Tag: suinocultura

  • Rotavírus C avança em granjas e ameaça suinocultura brasileira: prejuízos superam US$ 100 milhões anuais

    Rotavírus C avança em granjas e ameaça suinocultura brasileira: prejuízos superam US$ 100 milhões anuais

    No dia 25 de junho de 2026, o Brasil registra um alerta vermelho na suinocultura: a disseminação do rotavírus C em granjas de todas as regiões produtoras. Dados preliminares da Associação Brasileira de Suinocultura (ABS) indicam um aumento de 40% nos surtos em comparação ao mesmo período de 2025, com focos confirmados em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais — estados que concentram 70% da produção nacional.

    Danos econômicos e riscos para a cadeia produtiva

    O vírus, que atinge principalmente leitões com menos de duas semanas de vida, provoca diarreia aguda, desidratação e mortalidade que pode chegar a 30% em lotes não vacinados. Segundo o Ministério da Agricultura, os prejuízos já superam R$ 600 milhões anuais — valor que impacta diretamente no preço final do quilo da carne suína, pressionando o orçamento das famílias brasileiras. “É um cenário semelhante ao da peste suína africana em 2018, mas com um agravante: o rotavírus C não tem cura, apenas controle”, alerta o médico-veterinário João Silva, consultor da Embrapa Suínos e Aves.

    Falta de biosseguridade e clima favorecem a propagação

    Especialistas apontam dois fatores críticos para a escalada da doença: a flexibilização das medidas de biosseguridade após a pandemia e as mudanças climáticas. “O calor intenso e a umidade excessiva no Semiárido e no Centro-Oeste criam um ambiente propício para a sobrevivência do vírus nas instalações”, explica a pesquisadora Ana Luísa Oliveira, da UFMG. Além disso, a circulação de animais entre granjas sem quarentena adequada tem disseminado o patógeno para regiões antes livres da doença.

    Setor pede ação urgente do governo

    Em nota enviada ao Governo Federal nesta semana, a ABS cobrou a implementação de um Plano Nacional de Contingência para o rotavírus C, com recursos para vacinação em massa e fiscalização rigorosa em abatedouros. “Sem uma resposta coordenada, o Brasil pode enfrentar uma crise de abastecimento ainda em 2027”, prevê o presidente da associação, Ricardo Costa. Enquanto isso, produtores rurais buscam alternativas emergenciais, como o uso de probióticos e suplementos hidroeletrolíticos para reduzir a mortalidade dos leitões.

  • Telhados ecológicos transformam suinocultura: menos estresse animal e até 20% mais produtividade

    Telhados ecológicos transformam suinocultura: menos estresse animal e até 20% mais produtividade

    A ambiência das granjas vira o novo diferencial competitivo

    No dia 20 de junho de 2026, a suinocultura brasileira caminha para uma revolução silenciosa, mas de impacto profundo. A adoção de telhados ecológicos — estruturas fabricadas com resíduos industriais como plástico reciclado e borracha — está transformando a realidade de granjas em todo o país. Segundo a Ambiplac, empresa especializada no desenvolvimento dessas soluções, a iniciativa não apenas resolve problemas estruturais históricos, como infiltrações e variações térmicas, mas também reduz o estresse dos animais em até 30% e impulsiona a produtividade em até 20%.

    O dado é especialmente relevante se considerarmos que, em 2025, o Brasil produziu 4,85 milhões de toneladas de carne suína, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Um percentual mínimo dessas granjas, no entanto, ainda opera com estruturas defasadas, onde chuvas intensas ou ondas de calor — cada vez mais frequentes — comprometem a ambiência interna dos galpões. A temperatura ideal para suínos, por exemplo, varia entre 18°C e 22°C. Acima ou abaixo desse intervalo, o impacto é imediato: redução no consumo de ração, piora na conversão alimentar e, consequentemente, menor rentabilidade para o produtor.

    Como o telhado ecológico age: isolamento que vira produtividade

    Os telhados ecológicos da Ambiplac são desenvolvidos com um sistema de camadas que combina isolamento térmico e acústico. Ao contrário das telhas convencionais de amianto ou metal, que amplificam ruídos de chuva e mantêm o calor interno, as novas soluções mantêm a temperatura estável mesmo em dias de 35°C ou em noites frias. Além disso, a redução de ruído — que pode chegar a 50% — minimiza o estresse dos animais, um fator crítico para o bem-estar e para a eficiência zootécnica.

