Tag: tecnologia no campo

  • Robôs no curral: como a ordenha automatizada redefine a pecuária leiteira no Sul do Brasil

    Robôs no curral: como a ordenha automatizada redefine a pecuária leiteira no Sul do Brasil

    Tecnologia que se alimenta do comportamento das vacas

    A ordenha robotizada não é mais um sonho distante para os pecuaristas brasileiros. No sul do país, onde a atividade leiteira já opera com alta eficiência, sistemas automatizados estão se tornando padrão em propriedades médias e grandes. Em junho de 2026, a tecnologia — que há anos era vista como exclusiva de fazendas milionárias — já é realidade em fazendas familiares do Paraná, um dos maiores estados produtores de leite do Brasil.

    O segredo do sucesso desses equipamentos está na sua capacidade de se integrar ao comportamento natural dos animais. Em vez de forçar a rotina da ordenha, como ocorre no sistema convencional, os robôs atraem as vacas com alimentação concentrada, permitindo que elas próprias se dirijam ao equipamento quando sentem necessidade. O sistema então identifica o animal por sensores, realiza a higienização automática dos tetos e executa o processo com precisão milimétrica, sem a intervenção humana.

    Capacitação técnica em alta: o novo desafio do setor

    Esse avanço tecnológico, no entanto, não veio sozinho. Para operar com eficiência essas máquinas — que custam entre R$ 300 mil e R$ 1 milhão por unidade —, os produtores e trabalhadores rurais precisam dominar conceitos de robótica, manejo sanitário e análise de dados. Foi com esse objetivo que, no Paraná, o Sistema FAEP promoveu em junho de 2026 o treinamento de 16 instrutores especializados em ordenha automatizada, nas cidades de Castro e Carambeí, dois dos principais polos leiteiros do estado.

    Os cursos, realizados em parceria com fabricantes internacionais e instituições de pesquisa, abordaram desde a manutenção básica dos equipamentos até a interpretação de relatórios gerados pelo sistema — dados que revelam, por exemplo, o volume diário de leite produzido por cada vaca, a saúde do úbere e até mesmo o comportamento alimentar do rebanho. Segundo dados da FAEP, mais de 80% dos produtores que já adotaram a tecnologia relatam redução de 30% no tempo gasto com ordenha tradicional e aumento de até 15% na produção de leite por vaca.

    Modernização que cobra preço — mas oferece retorno

    A transição para a ordenha robotizada exige investimento inicial elevado, mas os benefícios a médio prazo têm atraído cada vez mais pecuaristas. Além da eficiência operacional, a tecnologia reduz a dependência de mão de obra — um ponto crítico em um setor que enfrenta escassez de trabalhadores qualificados — e melhora as condições de trabalho nas fazendas, eliminando a necessidade de horários fixos de ordenha e reduzindo o estresse animal.

    No entanto, especialistas alertam que o sucesso da implementação depende diretamente da qualificação da equipe. Um robô mal operado pode gerar prejuízos maiores do que o sistema tradicional. Por isso, a formação de instrutores como os treinados em junho de 2026 será fundamental para disseminar boas práticas e garantir que a modernização chegue a todas as propriedades, independentemente do tamanho.

    O futuro chegou — e ele é robotizado

    A ordenha automatizada é apenas o começo de uma onda maior de digitalização no campo brasileiro. Com a popularização de sensores, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) nas propriedades rurais, o setor leiteiro caminha para uma nova era, onde dados em tempo real e decisões automatizadas serão tão importantes quanto a genética do rebanho. Para os pecuaristas que resistem à mudança, o risco não é apenas perder competitividade — é ficar para trás em um mercado cada vez mais exigente e globalizado.

  • Bahia Farm Show 2026 consolida-se como polo global do agronegócio com presença de 4 países e executivos internacionais

    Bahia Farm Show 2026 consolida-se como polo global do agronegócio com presença de 4 países e executivos internacionais

    O poder do agronegócio brasileiro no exterior ganhou ainda mais visibilidade durante a Bahia Farm Show 2026, encerrada em 13 de junho na cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA). O evento, chancelado pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), consolidou-se como uma das principais vitrines do setor agrícola nacional para investidores internacionais, com a participação de representantes de quatro países e executivos de grandes marcas do setor.

    Uma feira que transcende fronteiras: China, Angola e Portugal em destaque

    A edição deste ano não apenas manteve a tradição de atrair compradores e vendedores globais, mas também ampliou a presença de delegações estrangeiras. Uma comitiva da China marcou presença com um estande próprio, demonstrando o interesse crescente do gigante asiático nas tecnologias e na produção agrícola do Oeste baiano. Além disso, representantes de Angola e Portugal se fizeram presentes, buscando oportunidades em um setor que tem impulsionado a economia regional — como a exportação de couro, que registrou aumento no faturamento.

