Tag: seca

  • El Niño impõe desafios assimétricos ao agro brasileiro: enquanto o Sul afoga, o centro-norte seca

    El Niño impõe desafios assimétricos ao agro brasileiro: enquanto o Sul afoga, o centro-norte seca

    El Niño em ação: dois Brasis, dois problemas

    No Sul, a chuva que não para transforma lavouras em pântanos. No centro-norte, o sol implacável resseca solos e queima pastagens. O El Niño, fenômeno climático que altera a dinâmica das águas no Pacífico Equatorial, já está instalado e segue se intensificando, conforme dados consolidados em 22 de julho de 2026.

    Projeções indicam cenário crítico até 2027

    A NOAA e a Organização Meteorológica Mundial convergem em suas estimativas: há 97% de chances de o El Niño persistir até a primavera de 2027 no Hemisfério Norte — correspondente ao outono brasileiro. Para o trimestre decisivo entre outubro e dezembro de 2026, as projeções apontam 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade ‘muito forte’, com anomalias térmicas no Pacífico Equatorial superiores às registradas em eventos anteriores.

    Impactos assimétricos: cada região, uma ameaça

    No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, o excesso de umidade já prejudica a colheita de soja e milho, com relatos de perdas por doenças fúngicas e germinação prematura. Enquanto isso, em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, a estiagem prolongada reduz a produtividade de pastagens, elevando os custos com suplementação alimentar para rebanhos. O café arábica, cultivado majoritariamente no centro-norte, enfrenta estresse hídrico, com risco de queda na qualidade dos grãos e redução de safras.

    Estratégias de mitigação entram em cena

    Agricultores do Sul apostam em sistemas de drenagem emergenciais e seguro agrícola para cobrir perdas. No centro-norte, técnicas de irrigação por gotejamento e plantio de cultivares tolerantes à seca ganham espaço. A Embrapa, embora não citada diretamente, tem desenvolvido pesquisas em variedades resistentes, mas a adaptação demanda tempo e investimento — recursos que nem todos os produtores possuem.

    Consequências além das porteiras

    A disparidade nos impactos regionais pode acirrar disputas por recursos hídricos e pressionar preços de commodities. Se o El Niño mantiver a intensidade projetada, a inflação de alimentos — já sensível — pode sofrer novos reajustes, afetando o bolso do consumidor e a balança comercial brasileira. O setor exportador, responsável por cerca de 50% do PIB agropecuário, vê-se diante de um cenário de incerteza quanto à oferta de grãos e carnes nos próximos meses.

  • Primíparas sob estiagem: o segredo do pecuarista para não perder dinheiro na seca

    Primíparas sob estiagem: o segredo do pecuarista para não perder dinheiro na seca

    O elo mais frágil da boiada na seca

    Com a estiagem derrubando a qualidade dos pastos e encarecendo a alimentação suplementar, o pecuarista de cria enfrenta um dos maiores desafios do ano: manter a produtividade do rebanho em um cenário onde a fêmea de primeira cria — a primípara — nem sempre recebe a atenção necessária. Enquanto muitos tratam o rebanho como um bloco único, os produtores que apostam em um manejo rigoroso desse grupo específico estão descobrindo uma estratégia capaz de proteger não apenas a safra atual, mas também o ano seguinte.

    A biologia contra o produtor: por que as primíparas são as mais afetadas?

    Pesquisas da Embrapa Gado de Corte revelam que a primípara carrega um duplo fardo na seca: além de ser a fêmea com maior demanda metabólica — por estar em crescimento, gestando um bezerro e ainda produzindo leite —, ela é a primeira a sofrer com a escassez de nutrientes. Segundo o zootecnista Dr. Marcos Barbosa, coordenador do programa de melhoramento genético da Embrapa, “erros no manejo desse grupo durante a estiagem não impactam apenas a prenhez imediata; eles comprometem a capacidade reprodutiva da fêmea para os próximos ciclos, ampliando prejuízos que se estendem por anos”.

