Um hatch no topo de um mercado dominado por SUVs
No dia 19 de julho de 2026, dados da China Association of Automobile Manufacturers (CAAM) confirmam o que parecia improvável há alguns anos: o Geely EX2, um compacto elétrico de 5 portas, é o carro mais vendido do mundo em 2026, à frente de gigantes como o Tesla Model Y, Xiaomi SU7 e BYD Seagull. No acumulado do primeiro semestre, o modelo registrou 244 mil emplacamentos, enquanto o segundo colocado, o Tesla Model Y, atingiu 198 mil unidades — uma diferença de 46 mil veículos. Em maio, a liderança do EX2 se tornou ainda mais evidente: 38.751 unidades vendidas contra 28.911 do Model Y, uma vantagem de quase 10 mil carros.
Preço baixo não é a única explicação
Com preço inicial de 64.800 yuans (aproximadamente R$ 49 mil), o Geely EX2 compete diretamente com microcarros elétricos urbanos como o Wuling Hongguang Mini EV, mas sua estratégia vai além do custo-benefício. O modelo se destaca por uma combinação de fatores: autonomia de até 400 km (adequada às necessidades das cidades chinesas), design compacto ideal para tráfego intenso e uma rede de recarga rápida expandida nos últimos 18 meses. Além disso, o EX2 é produzido em uma joint venture entre a Geely e a chinesa Zhejiang Lantu Automotive, o que permitiu custos reduzidos e preços competitivos sem sacrificar qualidade.
O Brasil como próximo alvo?
Embora o EX2 ainda não seja comercializado no Brasil, analistas do setor automotivo veem potencial para o modelo desembarcar no país, especialmente após o sucesso da versão brasileira do Dolphin Mini (BYD Seagull). Com a crescente demanda por carros elétricos acessíveis e a pressão por redução de preços — impulsionada por incentivos fiscais estaduais —, o EX2 poderia se tornar uma alternativa viável para o consumidor brasileiro, que ainda tem como principais opções no segmento elétrico compacto modelos como o Renault Kwid E-Tech e o JAC iEV6E. A estratégia da Geely, caso se repita aqui, seria apostar em um veículo que une praticidade, preço competitivo e tecnologia embarcada, sem a complexidade de um SUV.
O que vem pela frente?
A liderança do EX2 no primeiro semestre de 2026 não é apenas um fenômeno passageiro. Com a China representando mais de 60% das vendas globais de veículos elétricos, o modelo deve manter sua posição de destaque até o final do ano, a menos que surjam mudanças significativas no mercado, como um novo modelo da Tesla ou um lançamento agressivo da BYD. Para os fabricantes ocidentais, a mensagem é clara: o consumidor chinês, cada vez mais exigente, prioriza eficiência e custo-benefício em detrimento de tendências de design. Enquanto isso, o EX2 prova que, em tempos de eletrificação, os hatches ainda têm muito a dizer.
