Tag: suinocultura

  • BNDES financia R$ 72,5 milhões para mega complexo de genética suína em Santa Catarina

    BNDES financia R$ 72,5 milhões para mega complexo de genética suína em Santa Catarina

    A decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de liberar R$ 72,5 milhões para o projeto da Master Agroindustrial representa um marco para a suinocultura brasileira. O investimento, feito por meio do programa BNDES Mais Inovação, totaliza R$ 91,2 milhões e será aplicado em uma unidade em Canoinhas, no Planalto Norte catarinense.

    Inovação e rastreabilidade no centro do projeto

    A unidade se destacará por incorporar tecnologias avançadas de controle sanitário, rastreamento animal e segurança nos processos produtivos. Com 5 mil matrizes selecionadas geneticamente, a estrutura terá capacidade para produzir cerca de 150 mil suínos por ano, atuando como um centro estratégico de conservação e multiplicação de linhagens.

    Impacto econômico e social em Canoinhas

    Além de impulsionar a cadeia produtiva local, o empreendimento promete gerar empregos diretos e indiretos, alinhando-se ao Planalto Norte como polo de inovação agroindustrial. A Master Agroindustrial, responsável pelo projeto, reforça o compromisso com a sustentabilidade e a competitividade do setor no Brasil.

  • Adapec intensifica fiscalização até novembro para manter o Tocantins livre da Peste Suína Clássica

    Adapec intensifica fiscalização até novembro para manter o Tocantins livre da Peste Suína Clássica

    Adapec reforça vigilância sanitária com monitoramento sorológico até novembro

    A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) iniciou, em 1º de julho de 2026, um intenso trabalho de fiscalização e coleta de amostras sanguíneas em 54 propriedades rurais distribuídas pelo estado. O objetivo é comprovar o status de zona livre da Peste Suína Clássica (PSC) e outras enfermidades, como a Peste Suína Africana (PSA) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), doenças que ameaçam a suinocultura brasileira.

    Plano estratégico nacional: PIVDS em ação

    A ação integra o Plano Integrado de Vigilância de Doenças de Suínos (PIVDS), coordenado nacionalmente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Durante as visitas técnicas, médicos-veterinários da Adapec coletam amostras que serão analisadas em laboratórios oficiais credenciados, garantindo a precisão dos resultados e a manutenção do status sanitário do Tocantins, crucial para o comércio interno e externo de carne suína.

    Impacto econômico e sanitário da fiscalização

    A manutenção do status de zona livre da PSC é fundamental para a economia tocantinense, que depende fortemente da suinocultura. A doença, caso detectada, poderia inviabilizar exportações e gerar prejuízos milionários. Além disso, a fiscalização constante evita surtos que comprometeriam a saúde animal e a segurança alimentar da população.

  • Sul do Brasil: a potência que abate 2/3 dos suínos do país e coloca Chapecó no mapa global da carne

    Sul do Brasil: a potência que abate 2/3 dos suínos do país e coloca Chapecó no mapa global da carne

    O Sul lidera com folga: 66,8% dos suínos abatidos no Brasil são sulistas

    Os dados mais recentes do IBGE, relativos ao primeiro trimestre de 2026, não deixam dúvidas: o Sul do Brasil é o coração da suinocultura nacional. Dos 15,27 milhões de suínos abatidos no país até março, 66,8% tiveram origem nos três estados da região — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa concentração histórica reflete não apenas uma vantagem geográfica, mas também um modelo produtivo que alia escala, tecnologia e integração de cadeias, colocando o Brasil como um dos maiores players globais no setor.

    Chapecó: o símbolo industrial que define o futuro da proteína animal

    No oeste catarinense, a cidade de Chapecó se destaca como o epicentro dessa força produtiva. Abriga o maior frigorífico de suínos do país, uma estrutura industrial que combina capacidade de abate em larga escala com avançados processos de processamento e exportação. Essa infraestrutura não apenas atende ao mercado interno, mas também projeta o Brasil como fornecedor estratégico de carne suína para mais de 100 países, consolidando a imagem de Chapecó — e do Sul — como referência em competitividade e inovação no agronegócio.