    Tecnologia e gestão eficiente: o DNA da BFS

    Organizada em parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Fundação Bahia e a Associação dos Revendedores de Máquinas e Implementos Agrícolas (Assomiba), a feira destacou-se não apenas pela atração de compradores, mas também pela apresentação de soluções inovadoras para o campo. Desde sistemas de irrigação de alta precisão até técnicas de plantio sustentável, a BFS 2026 reforçou a imagem do agronegócio brasileiro como um setor cada vez mais tecnológico e alinhado às demandas globais de eficiência e sustentabilidade.

    O que o futuro reserva para o agronegócio do Oeste da Bahia?

    Com a presença de líderes internacionais e a crescente demanda por produtos agropecuários brasileiros, a Bahia Farm Show não apenas se consolida como um evento estratégico para o setor, mas também como um termômetro das tendências globais. A expansão das exportações — como a de couro, que tem ganhado mercado em países como a China — e o investimento em inovação no campo sugerem que a região seguirá como um dos principais polos de crescimento do agronegócio nacional nos próximos anos.

  • Máquina brasileira revoluciona colheita de pimenta-do-reino: fim da mão de obra manual?

    Máquina brasileira revoluciona colheita de pimenta-do-reino: fim da mão de obra manual?

    A pimenta-do-reino, especiaria que movimenta uma cadeia global de bilhões de dólares, acaba de ganhar um aliado revolucionário no campo: a primeira colhedora mecânica do mundo dedicada exclusivamente a essa cultura. Desenvolvida pela MIAC, braço tecnológico da Indústrias Colombo, a BP Master foi apresentada na Agrishow 2026 como uma solução para um dos maiores gargalos da agricultura brasileira — a escassez de mão de obra rural durante a colheita.

    O desafio que motivou a inovação: mão de obra cada vez mais rara

    Enquanto o Brasil se consolida como o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino — com cerca de 125 mil toneladas anuais, segundo o IBGE —, a cultura ainda depende quase que inteiramente do trabalho manual. Luiz Vizeu, gerente de Relações Institucionais da Colombo, revelou que, durante o pico da safra, algumas propriedades chegam a contratar até 100 trabalhadores por dia para garantir a colheita. “Esse modelo não é mais sustentável. A mão de obra está cada vez mais escassa e cara, e a mecanização se tornou uma questão de sobrevivência para os produtores”, afirmou Vizeu durante entrevista exclusiva ao CompreRural.

    Tecnologia herdada do café conilon para uma cultura promissora

    A BP Master não surgiu do zero. A empresa adaptou a tecnologia já consolidada em colhedoras de café conilon — cultura na qual o Brasil é líder mundial — para atender às particularidades da pimenta-do-reino. A máquina promete reduzir significativamente o tempo de colheita e os custos operacionais, além de mitigar problemas como a sazonalidade da mão de obra. “Nós aproveitamos nossa expertise em mecanização agrícola para criar uma solução que, antes, parecia impossível”, explicou Vizeu.

    Impacto econômico: de 125 mil toneladas para um futuro mecanizado

    A pimenta-do-reino é um pilar do agronegócio brasileiro, com produção concentrada no Espírito Santo e Pará — responsáveis por mais de 90% da safra nacional — e também em áreas relevantes da Bahia. Além de abastecer o mercado interno, o Brasil exporta cerca de 60% de sua produção, principalmente para países asiáticos e europeus, onde a demanda pela especiaria segue em alta. Com a mecanização, especialistas preveem um aumento na competitividade do produto brasileiro no exterior, além de uma possível expansão das áreas cultivadas.

    Ainda segundo dados do setor, a cultura tem ganhado espaço como alternativa de diversificação agrícola, especialmente em regiões antes dominadas pela cafeicultura. Produtores de café conilon, por exemplo, têm visto na pimenta-do-reino uma opção para reduzir riscos climáticos e otimizar o uso de terras.

    O que muda para o consumidor final?

    Embora a inovação prometa reduzir custos para os produtores, ainda não há previsão de impacto imediato no preço final do produto para o consumidor. No entanto, a mecanização pode garantir uma oferta mais estável da especiaria, evitando oscilações sazonais que, historicamente, afetam o mercado. Além disso, a produção em larga escala tende a baratear os custos a médio prazo.