    Blindagem financeira: como o manejo diferenciado salva o caixa

    O diferencial está em investir nas primíparas antes mesmo de os efeitos da seca se tornarem críticos. A técnica, já adotada por grandes criatórios, inclui suplementação estratégica com minerais de alta biodisponibilidade, ajustes na dieta para evitar perdas de peso excessivas e, sobretudo, priorização na inseminação artificial em tempo fixo (IATF). “O produtor que negligencia esse grupo na seca está, na prática, adiando um prejuízo inevitável. As primíparas são a ‘carta na manga’ para garantir taxas de prenhez acima de 70% mesmo em anos de estiagem severa”, explica o engenheiro agrônomo João Silva, consultor de rebanhos de corte.

    O custo de ignorar a primípara: um exemplo real

    Dados da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) mostram que fazendas que adotam o manejo diferenciado de primíparas registram, na média, 20% a mais de prenhez na IATF durante a seca, em comparação àquelas que tratam todo o rebanho de forma homogênea. Em um cenário de preços de boi gordo em queda — como o observado em julho de 2026 —, cada prenhez adicional representa uma economia de até R$ 1.500 por fêmea, considerando custos evitados com reposição de matrizes e menor impacto na lucratividade do ano seguinte. “É um investimento que se paga na hora e protege o fluxo de caixa”, destaca Silva.

    O futuro do rebanho: preservar o potencial genético

    Além do ganho imediato, o manejo diferenciado das primíparas garante a manutenção do melhoramento genético da propriedade. Como esses animais são as matrizes do futuro, erros na seca podem significar a perda de anos de seleção para características como precocidade sexual, habilidade materna e eficiência alimentar. “A seca é um filtro natural, e quem não cuida das primíparas está jogando fora o trabalho de décadas”, alerta Barbosa. A estratégia, portanto, não é apenas uma questão de sobrevivência no curto prazo, mas de sustentabilidade do negócio pecuário.

  • Seca avança: umidade do ar atinge níveis críticos em 14 estados e afeta agricultura

    Seca avança: umidade do ar atinge níveis críticos em 14 estados e afeta agricultura

    Massa de ar seco paralisa o país e derruba umidade a níveis alarmantes

    A partir da última quarta-feira (8), uma intensa massa de ar seco estacionou sobre o interior do Brasil, reduzindo drasticamente a umidade relativa do ar para valores entre 20% e 30% — patamar considerado crítico pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a saúde humana e a agricultura.

    Impacto nacional e alerta do INMET

    O fenômeno afeta todas as cinco regiões do país, incluindo 14 estados e o Distrito Federal, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que emitiu alerta de risco potencial para toda a área afetada. A seca prolongada, aliada ao bloqueio atmosférico, impede a formação de chuvas e agrava a situação hídrica, especialmente nas horas mais quentes do dia.

    Riscos para o agronegócio e a população

    Para o setor agrícola, a condição é crítica: a queda na umidade eleva o risco de incêndios florestais e prejudica culturas que dependem de irrigação. Já para a população, os baixos índices de umidade aumentam problemas respiratórios e cardiovasculares, além de favorecer a propagação de doenças transmitidas por vetores. Especialistas recomendam o uso de umidificadores e a ingestão de líquidos para mitigar os efeitos.

    Perspectivas para o fim de semana

    A massa de ar seco deve persistir até domingo (12), segundo projeções meteorológicas. Até lá, a recomendação é de monitoramento constante dos índices de umidade e adoção de medidas preventivas, como o racionamento de água e a suspensão de atividades que possam gerar focos de incêndio.

  • Autoconsumo na seca: como o self-service de volumosos revoluciona a pecuária brasileira

    Autoconsumo na seca: como o self-service de volumosos revoluciona a pecuária brasileira

    O desafio da seca na pecuária brasileira

    A seca sempre representou o maior teste de gestão para os pecuaristas brasileiros. Quando o capim perde qualidade nutricional — com queda de proteína, aumento de fibra e redução do valor energético —, os animais são obrigados a despender mais energia para obter uma dieta pobre. As consequências são imediatas: queda no desempenho, perda de escore corporal, atraso na recria, menor eficiência reprodutiva das matrizes e dificuldade em terminar animais exclusivamente a pasto.

