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  • Europa mira SUVs: impostos mais altos para veículos grandes entram em discussão

    Europa mira SUVs: impostos mais altos para veículos grandes entram em discussão

    O fenômeno do *carspreading* e suas consequências

    A tendência de automóveis cada vez maiores, conhecida como carspreading, não é apenas uma questão de estilo. Segundo dados da Transport & Environment (T&E) e Clean Cities, desde o ano 2000, os veículos vendidos na Europa cresceram, em média, 1,2 cm por ano em comprimento e 0,5 cm em altura. Essa evolução reflete a popularização dos SUVs e crossovers, mesmo em um cenamento de famílias menores — um paradoxo que acende o alerta de reguladores.

    O estudo projeta dois cenários para 2040: um mantém a trajetória atual, com veículos grandes dominando as ruas, e outro onde medidas de incentivo à redução de tamanho entram em vigor. A proposta em discussão inclui impostos mais altos e tarifas elevadas de estacionamento para SUVs e modelos similares, visando mitigar impactos como a ocupação desproporcional do espaço urbano, o aumento do consumo energético e os riscos à segurança viária.

    Por que os veículos estão maiores?

    O crescimento não se limita ao comprimento. Pesquisas anteriores da T&E revelam que a largura e a altura dos capôs também aumentaram cerca de 0,5 cm anualmente, um reflexo direto da demanda por designs robustos e posições de direção elevadas. Enquanto isso, os lares europeus encolhem: segundo o Eurostat, o número médio de pessoas por residência caiu de 2,4 para 2,2 entre 2010 e 2020. Mesmo assim, a preferência por SUVs — que já representam 50% das vendas de carros novos na Europa — segue inabalável.

    O que está em jogo?

    A discussão transcende o mercado automotivo. Cidades como Paris e Barcelona já enfrentam problemas de estacionamento e circulação devido ao tamanho exagerado dos veículos, além de maior consumo de combustível e emissões de CO₂ mais altas. A União Europeia, que mira a neutralidade carbônica até 2050, vê nessas medidas uma forma de alinhar a indústria às metas climáticas. Enquanto isso, fabricantes como Volkswagen e Renault já sinalizam ajustes em suas linhas para 2027, com modelos compactos ganhando destaque em seus portfólios.