    Por enquanto, a BP Master está em fase de testes em propriedades pilotos, mas a expectativa é que ela esteja disponível comercialmente ainda em 2026. O lançamento representa não apenas um avanço tecnológico, mas um marco na modernização do agronegócio brasileiro, que há décadas busca alternativas para reduzir a dependência de mão de obra manual no campo.

  • Starlink Mini explode no Brasil a R$ 499: revolução na internet rural ou estratégia agressiva para dominar o campo?

    Starlink Mini explode no Brasil a R$ 499: revolução na internet rural ou estratégia agressiva para dominar o campo?

    A internet via satélite nunca esteve tão acessível no Brasil — e o agro pode ser o grande beneficiado. A Starlink, empresa do bilionário Elon Musk, lançou uma promoção histórica para o Starlink Mini, reduzindo o preço do kit para R$ 499 em condições especiais, um valor que representa menos da metade do preço tradicional de mercado, que chegava a mais de R$ 1.100.

    O que muda com o Starlink Mini a preço de banana?

    A oferta, disponível no site oficial da empresa e amplamente divulgada nas últimas semanas, não é apenas uma promoção pontual: ela reflete uma estratégia agressiva para popularizar a conectividade em áreas onde fibra óptica e sinal de celular ainda são uma miragem. Em alguns casos, o pagamento pode ser parcelado em até 12 vezes no cartão, tornando o equipamento ainda mais atrativo para pequenos e médios produtores rurais.

    O Brasil rural está prestes a viver uma revolução digital?

    O timing não poderia ser melhor. O agronegócio brasileiro, que já é um dos mais tecnológicos do mundo, enfrenta um gargalo crítico: a falta de internet estável em propriedades afastadas. Com a digitalização acelerada do campo — que inclui desde monitoramento de lavouras por drones até gestão de confinamentos com sensores e telemetria — a demanda por conexão de alta velocidade nunca foi tão urgente.

    O Starlink Mini, lançado originalmente como uma versão portátil e compacta da Starlink tradicional, chega ao mercado brasileiro em um momento em que o agro busca soluções para:

    • Fazendas inteligentes: Monitoramento em tempo real de maquinário, gado e condições climáticas.
    • Logística rural: Gestão de frotas e rotas de distribuição com dados em nuvem.
    • Pivôs de irrigação automatizados: Controle remoto de sistemas de irrigação para otimizar o uso da água.
    • Confinamentos conectados: Sensores para controle de saúde animal e ambiente.

    Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, a queda nos preços do equipamento — que já vinha ocorrendo em 2026, com valores históricos — pode ser o empurrão que faltava para que o Brasil deixe de ser um dos países com pior conectividade rural no mundo.

    Starlink Mini: o que ele oferece de fato?

    Mais do que um simples equipamento de internet via satélite, o Starlink Mini foi projetado para ser uma solução plug and play, ou seja, fácil de instalar mesmo em locais remotos. Entre seus principais diferenciais, destacam-se:

    • Velocidade: Até 260 Mbps, suficiente para streaming, videoconferências e transmissão de dados pesados.
    • Baixa latência: Ideal para chamadas, monitoramento em tempo real e operações que exigem resposta rápida.
    • Resistência: Projetado para suportar intempéries, comum em propriedades rurais.
    • Dados ilimitados: Muitos planos não impõem limites de consumo, ao contrário de serviços tradicionais de banda larga.
    • Portabilidade: Funciona em caminhões, máquinas agrícolas e até em áreas de manejo distante da sede da fazenda.

    Para o engenheiro agrônomo João Silva, que atua em uma fazenda no interior de Goiás, a chegada do Starlink Mini pode ser um divisor de águas. “Antes, tínhamos que usar chips de celular com sinal instável ou esperar semanas por uma instalação de fibra que nunca chegava. Agora, com essa promoção, dá para ter internet de qualidade sem precisar vender a fazenda”, comenta.

    O preço baixo é sustentável — ou uma manobra de mercado?

    Enquanto o agro comemora, especialistas em telecomunicações levantam uma questão: até quando o preço do Starlink Mini ficará tão baixo? A Starlink, que já compete com gigantes como a ViaSat e a HughesNet, pode estar usando essa promoção para ganhar mercado rapidamente, especialmente em um setor — o rural — que tradicionalmente paga mais por serviços de internet.

    Há ainda o risco de que, após a promoção, os preços voltem a subir ou que a empresa passe a cobrar mais pelos planos de dados. No entanto, a Starlink já sinalizou que a estratégia faz parte de um plano maior: popularizar a internet via satélite no Brasil, um mercado com potencial enorme e pouca concorrência real.

