Óculos da Meta com IA: gravação constante e ‘memória artificial’
Em uma nova investida no mercado de dispositivos vestíveis, a Meta estaria testando um protótipo de óculos inteligentes com inteligência artificial que grava áudio e tira fotos automaticamente, segundo reportagem do Financial Times publicada nesta semana. O recurso, apelidado internamente de super sensing (superpercepção), tem como objetivo criar uma espécie de ‘memória artificial’ para os usuários, armazenando informações do cotidiano — como conversas, localização de objetos ou detalhes de reuniões — para posterior consulta via assistente de IA.
Como o ‘super sensing’ funcionaria na prática
Os registros não seriam salvos localmente nos óculos, mas enviados diretamente para os servidores da Meta AI, onde passariam por processamento em tempo real. A estratégia busca mitigar riscos legais e de privacidade, ao evitar que dados sensíveis permaneçam armazenados no dispositivo. Entre as funcionalidades prometidas, o sistema poderia responder a perguntas como ‘onde deixei minhas chaves?’ ou ‘o que foi dito na reunião de ontem?’, integrando-se ao ecossistema de assistentes virtuais da empresa.
Investimentos da Meta em óculos inteligentes desde 2021
A Meta vem apostando fortemente em óculos com IA desde 2021, quando lançou parcerias com a Ray-Ban para modelos com câmera e microfone. Agora, com o *super sensing*, a empresa dá um passo adiante ao transformar os dispositivos em ferramentas de captura onipresentes. Especialistas, no entanto, já alertam para potenciais controvérsias, especialmente em ambientes onde a gravação constante pode ferir leis de privacidade ou causar desconforto social.
Privacidade em xeque: quem controla os dados?
A abordagem da Meta — centralizar os registros na nuvem — divide opiniões. Por um lado, facilita a atualização de modelos de IA e reduz a carga computacional dos óculos. Por outro, reacende debates sobre vigilância corporativa e o uso de dados pessoais por gigantes da tecnologia. A empresa não comentou oficialmente o projeto, mas a revelação chega em um momento em que reguladores globais intensificam fiscalizações sobre inteligência artificial e dispositivos conectados.