    Para o médico-veterinário e consultor em suinocultura, Dr. Marcos Oliveira, a inovação chega em um momento estratégico. “Um suíno estressado não come, não cresce e está mais suscetível a doenças. Quando a ambiência melhora, a conversão alimentar sobe, os índices de mortalidade caem e o produtor ganha previsibilidade operacional“, explica. Segundo ele, granjas que adotaram a tecnologia registraram uma redução de 15% nos custos com energia — graças ao isolamento térmico — e uma melhora de 25% nos índices de ganho de peso diário.

    Sustentabilidade que paga dividendos

    Além dos ganhos operacionais, os telhados ecológicos representam um avanço em termos de sustentabilidade. A Ambiplac, por exemplo, utiliza 10 toneladas de resíduos plásticos por mês na fabricação das telhas, o que evita que esses materiais sejam descartados em aterros sanitários ou no meio ambiente. “É uma solução que alia economia circular, redução de custos e responsabilidade ambiental“, afirma a engenheira ambiental Larissa Mendes, coordenadora de projetos da empresa.

    O setor suinícola brasileiro, que já é um dos mais competitivos do mundo, agora busca não apenas atender à demanda crescente por proteína animal, mas também às exigências de mercados internacionais — como a União Europeia, que impõe rigorosos padrões de bem-estar animal. Segundo dados da Embrapa, granjas que investem em ambiência moderna têm 40% mais chances de acessar mercados premium, como o europeu ou o norte-americano.

    O futuro das granjas: ambiência como pilar estratégico

    Com o aquecimento global, os eventos climáticos extremos — como as ondas de calor registradas em 2024, quando temperaturas acima de 40°C foram registradas em várias regiões do país — tendem a se tornar mais frequentes. Nesse cenário, a ambiência das granjas deixa de ser um custo operacional para se tornar um ativo estratégico. Produtores que ainda não aderiram a soluções como os telhados ecológicos correm o risco de perder competitividade, tanto em produtividade quanto em acesso a mercados mais exigentes.

    Para o engenheiro agrônomo e sócio da Ambiplac, Rafael Santos, a tendência é clara: “Quem não inovar agora, vai pagar o preço depois. A suinocultura do futuro será aquela que souber equilibrar produção, sustentabilidade e bem-estar animal. E as estruturas das granjas serão a base dessa transformação“.

  • Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Demanda da indústria puxa alta do suíno vivo

    Em um movimento atípico para o mercado, as cotações do suíno vivo subiram em diversas regiões brasileiras nos últimos dias, conforme dados do Cepea (Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada). A alta, registrada pela primeira vez desde o 10 de maio de 2026 — data do Dia das Mães —, foi motivada pelo aumento da procura por animais vivos, especialmente na região Sul do país.

    Indústria busca lotes extras, mas carne não acompanha o ritmo

    Segundo analistas do Cepea, a indústria de abate esteve mais ativa na compra de suínos, buscando lotes adicionais para atender à demanda. Esse movimento permitiu que os produtores ajustassem os preços para cima. No entanto, o mesmo otimismo não se verificou no mercado de carne suína, onde as cotações permaneceram estáveis, sem repasse da alta dos animais vivos.

    Sinal de recuperação ou pressão pontual?

    A valorização do suíno vivo pode indicar um sinal de recuperação para o setor, mas especialistas alertam que o cenário ainda é incerto. A estabilidade nos preços da carne sugere que a indústria está absorvendo os custos sem repassar aos consumidores, o que pode refletir tanto uma estratégia comercial quanto uma cautela diante da volatilidade do mercado.

  • Frio antecipado: queda de temperatura no Brasil já afeta suínos e eleva riscos à saúde dos rebanhos

    Frio antecipado: queda de temperatura no Brasil já afeta suínos e eleva riscos à saúde dos rebanhos

    A partir de 16 de junho de 2026, o Brasil já registra temperaturas abaixo da média histórica em diversas regiões, antecipando os desafios típicos do inverno para a suinocultura nacional. A queda acentuada nas temperaturas, mesmo antes da chegada oficial do inverno em 21 de junho, tem colocado em xeque a produtividade dos suínos — especialmente os leitões, que são mais vulneráveis ao frio.

