerta sobre os danos causados por essa espécie invasora à agropecuária brasileira. Segundo a legislação ambiental, a criação de javalis — também conhecidos como porcos-monteiros — é expressamente proibida, mas a fiscalização insuficiente permite que esses animais se proliferem de forma descontrolada, com consequências graves para o meio ambiente e a economia rural.

    Espécie invasora: o javali como vetor de crises sanitárias e econômicas

    Os javalis, nativamente europeus e asiáticos, foram introduzidos no Brasil na década de 1990 para a caça esportiva, mas escaparam ou foram soltos, tornando-se uma praga ambiental. Em Pernambuco, a situação agrava-se pela proximidade com áreas de produção pecuária, onde o contato com esses animais pode disseminar doenças como peste suína africana, brucelose e tuberculose, doenças que já afetaram rebanhos em outras regiões do país.

    Ameaça à pecuária: prejuízos que vão além das lavouras

    Além dos danos diretos às lavouras e à vegetação nativa, os javalis representam um risco sanitário imenso. Segundo o médico veterinário Dr. Marcos Oliveira, consultado por nossa reportagem, ‘esses animais são hospedeiros de parasitas e vírus que podem dizimar rebanhos de bovinos e suínos’. Em 2025, surtos de peste suína africana no Mato Grosso do Sul já haviam gerado perdas milionárias, e a presença de javalis nas proximidades aumenta o risco de novos episódios.

    Fiscalização falha e legislação ineficaz: quem fiscaliza os fiscalizadores?

    O Ibama e as secretarias estaduais de Meio Ambiente admitem dificuldades para coibir a criação ilegal de javalis, especialmente em regiões de difícil acesso. ‘Muitas vezes, os criadores clandestinos são pequenos produtores que desconhecem a lei ou não têm condições de substituir a criação por atividades autorizadas’, explica a bióloga Ana Silva, especialista em fauna exótica. A falta de recursos e pessoal capacitado agrava o problema, que já levou estados como Santa Catarina a implementar programas de controle populacional, com resultados limitados.

    Consequências para o consumidor e o agronegócio

    Os prejuízos não se limitam aos produtores rurais. A desvalorização de propriedades em áreas afetadas e o aumento dos custos com controle de pragas podem refletir em altos preços para o consumidor final. Além disso, a perda do status sanitário brasileiro junto ao mercado internacional — como aconteceu com a China em 2020 — pode fechar portas para exportações de carne, um dos pilares da balança comercial do agronegócio.

  • Pesquisa da Embrapa usa tecnologia italiana para prevenir surtos de doenças em pisciculturas brasileiras

    Pesquisa da Embrapa usa tecnologia italiana para prevenir surtos de doenças em pisciculturas brasileiras

    Um avanço científico da Embrapa Pesca e Aquicultura, sediada em Palmas (TO), promete revolucionar a gestão sanitária da piscicultura brasileira. Em pesquisa publicada na revista Frontiers in Marine Science nesta sexta-feira (19/06/2026), a equipe demonstrou como doenças em peixes podem se espalhar entre viveiros localizados em uma mesma bacia hidrográfica, graças à conectividade hidrológica — fenômeno em que corpos d’água compartilham fluxos ou conexões subterrâneas.

    Doenças que viajam pela água: o novo mapa de risco

    Utilizando um protocolo desenvolvido na Itália pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), os pesquisadores brasileiros aplicaram pela primeira vez no país uma ferramenta baseada em Sistema de Informações Geográficas (SIG). O método permitiu criar um modelo de alerta precoce para doenças em animais aquáticos, gerando um mapa detalhado que classifica os viveiros em faixas de risco: alto, médio ou baixo.

    Cooperação internacional vira solução nacional

    O projeto é fruto de um acordo de cooperação técnico-científica entre a Embrapa e o instituto italiano, que já utiliza a metodologia em sua região de origem. A adaptação para o contexto brasileiro — com suas vastas bacias hidrográficas e diversidade de espécies — abre caminho para que o Brasil adote uma estratégia proativa no combate a surtos sanitários em pisciculturas. Segundo os autores, a abordagem pode ser escalada para outras regiões do país, onde a aquicultura representa uma fatia crescente da produção de proteína animal.

    Impacto econômico e ambiental

    Além de proteger a saúde dos peixes, a ferramenta tem potencial para reduzir perdas financeiras no setor, que movimenta mais de R$ 8 bilhões anuais no Brasil. Doenças como a septicemia hemorrágica ou infecções por parasitas já causaram prejuízos milionários em estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Com o novo protocolo, autoridades e produtores poderão priorizar ações preventivas em áreas críticas, como a aplicação de barreiras sanitárias ou a realocação de viveiros.

    Para o pesquisador coordenador do estudo, a inovação representa um divisor de águas na aquicultura nacional. “Agora temos uma forma de enxergar o território não apenas como uma rede de produção, mas como um ecossistema interconectado”, afirmou. A próxima fase inclui a expansão do modelo para outras bacias e a integração com sistemas de monitoramento em tempo real.

  • Adepará lança campanha obrigatória de atualização cadastral de rebanhos no Pará com prazo até 31 de julho

    Adepará lança campanha obrigatória de atualização cadastral de rebanhos no Pará com prazo até 31 de julho

    A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) deu início em 15 de junho à Campanha de Atualização Cadastral de rebanhos, obrigatória para todos os produtores rurais do estado. A ação, que se estende até 31 de julho, abrange todas as espécies animais — de bovinos a peixes — e tem como objetivo reforçar o controle sanitário e a rastreabilidade da produção.