    Self-service para bovinos: a inovação que veio para ficar

    O sistema de autoconsumo, ou self-service para bovinos, ganha força como alternativa para contornar os prejuízos da seca. A metodologia permite que os animais tenham acesso controlado a volumosos como silagem, feno e pré-secado sem depender do trato diário tradicional. Segundo especialistas, o modelo se destaca por aliar baixo custo operacional, redução da mão de obra e menor necessidade de infraestrutura — sobretudo na transição entre o período seco e o início das chuvas.

    Por que o modelo chama atenção?

    O avanço do self-service decorre de três fatores principais: eficiência operacional, redução de custos e precisão nutricional. Ao permitir que os bovinos consumam suplementos conforme a necessidade, o sistema evita desperdícios e garante que cada animal receba a quantidade ideal de nutrientes. Além disso, a logística da fazenda é simplificada, já que não há necessidade de distribuição manual diária de alimentos.

    Resultados tangíveis para o produtor

    Dados de fazendas que adotaram o modelo em 2025 e 2026 apontam para resultados expressivos: melhora no ganho de peso médio diário, redução da mortalidade de matrizes e antecipação do ciclo de terminação. Em propriedades que combinam o self-service com manejo sanitário rigoroso, a produtividade aumentou até 15% em comparação ao sistema tradicional de suplementação.

    O futuro da suplementação a pasto

    Com a crescente escassez de mão de obra no campo e a pressão por sustentabilidade, o self-service para bovinos surge como uma solução alinhada às demandas do setor. A técnica não só mitiga os impactos da seca, como também representa um passo rumo à pecuária de precisão — onde cada decisão é baseada em dados e resultados concretos.

  • Frente fria traz alerta máximo: Sul do Brasil sob risco de temporais e ventos de 80 km/h nesta semana

    Frente fria traz alerta máximo: Sul do Brasil sob risco de temporais e ventos de 80 km/h nesta semana

    Frente fria intensifica condições extremas no Sul

    Desde o início de julho, uma frente fria avançou sobre o Sul do Brasil, colocando estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina sob alerta máximo de temporais. Meteorologistas do INMET e Climatempo preveem acumulados de chuva superiores a 100 mm em algumas localidades, com rajadas de vento que podem atingir 80 km/h e possibilidade de granizo, fenômenos que colocam em risco a população e a infraestrutura local.

    Centro-Oeste e Sudeste enfrentam seca prolongada

    Enquanto o Sul sofre com excesso de chuva, as regiões Centro-Oeste, Sudeste e partes do Nordeste registram um cenário oposto: baixos índices de umidade e tempo seco, com projeções de manutenção desse padrão nos próximos dias. Segundo o INMET, a condição prejudica o desenvolvimento de lavouras em estágio crítico, como soja e milho, além de aumentar o risco de queimadas e incêndios florestais.

    Impacto na agricultura: dois extremos, um problema

    Para o setor agrícola, a dualidade climática representa um desafio duplo. No Sul, o excesso de chuva pode causar alagamentos e prejudicar a colheita de culturas como o trigo. Já nas regiões de baixa umidade, o estresse hídrico compromete a produtividade de culturas de segunda safra e exige maior atenção dos produtores para o manejo da irrigação. A Climatempo alerta que a situação deve persistir até meados de julho, quando modelos indicam uma possível mudança no padrão atmosférico.

    Recomendações para população e setor produtivo

    O INMET recomenda que moradores do Sul evitem deslocamentos não essenciais durante os picos de chuva e ventania, além de reforçar a segurança em estruturas vulneráveis como telhados e outdoors. Para os agricultores das demais regiões, a orientação é monitorar os níveis de umidade do solo e, se necessário, adotar técnicas de conservação de água para minimizar perdas na safra.

  • El Niño é confirmado: como o fenômeno vai mexer com o bolso do produtor rural brasileiro em 2026

    El Niño é confirmado: como o fenômeno vai mexer com o bolso do produtor rural brasileiro em 2026

    Na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou a chegada do El Niño, fenômeno que trará consequências diretas para o planejamento agrícola do país. Com o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, a circulação atmosférica será alterada, redistribuindo drasticamente os padrões de chuva no território nacional.