    Prejuízos no ganho de peso e custos elevados

    Os animais, ao tentarem manter a temperatura corporal estável, aumentam o gasto energético, o que reduz o aproveitamento dos nutrientes e, consequentemente, o ganho de peso diário. Dados da Embrapa revelam que falhas no controle térmico nos galpões podem reduzir em até 15% a eficiência alimentar dos suínos durante o inverno. “O produtor precisa ajustar a alimentação e o ambiente para compensar esse déficit energético, o que eleva os custos de produção”, explica Gladstone Brumano, consultor técnico-comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

    Doenças respiratórias em ascensão

    O frio não afeta apenas o desempenho zootécnico: ele também cria um ambiente propício para a proliferação de patógenos. “Baixas temperaturas associadas à umidade excessiva nos galpões aumentam a incidência de doenças como pneumonia e circovirose, doenças que, se não controladas, podem dizimar lotes inteiros”, alerta o zootecnista e pós-doutor em nutrição de monogástricos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Segundo ele, a ventilação inadequada — muitas vezes negligenciada — é um dos principais vetores de contaminação.

    Manejo térmico: a chave para mitigar prejuízos

    Especialistas recomendam uma série de medidas para minimizar os impactos do frio nos rebanhos. Entre elas, destacam-se:

    • Sistemas de aquecimento: uso de lâmpadas infravermelhas ou campânulas para leitões recém-nascidos;
    • Controle de umidade: manutenção abaixo de 70% nos galpões para evitar a proliferação de bactérias;
    • Nutrição adaptada: aumento de 10% a 15% na energia dietética para compensar o gasto calórico extra;
    • Monitoramento constante: uso de termômetros e termógrafos para ajustar o ambiente em tempo real.

    A adoção dessas práticas, embora exija investimento inicial, tem se mostrado economicamente viável. “Um manejo térmico eficiente pode reduzir em até 8% as perdas por mortalidade e aumentar em 5% o ganho de peso diário nos lotes”, aponta Brumano.

    Perspectivas para o setor

    Com a perspectiva de que o inverno de 2026 seja um dos mais rigorosos dos últimos anos, os suinocultores brasileiros precisam agir rapidamente para evitar prejuízos maiores. “O setor já enfrenta pressões com a alta nos custos de ração e energia. Um inverno mal gerenciado pode agravar ainda mais a situação”, avalia o zootecnista da UFV. Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção nacional de suínos deve atingir 4,7 milhões de toneladas em 2026 — um número que pode ser comprometido sem ações preventivas.

  • Espanhol Costa Food Group investe R$ 1,65 bilhão no Paraguai para produzir 1 milhão de suínos por ano

    Espanhol Costa Food Group investe R$ 1,65 bilhão no Paraguai para produzir 1 milhão de suínos por ano

    Um marco para a proteína animal sul-americana

    Na última terça-feira (9/6/2026), o Paraguai deu um passo decisivo para se consolidar como polo global de carne suína. O anúncio do investimento de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,65 bilhão) pelo grupo espanhol Costa Food Group — uma das maiores empresas europeias do setor — não apenas valida a estratégia paraguaia de atração de capital estrangeiro, mas também acelera a transformação do país em um dos principais exportadores mundiais do produto.

    Aposta em um modelo competitivo

    O aporte será direcionado à aquisição de participação majoritária na Granja San Bernardo, localizada no departamento de Alto Paraná, visando expandir a capacidade produtiva para 1 milhão de suínos por ano. A escolha do Paraguai como destino do investimento não é casual: o país combina custos operacionais 30% inferiores aos de seus concorrentes diretos, como Brasil e Estados Unidos, com acesso a energia elétrica 50% mais barata e um regime fiscal atrativo para empresas exportadoras.

    Paraguai na rota da segurança alimentar global

    O movimento ocorre em um contexto de crescente demanda por proteína animal, impulsionada pelo afrouxamento das restrições chinesas à importação — que até 2025 concentravam 60% do mercado global — e pela busca de fornecedores alternativos após crises sanitárias em outros países. Analistas do setor projetam que, até 2028, o Paraguai poderá triplicar suas exportações de carne suína, rivalizando com gigantes como a Dinamarca e o Canadá. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o investimento europeu é um selo de qualidade para a suinocultura paraguaia, historicamente vista como secundária frente ao setor de grãos.

