Frota envelhecida reforça a divisão entre novos e usados
A discrepância entre os rankings de carros novos e usados revela dois Brasis distintos. Enquanto os modelos zero-quilômetro — como os SUVs e picapes — conquistam cada vez mais espaço nas vendas, os seminovos ainda são dominados por hatches com mais de uma década de produção, como o VW Gol. A idade média da frota nacional, de 11 anos, explica essa divisão: os consumidores buscam alternativas mais baratas e acessíveis, enquanto os compradores de 0km priorizam espaços e tecnologias.
Três modelos cruzam a fronteira entre os mercados
Apenas a Fiat Strada, o Chevrolet Onix e o Hyundai HB20 aparecem tanto entre os mais vendidos de novos quanto de usados. Enquanto os dois últimos já são consolidados no segmento de entrada, a Strada — picapes compactas — surpreende ao figurar em ambos os rankings, sinalizando sua versatilidade. No entanto, a mudança de 40% no perfil de carrocerias entre os dois mercados evidencia uma migração clara: os brasileiros não abrem mão dos hatches nos usados, mas apostam em veículos maiores e mais robustos na hora de investir em um zero-quilômetro.
O que isso diz sobre o mercado automotivo brasileiro?
A polarização reflete não apenas a crise econômica que afeta o poder de compra, mas também uma mudança de hábitos. Os SUVs e picapes, antes restritos a nichos premium, agora são acessíveis a classes médias e populares graças a financiamentos e programas governamentais. Já os hatches, como o Gol, mantêm sua hegemonia nos usados por dois motivos: preço baixo e tradição consolidada. Enquanto o mercado de 0km se reinventa com inovações e apelos de segurança, o de seminovos segue como um termômetro da resiliência dos modelos clássicos.
