Tag: setor sucroenergético

  • Raízen vende usina no Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões em transação estratégica

    Raízen vende usina no Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões em transação estratégica

    Venda estratégica alinha portfólio à rentabilidade

    A Raízen concluiu nesta segunda-feira (20 de julho de 2026) a venda da usina Caarapó, localizada no Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema, em uma transação avaliada em R$ 760 milhões. O valor será integralmente pago à vista no fechamento do negócio, que inclui não apenas a planta industrial, mas também a cessão de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar — própria e de fornecedores — processadas na safra 2025/26.

    Estrutura da operação e perspectivas de mercado

    A operação, ainda sujeita à aprovação do Cade e outras condições contratuais, reflete a estratégia da Raízen de simplificar operações e capturar eficiências para melhorar a rentabilidade de seu portfólio agroindustrial. A decisão ocorre em um contexto de pressões comerciais globais, como o recente aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o que exige do Brasil não disputas políticas, mas diplomacia comercial para proteger setores-chave como o sucroenergético.

    Impacto no setor sucroenergético

    A transação sinaliza uma reorganização no setor, com a Adecoagro consolidando presença no Mato Grosso do Sul — um dos principais polos de produção de cana-de-açúcar do país. Para a Raízen, a venda representa um passo na readequação de seus ativos, priorizando áreas com maior potencial de retorno. Enquanto isso, o mercado aguarda os desdobramentos regulatórios e a definição de novas parcerias comerciais frente ao cenário de incertezas tarifárias internacionais.

  • Etanol derrete: preços caem 13,1% no 1º trimestre da safra 2026/27 com alta oferta e chuvas atrapalhando usinas

    Etanol derrete: preços caem 13,1% no 1º trimestre da safra 2026/27 com alta oferta e chuvas atrapalhando usinas

    A safra 2026/27 começou com um baque nos preços do etanol no mercado paulista. Segundo dados do Cepea, as cotações do hidratado e do anidro recuaram de forma significativa no primeiro trimestre (abril a junho/26), refletindo um cenário de alta oferta de matéria-prima e pressões sazonais.

    Hidratado despenca 13,1% em termos reais

    A média do etanol hidratado nos três primeiros meses da safra atingiu R$ 2,3510 por litro, uma queda de 13,1% em termos reais (ajustada pelo IGP-M de junho/26) em comparação ao mesmo período da safra anterior. O recuo é puxado pela safra mais volumosa de cana-de-açúcar e milho, que aumentou a disponibilidade do biocombustível no mercado.

    Anidro também recua, mas com menor intensidade

    No caso do etanol anidro, a retração foi de 12,4% em termos reais, com média de R$ 2,6868 por litro no mercado spot. A diferença em relação ao hidratado reflete a demanda específica do anidro, usado como aditivo na gasolina, que manteve certa estabilidade mesmo com a pressão da oferta.

    Chuvas em junho atrapalharam produção e criaram picos de alta

    Em junho, o setor enfrentou um paradoxo: enquanto a safra avançava e aumentava a oferta, as chuvas reduziram a atividade industrial em algumas usinas. Segundo o Cepea, os preços chegaram a subir em momentos pontuais devido a essas paralisações, mas a tendência de queda prevaleceu no acumulado do trimestre. Algumas unidades produtoras, por sua vez, registraram dificuldades de liquidez, agravando a volatilidade do mercado.

    Perspectivas: queda pode se estender?

    Analistas do setor indicam que a tendência de preços baixos deve continuar enquanto a safra 2026/27 não mostrar sinais de redução na oferta. A combinação de safra farta, estoques elevados e demanda incerta — especialmente com o comportamento do mercado de combustíveis — mantém o setor em alerta. No entanto, eventos climáticos ou mudanças na política de preços da gasolina poderiam reverter esse quadro rapidamente.

  • Governo federal deve aprovar mistura de 32% de etanol na gasolina em 24 de junho para aliviar estoques do setor sucroenergético

    Governo federal deve aprovar mistura de 32% de etanol na gasolina em 24 de junho para aliviar estoques do setor sucroenergético

    Articulação direta do setor sucroenergético com o Palácio do Planalto

    O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu para 24 de junho de 2026 — na próxima semana — a data para deliberar sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A decisão, que já constava nos ensaios técnicos como viável, ganha impulso após uma ofensiva coordenada por lideranças do setor sucroenergético junto ao governo federal. Em reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, os empresários do ramo defenderam a medida como estratégica para escoar os estoques excedentes da atual safra.

    Técnica e economia: como a mudança se sustenta?

    A elevação para 32% não é uma improvisação. Desde os testes laboratoriais e práticos realizados em 2025 — que embasaram a mudança dos atuais 27% para 30% no teor de etanol na gasolina —, os engenheiros do setor já haviam identificado que o limite superior de 32% não ofereceria riscos operacionais significativos para os veículos. Além disso, a medida promete injetar cerca de R$ 2 bilhões no caixa do setor sucroenergético, segundo estimativas preliminares do Ministério da Agricultura, ao reduzir a pressão sobre o estoque de etanol.

    Resistências e o papel do CNPE na decisão final

    Apesar do consenso técnico, a proposta enfrentou resistência em parte da burocracia do governo, especialmente entre setores que temem impactos no preço final da gasolina ao consumidor. No entanto, a articulação política do setor sucroenergético, somada à necessidade de regular o mercado, deve pesar na balança. O CNPE, órgão vinculado à Presidência da República, tem a última palavra — mas o cenário aponta para a aprovação, dado o alinhamento entre o Executivo e o setor produtivo.