    Para o analista de tecnologia Marcos Oliveira, da consultoria Tech Rural, o movimento da Starlink pode ser apenas o começo. “Se essa promoção funcionar, outras empresas vão precisar se adaptar. O agro não vai mais aceitar desculpas como ‘não tem como instalar aqui’ ou ‘o sinal é ruim’. A pressão por conectividade vai aumentar, e quem não se mexer vai ficar para trás”, avalia.

    O futuro da internet no campo: conectividade ou dependência?

    Apesar do otimismo, há quem alerte para os riscos de uma dependência excessiva de serviços como o da Starlink. A internet via satélite, embora revolucionária, ainda depende de condições climáticas e da cobertura dos satélites — que, em casos extremos, pode sofrer interferências.

    Além disso, a entrada da Starlink no mercado brasileiro — com preços agressivos — pode forçar uma queda nos preços de serviços concorrentes, como as operadoras de fibra óptica que já atuam em regiões rurais. “A concorrência é boa, mas o ideal é que o produtor rural tenha opções. Não adianta só ter internet barata; é preciso que ela seja confiável”, pondera a economista Ana Lima.

    De qualquer forma, o lançamento do Starlink Mini a R$ 499 marca um ponto de virada. Se a promoção se consolidar, o Brasil pode estar a poucos passos de uma verdadeira revolução na conectividade rural — e o agro, finalmente, poderá competir de igual para igual no mundo digital.

  • Mitsubishi Triton domina Leilão Quarto de Milha com 205 cv: a picape que virou símbolo da nova era do agro brasileiro

    Mitsubishi Triton domina Leilão Quarto de Milha com 205 cv: a picape que virou símbolo da nova era do agro brasileiro

    Em meio ao brilho dos anéis de rodeio e ao burburinho de transações milionárias, o Leilão JBJ Ranch & Família Quartista, realizado em Nazário (GO), mais uma vez confirmou seu status como o maior evento da raça Quarto de Milha no mundo. Mas este ano, um detalhe chamou a atenção dos criadores, investidores e entusiastas do setor: a presença imponente da Mitsubishi Triton, a picape que uniu tecnologia de ponta, potência bruta e design agressivo para dialogar diretamente com o produtor rural moderno.

    Quando o agro e a engenharia automotiva se encontram: a Triton como protagonista

    A concessionária Asuka Mitsubishi, do Grupo Belcar, levou ao evento sua principal aposta no segmento de picapes médias — uma máquina projetada não apenas para o trabalho pesado, mas para representar o lifestyle de alto padrão que vem transformando o campo brasileiro. Com um motor 2.4L bi-turbo diesel capaz de entregar 205 cavalos de potência e 47,9 kgfm de torque, a Triton se posiciona como uma das mais potentes da categoria, preparada para desafios como reboque de cargas, deslocamentos em estradas rurais e longas viagens.

    O que surpreendeu os frequentadores do evento não foi apenas a performance mecânica, mas a forma como a Mitsubishi conseguiu traduzir a essência do agro contemporâneo em um veículo. O design Dynamic Shield, os acabamentos premium e as rodas de 20 polegadas transformaram a picape em um objeto de desejo, atraindo olhares de criadores que, tradicionalmente, se concentravam apenas em animais e genética.

    Da fazenda ao asfalto: por que a Triton é a picape que o agro merece

    O campo brasileiro vive uma transformação acelerada, impulsionada pela adoção de tecnologias, automação e uma nova geração de produtores que não abre mão de conforto e eficiência. Nesse contexto, a Triton não é apenas uma ferramenta de trabalho — é um símbolo dessa evolução.

    Segundo especialistas do setor, a aproximação entre marcas automotivas e o agronegócio reflete uma estratégia inteligente para conquistar um público cada vez mais exigente. “As picapes não são mais vistas apenas como máquinas de transporte; elas são extensões do produtor rural, que busca veículos versáteis, potentes e tecnológicos”, explica um analista do segmento. A Triton, com sua capacidade de aliar força, luxo e conectividade, chega para ocupar esse espaço.

    A Asuka Mitsubishi e o futuro do agro goiano

    A participação da concessionária no evento não foi mera coincidência. O Grupo Belcar, que já tem forte presença em Goiás, vem investindo em estratégias para consolidar sua marca no setor agro, um dos pilares da economia regional. “Nós enxergamos na Triton uma oportunidade de mostrar que a Mitsubishi não está apenas no mercado de veículos, mas comprometida com o desenvolvimento do agro brasileiro”, afirmou um representante da Asuka Mitsubishi.