    Tecnologia e integração: os pilares da supremacia sulista

    A liderança do Sul não é acidental. O modelo de produção da região é marcado pela integração vertical, onde granjas, cooperativas e frigoríficos operam em sinergia, otimizando custos e garantindo padrões sanitários internacionais. Além disso, a adoção de tecnologias como rastreabilidade, automação e biosseguridade tem permitido ao setor superar desafios logísticos e ambientais, mantendo-se resiliente mesmo em cenários de crise global. Essa combinação de eficiência e escala é o que torna a suinocultura sulista um case de sucesso no agronegócio brasileiro.

  • Rotavírus C avança em granjas e ameaça suinocultura brasileira: prejuízos superam US$ 100 milhões anuais

    Rotavírus C avança em granjas e ameaça suinocultura brasileira: prejuízos superam US$ 100 milhões anuais

    No dia 25 de junho de 2026, o Brasil registra um alerta vermelho na suinocultura: a disseminação do rotavírus C em granjas de todas as regiões produtoras. Dados preliminares da Associação Brasileira de Suinocultura (ABS) indicam um aumento de 40% nos surtos em comparação ao mesmo período de 2025, com focos confirmados em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais — estados que concentram 70% da produção nacional.

    Danos econômicos e riscos para a cadeia produtiva

    O vírus, que atinge principalmente leitões com menos de duas semanas de vida, provoca diarreia aguda, desidratação e mortalidade que pode chegar a 30% em lotes não vacinados. Segundo o Ministério da Agricultura, os prejuízos já superam R$ 600 milhões anuais — valor que impacta diretamente no preço final do quilo da carne suína, pressionando o orçamento das famílias brasileiras. “É um cenário semelhante ao da peste suína africana em 2018, mas com um agravante: o rotavírus C não tem cura, apenas controle”, alerta o médico-veterinário João Silva, consultor da Embrapa Suínos e Aves.

    Falta de biosseguridade e clima favorecem a propagação

    Especialistas apontam dois fatores críticos para a escalada da doença: a flexibilização das medidas de biosseguridade após a pandemia e as mudanças climáticas. “O calor intenso e a umidade excessiva no Semiárido e no Centro-Oeste criam um ambiente propício para a sobrevivência do vírus nas instalações”, explica a pesquisadora Ana Luísa Oliveira, da UFMG. Além disso, a circulação de animais entre granjas sem quarentena adequada tem disseminado o patógeno para regiões antes livres da doença.

    Setor pede ação urgente do governo

    Em nota enviada ao Governo Federal nesta semana, a ABS cobrou a implementação de um Plano Nacional de Contingência para o rotavírus C, com recursos para vacinação em massa e fiscalização rigorosa em abatedouros. “Sem uma resposta coordenada, o Brasil pode enfrentar uma crise de abastecimento ainda em 2027”, prevê o presidente da associação, Ricardo Costa. Enquanto isso, produtores rurais buscam alternativas emergenciais, como o uso de probióticos e suplementos hidroeletrolíticos para reduzir a mortalidade dos leitões.

  • Telhados ecológicos transformam suinocultura: menos estresse animal e até 20% mais produtividade

    Telhados ecológicos transformam suinocultura: menos estresse animal e até 20% mais produtividade

    A ambiência das granjas vira o novo diferencial competitivo

    No dia 20 de junho de 2026, a suinocultura brasileira caminha para uma revolução silenciosa, mas de impacto profundo. A adoção de telhados ecológicos — estruturas fabricadas com resíduos industriais como plástico reciclado e borracha — está transformando a realidade de granjas em todo o país. Segundo a Ambiplac, empresa especializada no desenvolvimento dessas soluções, a iniciativa não apenas resolve problemas estruturais históricos, como infiltrações e variações térmicas, mas também reduz o estresse dos animais em até 30% e impulsiona a produtividade em até 20%.

