Tag: Scot Consultoria

  • Exportação de carne bovina não afeta abastecimento interno, mas pressiona preços em 2026

    Exportação de carne bovina não afeta abastecimento interno, mas pressiona preços em 2026

    Desde 1997, o Brasil transformou-se no maior exportador global de carne bovina, com um crescimento vertiginoso de 5.791% nas vendas externas até 2025. No entanto, a ideia de que essa expansão prejudicaria o mercado interno — encarecendo o produto para o consumidor brasileiro — não se sustenta nos dados da Scot Consultoria. Segundo o analista Pedro Gonçalves, a produção nacional avançou ainda mais rapidamente: 232,8% no mesmo período, garantindo um aumento de 105,7% na disponibilidade interna de carne.

    Exportações x abastecimento: a matemática do setor

    O estudo da Scot Consultoria desmistifica a crença de que as exportações roubariam carne da mesa do brasileiro. Enquanto as vendas externas explodiram, a produção doméstica manteve ritmo superior, permitindo que o mercado interno também se beneficiasse. Em 2026, entretanto, a equação pode mudar. A menor disponibilidade de animais para abate — resultado de ciclos naturais da pecuária — deve reduzir a oferta interna e, consequentemente, pressionar os preços ao consumidor.

    O que explica a pressão de preços em 2026?

    O ciclo de produção pecuária no Brasil, que alterna entre fases de expansão e retração, está em um momento de menor oferta de animais prontos para abate. Isso ocorre independentemente das exportações, mas o volume recorde exportado nos últimos anos reduz ainda mais a margem para abastecer o mercado interno sem impacto nos preços. Segundo especialistas, a pecuária brasileira enfrenta um desafio duplo: manter a competitividade internacional sem sacrificar o poder de compra do consumidor doméstico.

    Consequências para a economia e o consumidor

    A dinâmica do setor pecuário em 2026 deve refletir não apenas em prateleiras mais caras, mas também em possíveis ajustes na política de exportações. O governo federal já sinalizou que pode monitorar os volumes exportados para evitar desabastecimento. Para o consumidor, a perspectiva é de preços mais altos nos cortes de carne, especialmente os mais demandados no mercado interno. Já para os produtores, a alta nos preços internos pode representar uma compensação parcial frente à volatilidade dos mercados internacionais.

  • Ordenha Brasil: Scot Consultoria mapeia fazendas leiteiras de alta performance para impulsionar eficiência no setor

    Ordenha Brasil: Scot Consultoria mapeia fazendas leiteiras de alta performance para impulsionar eficiência no setor

    A pecuária leiteira brasileira enfrenta um paradoxo: nunca produziu tanto, mas nunca as margens foram tão apertadas. Com custos operacionais em alta e demanda crescente por eficiência, o setor vive uma transformação silenciosa, onde a profissionalização deixou de ser um diferencial para se tornar questão de sobrevivência. Nesse cenário, o lançamento do Ordenha Brasil pela Scot Consultoria surge como uma resposta estratégica, inspirada no sucesso do Confina Brasil, mas agora voltada para o segmento de alta performance leiteira.

    Diagnóstico profundo para um setor em transição

    O projeto, apresentado publicamente no dia 28 de maio de 2026 durante evento da MSD Saúde Animal em Atibaia (SP), tem como missão percorrer grandes fazendas leiteiras do país — aquelas com produção superior a 15 mil litros diários — para coletar indicadores produtivos, financeiros, operacionais e tecnológicos. A iniciativa busca construir um retrato inédito daquilo que, até então, o setor não possuía: benchmarks precisos e referências concretas para orientar produtores na tomada de decisão.

    Do diagnóstico à ação: como os dados podem redefinir a competitividade

    A ausência de dados consolidados sobre as fazendas de alta performance sempre foi um gargalo para o setor. Enquanto o Confina Brasil se dedicou à pecuária de corte confinada, o Ordenha Brasil foca no leite — um segmento ainda mais pressionado pela volatilidade de preços e pela necessidade de escala. Ao mapear variáveis como custo por litro, eficiência reprodutiva, adoção de tecnologias e gestão financeira, o projeto pretende oferecer aos produtores ferramentas para reduzir desperdícios, otimizar recursos e, sobretudo, provar que a eficiência pode ser compatível com sustentabilidade.

    O timing certo: crise de preços e busca por profissionalização

    O lançamento do Ordenha Brasil não é casual. Em 2026, o setor leiteiro enfrenta um cenário de preços instáveis, com margens comprimidas entre produtores e laticínios. A crise, agravada pela alta dos insumos e pela concorrência de importações, exige respostas rápidas. Nesse contexto, iniciativas como essa ganham relevância ao fornecer informações acionáveis — não apenas dados brutos, mas análises que permitam aos produtores comparar sua performance com a de seus pares.

    Impacto esperado: da fazenda ao mercado

    O sucesso do Ordenha Brasil poderia representar um divisor de águas para a cadeia leiteira. Ao criar uma base de dados robusta e transparente, o projeto não apenas ajuda os produtores a identificar gargalos, mas também pode influenciar políticas públicas, estratégias de investimento e até mesmo a negociação de contratos comerciais. Afinal, em um mercado cada vez mais globalizado, quem tiver acesso a informações de qualidade terá vantagem competitiva.