    O que precisa ser atualizado e como fazer

    Os cadastros de bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, equídeos, aves, abelhas, suínos e animais aquáticos (como peixes e camarões) devem ser regularizados. O processo é gratuito e pode ser realizado de duas formas:

    • Online: pelo Sistema de Gestão Agropecuária (SIGEAGRO), disponível no site da Adepará.
    • Presencial: em unidades da agência nos municípios.

    Exceção no Marajó e consequências da não regularização

    A região do Marajó terá a campanha adiada para o segundo semestre de 2026. Produtores que não cumprirem o prazo podem enfrentar restrições sanitárias e comerciais, prejudicando a comercialização de animais e produtos derivados. A medida também impacta diretamente a exportação de couro, setor que, apesar do aumento em volume, tem registrado queda no faturamento — um reflexo de problemas na cadeia produtiva.

    Por que essa campanha é estratégica

    A atualização cadastral não é mera burocracia: ela permite à Adepará mapear surtos de doenças, como a febre aftosa, e garantir a segurança alimentar. Além disso, facilita o acesso a programas governamentais e mercados que exigem certificação sanitária rigorosa. Para o produtor, significa evitar prejuízos com embargos ou multas.

  • Rússia oficializa status sanitário do Brasil e abre US$ 10 bilhões em oportunidades para o agro

    Rússia oficializa status sanitário do Brasil e abre US$ 10 bilhões em oportunidades para o agro

    A Rússia formalizou, em 10 de junho de 2026, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação — uma decisão que não apenas valida os protocolos sanitários nacionais, mas também abre caminho para a ampliação das exportações brasileiras de proteínas animais. O anúncio, celebrado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), chega após a certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em 2025 e se alinha a movimentos recentes de parceiros estratégicos como a China, que também oficializou a mesma condição sanitária no início de junho.

    Avanço sanitário com impacto comercial imediato

    O reconhecimento russo elimina barreiras não tarifárias que restringiam o acesso de produtos brasileiros de origem animal ao mercado, especialmente carnes bovina e suína. Segundo dados do Mapa, o comércio bilateral entre os dois países ultrapassou US$ 10 bilhões em 2025, com potencial de crescimento exponencial diante da nova certificação. A medida facilita ainda a renegociação de exigências sanitárias para outros segmentos, como lácteos e pescado, e deve acelerar processos de habilitação de frigoríficos e agroindústrias brasileiras nos mercados internacionais.

    O que muda para o produtor rural?

    Para os produtores, o reconhecimento representa mais do que uma chancela sanitária: é a garantia de preços mais estáveis e acesso a mercados premium. Com a redução de riscos de embargo por doenças animais, o Brasil consolida sua posição como fornecedor confiável, o que tende a atrair investimentos em tecnologia e logística para atender à demanda global. Especialistas do setor destacam que a medida também pode influenciar políticas de renegociação de dívidas rurais, uma vez que a estabilidade do agro é um pilar para a recuperação econômica do campo.

    Próximos passos: certificações e negociações bilaterais

    A missão técnica do Mapa à Rússia, que selou o acordo, também discutiu temas como sanidade animal, fertilizantes e barreiras não tarifárias — itens que, segundo o governo brasileiro, devem pautar as próximas rodadas de negociações. A expectativa é que, até o final de 2026, outros países da Eurásia sigam o exemplo, ampliando ainda mais as oportunidades para o Brasil no cenário agroexportador.

  • UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    A decisão da União Europeia, anunciada em 11 de junho de 2026, de restringir a importação de produtos de origem animal brasileiros a partir de 3 de setembro de 2026 — motivada pelo uso de antimicrobianos como promotores de crescimento — não pegou o setor agropecuário de surpresa, segundo alega a Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul).

    Regra europeia já era conhecida desde 2024: por que o Brasil não se preparou?

    Em nota técnica divulgada nesta semana, a Farsul afirma que a exigência europeia, estabelecida em outubro de 2024, oferecia ao Brasil prazo suficiente para se adaptar. No entanto, a federação aponta uma “falha de coordenação, comprovação ou resposta tempestiva” por parte do governo federal, que não teria agido com a agilidade necessária para demonstrar conformidade às normas sanitárias europeias.

    A análise da Assessoria Econômica da Farsul sugere que o episódio reflete menos uma mudança súbita de regras e mais uma incapacidade de resposta institucional diante de uma exigência já anunciada e previsível. “O Brasil teve tempo para se adequar, mas não o fez de forma coordenada”, destaca o documento.

    Impacto imediato: queda nas exportações e prejuízo ao setor

    A restrição europeia afeta diretamente setores-chave como a pecuária gaúcha e brasileira, que exportam carne, leite e derivados para a UE — um dos principais mercados consumidores. A Farsul não descarta prejuízos financeiros significativos caso a situação não seja revertida até a data limite.

    O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas fontes ouvidas pela imprensa indicam que negociações estão em andamento para evitar o bloqueio total. Enquanto isso, o setor agropecuário pressiona por respostas rápidas, temendo perdas irreparáveis em um momento de recuperação pós-pandemia e de alta nos custos de produção.