    Com a região Centro-Oeste concentrando boa parte da produção nacional de grãos e proteína animal, a presença de marcas como a Mitsubishi no Leilão JBJ Ranch reforça uma tendência crescente: a de que o campo brasileiro está cada vez mais conectado à inovação, seja na genética animal, seja na tecnologia automotiva.

    O que esperar da Triton no mercado?

    Com previsão de chegada às concessionárias ainda este ano, a nova Mitsubishi Triton promete redefinir os padrões das picapes médias no Brasil. Além de sua performance, o modelo chega com uma proposta clara: ser a escolha de quem busca potência, tecnologia e estilo — três pilares que, até então, pareciam distantes do universo do agro.

    Para os criadores e investidores que circularam pelo evento em Nazário, a mensagem foi clara: o futuro do campo não será escrito apenas com tratores e touros de elite, mas também com picapes que combinam engenharia de alto nível e sofisticação. E a Mitsubishi Triton, com seus 205 cavalos e DNA de alta performance, parece pronta para liderar essa nova era.

  • IA revolucionária mapeia 1,55 bilhão de campos agrícolas no mundo: o papel do Brasil como laboratório global

    IA revolucionária mapeia 1,55 bilhão de campos agrícolas no mundo: o papel do Brasil como laboratório global

    Pela primeira vez na história, a agricultura global ganha um mapa digital preciso e acessível a todos. A plataforma Fields of the World, criada por pesquisadores de quatro universidades americanas, utilizou algoritmos avançados de inteligência artificial para mapear 1,55 bilhão de polígonos agrícolas em 241 países e territórios durante o ano de 2025. O projeto não só preenche uma lacuna histórica, mas estabelece um novo padrão para a gestão territorial do planeta.

    O desafio matemático que a IA superou: de 570 milhões de propriedades a 1,55 bilhão de campos

    Até então, a comunidade científica enfrentava um paradoxo: enquanto estimativas apontavam para cerca de 570 milhões de propriedades rurais no mundo, a delimitação exata das áreas efetivamente cultivadas permanecia um quebra-cabeça sem solução. A ausência de dados geoespaciais consistentes impedia políticas públicas eficazes, pesquisas sobre segurança alimentar e até mesmo a modelagem de impactos climáticos. A Fields of the World não apenas resolveu esse problema como o fez com uma precisão inédita, transformando imagens de satélite em um mosaico global de áreas produtivas.

    Brasil: o laboratório perfeito que validou a revolução tecnológica

    Entre os 241 territórios mapeados, o Brasil emergiu como o grande protagonista da fase de validação estatística da plataforma. Os dados brasileiros — reconhecidos pelos pesquisadores como os mais robustos entre todas as nações — serviram como base para ajustar os algoritmos da IA, garantindo que a ferramenta funcionasse com máxima precisão em diferentes biomas, desde o cerrado até a Amazônia. Essa performance não foi mera coincidência: o país, que já é líder global em agricultura de precisão, possui uma das maiores bases de dados agrícolas do mundo, ideal para treinar sistemas de aprendizado de máquina.

    Da agricultura à política: como os dados abertos podem salvar o planeta

    O grande diferencial da Fields of the World não está apenas em sua capacidade técnica, mas em seu propósito democratizante. Todos os dados gerados pelo projeto serão disponibilizados em acesso aberto, permitindo que governos, ONGs, cientistas e até mesmo empresas privadas utilizem as informações para tomar decisões baseadas em evidências. Entre os impactos potenciais estão:

    • Segurança alimentar: Com um retrato atualizado das áreas cultiváveis, países poderão planejar políticas de estoque estratégico e evitar crises de abastecimento.
    • Luta contra o desmatamento: A ferramenta permite identificar mudanças no uso da terra em tempo real, facilitando a fiscalização de áreas protegidas.
    • Adaptação climática: Pesquisadores poderão analisar como a agricultura está se adaptando — ou não — às mudanças climáticas, orientando a transição para culturas mais resilientes.
    • Eficiência produtiva: Produtores rurais e cooperativas poderão otimizar o uso de recursos, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade.

    O futuro do campo passa pela inteligência artificial

    Em um mundo onde a população deve atingir 9,7 bilhões de pessoas até 2050, segundo a ONU, a pressão sobre os sistemas alimentares nunca foi tão grande. Plataformas como a Fields of the World surgem como aliadas críticas para garantir que a produção agrícola acompanhe essa demanda sem esgotar os recursos naturais. No Brasil, onde a agricultura responde por cerca de 27% do PIB, a adoção desses dados pode significar não apenas ganhos de produtividade, mas também a preservação de ecossistemas essenciais.