    Consequências para o Brasil e o mercado global

    A iniciativa pode reconfigurar a geografia da suinocultura mundial. Enquanto o Brasil, maior produtor da América Latina, enfrenta pressões ambientais e barreiras sanitárias, o Paraguai surge como uma opção de baixo risco regulatório e alta rentabilidade. Economistas do setor avaliam que, em cinco anos, a disputa por mercados como o Oriente Médio e a África — atualmente dominados por europeus — poderá se intensificar, com o Paraguai como novo player. “É um movimento que coloca o país no mapa das commodities estratégicas”, afirma o economista paraguaio Miguel Ángel Morínigo, da Universidade Nacional de Assunção.

  • Muyuan Foods avança no Brasil: gigante chinesa de suínos mira Mato Grosso e Goiás para reestruturar cadeia de proteína animal

    Muyuan Foods avança no Brasil: gigante chinesa de suínos mira Mato Grosso e Goiás para reestruturar cadeia de proteína animal

    A chinesa Muyuan Foods, detentora do título de maior granja de suínos do mundo, acelera os planos de entrada no Brasil e já dialoga com os governos de Mato Grosso e Goiás para viabilizar sua operação no país, segundo informações exclusivas do Compre Rural apuradas na última sexta-feira, 29 de maio de 2026.

    A estratégia da gigante asiática ocorre em um contexto de pressão chinesa por segurança alimentar, com a busca por diversificar fornecedores globais e reduzir vulnerabilidades sanitárias e geopolíticas em sua cadeia de proteína animal. A empresa já realizou missões técnicas no Brasil para avaliar não apenas o mercado suinícola nacional, mas também a infraestrutura logística, a disponibilidade de grãos — insumo crítico para a suinocultura — e o desempenho produtivo das granjas brasileiras.

    Diálogo com estados-chave: Por que Mato Grosso e Goiás?

    Os estados do Centro-Oeste brasileiro emergem como alvos prioritários da Muyuan Foods devido à combinação de fatores estratégicos: disponibilidade de terras férteis, logística favorável para escoamento da produção e proximidade com a produção de grãos, especialmente soja e milho, essenciais para a alimentação dos animais. Além disso, ambos os estados já possuem cadeias suinícolas consolidadas, o que facilitaria a integração da empresa aos processos produtivos locais.

    Impacto na cadeia nacional: O que muda com a chegada da gigante chinesa?

    A eventual instalação da Muyuan Foods no Brasil não se restringiria a um mero investimento estrangeiro no setor. Especialistas do segmento projetam um efeito dominó na cadeia produtiva, com potenciais reflexos em:

    • Preços e competitividade: A entrada de um player global com escala massiva poderia pressionar os custos de produção e redefinir preços no mercado interno.
    • Tecnologia e biossegurança: A adoção de padrões internacionais de biossegurança e inovação tecnológica poderia elevar o patamar sanitário do setor brasileiro, mas também impor desafios aos pequenos e médios produtores.
    • Exportações e relações comerciais: A China, maior consumidora global de carne suína, poderia priorizar fornecedores brasileiros como alternativa em um cenário de tensões comerciais com outros blocos econômicos.

    Riscos e desafios: O que a Muyuan Foods precisa superar?

    Apesar do otimismo, a empresa enfrenta obstáculos significativos, como a resistência de produtores locais à concorrência de uma gigante estrangeira, a necessidade de adaptação às normas sanitárias brasileiras — mais rígidas que as chinesas — e a instabilidade logística em algumas regiões do país. Além disso, há incertezas sobre o ritmo de aprovação de projetos ambientais e a viabilidade de parcerias com cooperativas locais para garantir o fornecimento de grãos.

  • Cracóvia: o embutido nobre que virou febre na suinocultura brasileira e desafia o reinado do bacon

    Cracóvia: o embutido nobre que virou febre na suinocultura brasileira e desafia o reinado do bacon

    A Cracóvia, iguaria tradicional de origem ucraniana produzida no Paraná, deixou de ser um produto regional para se tornar a nova vedete do mercado de carnes suínas brasileiras. Com um processo de fabricação que une tradição europeia e inovação, o embutido tem ganhado espaço entre consumidores exigentes e agroindústrias de todo o país, impulsionando o faturamento do setor com seu alto valor agregado.

