Tag: sucessão familiar

  • Morre Dona Marrita, guardiã do legado do Nelore Pintado e pilar da sucessão familiar na pecuária

    Morre Dona Marrita, guardiã do legado do Nelore Pintado e pilar da sucessão familiar na pecuária

    O legado do Nelore Pintado no Brasil perdeu uma de suas principais guardiãs nesta segunda-feira (13/07/2026). Dona Marrita Lopes Cançado, filha do histórico pecuarista Walmir Lopes Cançado, faleceu, deixando um vazio na família e no setor agropecuário. Sua trajetória foi marcada pela dedicação inabalável à preservação da linhagem do Nelore Pintado, uma das mais icônicas do país, e pela crença inquebrantável na sucessão familiar como pilar do futuro do negócio.

    A herança de uma pioneira: do pioneiro Walmir ao Nelore Pintado

    Nascida no berço de uma das famílias mais influentes da pecuária brasileira, Dona Marrita herdou não apenas o nome, mas a missão de honrar o legado iniciado por seu pai, Walmir Lopes Cançado. Ao longo das décadas, ela atuou como uma das principais responsáveis pela manutenção da linhagem do Nelore Pintado, uma raça conhecida por sua rusticidade, adaptabilidade e qualidade genética — atributos que transformaram o rebanho brasileiro em um dos mais competitivos do mundo.

    Sucessão familiar: a confiança transmitida à geração seguinte

    Um dos capítulos mais relevantes de sua história foi a decisão de confiar à V3 (empresa da família) a continuidade do trabalho que ajudou a construir. Essa postura não apenas garantiu a perpetuação do patrimônio genético do Nelore Pintado, mas também serviu de exemplo para outras famílias do setor, que muitas vezes enfrentam desafios na transição geracional. “Acreditei sempre que o futuro do nosso trabalho estava nas mãos daqueles que carregam o mesmo DNA de dedicação”, afirmou Dona Marrita, segundo relatos da família.

    Mais do que uma pecuarista: um exemplo de vida

    Para além das baias e das genealogias, Dona Marrita foi uma figura central na união familiar. Seus netos, bisnetos e demais parentes a descrevem como um exemplo de força, serenidade e generosidade. “Ela não apenas ensinou sobre pecuária, mas sobre respeito, disciplina e amor ao que se faz”, relatou um de seus netos, que hoje lidera os projetos da V3. A gratidão pela confiança depositada e pelos ensinamentos recebidos ecoa nas palavras emocionadas deixadas pela família: “Tenho orgulho de ser seu neto e de carregar comigo tudo o que aprendi com você”.

    Legado que transcende as gerações

    Embora sua partida deixe uma saudade profunda, a família e a pecuária brasileira têm a certeza de que o trabalho de Dona Marrita permanecerá vivo. No Nelore Pintado, nas práticas da V3 e na memória daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela, sua história seguirá como inspiração. “Descanse em paz, Dona Marrita. Seu legado é eterno”, escreveu a família em comunicado oficial.

  • Após desabamento de aviário e fraudes, produtor de Bragança Paulista reconstrói negócio com biosseguridade e sucessão familiar

    Após desabamento de aviário e fraudes, produtor de Bragança Paulista reconstrói negócio com biosseguridade e sucessão familiar

    Do fracasso na fruticultura ao desafio na avicultura: uma trajetória de resiliência

    Odair Tofanin, natural de Jarinu (SP), carregava na memória as tardes passadas entre os parreirais de uva da infância, onde ele e os irmãos ajudavam os pais nos tempos de colheita. Em 1996, assumiu sozinho o Sítio Santa Luzia, uma propriedade que, à época, mal dava para sustentar a família. A virada veio com a transição para a avicultura de corte em 2005, quando o produtor percebeu o potencial da atividade em uma região com infraestrutura favorável e demanda crescente por proteína animal.

    O desastre que quase paralisou a história familiar

    Na tarde de 22 de maio de 2026 — há menos de vinte dias —, um desabamento parcial do aviário principal do Sítio Santa Luzia não apenas ceifou a vida de 42 mil aves como também expôs uma fraude cometida pela construtora responsável pela obra. O acidente, que poderia ter vitimado funcionários e animais, deixou um prejuízo estimado em R$ 1,8 milhão, incluindo perdas com a produção interrompida e danos à infraestrutura. “Foi um golpe duro, mas não o suficiente para nos derrubar”, relata Diego Tofanin, filho de Odair e atual gerente da propriedade.

    Biosseguridade e sucessão familiar: os pilares do recomeço

    Enquanto a construtora tentava se eximir da responsabilidade, Odair e Diego investiram em um plano de recuperação baseado em dois pilares: biosseguridade rigorosa e planejamento sucessório. A biosseguridade, hoje, é tratada como prioridade absoluta no Sítio Santa Luzia, com protocolos de higienização revisados e instalações adaptadas para evitar novos incidentes. Paralelamente, a sucessão familiar ganhou contornos estratégicos: Diego, que já atuava na gestão, assumiu formalmente a liderança do negócio, enquanto Odair focou na capacitação da equipe e na busca por parcerias com universidades para inovação em genética aviária.

    Lições para o agronegócio: crise como oportunidade

    O caso do Sítio Santa Luzia ressoa como um alerta para o setor avícola brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade de preços e pressões ambientais. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a crise enfrentada pela família Tofanin evidencia a importância de planos de contingência robustos e de uma governança familiar clara. “A avicultura moderna exige mais do que técnica; exige resiliência e visão de longo prazo”, afirma a engenheira agrônoma Marina Silva, consultora em gestão rural. Para Odair, a lição é simples: “A gente não planta só grãos ou cria só galinhas. A gente planta confiança e colhe futuro”.