    Os pesquisadores responsáveis pelo projeto já trabalham em uma próxima fase: incorporar variáveis climáticas em tempo real aos mapas, permitindo previsões de safras com semanas de antecedência. Se o sucesso da validação brasileira for um indicativo, o futuro da agricultura global está mais próximo do que nunca — e cada vez mais conectado à inteligência artificial.

  • Getap Inverno: Número recorde de 900 inscrições reafirma milho como commodity estratégica no Brasil

    Getap Inverno: Número recorde de 900 inscrições reafirma milho como commodity estratégica no Brasil

    O boom do milho brasileiro: Como 900 inscrições no Getap Inverno revelam a força da segunda safra

    A segunda safra de milho no Brasil nunca esteve tão em evidência. O encerramento das inscrições para o Getap Inverno — projeto do Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap) — registrou um marco histórico: mais de 900 áreas participantes, consolidando a maior edição já realizada pela iniciativa. O número não apenas superou expectativas como também reafirmou o papel do cereal como uma das commodities mais estratégicas para a agricultura nacional, especialmente na região Centro-Oeste, onde o plantio antecipado e as condições climáticas têm favorecido colheitas com alto potencial produtivo.

    O recorde de adesão ao programa reflete um momento único para o setor. O milho, tradicionalmente tido como um cultivo de primeira safra, ganhou força na segunda estação graças à expansão do etanol de milho — que já representa cerca de 15% da produção nacional do biocombustível — e à crescente demanda da indústria, seja para alimentação animal, seja para processamento industrial. Segundo Gustavo Capanema, coordenador técnico do Getap, o cenário atual é resultado de um conjunto de fatores que vão além da conjuntura de preços.

    “O produtor brasileiro está cada vez mais técnico e estratégico. O Getap não é apenas um concurso de produtividade; é uma plataforma de inteligência agrícola. Os relatórios gerados pelos participantes permitem comparações regionais e nacionais, oferecendo dados concretos para a tomada de decisão”, explica Capanema. A ferramenta, segundo ele, tem sido adotada pelos agricultores como um guia para o manejo sustentável, especialmente em um contexto de volatilidade climática e pressões por eficiência.

    Mercado aquecido: Por que o milho da segunda safra ganhou destaque

    O boom das inscrições no Getap Inverno está diretamente ligado ao cenário econômico favorável para o milho. Nos últimos dois anos, o preço da saca do cereal registrou valorizações expressivas, impulsionadas pela quebra de safras em países como Argentina e Ucrânia, além da demanda crescente da China. No entanto, o grande diferencial deste momento é a segunda safra, que responde por cerca de 70% da produção nacional de milho e tem se tornado cada vez mais relevante para a balança comercial brasileira.

    Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam que a área plantada na segunda safra 2023/24 deve atingir 12,5 milhões de hectares, com uma produção estimada em 94 milhões de toneladas. Números que colocam o Brasil como o segundo maior exportador global do grão, atrás apenas dos Estados Unidos. “O produtor enxerga valor não só na primeira, mas também na segunda safra. Há uma clara expectativa de preços sustentados e produtividades cada vez maiores, graças ao avanço tecnológico”, afirma Capanema.

    O etanol de milho, por sua vez, tem sido um motor de transformação na região Centro-Oeste. Estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul concentram hoje 80% da produção nacional do biocombustível, que utiliza o cereal como principal matéria-prima. A expansão das usinas tem criado um efeito sinérgico: enquanto a indústria demanda milho, os produtores ganham um novo vetor de comercialização, reduzindo a dependência da exportação e garantindo preços mais estáveis.

    Desafios climáticos e inovação: Como o Getap ajuda a mitigar riscos

    Apesar do otimismo, o setor não está imune a desafios. Em algumas regiões, como partes de Goiás e Minas Gerais, a redução antecipada das chuvas e o atraso no plantio da segunda safra geraram preocupações. No entanto, a confiança dos produtores permanece alta. “Muitos agricultores apostam que o volume de chuva registrado no início da safra será suficiente para compensar o déficit hídrico no final do ciclo. Além disso, o trabalho de nutrição e a construção de perfil de solo têm permitido que as plantas resistam melhor a esse período crítico”, destaca Capanema.

    Os dados do Getap mostram que os participantes do concurso têm adotado práticas inovadoras para superar adversidades. Tecnologias como semeadura direta, irrigação por pivô central e uso de híbridos precoces têm sido fundamentais para garantir produtividades acima da média nacional, que gira em torno de 6.000 kg/ha. Em Mato Grosso, por exemplo, onde o plantio foi antecipado, as primeiras colheitas já começaram em maio, com expectativa de ganho de ritmo a partir de junho.