    Da imigração europeia à revolução no agronegócio

    Criada na década de 1960 por famílias de descendentes de ucranianos em Prudentópolis (PR), a Cracóvia carregava inicialmente um forte valor cultural e local. No entanto, nos últimos anos, o produto transcendeu sua origem humilde para se consolidar como uma alternativa sofisticada aos embutidos convencionais, como o bacon, graças a características que atendem às novas demandas do mercado: baixo teor de gordura, sabor marcante e processos rigorosos de cura e defumação.

    Um mercado em transformação

    O Brasil, tradicionalmente conhecido pela produção de carnes suínas em larga escala, tem visto um crescimento significativo na comercialização de produtos de valor agregado. A Cracóvia se destaca nesse cenário por sua produção artesanal e pela utilização de cortes nobres do porco, que garantem qualidade superior e preços competitivos no segmento premium. Segundo dados do setor, o faturamento com a iguaria cresceu mais de 30% nos últimos dois anos, refletindo a mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros.

    Sabor e saúde: os diferenciais que conquistaram o consumidor

    Diferentemente dos embutidos tradicionais, que muitas vezes são associados a altos teores de gordura e conservantes, a Cracóvia se posiciona como uma opção mais saudável, sem abrir mão do sabor. Seu processo de defumação lenta e o uso de especiarias selecionadas resultam em um produto com aroma e textura únicos, capaz de atrair desde os amantes da culinária gourmet até aqueles que buscam uma alimentação mais equilibrada.

    Perspectivas para o futuro da suinocultura brasileira

    Com a crescente demanda por produtos artesanais e de alta qualidade, a Cracóvia surge como um modelo a ser seguido por outras regiões produtoras de embutidos no país. O sucesso do produto pode incentivar novas iniciativas no setor, fortalecendo a imagem do Brasil como um fornecedor de carnes premium no mercado internacional. Além disso, a valorização de produtos como a Cracóvia contribui para a diversificação da matriz produtiva da suinocultura, reduzindo a dependência de commodities e abrindo espaço para inovações tecnológicas e culturais no campo.

  • Surto de Peste Suína Africana na Polônia: 21 mil suínos abatidos e alerta global para segurança alimentar

    Surto de Peste Suína Africana na Polônia: 21 mil suínos abatidos e alerta global para segurança alimentar

    A confirmação do surto de Peste Suína Africana (PSA) em uma granja comercial com 21,3 mil suínos na Polônia, registrada na vila de Jarosławsko (Pomerânia Ocidental), reacendeu o alerta sanitário na Europa na última quarta-feira (27/05/2026). O foco, situado a apenas 70 km da fronteira alemã, expõe a fragilidade das barreiras sanitárias em uma região já afetada pela circulação do vírus entre javalis, animal considerado um dos principais vetores da doença.

    Pressão sobre a suinocultura europeia e riscos globais

    Este é o segundo grande surto em uma granja comercial na Europa em 2026, após anos de tentativas de contenção da doença no Leste Europeu. A PSA, que não afeta humanos mas dizima plantéis suínos, já havia causado prejuízos bilionários na China e em países africanos, e agora ameaça reconfigurar o mercado global de proteínas. Especialistas alertam que o caso polonês pode acelerar a adoção de medidas mais rígidas de biosseguridade, como restrições ao transporte de animais e intensificação da vigilância em fronteiras com javalis infectados.

    Consequências econômicas e geopolíticas

    A União Europeia exige o abate total de plantéis infectados, o que, no caso polonês, já levou ao sacrifício de 21,3 mil animais. Além dos custos diretos — estimados em milhões de euros por granja —, o surto pode impor barreiras comerciais a exportadores europeus, já pressionados pela concorrência de produtores de outras regiões. Países como Espanha e Alemanha, principais exportadores de carne suína da UE, monitoram o caso com atenção redobrada, temendo um efeito dominó.

    O desafio dos javalis: um inimigo silencioso

    A Pomerânia Ocidental, onde o surto ocorreu, é uma área crítica devido à alta densidade de javalis e à presença de florestas transfronteiriças. O vírus pode ser transmitido por contato direto ou indireto com animais infectados, o que torna o controle quase impossível sem medidas drásticas. Autoridades polonesas já iniciaram uma operação de erradicação de javalis na região, mas a eficácia desse tipo de ação depende de recursos e coordenação entre governos — um ponto frágil na UE, onde políticas sanitárias ainda são fragmentadas.

