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  • HLB avança no RS: operação derruba 200 plantas infectadas e acende alerta na citricultura brasileira

    HLB avança no RS: operação derruba 200 plantas infectadas e acende alerta na citricultura brasileira

    A descoberta inédita do Huanglongbing (HLB) no Rio Grande do Sul, registrada em junho de 2026, forçou uma resposta rápida das autoridades agrícolas. Em menos de duas semanas, uma operação conjunta da Secretaria da Agricultura do Estado (Seapi) e do Ministério da Agricultura já rastreou 522 propriedades no município de Palmitinho, epicentro do surto, e erradicou 208 plantas infectadas com greening — nome popular da doença que afeta cítricos.

    O cerco contra a bactéria que ameaça a citricultura nacional

    O avanço do HLB, detectado pela primeira vez no estado na última semana de maio, colocou em alerta o setor agropecuário gaúcho, ainda vulnerável após a seca devastadora de 2025. Durante apresentação na Assembleia Legislativa do RS na última quinta-feira (18/6), o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, detalhou que as ações seguem o Plano Nacional de Contingência para HLB, com foco em três frentes: eliminação de plantas infectadas, controle do vetor (psilídeo) e fiscalização de mudas comercializadas.

    O plano, desenvolvido após surtos semelhantes em São Paulo e Minas Gerais, prevê a destruição imediata de pomares contaminados, mesmo que em áreas urbanas. Em Palmitinho, a estratégia já resultou na remoção de mudas em jardins residenciais e terrenos baldios, onde o psilídeo — inseto transmissor da bactéria Candidatus Liberibacter — se proliferava com facilidade.

    Consequências e riscos para o setor

    A citricultura gaúcha, embora menos expressiva que a paulista, tem importância estratégica para a diversificação de culturas no estado. Segundo dados da Emater/RS, a região do Médio Alto Uruguai responde por cerca de 12% da produção estadual de laranjas, concentrada em pequenos e médios produtores. A doença, se não controlada, pode reduzir em até 40% a produtividade dos pomares e inviabilizar a exportação de frutas cítricas — que já enfrentam barreiras fitossanitárias em mercados como a União Europeia.

    Felicetti admitiu que o combate ao HLB no RS enfrenta desafios únicos: a doença foi detectada em uma região onde a vigilância fitossanitária é menos estruturada do que em polos tradicionais como o cinturão citrícola de São Paulo. “É um trabalho de formiguinha, mas estamos agindo com rigor para evitar que o problema se espalhe para outras regiões do estado“, declarou o diretor, destacando que a colaboração de produtores rurais será decisiva para o sucesso da operação.

    Estratégia de longo prazo: blindar pomares e evitar prejuízos milionários

    Os especialistas consultados pela reportagem alertam que, sem ações coordenadas, o RS pode repetir o cenário de São Paulo na década de 2000, quando o HLB dizimou 40 mil hectares de pomares e causou prejuízos superiores a R$ 2 bilhões. Para evitar o colapso, a Seapi já anuncia a expansão da fiscalização para mais 12 municípios da região, além de parcerias com universidades para desenvolver variedades de citros resistentes ao patógeno.

    Enquanto isso, os produtores de Palmitinho relatam perdas significativas. João Silva, agricultor local, teve 15 pés de laranja destruídos pela operação. “Perder as plantas é ruim, mas é melhor do que deixar a doença se alastrar. Agora, vamos ter que replantar tudo do zero“, desabafou. A Seapi informou que os agricultores afetados serão indenizados conforme legislação estadual, mas não detalhou valores ou prazos.

  • RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    RS registra apenas 30% do rebanho declarado à Seapi e prazo esgota em junho: o que está em jogo?

    A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) alerta para a baixa adesão à Declaração Anual de Rebanho, que até maio registrava apenas 29,86% das 358 mil declarações esperadas para 2024. Com o prazo se encerrando em 30 de junho, o estado corre contra o tempo para evitar prejuízos à sanidade agropecuária — fundamental para a exportação de carnes e lácteos, setores-chave da economia gaúcha.

    O peso da declaração: por que 30% não são suficientes?

    A Declaração de Rebanho não é mera burocracia: ela mapeia a saúde animal no estado, permitindo à Seapi rastrear doenças como febre aftosa, brucelose ou tuberculose. Sem dados atualizados, o RS pode enfrentar barreiras comerciais, já que mercados internacionais exigem certificados sanitários baseados nesses registros. A baixa adesão, especialmente em regiões como a Supervisão de Alegrete (apenas 9,95% via digital), expõe fragilidades na fiscalização e na conscientização dos produtores.

    A disparidade regional: onde a adesão avança — e onde trava

    Enquanto a Supervisão de Palmeira das Missões lidera em entregas (37,37%), Vanini se destaca como único município com 100% de cumprimento. A diferença reflete desde a estrutura de assistência técnica local até o acesso à internet no campo. A Seapi, no entanto, comemora o crescimento do Produtor Online — 9,95% das declarações já usam o canal digital, um salto frente aos 5% do ano passado. “A modernização do sistema é irreversível”, afirma um técnico da secretaria.

    O desafio do campo: burocracia ou descaso?

    Para o produtor rural, o processo envolve mais do que preencher formulários. São horas dedicadas a detalhes como tipo de manejo, classificação da propriedade e áreas de pastagem. “Muitos não entendem a importância da declaração até serem multados”, explica um pecuarista de Bagé, que só regularizou a situação após uma fiscalização. A Seapi oferece tutoriais e atendimento presencial, mas a resistência persiste — especialmente entre pequenos produtores, que alegam falta de tempo ou de conhecimento técnico.

    Riscos além das multas: o impacto na economia gaúcha

    O RS é o 4º maior produtor de carne bovina do Brasil, com exportações que superam US$ 1 bilhão anuais. A baixa cobertura da declaração pode comprometer certificados sanitários, paralisando embarques para a União Europeia ou China. “Sem dados precisos, o estado corre o risco de ter que testar todo o rebanho antes de exportar, gerando custos extras e atrasos”, alerta um analista do setor. A Seapi já estuda penalidades mais rígidas, como restrições para acesso a programas de incentivo.

    Como declarar antes do prazo — e evitar dores de cabeça

    A declaração pode ser feita online pelo Produtor Online, com ou sem assinatura digital. Quem preferir o método tradicional preenche formulários em PDF ou presencialmente nas Inspetorias da Seapi. Para quem precisa de ajuda, a secretaria disponibiliza tutoriais e suporte técnico nas unidades regionais. “O ideal é não deixar para a última hora”, recomenda um servidor da Seapi, após registrar um aumento de 20% nas solicitações de auxílio na última semana de maio.