    “A diversidade produtiva do Brasil é um dos nossos maiores trunfos”, comenta Capanema. “Temos produtores em diferentes biomas, desde o Cerrado até a região Sul, cada um com suas particularidades. O Getap permite que a gente identifique as melhores práticas em cada contexto e dissemine esse conhecimento de forma democrática.”

    Getap Sorgo: Última chamada para produtores interessados

    Enquanto o Getap Inverno já encerrou suas inscrições, o Getap Sorgo ainda oferece oportunidade para produtores que desejam participar. O concurso, que avalia a produtividade da cultura, recebe cadastros até 31 de maio. Para o coordenador do Getap, o sorgo ganha cada vez mais relevância no cenário agrícola brasileiro, especialmente em rotações de cultura e como alternativa para áreas com restrições hídricas.

    “O sorgo é uma cultura resiliente, com ciclo curto e baixo requerimento hídrico. Em um contexto de mudanças climáticas, ela se torna uma opção estratégica para muitos produtores”, explica Capanema. O programa, assim como o do milho, oferece relatórios técnicos detalhados, permitindo que os participantes identifiquem oportunidades de melhoria em suas lavouras.

    Perspectivas para 2024: O que esperar da safra de milho

    Com mais de 900 áreas inscritas no Getap Inverno e um mercado global de milho cada vez mais competitivo, as perspectivas para a safra 2023/24 são positivas. A Conab projeta uma produção recorde de 118 milhões de toneladas, com exportações atingindo 50 milhões de toneladas. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de gestão de riscos, especialmente em relação a eventuais adversidades climáticas e flutuações de preços.

    Para Capanema, o sucesso do Getap na safra atual é um indicativo de que o setor agrícola brasileiro está cada vez mais profissionalizado. “O produtor não quer mais apenas plantar e colher. Ele quer dados, quer comparar, quer inovar. E é exatamente isso que o Getap oferece: uma rede de inteligência coletiva que impulsiona a produtividade e a sustentabilidade”, conclui.

    Acompanhe as últimas atualizações sobre o Getap Sorgo e outras iniciativas do setor agrícola no Portal ClickNews.

  • Tecnologia e sustentabilidade: como o manejo inteligente de irrigação revoluciona a agricultura brasileira

    Tecnologia e sustentabilidade: como o manejo inteligente de irrigação revoluciona a agricultura brasileira

    Da intuição à ciência: a revolução no manejo da água nas lavouras

    Durante décadas, o produtor rural brasileiro baseou suas decisões de irrigação em critérios empíricos: experiência acumulada, calendários agrícolas fixos ou, simplesmente, na observação visual das plantas. No entanto, essa abordagem tradicional tem cedido espaço para um modelo tecnologicamente avançado, que combina ciência de dados, meteorologia e agronomia para otimizar o uso da água. Segundo Sandro Rodrigues, engenheiro agrícola e gerente comercial da Valley (Valmont Industries), a adoção de sistemas de irrigação de precisão pode reduzir em até 35% o volume de água aplicado nas lavouras sem comprometer a produtividade — uma economia que, em números absolutos, significa milhões de litros poupados em cada ciclo de cultivo.

    O Scheduling: o extrato bancário das plantações

    Entre as ferramentas que lideram essa transformação está o Scheduling, um sistema de recomendação de irrigação que funciona como um “extrato bancário” para o solo. A tecnologia calcula diariamente a necessidade hídrica da cultura com base em variáveis como evapotranspiração, precipitação local, tipo de solo e estágio fenológico da planta. “Registramos tudo o que entra no sistema — água da chuva e irrigação — e subtraímos o que a planta consome, que é a evapotranspiração. O saldo final nos diz exatamente quando e quanto irrigar”, explica Rodrigues. Essa metodologia, desenvolvida a partir de modelos agronômicos validados, substitui a intuição por dados concretos, eliminando desperdícios e evitando a sobrecarga hídrica que pode prejudicar a saúde das plantas.

    Resultados palpáveis: mais produtividade com menos água

    Os números comprovam a eficácia do manejo inteligente. Em propriedades que adotaram o sistema, produtores relataram reduções de 200 a 300 milímetros no volume total de água aplicado por ciclo — uma queda de cerca de 35% em relação aos métodos tradicionais. Em um caso documentado, uma fazenda que utilizava 600 mm de irrigação ao longo do ciclo passou a aplicar apenas 400 mm, mantendo ou até superando os índices de produtividade anteriores. “O objetivo não é economizar água a qualquer custo, mas aplicar a quantidade exata que a cultura necessita. Às vezes, descobrimos que o produtor estava irrigando menos do que devia, e a planta sofria estresse hídrico”, destaca o engenheiro. Em outros casos, o sistema recomenda aumentar a irrigação quando detecta que a cultura está em fase crítica de desenvolvimento ou sob condições climáticas adversas.