  • Rio Grande do Sul domina importação de pelo de porco: por que a China abastece a indústria gaúcha

    Rio Grande do Sul domina importação de pelo de porco: por que a China abastece a indústria gaúcha

    O fenômeno das importações gaúchas

    O Rio Grande do Sul não apenas se destaca na produção agropecuária, mas também se consolidou como o maior importador de pelo de porco do Brasil. Em 2025, o estado adquiriu 167,8 mil toneladas de cerdas suínas no mercado internacional, volume equivalente a 64,7% de todas as importações nacionais do insumo. O investimento financeiro nesse setor atingiu US$ 1,56 milhão, representando 63,1% do total movimentado pelo país. A predominância gaúcha nesse segmento revela uma dependência estratégica de insumos externos, mesmo sendo o terceiro maior produtor de carne suína do Brasil.

    A indústria de pincéis e a matéria-prima essencial

    A demanda por pelo de porco no Rio Grande do Sul está diretamente ligada à robustez de seu parque industrial voltado para a fabricação de ferramentas de pintura. As cerdas suínas, tecnicamente chamadas de cerdas, são a matéria-prima indispensável para a produção de ‘trinchas’ — os pincéis de pintura imobiliária e artística. Segundo Rafael Loose, gerente de Desenvolvimento de Produtos da Pincéis Atlas, a escolha por esse material natural deve-se à sua estrutura única. Diferente das fibras sintéticas, a cerda suína possui uma morfologia escamada e pontas bifurcadas, capazes de reter e distribuir a tinta com maior eficiência. “É um processo que a tecnologia ainda não conseguiu replicar com perfeição”, afirma o especialista, destacando a impossibilidade de substituição integral por alternativas artificiais.

    Por que o rebanho local não atende à demanda?

    A disparidade entre a produção de carne suína gaúcha e a importação de cerdas para pincéis revela um paradoxo do agronegócio regional. Embora o estado seja o terceiro maior produtor de suínos do Brasil, o rebanho local não é adequado para a extração das cerdas industriais. Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS (Sips), explica que o pelo de animais jovens — destinados ao abate precoce para atender ao mercado de carne — é excessivamente macio. Para a fabricação de pincéis de qualidade, são necessárias cerdas mais fortes, resistentes e longas, características encontradas apenas em animais mais velhos. “O foco do agronegócio gaúcho é a exportação de carne de alta qualidade, o que inviabiliza a manutenção de rebanhos para a extração de cerdas”, comenta Kerber.

    A China como principal fornecedora e os desafios logísticos

    A China domina o fornecimento de cerdas suínas para o Rio Grande do Sul, respondendo pela totalidade das importações do estado. O fluxo comercial, no entanto, enfrenta desafios logísticos significativos. O transporte marítimo a partir da Ásia, combinado com trâmites alfandegários, pode atrasar a chegada do insumo em até 45 dias. Além disso, a volatilidade cambial e as flutuações nos preços internacionais do produto impactam diretamente os custos da indústria gaúcha. “Em 2024, por exemplo, o preço da cerda chinesa subiu 18% devido a restrições sanitárias na origem”, relata um executivo do setor, que preferiu não ser identificado. A dependência exclusiva do mercado asiático também expõe a indústria a riscos geopolíticos, como sanções ou mudanças abruptas nas políticas comerciais.

    Alternativas em discussão e o futuro do setor

    Diante da dependência externa, algumas empresas gaúchas já estudam soluções para reduzir a vulnerabilidade. A Pincéis Atlas, por exemplo, investe em pesquisa para desenvolver pincéis híbridos, combinando cerdas suínas com fibras sintéticas de alta performance. “O objetivo é criar um produto 70% natural e 30% sintético, mantendo a qualidade e reduzindo custos”, explica Loose. Outra possibilidade é a importação de cerdas de países europeus, como Alemanha e Itália, onde a tradição na criação de suínos para cerdas persiste. No entanto, esses mercados cobram preços até 30% superiores aos da China, o que limita a viabilidade econômica.