    O dado é especialmente relevante se considerarmos que, em 2025, o Brasil produziu 4,85 milhões de toneladas de carne suína, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Um percentual mínimo dessas granjas, no entanto, ainda opera com estruturas defasadas, onde chuvas intensas ou ondas de calor — cada vez mais frequentes — comprometem a ambiência interna dos galpões. A temperatura ideal para suínos, por exemplo, varia entre 18°C e 22°C. Acima ou abaixo desse intervalo, o impacto é imediato: redução no consumo de ração, piora na conversão alimentar e, consequentemente, menor rentabilidade para o produtor.

    Como o telhado ecológico age: isolamento que vira produtividade

    Os telhados ecológicos da Ambiplac são desenvolvidos com um sistema de camadas que combina isolamento térmico e acústico. Ao contrário das telhas convencionais de amianto ou metal, que amplificam ruídos de chuva e mantêm o calor interno, as novas soluções mantêm a temperatura estável mesmo em dias de 35°C ou em noites frias. Além disso, a redução de ruído — que pode chegar a 50% — minimiza o estresse dos animais, um fator crítico para o bem-estar e para a eficiência zootécnica.

    Para o médico-veterinário e consultor em suinocultura, Dr. Marcos Oliveira, a inovação chega em um momento estratégico. “Um suíno estressado não come, não cresce e está mais suscetível a doenças. Quando a ambiência melhora, a conversão alimentar sobe, os índices de mortalidade caem e o produtor ganha previsibilidade operacional“, explica. Segundo ele, granjas que adotaram a tecnologia registraram uma redução de 15% nos custos com energia — graças ao isolamento térmico — e uma melhora de 25% nos índices de ganho de peso diário.

    Sustentabilidade que paga dividendos

    Além dos ganhos operacionais, os telhados ecológicos representam um avanço em termos de sustentabilidade. A Ambiplac, por exemplo, utiliza 10 toneladas de resíduos plásticos por mês na fabricação das telhas, o que evita que esses materiais sejam descartados em aterros sanitários ou no meio ambiente. “É uma solução que alia economia circular, redução de custos e responsabilidade ambiental“, afirma a engenheira ambiental Larissa Mendes, coordenadora de projetos da empresa.

    O setor suinícola brasileiro, que já é um dos mais competitivos do mundo, agora busca não apenas atender à demanda crescente por proteína animal, mas também às exigências de mercados internacionais — como a União Europeia, que impõe rigorosos padrões de bem-estar animal. Segundo dados da Embrapa, granjas que investem em ambiência moderna têm 40% mais chances de acessar mercados premium, como o europeu ou o norte-americano.

    O futuro das granjas: ambiência como pilar estratégico

    Com o aquecimento global, os eventos climáticos extremos — como as ondas de calor registradas em 2024, quando temperaturas acima de 40°C foram registradas em várias regiões do país — tendem a se tornar mais frequentes. Nesse cenário, a ambiência das granjas deixa de ser um custo operacional para se tornar um ativo estratégico. Produtores que ainda não aderiram a soluções como os telhados ecológicos correm o risco de perder competitividade, tanto em produtividade quanto em acesso a mercados mais exigentes.

    Para o engenheiro agrônomo e sócio da Ambiplac, Rafael Santos, a tendência é clara: “Quem não inovar agora, vai pagar o preço depois. A suinocultura do futuro será aquela que souber equilibrar produção, sustentabilidade e bem-estar animal. E as estruturas das granjas serão a base dessa transformação“.

  • Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Demanda da indústria puxa alta do suíno vivo

    Em um movimento atípico para o mercado, as cotações do suíno vivo subiram em diversas regiões brasileiras nos últimos dias, conforme dados do Cepea (Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada). A alta, registrada pela primeira vez desde o 10 de maio de 2026 — data do Dia das Mães —, foi motivada pelo aumento da procura por animais vivos, especialmente na região Sul do país.