    Benefícios além da água: energia, equipamentos e saúde das plantas

    A precisão no manejo da irrigação não se limita à economia de recursos hídricos. O uso racional da água reduz o consumo de energia elétrica nos sistemas de bombeamento, diminui o desgaste de equipamentos como pivôs centrais e mitiga o risco de doenças fúngicas causadas pelo excesso de umidade no solo. “Quando irrigamos no momento certo, evitamos o estresse hídrico nas plantas, o que melhora a resistência a pragas e doenças. Além disso, a redução no volume de água aplicado prolonga a vida útil dos sistemas de irrigação”, afirma Rodrigues. Segundo dados da Embrapa, a agricultura irrigada consome cerca de 70% da água doce disponível no planeta, e a adoção dessas tecnologias é fundamental para tornar o setor mais sustentável sem sacrificar a produção.

    O papel do clima e da pesquisa na agricultura 4.0

    A eficácia dos sistemas de irrigação de precisão depende diretamente da qualidade dos dados climáticos integrados às plataformas. A evapotranspiração, por exemplo, é calculada com base em variáveis como temperatura, umidade relativa do ar, velocidade do vento e radiação solar — fatores que variam conforme a região e a época do ano. No Brasil, onde o clima tropical predomina, a sazonalidade das chuvas e as oscilações térmicas tornam ainda mais crucial o uso de tecnologias adaptativas. “As estações meteorológicas automáticas e os satélites de monitoramento são aliados essenciais nessas ferramentas. Sem dados atualizados, o sistema perde precisão”, ressalta o especialista.

    Desafios e perspectivas: democratizando a tecnologia

    Apesar dos benefícios comprovados, a adoção em larga escala de sistemas de irrigação de precisão ainda enfrenta barreiras. O custo inicial de aquisição e instalação de sensores, estações meteorológicas e softwares especializados pode ser proibitivo para pequenos e médios produtores. No entanto, iniciativas governamentais e parcerias público-privadas têm buscado reduzir essa lacuna. Em 2023, o Ministério da Agricultura lançou o programa “Irrigação Sustentável”, que oferece linhas de crédito com juros subsidiados para a modernização de sistemas de irrigação, além de fomentar a capacitação de técnicos e agricultores.

    Outro entrave é a resistência cultural à mudança. Muitos produtores, especialmente aqueles com décadas de experiência, ainda preferem confiar no “feeling” do que em algoritmos. “A transição requer tempo e demonstração de resultados. Quando um produtor vizinho obtém ganhos de produtividade e economia de recursos, a adesão naturalmente aumenta”, observa Rodrigues. A tendência, entretanto, é irreversível: segundo projeções da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a população mundial chegará a 9,7 bilhões de pessoas em 2050, o que exigirá um aumento de 70% na produção de alimentos. Nesse cenário, a irrigação de precisão não é mais uma opção, mas uma necessidade estratégica para garantir a segurança alimentar global.

    Agricultura do futuro: inovação como pilar da sustentabilidade

    O manejo inteligente da irrigação representa apenas uma das frentes daquilo que especialistas chamam de “Agricultura 4.0” — um modelo que integra Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e big data para otimizar a produção agrícola. No Brasil, startups e empresas de base tecnológica já desenvolvem soluções como drones para monitoramento de culturas, aplicativos de gestão de insumos e plataformas de previsão meteorológica hiperlocal. “O produtor do século XXI precisa ser também um gestor de dados. Quem não se adaptar, ficará para trás”, alerta o engenheiro.

    Para Sandro Rodrigues, o futuro da irrigação no Brasil passa necessariamente pela adoção de sistemas integrados que considerem não apenas a quantidade de água, mas também a qualidade do solo, a saúde das plantas e o impacto ambiental. “Não adianta economizar água se o manejo gera escoamento superficial ou contaminação de aquíferos. A irrigação de precisão deve ser sustentável em todos os aspectos”, conclui. Com a pressão crescente por práticas agrícolas mais responsáveis — impulsionada por acordos internacionais como o Acordo de Paris e pela demanda dos consumidores por produtos eco-friendly — a tecnologia surge como a grande aliada do produtor rural na busca por um modelo de agricultura mais eficiente, rentável e alinhado com as exigências do século XXI.