    Sul enfrenta chuvas excessivas, enquanto outras regiões temem seca

    Os dados do Inmet indicam que a Região Sul do Brasil será a mais afetada, com volumes de precipitação significativamente acima da média histórica nos próximos meses. Essa condição, embora possa beneficiar algumas culturas, também eleva o risco de doenças fúngicas em lavouras e prejudica a colheita de grãos como soja e milho em áreas já saturadas.

    Centro-Oeste, Norte e Nordeste em alerta máximo para estiagem

    Por outro lado, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem enfrentar um cenário oposto: a estiagem prolongada. A falta de chuvas, típica desse fenômeno, pode reduzir a produtividade de culturas como milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar, além de comprometer a safra de grãos 2026/2027. Produtores dessas áreas já são orientados a ajustar seus cronogramas de plantio e investir em sistemas de irrigação ou culturas mais resistentes à seca.

    Impacto econômico: como se preparar para o El Niño

    O agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 27% do PIB do país, não escapará das repercussões do El Niño. Especialistas do setor alertam para a necessidade de estratégias rigorosas de manejo fitossanitário e financeiro, incluindo a diversificação de culturas, o uso de tecnologias de monitoramento climático e a contratação de seguros agrícolas para mitigar prejuízos. A volatilidade nos preços de commodities agrícolas, como a soja e o café, deve se acentuar, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores.

    Enquanto o Sul se prepara para colher os benefícios das chuvas, mas sob o risco de inundações, o restante do país enfrenta um desafio ainda maior: driblar a escassez hídrica sem comprometer a produção. A adaptação será a palavra-chave para que o Brasil mantenha sua posição como celeiro do mundo diante das adversidades climáticas.

  • Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Os valores do milho seguem em queda livre no início de junho, segundo dados atualizados pelo Cepea (Centro de Pesquisas Aplicadas em Economia) nesta segunda-feira (8/6). A pressão vem, sobretudo, do afastamento de compradores no mercado spot, que preferem adiar negociações diante da expectativa de uma safra 2025/26 mais abundante e dos preços internacionais em declínio.

    Compradores em standby: estoques altos e exportações desaquecidas

    Demandantes nacionais, como indústrias de ração e processamento, já acumulam estoques suficientes para o curto prazo, reduzindo a urgência por novas compras. Além disso, a recente queda dos preços internacionais — que afeta a paridade de exportação brasileira — tem servido como freio adicional para as cotações domésticas. Segundo o Cepea, a relação entre preços internos e externos já não favorece vendas externas, desestimulando a comercialização.

    Produtores resistem, mas riscos climáticos pairam no ar

    Do lado da oferta, os vendedores que não precisam realizar caixa ou liberar espaços nos armazéns estão retendo estoques, apostando em uma possível sustentação nos preços. No entanto, a estratégia pode ser arriscada: a menor produção prevista para 2025/26, somada aos impactos da seca em Goiás e Mato Grosso do Sul, lança dúvidas sobre a produtividade da segunda safra. “A seca já afeta lavouras em fase crítica, e qualquer redução adicional na produtividade pode reverter o cenário”, alerta um analista do Cepea ouvido pela reportagem.

    O que esperar para os próximos dias?

    A tendência é de pressão contínua enquanto não houver um realinhamento entre preços internacionais e domésticos. Caso a segunda safra surpreenda com volumes menores do que o esperado, os produtores poderão recuperar parte das perdas. Até lá, a lógica do mercado segue inalterada: estoques altos, demanda retraída e clima como principal variável de risco.

  • Norte do Brasil enfrenta chuvas intensas enquanto Centro-Oeste e Nordeste seguem secos: alerta do INMET até 8 de junho

    Norte do Brasil enfrenta chuvas intensas enquanto Centro-Oeste e Nordeste seguem secos: alerta do INMET até 8 de junho

    Nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, o Brasil presencia um cenário climático profundamente desigual entre suas regiões. Enquanto a Região Norte enfrenta um período de chuvas intensas, com acumulados que podem superar os 200 milímetros em estados como Roraima, noroeste do Amazonas e do Pará até o dia 8 de junho, o Centro-Oeste, grande parte do Nordeste — especialmente o interior — e trechos do Sudeste mantêm o padrão seco característico desta época do ano.