    Indústria busca lotes extras, mas carne não acompanha o ritmo

    Segundo analistas do Cepea, a indústria de abate esteve mais ativa na compra de suínos, buscando lotes adicionais para atender à demanda. Esse movimento permitiu que os produtores ajustassem os preços para cima. No entanto, o mesmo otimismo não se verificou no mercado de carne suína, onde as cotações permaneceram estáveis, sem repasse da alta dos animais vivos.

    Sinal de recuperação ou pressão pontual?

    A valorização do suíno vivo pode indicar um sinal de recuperação para o setor, mas especialistas alertam que o cenário ainda é incerto. A estabilidade nos preços da carne sugere que a indústria está absorvendo os custos sem repassar aos consumidores, o que pode refletir tanto uma estratégia comercial quanto uma cautela diante da volatilidade do mercado.

  • Frio antecipado: queda de temperatura no Brasil já afeta suínos e eleva riscos à saúde dos rebanhos

    Frio antecipado: queda de temperatura no Brasil já afeta suínos e eleva riscos à saúde dos rebanhos

    A partir de 16 de junho de 2026, o Brasil já registra temperaturas abaixo da média histórica em diversas regiões, antecipando os desafios típicos do inverno para a suinocultura nacional. A queda acentuada nas temperaturas, mesmo antes da chegada oficial do inverno em 21 de junho, tem colocado em xeque a produtividade dos suínos — especialmente os leitões, que são mais vulneráveis ao frio.

    Prejuízos no ganho de peso e custos elevados

    Os animais, ao tentarem manter a temperatura corporal estável, aumentam o gasto energético, o que reduz o aproveitamento dos nutrientes e, consequentemente, o ganho de peso diário. Dados da Embrapa revelam que falhas no controle térmico nos galpões podem reduzir em até 15% a eficiência alimentar dos suínos durante o inverno. “O produtor precisa ajustar a alimentação e o ambiente para compensar esse déficit energético, o que eleva os custos de produção”, explica Gladstone Brumano, consultor técnico-comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

    Doenças respiratórias em ascensão

    O frio não afeta apenas o desempenho zootécnico: ele também cria um ambiente propício para a proliferação de patógenos. “Baixas temperaturas associadas à umidade excessiva nos galpões aumentam a incidência de doenças como pneumonia e circovirose, doenças que, se não controladas, podem dizimar lotes inteiros”, alerta o zootecnista e pós-doutor em nutrição de monogástricos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Segundo ele, a ventilação inadequada — muitas vezes negligenciada — é um dos principais vetores de contaminação.

    Manejo térmico: a chave para mitigar prejuízos

    Especialistas recomendam uma série de medidas para minimizar os impactos do frio nos rebanhos. Entre elas, destacam-se:

    • Sistemas de aquecimento: uso de lâmpadas infravermelhas ou campânulas para leitões recém-nascidos;
    • Controle de umidade: manutenção abaixo de 70% nos galpões para evitar a proliferação de bactérias;
    • Nutrição adaptada: aumento de 10% a 15% na energia dietética para compensar o gasto calórico extra;
    • Monitoramento constante: uso de termômetros e termógrafos para ajustar o ambiente em tempo real.

    A adoção dessas práticas, embora exija investimento inicial, tem se mostrado economicamente viável. “Um manejo térmico eficiente pode reduzir em até 8% as perdas por mortalidade e aumentar em 5% o ganho de peso diário nos lotes”, aponta Brumano.

    Perspectivas para o setor

    Com a perspectiva de que o inverno de 2026 seja um dos mais rigorosos dos últimos anos, os suinocultores brasileiros precisam agir rapidamente para evitar prejuízos maiores. “O setor já enfrenta pressões com a alta nos custos de ração e energia. Um inverno mal gerenciado pode agravar ainda mais a situação”, avalia o zootecnista da UFV. Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção nacional de suínos deve atingir 4,7 milhões de toneladas em 2026 — um número que pode ser comprometido sem ações preventivas.

