Tag: seleção genética

  • Software da Embrapa e ABCGIL revolucionam seleção genética do Gir Leiteiro com redução de até 30% na consanguinidade

    Software da Embrapa e ABCGIL revolucionam seleção genética do Gir Leiteiro com redução de até 30% na consanguinidade

    Tecnologia digital aplica ciência para transformar a genética do Gir Leiteiro

    A parceria entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Brasileira de Criadores de Gado Gir Leiteiro (ABCGIL) acaba de entregar ao setor uma solução inovadora: um software de simulação de acasalamentos que usa algoritmos avançados para equilibrar produtividade e diversidade genética. Lançado no dia 6 de julho de 2026, o sistema cruza dados de valores genéticos estimados com informações de parentesco genômico, oferecendo aos produtores recomendações personalizadas para acasalamentos.

    O pesquisador João Cláudio Panetto, da Embrapa, destaca que a ferramenta funciona como um “consultor digital”, capaz de analisar milhares de combinações em segundos e indicar os cruzamentos mais vantajosos para maximizar o ganho genético — sem os riscos da consanguinidade. “É um divisor de águas para a pecuária leiteira, pois alia precisão técnica à praticidade operacional”, afirmou.

    A endogamia sob controle: o desafio da seleção intensa

    O pesquisador Marcos Barbosa da Silva, também da Embrapa, explica que a endogamia — reprodução entre indivíduos aparentados — é um efeito colateral inevitável em programas de seleção genética agressivos. “Quando focamos apenas em características produtivas como produção de leite, acabamos aumentando o risco de doenças hereditárias e queda na fertilidade”, esclarece. Segundo ele, o novo software mitiga esse problema ao priorizar cruzamentos que mantêm a variabilidade genética, mesmo em rebanhos com histórico de acasalamentos restritos.

    Dados preliminares da Embrapa indicam que a ferramenta pode reduzir a consanguinidade em até 30% em rebanhos monitorados, além de acelerar o ganho genético em características como resistência a doenças e eficiência alimentar. “Para o produtor, isso significa rebanhos mais saudáveis, com menor dependência de insumos veterinários e maior longevidade produtiva”, complementa Silva.

    Impacto econômico e sustentabilidade no campo

    A inovação chega em um momento crítico para o setor leiteiro brasileiro, que enfrenta pressões por produtividade e redução de custos. Com a demanda global por lácteos em ascensão, a eficiência genética torna-se um diferencial competitivo. O coordenador da ABCGIL, Carlos Eduardo Albuquerque, avalia que o software pode gerar ganhos de até R$ 500 por vaca/ano em propriedades que adotarem a tecnologia, considerando a redução de perdas por doenças e o aumento da produção.

    Ainda segundo Albuquerque, a ferramenta está sendo disponibilizada inicialmente para associados da ABCGIL, mas a previsão é de abertura para outros criadores ainda em 2026. “A parceria com a Embrapa reforça o compromisso da associação com a inovação e a sustentabilidade, alinhada às metas do Plano ABC+ para pecuária de baixo carbono”, afirmou.

    Próximos passos: integração e expansão

    Os responsáveis pelo projeto já planejam a expansão da tecnologia para outras raças leiteiras brasileiras, como a Holandesa e a Jersey. Além disso, há estudos em andamento para incorporar dados de resistência a parasitas e adaptação climática ao sistema. “Queremos que o software não apenas melhore a genética, mas também contribua para sistemas de produção mais resilientes”, projeta Panetto.

    A expectativa é que soluções como essa ganhem escala nos próximos anos, impulsionadas pela digitalização do campo e pela crescente demanda por alimentos de origem sustentável. Para o produtor, trata-se de uma oportunidade de aliar tecnologia e tradição na busca por um rebanho cada vez mais competitivo.