    Chuvas no Norte: alerta de transbordamento e alagamentos

    Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), os volumes mais expressivos devem se concentrar em Roraima, noroeste do Amazonas e Pará, onde as precipitações podem atingir patamares críticos. Além disso, a previsão inclui chuvas persistentes no litoral da Bahia e pancadas isoladas ao longo da costa nordestina, bem como em áreas do Sul e Sudeste. No entanto, o impacto mais imediato deve ser sentido na Região Norte, onde o excesso de chuva eleva o risco de inundações, deslizamentos e transtornos urbanos.

    Secas no Centro-Oeste e Nordeste: um cenário de alerta para a agropecuária

    Em contrapartida, a faixa central do país — que abrange grande parte do Centro-Oeste, Tocantins, leste de Rondônia, interior do Nordeste e partes de Minas Gerais e São Paulo — deve continuar sob influência do período seco. A estabilidade atmosférica, a baixa umidade do ar e a escassez de chuvas reforçam o cenário de estiagem, que já afeta a agricultura, a pecuária e os recursos hídricos locais. A situação exige atenção das autoridades e dos produtores rurais, especialmente diante da previsão de manutenção desse padrão até o início do inverno.

    Impactos regionais: o que esperar nos próximos dias?

    Para os estados do Norte, a prioridade é o monitoramento constante dos níveis dos rios e das áreas de risco, além da mobilização de equipes de defesa civil. Já nas regiões mais secas, a recomendação é a adoção de medidas de economia de água e a gestão eficiente dos recursos hídricos disponíveis. A divergência climática entre as regiões evidencia a complexidade do clima no Brasil, que exige políticas públicas adaptadas às realidades locais e um planejamento voltado para a resiliência climática.

  • Bois gordos sob pressão: clima seco eleva oferta e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

    Bois gordos sob pressão: clima seco eleva oferta e trava negociações entre pecuaristas e frigoríficos

    O mercado de boi gordo enfrenta um dos momentos mais tensos dos últimos meses. A combinação de clima seco, pastagens degradadas e uma queda brusca na demanda tem gerado um cenário de estagnação nas negociações, com reflexos imediatos nos preços e na relação entre pecuaristas e frigoríficos.

    A seca que aperta os cochos e os bolsos

    Desde o final de abril, a redução nas chuvas e as temperaturas mais baixas aceleraram a degradação das pastagens em várias regiões produtoras. Com menos forragem disponível, os animais ganham peso mais lentamente, mas a oferta de boi gordo aumenta justamente pela necessidade de desocupar as pastagens antes que a seca piore. O resultado é uma pressão adicional sobre os preços, que já acumulam queda de 2,72% no indicador CEPEA/ESALQ na parcial de maio, atingindo cerca de R$ 340 por arroba.

    Negociações travadas: escalas alongadas e baixa liquidez

    Pecuaristas consultados pelo Cepea relatam que muitos estão fora do mercado após cumprirem escalas de entrega já preenchidas, que agora variam de 8 a 15 dias. Enquanto isso, os frigoríficos, cientes da conjuntura, mantêm posturas reticentes nas cotações, aguardando uma possível queda maior nos preços antes de fechar novos negócios. Em São Paulo, principal polo de comercialização, o volume de transações segue contido, sem sinais de recuperação a curto prazo.

    O que esperar para os próximos meses?

    A depender da evolução do clima, a oferta de boi gordo pode se intensificar ainda mais, especialmente se as chuvas não retornarem em volume suficiente para recompor as pastagens. Nesse cenário, a tendência é de manutenção da pressão baixista nos preços, com possíveis reflexos na rentabilidade dos pecuaristas e nos custos da indústria frigorífica. A falta de liquidez, no entanto, pode dificultar a realização de negócios, mesmo com preços atrativos, devido à incerteza sobre a continuidade da seca.