    Enquanto isso, o Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS (Sips) negocia com o governo estadual a implementação de incentivos fiscais para produtores que mantenham rebanhos específicos para a extração de cerdas. “Precisamos repensar a cadeia suína gaúcha, valorizando os animais de ciclo longo”, defende Kerber. Até que essas alternativas se concretizem, o Rio Grande do Sul seguirá como o grande importador de pelo de porco do Brasil, pagando um preço alto — em dólar e em dependência externa — para abastecer uma indústria que não pode parar.

    Contexto histórico: a evolução da indústria de pincéis no Brasil

    A relação entre o Rio Grande do Sul e a importação de cerdas suínas remonta ao século XIX, quando imigrantes europeus — especialmente alemães — estabeleceram as primeiras fábricas de pincéis no estado. Na época, a matéria-prima era obtida localmente, com rebanhos criados especificamente para a extração das cerdas. No entanto, a industrialização acelerada e a demanda crescente por carne suína nos anos 1950 e 1960 levaram ao abate precoce dos animais, eliminando a possibilidade de produção local de cerdas.

    A partir da década de 1980, com a abertura econômica e a globalização, o Brasil passou a importar cerdas da China e da Coreia do Sul, consolidando o modelo atual. Hoje, o país importa cerca de 260 mil toneladas de cerdas por ano, sendo que 64,7% desse volume tem como destino o Rio Grande do Sul. A dependência externa, no entanto, não é exclusividade gaúcha: estados como São Paulo e Paraná também importam cerdas, mas em volumes significativamente menores, focados em nichos específicos do mercado, como pincéis para pintura automotiva.

    Impacto econômico e perspectivas para 2026

    A indústria de pincéis no Rio Grande do Sul movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão anualmente, empregando diretamente 8 mil pessoas. A importação de cerdas, embora represente um custo adicional, é vista como um mal necessário pela maioria dos empresários do setor. “Sem a cerda chinesa, não teríamos como manter a competitividade”, afirma Maria Helena Rodrigues, presidente da Associação das Indústrias de Ferramentas de Pintura do RS (Aifep). No entanto, a alta nos custos dos últimos dois anos — impulsionada pela desvalorização do real frente ao dólar e pelo aumento dos fretes internacionais — já levou ao fechamento de três pequenas fábricas no estado.

    Para 2026, as perspectivas são de estabilidade, mas com riscos. A expectativa é de que as importações se mantenham no patamar atual, a menos que haja uma mudança drástica na política industrial ou no perfil do rebanho suíno gaúcho. Enquanto isso, os empresários seguem apostando em inovações para reduzir a dependência do insumo importado, mas o caminho é longo e cheio de obstáculos.

  • Desempenho de suínos: quando o intestino afeta a produtividade das granjas

    Desempenho de suínos: quando o intestino afeta a produtividade das granjas

    O intestino como pilar da suinocultura moderna

    A suinocultura brasileira, responsável por cerca de 4,5 milhões de toneladas de carne suína anualmente, enfrenta desafios constantes para manter a produtividade e a saúde dos plantéis. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o intestino desempenha um papel tão crucial quanto a nutrição ou o manejo sanitário: ele é responsável por até 30% da digestão e absorção de nutrientes essenciais para o desenvolvimento dos animais. “Quando há falhas nesse processo, os impactos são diretos no desempenho zootécnico e na saúde dos suínos”, explica Mariana Rosetti, coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal. A especialista destaca que problemas intestinais estão frequentemente associados a desequilíbrios na microbiota, condição conhecida como disbiose, que reduz a eficiência da digestão e a assimilação dos nutrientes.

    Sinais de alerta: quando o baixo desempenho tem origem intestinal

    Identificar alterações na saúde intestinal dos suínos é fundamental para evitar prejuízos econômicos. Entre os principais indícios estão a consistência anormal das fezes — que pode variar de pastosa a aquosa —, episódios de diarreia, redução no consumo de água e ração, letargia e até febre. “Esses sintomas são mais evidentes em fases críticas, como no pós-desmame, quando os animais enfrentam estresse metabólico e imunológico”, afirma Rosetti. A coordenadora da MCassab acrescenta que lotes desuniformes, com animais apresentando crescimento mais lento ou perda de peso, também podem ser sinais de um problema intestinal subjacente. “Nesses casos, o organismo do suíno prioriza a defesa imunológica, desviando energia que deveria ser destinada ao ganho de peso”, explica.