  • ANC completa 120 anos com resgate histórico da pecuária brasileira em Pelotas

    ANC completa 120 anos com resgate histórico da pecuária brasileira em Pelotas

    A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) marcou os 120 anos de trajetória com uma solenidade histórica na sede da entidade, em Pelotas (RS), durante a 3ª Feira Nacional de Genética Promebo (Fenagen Promebo), realizada na última quarta-feira (1º de julho de 2026). O evento reuniu mais de 200 participantes, entre autoridades, criadores e técnicos, para celebrar não apenas a longevidade da ANC, mas também o resgate de marcos fundamentais da pecuária brasileira.

    Origens técnicas que moldaram a pecuária nacional

    Em seu discurso, o presidente da ANC, Joaquin Villegas, destacou que a data rememora a organização dos primeiros registros genealógicos do país, estruturados pelo pioneiro Leonardo Collares em 1904. O marco oficial, no entanto, só veio em 1906, com a abertura dos livros da raça Shorthorn, que consolidou o uso de informações técnicas na seleção de rebanhos — uma revolução para a época. “Essa trajetória não é apenas de uma associação, mas de uma identidade que definiu padrões para a pecuária brasileira”, afirmou Villegas.

    Homenagens e legado institucional

    A cerimônia também foi palco de homenagens a ex-presidentes e colaboradores que contribuíram para a ANC ao longo de seus 120 anos. Entre os agraciados, estiveram figuras como o engenheiro agrônomo Antônio Carlos de Farias, ex-presidente da entidade entre 1998 e 2006, reconhecido por modernizar os critérios de seleção genética. “Reconhecemos aqueles que transformaram a ANC em um símbolo de excelência, não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil”, declarou o atual presidente.

    Fenagen Promebo como vitrine do futuro

    A comemoração ocorreu em paralelo à 3ª Fenagen Promebo, que se consolidou como um dos principais eventos do setor no país. A feira, que encerrou na última quarta-feira (1º de julho de 2026), reuniu 50 expositores e mais de 3 mil visitantes, apresentando tecnologias como inteligência artificial aplicada à seleção de gado e ferramentas de rastreabilidade. “A ANC não olha apenas para o passado; estamos preparando o futuro”, afirmou Villegas, ao mencionar os investimentos em pesquisa genômica que a associação planeja para os próximos anos.

  • Fenagen 2026: ANC inova com julgamento técnico que aproxima seleção genética da realidade produtiva

    Fenagen 2026: ANC inova com julgamento técnico que aproxima seleção genética da realidade produtiva

    A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) realiza, entre 1º e 4 de julho de 2026, a terceira edição da Fenagen na Associação Rural de Pelotas (RS). O evento, que já se consolidou como referência em seleção genética, adota um modelo de julgamento inovador: a avaliação dos animais não se limita ao fenótipo, mas incorpora dados técnicos e desempenho produtivo.

    Julgamento técnico une genética e realidade produtiva

    Os jurados da Fenagen 2026 avaliarão os exemplares com base em critérios que refletem a realidade dos sistemas de produção. Segundo os avaliadores, a abordagem busca aproximar a seleção genética das demandas do mercado, considerando não apenas a aparência física dos animais, mas também sua eficiência reprodutiva e adaptabilidade.

    Jurados especializados em raças estratégicas

    A comissão julgadora conta com cinco especialistas de renome, cada um responsável por uma raça específica. José Nei Corrêa Severo avaliará as raças Angus e Ultrablack, enquanto Igor Saldanha de Freitas ficará a cargo das raças Hereford e Braford. Thiago de Oliveira Jacques analisará a raça Devon, Alcides Pilau cuidará da Brangus, e Luiza Ramos Ribeiro julgará a raça Charolês. A diversidade de especialistas garante um julgamento criterioso e alinhado às características de cada linhagem.

    Inovações no evento e expectativas do setor

    A Fenagen 2026 chega em um momento crítico para o agro brasileiro, com crescente demanda por genética adaptada a desafios como a seca no Centro-Oeste e as geadas no Sul. A expectativa é de que os animais expostos reflitam não apenas a tradição das raças, mas também sua capacidade de se destacar em cenários adversos. O evento, que já é um dos principais do calendário pecuário nacional, promete ser um termômetro para o futuro da seleção genética no país.