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  • Japão mira parceria histórica para transformar o agro do Tocantins com foco em inovação e sustentabilidade

    Japão mira parceria histórica para transformar o agro do Tocantins com foco em inovação e sustentabilidade

    Na última quarta-feira (25 de junho de 2026), o embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, desembarcou em Palmas (TO) para um encontro histórico com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja Tocantins). A visita, marcada para discutir uma parceria de longo prazo entre os dois países, reuniu não apenas lideranças do agronegócio local, mas também representantes de instituições estaduais e federais, sinalizando o interesse japonês em investir em um dos estados mais promissores do agronegócio nacional.

    Propostas alinhadas ao legado do Prodecer

    A presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, apresentou ao diplomata uma proposta ambiciosa: uma nova fase da cooperação nipo-brasileira, inspirada no Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer). O programa, lançado na década de 1970, foi responsável por impulsionar a agricultura no Cerrado brasileiro, transformando a região em um dos maiores celeiros de alimentos do mundo. Agora, a intenção é replicar esse modelo no Tocantins, com foco em armazenagem de grãos, crédito rural facilitado, infraestrutura logística e agricultura de baixo carbono.

    Demandas do campo tocantinense ganham atenção internacional

    Durante a reunião, Noguchi foi apresentado às principais demandas do setor produtivo tocantinense, que enfrenta desafios como a escassez de silos para armazenamento — agravada pela aproximação do inverno, que reduz a umidade ideal para colheitas — e a necessidade de linhas de crédito acessíveis para pequenos e médios produtores. Além disso, o Japão demonstrou interesse em apoiar projetos voltados à sustentabilidade, como técnicas de plantio com menor emissão de carbono e uso eficiente de recursos hídricos, temas cada vez mais críticos em um cenário de mudanças climáticas.

    O que está em jogo para o Tocantins e o Brasil

    A possível parceria não beneficia apenas o Tocantins. Para o Japão, trata-se de uma estratégia para diversificar suas fontes de importação de alimentos, reduzindo a dependência de outros mercados. Já para o Brasil, a aliança pode atrair investimentos em tecnologia e inovação agrícola, além de fortalecer a imagem do país como produtor de commodities sustentáveis. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que, se concretizada, a cooperação poderia posicionar o Tocantins como um modelo nacional de agricultura de precisão e baixa emissão, replicável em outras regiões do Cerrado.

  • Justiça suspende cobrança de R$ 2,2 milhões de produtores rurais do Tocantins

    Justiça suspende cobrança de R$ 2,2 milhões de produtores rurais do Tocantins

    A decisão proferida na última quarta-feira, 24 de junho de 2026, pelo juiz Ricardo Gagliardi, da 1ª Vara Cível de Miranorte (TO), representa um marco para os produtores rurais que enfrentam crises recorrentes na agricultura. A liminar concedida a Adriano da Silva Fernandes e Antonio Marcos da Silva Fernandes impede que o Banco da Amazônia (BASA) execute medidas de cobrança referentes a R$ 2,2 milhões em dívidas de operações de crédito rural.

    Crise climática e de mercado pressionam o setor

    Os produtores alegaram em sua defesa que as perdas recentes decorreram de uma combinação de fatores: desde secas prolongadas até a queda nos preços das commodities agrícolas, além do aumento dos custos de produção, como fertilizantes e combustíveis. Segundo documentos apresentados ao Judiciário, a safra 2025/2026 foi marcada por prejuízos que tornaram inviável o cumprimento dos prazos originais das operações de crédito.

    Alongamento da dívida como direito garantido

    A legislação do crédito rural, em seus artigos 9º e 10º da Lei 4.829/1965, prevê mecanismos de renegociação em casos de eventos imprevisíveis que afetem a capacidade de pagamento dos agricultores. A jurisprudência brasileira, consolidada em diversos tribunais, tem reiterado esse entendimento, especialmente quando há comprovação de perdas decorrentes de fenômenos climáticos ou flutuações de mercado não controláveis pelo produtor.

    No caso em questão, o magistrado considerou que as provas apresentadas — laudos técnicos, relatórios de perdas e comprovantes de queda nos preços de venda — demonstraram a plausibilidade da alegação. “A suspensão das cobranças não configura um privilégio, mas sim a aplicação da lei em um contexto de crise estrutural do setor”, afirmou o juiz Gagliardi em sua decisão.

    Impacto para o BASA e para o agronegócio tocantinense

    O Banco da Amazônia, instituição responsável pela operação, ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão. No entanto, especialistas do setor creditício avaliam que o precedente pode influenciar outras demandas semelhantes em andamento. Para o agronegócio tocantinense, que já enfrenta queda de 12% na safra de grãos em 2026 em comparação ao ano anterior, a vitória judicial abre caminho para a renegociação de dívidas de centenas de produtores em situação similar.

    O caso reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas para o setor, incluindo programas de seguro agrícola e linhas de crédito com taxas subsidiadas, diante da crescente instabilidade provocada pelas mudanças climáticas.