  • China avança sobre cota de carne bovina brasileira: exportadores brasileiros correm contra o relógio tarifário

    China avança sobre cota de carne bovina brasileira: exportadores brasileiros correm contra o relógio tarifário

    O relógio tarifário e a pressão sobre os frigoríficos brasileiros

    A China, principal destino da carne bovina brasileira, já consumiu metade da cota anual de 1,1 milhão de toneladas estipulada para 2024, segundo dados oficiais do governo chinês. O avanço acelerado da cota, somado ao tempo de processamento e transporte — que pode estender-se de 45 a 50 dias —, coloca os exportadores brasileiros em uma corrida contra o relógio tarifário. A partir do momento em que a cota for integralmente preenchida, as importações adicionais passarão a ser tributadas com uma sobretaxa de 55%, encarecendo drasticamente os custos logísticos e reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado asiático.

    Cadeia de suprimentos sob tensão: do pasto ao contêiner

    Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, explica que a carne bovina adquirida pelos frigoríficos brasileiros em maio já pode ser impactada pela sobretaxa. “O processo de abate, embalagem, transporte até os portos e, finalmente, o embarque para a China envolve um ciclo que, em condições normais, ultrapassa um mês e meio. Se a cota for fechada antes do término deste ciclo, o produto brasileiro enfrentará tarifas punitivas ao desembarcar”, alerta. Segundo ele, essa dinâmica está obrigando os compradores chineses a revisarem suas estratégias de aquisição, adiando pedidos ou reduzindo volumes para evitar prejuízos com a alíquota extra.

    Demanda chinesa em xeque: entre o otimismo e a prudência

    Apesar do cenário adverso, a demanda chinesa pela carne brasileira segue firme, embora com sinais de desaceleração. “Os importadores estão mais cautelosos, mas não estão paralisados”, observa Fabbri. A China, que responde por cerca de 60% das exportações brasileiras de carne bovina, tem aumentado suas compras nos últimos meses, impulsionada pela busca por proteínas para recompor seus estoques após surtos de peste suína africana. No entanto, a proximidade do limite da cota e o risco de sobretaxa estão impondo uma frenagem natural ao ritmo das importações. Historicamente, o mês de maio costuma ser negativo para a arroba do boi gordo, registrando altas em apenas dois anos desde 2003 (2004 e 2006), o que reforça a fragilidade do momento atual.

    Concorrência interna e perda de fôlego no mercado doméstico

    Enquanto a China representa um desafio externo, o mercado interno brasileiro também enfrenta dificuldades. O preço elevado da carne bovina ao longo da cadeia produtiva — com o atacado registrando valores de R$ 23/kg para o dianteiro e R$ 28/kg para o traseiro — reduziu sua competitividade frente a proteínas alternativas como frango e suíno. Essa perda de espaço no consumo doméstico, aliada à pressão externa, cria um cenário de incerteza para os produtores. Na praça paulista, a cotação da arroba do boi gordo comum encerrou a semana a R$ 355, enquanto a cotação do boi-China, direcionado ao mercado asiático, fechou em R$ 360. A Scot Consultoria projeta uma possível queda para R$ 340-R$ 345 no curto prazo, refletindo a fragilidade da demanda e a necessidade de ajustes nos preços.

    Exportações batem recorde, mas sombra da sobretaxa paira no horizonte

    Os números recentes das exportações brasileiras de carne bovina, no entanto, ainda não refletem o impacto imediato da limitação da cota. Em abril, o Brasil exportou 251,944 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada, gerando uma receita de US$ 1,572 bilhão, segundo dados da Secex. Comparado ao mesmo período de 2023, houve um crescimento de 29,4%. “As exportações estão fortes, mas isso não significa que o setor esteja blindado. A sobretaxa pode mudar esse panorama rapidamente”, pondera Fabbri. O risco é que, uma vez atingida a cota, os embarques sejam direcionados para mercados alternativos, como Oriente Médio e África, onde as tarifas são menores, mas os custos logísticos e a demanda podem não compensar a redução nos volumes.

    Perspectivas e estratégias: o que vem pela frente?

    Para os próximos meses, a indústria frigorífica brasileira precisa equilibrar duas forças: manter a atratividade do produto no mercado chinês e evitar o acúmulo de estoques que não possam ser escoados sem prejuízos. A expectativa é de que os preços da arroba do boi gordo recuem para patamares entre R$ 340 e R$ 345 em São Paulo, uma correção necessária para ajustar a oferta à demanda enfraquecida. Além disso, há um movimento de diversificação de destinos, com a busca por novos mercados na Ásia e na África, embora esses ainda representem uma fatia pequena em comparação à China. “O setor precisa agir com agilidade para evitar que a sobretaxa se torne um problema estrutural”, conclui Fabbri.

    Contexto histórico: a dependência chinesa e os riscos da concentração

    A relação comercial entre Brasil e China no setor de carnes bovinas é um fenômeno relativamente recente, mas que se intensificou a partir de 2013, quando a China abriu seu mercado para a carne brasileira após longas negociações sanitárias. Desde então, o país asiático tornou-se o maior importador, respondendo por mais de 50% das exportações brasileiras. Essa dependência, no entanto, expõe o setor a riscos geopolíticos e logísticos. A limitação de cota, embora prevista em acordos bilaterais, coloca em xeque a estratégia de crescimento acelerado do Brasil no mercado asiático. Especialistas alertam que a diversificação de destinos deve ser uma prioridade nos próximos anos para reduzir a vulnerabilidade do setor.