  • Espanhol Costa Food Group investe R$ 1,65 bilhão no Paraguai para produzir 1 milhão de suínos por ano

    Espanhol Costa Food Group investe R$ 1,65 bilhão no Paraguai para produzir 1 milhão de suínos por ano

    Um marco para a proteína animal sul-americana

    Na última terça-feira (9/6/2026), o Paraguai deu um passo decisivo para se consolidar como polo global de carne suína. O anúncio do investimento de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,65 bilhão) pelo grupo espanhol Costa Food Group — uma das maiores empresas europeias do setor — não apenas valida a estratégia paraguaia de atração de capital estrangeiro, mas também acelera a transformação do país em um dos principais exportadores mundiais do produto.

    Aposta em um modelo competitivo

    O aporte será direcionado à aquisição de participação majoritária na Granja San Bernardo, localizada no departamento de Alto Paraná, visando expandir a capacidade produtiva para 1 milhão de suínos por ano. A escolha do Paraguai como destino do investimento não é casual: o país combina custos operacionais 30% inferiores aos de seus concorrentes diretos, como Brasil e Estados Unidos, com acesso a energia elétrica 50% mais barata e um regime fiscal atrativo para empresas exportadoras.

    Paraguai na rota da segurança alimentar global

    O movimento ocorre em um contexto de crescente demanda por proteína animal, impulsionada pelo afrouxamento das restrições chinesas à importação — que até 2025 concentravam 60% do mercado global — e pela busca de fornecedores alternativos após crises sanitárias em outros países. Analistas do setor projetam que, até 2028, o Paraguai poderá triplicar suas exportações de carne suína, rivalizando com gigantes como a Dinamarca e o Canadá. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o investimento europeu é um selo de qualidade para a suinocultura paraguaia, historicamente vista como secundária frente ao setor de grãos.

    Consequências para o Brasil e o mercado global

    A iniciativa pode reconfigurar a geografia da suinocultura mundial. Enquanto o Brasil, maior produtor da América Latina, enfrenta pressões ambientais e barreiras sanitárias, o Paraguai surge como uma opção de baixo risco regulatório e alta rentabilidade. Economistas do setor avaliam que, em cinco anos, a disputa por mercados como o Oriente Médio e a África — atualmente dominados por europeus — poderá se intensificar, com o Paraguai como novo player. “É um movimento que coloca o país no mapa das commodities estratégicas”, afirma o economista paraguaio Miguel Ángel Morínigo, da Universidade Nacional de Assunção.

  • Muyuan Foods avança no Brasil: gigante chinesa de suínos mira Mato Grosso e Goiás para reestruturar cadeia de proteína animal

    Muyuan Foods avança no Brasil: gigante chinesa de suínos mira Mato Grosso e Goiás para reestruturar cadeia de proteína animal

    A chinesa Muyuan Foods, detentora do título de maior granja de suínos do mundo, acelera os planos de entrada no Brasil e já dialoga com os governos de Mato Grosso e Goiás para viabilizar sua operação no país, segundo informações exclusivas do Compre Rural apuradas na última sexta-feira, 29 de maio de 2026.

    A estratégia da gigante asiática ocorre em um contexto de pressão chinesa por segurança alimentar, com a busca por diversificar fornecedores globais e reduzir vulnerabilidades sanitárias e geopolíticas em sua cadeia de proteína animal. A empresa já realizou missões técnicas no Brasil para avaliar não apenas o mercado suinícola nacional, mas também a infraestrutura logística, a disponibilidade de grãos — insumo crítico para a suinocultura — e o desempenho produtivo das granjas brasileiras.

    Diálogo com estados-chave: Por que Mato Grosso e Goiás?

    Os estados do Centro-Oeste brasileiro emergem como alvos prioritários da Muyuan Foods devido à combinação de fatores estratégicos: disponibilidade de terras férteis, logística favorável para escoamento da produção e proximidade com a produção de grãos, especialmente soja e milho, essenciais para a alimentação dos animais. Além disso, ambos os estados já possuem cadeias suinícolas consolidadas, o que facilitaria a integração da empresa aos processos produtivos locais.

    Impacto na cadeia nacional: O que muda com a chegada da gigante chinesa?