  • Raízen acelera reestruturação de dívida bilionária com adesão recorde de credores

    Raízen acelera reestruturação de dívida bilionária com adesão recorde de credores

    A Raízen antecipa recuperação extrajudicial com apoio massivo de credores

    A Raízen deu um passo decisivo na reestruturação de sua dívida ao protocolar, na última sexta-feira (6/6), seu Plano de Recuperação Extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida, que busca reorganizar um passivo de R$ 64,7 bilhões, contou com adesão de credores representando 75,45% dos créditos financeiros e quirografários — percentual superior aos 70% mínimos exigidos pela legislação.

    O plano, que já superou o prazo inicial de 90 dias para obtenção de apoio, envolve instituições financeiras nacionais e internacionais, além de detentores de títulos emitidos no mercado interno e externo. A antecipação do processo reforça a capacidade da empresa de negociar em condições mais favoráveis, um movimento estratégico em um cenário de alta volatilidade nos mercados de commodities.

    Shell e Aguassanta lideram aportes bilionários no plano de resgate

    Entre as principais ações previstas no Plano de Recuperação Extrajudicial, destaca-se um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell, acionista majoritária da Raízen. Além disso, a Aguassanta Participações — empresa controlada pela família de Rubens Ometto — compromete-se a injetar mais R$ 500 milhões, condicionados à efetiva participação da acionista na operação.

    A combinação desses aportes, aliada à adesão maciça de credores, sinaliza um esforço concentrado para reduzir a alavancagem da empresa e estabilizar sua posição financeira. Segundo analistas, a reestruturação é crucial para garantir a continuidade das operações da Raízen, especialmente em um contexto de queda nos preços do etanol e do açúcar nos últimos trimestres.

    Consequências e próximos passos para a gigante do setor sucroenergético

    A aprovação do plano pela Justiça de São Paulo ainda depende de homologação, mas o apoio massivo dos credores já coloca a Raízen em uma posição vantajosa para renegociar prazos e taxas com seus parceiros. Caso o processo seja concluído dentro dos prazos previstos, a empresa poderá focar em sua estratégia de expansão no mercado de biocombustíveis, onde enfrenta concorrência crescente de players internacionais.

    Para o setor sucroenergético brasileiro, a operação da Raízen serve como um termômetro da saúde financeira das grandes usinas, que ainda lutam para se recuperar dos impactos da pandemia e da crise climática. A capacidade da empresa de concluir a reestruturação com sucesso pode influenciar outras companhias do segmento a adotarem medidas similares.

  • ATR abaixo de R$ 1,00: especialista alerta para piora nos preços da cana-de-açúcar em 2026

    ATR abaixo de R$ 1,00: especialista alerta para piora nos preços da cana-de-açúcar em 2026

    O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um novo alerta de queda nos preços pagos pela cana-de-açúcar. Segundo o engenheiro agrônomo e produtor rural Felipe Stelutti, o valor do ATR (Açúcar Total Recuperável) — principal indicador para a remuneração dos fornecedores — deve registrar valores abaixo de R$ 1,00 ao longo da atual safra, que se estende até 2026.

    Pressão nos fundamentos: o que explica a queda do ATR?

    Stelutti baseia sua análise nos fundamentos do mercado internacional de açúcar, que já apresentam sinais de superoferta e demanda enfraquecida. A combinação de estoques elevados em países como Índia e Tailândia, além da concorrência acirrada no mercado global, tem pressionado os preços para baixo. No Brasil, a situação é agravada pelos altos custos de produção, que incluem insumos, mão de obra e logística, reduzindo a margem de lucro dos produtores.

    Crise sistêmica: o setor sucroenergético em xeque

    O ATR serve como referência para calcular o valor pago pela cana aos fornecedores, e sua queda representa um golpe duro para a cadeia produtiva. “Eu queria muito dizer que o ATR vai subir, mas a realidade é que, pelos dados que tenho, o cenário é de manutenção ou piora nos preços”, afirmou Stelutti em suas redes sociais. A perspectiva de preços abaixo de R$ 1,00 reacende o debate sobre a viabilidade econômica de muitos fornecedores, especialmente os pequenos e médios, que já enfrentam dificuldades para cobrir seus custos.

    Etanol em segundo plano: o que esperar para os próximos meses?

    Embora o etanol tenha ganhado espaço como alternativa ao açúcar, a baixa no ATR afeta diretamente a rentabilidade da cana como matéria-prima para combustível. Stelutti destaca que, mesmo com o aumento da demanda por etanol, os preços baixos do ATR tornam a produção menos atrativa. “O setor precisa urgentemente de um plano de recuperação que inclua medidas de apoio aos produtores e estímulo à diversificação”, avalia.

    Perspectivas para o futuro: há solução?

    A médio prazo, especialistas do setor sinalizam que a recuperação do ATR depende de fatores como a redução da oferta global, o aumento da demanda internacional e a implementação de políticas públicas que garantam competitividade ao produtor brasileiro. Enquanto isso, a incerteza paira sobre o setor, que já acumula prejuízos e demissões nos últimos anos.