A escalada nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (2 de junho de 2026). O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciou uma proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, justificada por supostas práticas comerciais consideradas ‘desleais’. A decisão, que ainda precisa passar por consulta pública e audiência antes de entrar em vigor em julho, abrange temas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Alvo da medida: quem pode ser impactado?
Apesar da ampla abrangência da proposta, alguns setores estratégicos — como a carne bovina e o café — ficaram de fora da lista inicial de produtos afetados. No entanto, a incerteza persiste, já que a medida pode ser estendida a outros segmentos. Indústrias brasileiras, especialmente aquelas com forte dependência do mercado norte-americano, como o setor automotivo e de máquinas, já começam a avaliar os riscos de uma retaliação comercial.
Relações bilaterais em xeque: o que está por trás do endurecimento?
A justificativa apresentada pelo governo dos EUA menciona a necessidade de combater práticas consideradas prejudiciais ao comércio global, mas analistas veem na medida um reflexo das tensões crescentes entre as duas maiores economias das Américas. A investigação, iniciada em 2025, sinaliza um endurecimento da política comercial norte-americana, que já havia imposto barreiras a outros parceiros comerciais, como a China e a União Europeia.
Consequências para o Brasil: economia em alerta
A imposição da tarifa, caso se concretize, pode ampliar as incertezas para exportadores brasileiros e gerar um efeito cascata na balança comercial. O setor agroexportador, já acostumado a desafios como barreiras fitossanitárias e flutuações cambiais, agora enfrenta um novo obstáculo. Enquanto a consulta pública não é concluída, o governo brasileiro já trabalha em estratégias de resposta, que podem incluir negociações diplomáticas ou até mesmo medidas retaliatórias.