    Disbiose: o desequilíbrio que afeta imunidade e nutrição

    A disbiose — desequilíbrio entre bactérias benéficas e patogênicas no intestino — é uma das principais causas de distúrbios digestivos em suínos. Segundo a especialista, a microbiota intestinal saudável é composta por trilhões de micro-organismos que auxiliam na digestão, produção de vitaminas e modulação do sistema imunológico. Quando há um desequilíbrio, como a proliferação excessiva de bactérias como Escherichia coli ou Salmonella, o resultado é uma queda na produção de ácidos graxos voláteis (AGVs), essenciais para a saúde intestinal, e uma redução na absorção de nutrientes. “Além disso, a disbiose aumenta a permeabilidade intestinal, facilitando a entrada de patógenos e toxinas na corrente sanguínea”, alerta Rosetti. Em granjas comerciais, essa condição pode levar a perdas financeiras significativas, já que os animais consomem mais ração para obter os mesmos resultados de ganho de peso.

    Estratégias preventivas: o papel dos aditivos na saúde intestinal

    Para combater a disbiose e suas consequências, a MCassab desenvolveu o Ative Pro Sui, um aditivo probiótico formulado com bactérias selecionadas e isoladas de granjas brasileiras. O produto atua por meio de três mecanismos principais: colonização do intestino por bactérias benéficas, exclusão competitiva de patógenos e estímulo ao sistema imunológico. “As cepas de bactérias presentes no Ative Pro Sui são capazes de produzir enzimas que melhoram a digestibilidade dos nutrientes e aumentam a produção de ácidos graxos, como o butirato, que é fundamental para a saúde da mucosa intestinal”, explica Rosetti. O aditivo é indicado para suínos em todas as fases de criação — da creche ao abate — e pode ser utilizado tanto de forma preventiva quanto corretiva.

    Resultados tangíveis: ganho de peso e redução de custos

    De acordo com a MCassab, o uso do Ative Pro Sui em granjas brasileiras tem demonstrado resultados consistentes. “Em lotes que receberam o probiótico, observamos uma melhora média de 5% no ganho de peso diário, além de uma redução de 3% na conversão alimentar”, relata a coordenadora de produtos. Outras vantagens incluem maior uniformidade dos lotes, menor incidência de diarreias e redução na mortalidade. “Quanto mais equilibrada for a microbiota intestinal ao longo da vida do animal, menores são as chances de distúrbios e maiores as chances de alcançar bons resultados produtivos”, afirma Rosetti. A especialista também destaca que o aditivo contribui para a redução do uso de antibióticos, alinhando-se às demandas por uma suinocultura mais sustentável e livre de resíduos químicos.

    O futuro da suinocultura: inovação e sustentabilidade

    A busca por soluções que aliem produtividade e bem-estar animal é um dos grandes desafios da suinocultura contemporânea. Segundo projeções da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), o Brasil deve produzir cerca de 4,7 milhões de toneladas de carne suína em 2024, mantendo-se como o quarto maior exportador mundial. Nesse cenário, a saúde intestinal emerge como um fator determinante para a competitividade do setor. “A adoção de tecnologias como probióticos e prebióticos, aliada a um manejo nutricional adequado, é fundamental para garantir a sustentabilidade econômica e ambiental das granjas”, avalia Rosetti. A MCassab, que integra o Grupo MCassab com atuação global em nutrição animal, segue investindo em pesquisa e desenvolvimento para oferecer soluções inovadoras que atendam às necessidades dos suinocultores brasileiros.

    Conclusão: a saúde intestinal como diferencial competitivo

    Os problemas intestinais em suínos não são apenas uma questão de saúde animal, mas sim um fator estratégico para a rentabilidade das granjas. Com a crescente pressão por redução de custos e sustentabilidade, a adoção de medidas preventivas, como o uso de probióticos, torna-se cada vez mais indispensável. “Um intestino saudável é a base para um plantel produtivo e resiliente”, conclui Mariana Rosetti. À medida que a suinocultura brasileira avança em direção à modernização, soluções como o Ative Pro Sui destacam-se como ferramentas essenciais para garantir a competitividade do setor no mercado global.