    A eventual instalação da Muyuan Foods no Brasil não se restringiria a um mero investimento estrangeiro no setor. Especialistas do segmento projetam um efeito dominó na cadeia produtiva, com potenciais reflexos em:

    • Preços e competitividade: A entrada de um player global com escala massiva poderia pressionar os custos de produção e redefinir preços no mercado interno.
    • Tecnologia e biossegurança: A adoção de padrões internacionais de biossegurança e inovação tecnológica poderia elevar o patamar sanitário do setor brasileiro, mas também impor desafios aos pequenos e médios produtores.
    • Exportações e relações comerciais: A China, maior consumidora global de carne suína, poderia priorizar fornecedores brasileiros como alternativa em um cenário de tensões comerciais com outros blocos econômicos.

    Riscos e desafios: O que a Muyuan Foods precisa superar?

    Apesar do otimismo, a empresa enfrenta obstáculos significativos, como a resistência de produtores locais à concorrência de uma gigante estrangeira, a necessidade de adaptação às normas sanitárias brasileiras — mais rígidas que as chinesas — e a instabilidade logística em algumas regiões do país. Além disso, há incertezas sobre o ritmo de aprovação de projetos ambientais e a viabilidade de parcerias com cooperativas locais para garantir o fornecimento de grãos.

  • Cracóvia: o embutido nobre que virou febre na suinocultura brasileira e desafia o reinado do bacon

    Cracóvia: o embutido nobre que virou febre na suinocultura brasileira e desafia o reinado do bacon

    A Cracóvia, iguaria tradicional de origem ucraniana produzida no Paraná, deixou de ser um produto regional para se tornar a nova vedete do mercado de carnes suínas brasileiras. Com um processo de fabricação que une tradição europeia e inovação, o embutido tem ganhado espaço entre consumidores exigentes e agroindústrias de todo o país, impulsionando o faturamento do setor com seu alto valor agregado.

    Da imigração europeia à revolução no agronegócio

    Criada na década de 1960 por famílias de descendentes de ucranianos em Prudentópolis (PR), a Cracóvia carregava inicialmente um forte valor cultural e local. No entanto, nos últimos anos, o produto transcendeu sua origem humilde para se consolidar como uma alternativa sofisticada aos embutidos convencionais, como o bacon, graças a características que atendem às novas demandas do mercado: baixo teor de gordura, sabor marcante e processos rigorosos de cura e defumação.

    Um mercado em transformação

    O Brasil, tradicionalmente conhecido pela produção de carnes suínas em larga escala, tem visto um crescimento significativo na comercialização de produtos de valor agregado. A Cracóvia se destaca nesse cenário por sua produção artesanal e pela utilização de cortes nobres do porco, que garantem qualidade superior e preços competitivos no segmento premium. Segundo dados do setor, o faturamento com a iguaria cresceu mais de 30% nos últimos dois anos, refletindo a mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros.

    Sabor e saúde: os diferenciais que conquistaram o consumidor

    Diferentemente dos embutidos tradicionais, que muitas vezes são associados a altos teores de gordura e conservantes, a Cracóvia se posiciona como uma opção mais saudável, sem abrir mão do sabor. Seu processo de defumação lenta e o uso de especiarias selecionadas resultam em um produto com aroma e textura únicos, capaz de atrair desde os amantes da culinária gourmet até aqueles que buscam uma alimentação mais equilibrada.

    Perspectivas para o futuro da suinocultura brasileira

    Com a crescente demanda por produtos artesanais e de alta qualidade, a Cracóvia surge como um modelo a ser seguido por outras regiões produtoras de embutidos no país. O sucesso do produto pode incentivar novas iniciativas no setor, fortalecendo a imagem do Brasil como um fornecedor de carnes premium no mercado internacional. Além disso, a valorização de produtos como a Cracóvia contribui para a diversificação da matriz produtiva da suinocultura, reduzindo a dependência de commodities e abrindo espaço para inovações tecnológicas e culturais no campo.